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Lista | Star Wars: Andor – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

O ranking da excelência.

por Ritter Fan
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  • Há spoilers.

Dada a surpresa boa que foi Star Wars: Andor, série que elevou drasticamente o nível de qualidade da franquia criada por George Lucas, emprestando um tom sério e um escopo ao mesmo tempo alargado e íntimo que expande as ideias de Rogue One, decidimos dar tratamento vip a ela, publicando, depois de nossa cobertura semanal de todos os 12 episódios da primeira temporada, uma crítica separada dedicada à análise da temporada completa. Leiam, aqui, nossos comentários feitos pelo Kevin Rick, com a respectiva nota geral (pessoalmente, ainda que eu concorde com tudo o que ele escreveu, daria facilmente 5 HALs).

Como fazemos em toda série que analisamos semanalmente, preparamos nosso tradicional ranking dos episódios para podermos debater com vocês, lembrando que os textos abaixo são apenas trechos das críticas completas que podem ser acessadas ao clicar nos títulos dos capítulos. Desta vez, porém, o trabalho foi particularmente árduo, pois episódios foram quase que uniformemente excelentes. Mesmo assim, perseveramos! Qual foi seu preferido? E o pior? Mandem suas listas e comentários!

12º Lugar:
The Axe Forgets

1X05

Como disse em minha crítica do episódio anterior, entendo quem cobra ação tradicional na série, mas eu nunca vi uma obra de toda a franquia tão bem escrita, tão cuidadosa no desenvolvimento de seus personagens e tão focada em trabalhar um realismo naturalista ao ponto de ser “obrigada” a mostrar um caça TIE aqui e ali para lembrar seus espectadores sobre o universo em que ela se passa. O que tivemos, até agora, foi uma sensacional construção de um cantinho muito especial da franquia que lida com o começo da rebelião e todos os personagens que tiveram papel fundamental nisso, inclusive aqueles que, do outro lado, tiveram – ou terão – papel fundamental na luta contra os rebeldes, pois tenho certeza de que a investigação de Dedra assim como a vontade de vingança de Syril não demorarão a convergir na direção de Cassian Andor e de Luthen Rael, como o próprio antiquário prevê, com voz temerosa. E essa queima (bem) lenta que Tony Gilroy elegeu fazer é a essência da série, realmente o que a torna especial mesmo quando comparada com outras séries foram do universo Star Wars, sejam elas de espionagem ou de intrigas governamentais e palacianas.

11º Lugar:
That Would Be Me

1X02

Para começo de conversa, a escolha de se trabalhar com cenários físicos tanto quanto economicamente viável foi mais do que acertada. O visual de Andor ganhou muito com isso, revertendo àquela sensação de espaço vivido que é tão cara à franquia nas raras vezes em que as produções pós-1999 se lembram disso. A fotografia de Adriano Goldman, que trabalhou em The Crown, assim como os figurinos de Michael Wilkinson, de Trapaça, e toda a direção de arte sob a supervisão de Toby Britton, de Dunkirk e Tenet, terminam de facilitar tremendamente a imersão nesse canto do vasto universo Star Wars que prova que sim, merece ser mais explorado. Não é uma questão de usar o adjetivo “sombrio” daquela maneira diluída de hoje em dia, mas sim de sua forma original, em que as efetivas sombras não são exatamente necessárias, mas sim a criação de toda uma atmosfera que incomoda o espectador, que o retira de sua zona de conforto.

10º Lugar:
Announcement

1X07

E olha que eu achava que Announcement seria um episódio que resfriaria a narrativa depois do sensacional The Eye, em que finalmente vemos o roubo dos créditos de uma guarnição do Império em Aldhani, mas eu me enganei completamente. Se alguma coisa, Announcement é o tipo de episódio seguinte a uma grande sequência de ação que não esperamos por ele conseguir surpreender e emocionar em sua “inação” da mesma maneira que ação clássica surpreendeu e emocionou. E sua maior qualidade é ao mesmo tempo mostrar os efeitos do roubo e impulsionar a narrativa para a frente, sem se esquecer de fazer com que o protagonista retorne ao seu passado, por assim dizer, para valorizar e, até onde podemos ver, encerrar histórias do primeiro arco narrativo da temporada. Em outras palavras, nada é deixado de lado em Star Wars: Andor, e cada personagem, por mais insignificante que podemos achar que é, ganha seu momento e tem sua participação cada vez mais costurada dentro da teia macro do começo da Rebelião em um processo absolutamente fascinante para quem entender e aceitar que obras audiovisuais ditas de ação não precisam ter perseguições e pancadaria a cada 10 minutos.

9º Lugar:
Aldhani

1X04

Esse é também o caso da história principal, claro, com Cassian Andor tentando entender primeiro o que Luthen Rael quer com ele e notando que o que ele quer é colocá-lo em uma missão – não é coincidência, óbvio, que a primeira missão do protagonista para os rebeldes é muito semelhante à sua última missão para o mesmo grupo – em que ele simplesmente não é bem-vindo. Sua aceitação poderia ser o fim do drama. Mas não. O roteiro faz questão de lidar com a literal luta de Vel Sartha (Faye Marsay) contra a sugestão de Luthen na superfície do planeta Aldhani e o subsequente descontentamento de quase todo seu grupo em razão da chegada de mais um membro faltando apenas três dias para o grande momento em que eles precisarão roubar dinheiro do Império. Tudo bem que a justificativa de Luthen para sua insistência em colocar Andor no grupo não me pareceu muito sólida, mas isso é algo que dá para relevar pelo momento.

8º Lugar:
Narkina 5

1X08

Falando em subversão de expectativas, é muito corajoso que Narkina 5, imediatamente depois de um episódio que faz de seu protagonista um coadjuvante, repita a dose e foque em Cassian Andor exclusivamente como uma maneira de compreendermos a peculiar prisão de visual peculiar e cuidadoso que lembra THX-1138, em que o chão “eletrificado” é a grande arma do Império e em que os trabalhos forçados ganham uma dimensão instigante ao fazer com que haja uma feroz competição interna com “incentivos” que, mais uma vez, serve de comentário crítico ao capitalismo selvagem. Fui pego de surpresa ao ver Andy Serkis como Kino Loy (seu segundo personagem na franquia, vale lembrar), prisioneiro que comanda a “sala de montagem” em que Andor foi inserido, mas o que realmente quebra aquilo que esperamos do foco no protagonista é que Andor permanece totalmente passivo, ainda que profundamente observador de tudo ao seu redor. Na sequência em que seus “colegas de mesa” estão atrás na competição, tudo é construído de maneira a fazer o espectador crer que Andor, de alguma forma, será o “salvador da pátria”, o sujeito que chega no último segundo para mostrar sua eficiência ímpar e ganhar o respeito de todos ali. Mas não. Ele é apenas mais um prisioneiro completamente perdido e incapaz de demonstrar qualquer tipo de reação que não seja um misto de passividade, surpresa e desespero por estar naquele lugar, sem qualquer tentativa do roteiro de dar pistas sobre como ele sairá de lá.

7º Lugar:
Nobody’s Listening

1X09

Entre Cassian Andor tentando o pouco que pode para formular um plano de fuga de Narkina 5, Dedra Meero torturando Bix Caleen para conseguir as informações que quer e Mon Mothma suplicando em vão pelo apoio do Senado contra as medidas restritivas do Império, Nobody’s Listening! teve algo como o efeito do compactador de lixo de Uma Nova Esperança multiplicado muitas e muitas vezes ao construir, com ritmo constante, lógico e sombrio aquela sensação claustrofóbica de que não há saída para ninguém ali que não seja mesmo a morte que visita Ulaf depois que ele tem um derrame. E não apenas isso, pois a sensação da mais absoluta impotência também impera, sem que a série ofereça saídas fáceis e heroicas a seus protagonistas, fugindo, com isso, do uso dos tropos básicos de histórias assim e oferecendo um verdadeiro desafio ao espectador que, ao longo de todas essas décadas da franquia Star Wars, aprendeu a esperar apenas mais uma história essencialmente maniqueísta do bem contra o mal.

6º Lugar:
Daughter of Ferrix

1X11

Maarva Andor, mãe adotiva de Cassian, morreu off screen e nós acompanhamos essa triste história pelo ponto de vista do pequeno androide provavelmente inspirado pelo design de V.I.N.C.E.N.T., de O Buraco Negro. Nós o vemos “acordar” na casa onde mora com sua “mãe” possivelmente há décadas, testemunhamos sua profunda tristeza pelo ocorrido e, mais ainda, seu medo de ficar sozinho, com o trabalho de voz de Dave Chapman juntamente com a mágica da manipulação das partes móveis do androide criando toda a emoção necessária que realmente nos convence dos sentimentos de uma máquina. B2EMO tem as reações genuínas de uma criança assustada que precisa ser confortada por alguém que confia, no caso o simpático Brasso (Joplin Sibtain), que promete “adotá-lo”.

5º Lugar:
Kassa

1X01

Quando, no primeiro episódio de Andor, o personagem titular entra em um prostíbulo para indagar sobre o paradeiro de sua irmã e, ato contínuo, acaba matando dois funcionários de uma corporação que, sob as asas do Império, comanda o sistema em que ele está, sendo que um deles com um tiro a queima-roupa na cabeça, emulando a cena que nos apresenta ao personagem em Rogue One, tive a mesma reação de surpresa e interesse que senti no cinema há alguns anos. Tudo indicava que Tony Gilroy estava no caminho certo novamente, com o tom sendo estabelecido de imediato e revelando a intenção de entregar uma série mais realista, mais pé no chão passada nesse fantástico universo, algo que, muito sinceramente, era necessário depois da sacrílega O Livro de Boba Fett e da “boa, mas bem menos do que deveria ter sido” Obi-Wan Kenobi.

4º Lugar:
Rix Road

1X12

Em termos narrativos, Rix Road é uma aula magna de convergência de núcleos de personagens. Todas as estradas levavam literalmente até Ferrix, onde tudo começou, e isso acontece de maneira harmônica e lógica para todos os envolvidos. Ninguém está presente ali de maneira antinatural ou forçada, pois até mesmo Luthen Rael, lá no fundo, nutria a esperança do que acaba justamente acontecendo, com Cassian entregando-se para a causa. Como disse, a única personagem de destaque que não estava fisicamente em Ferrix é Mon Mothma e o roteiro de Gilroy a deixa em Coruscant, brindando-lhe com duas cenas que paralelizam a ação principal. A primeira delas é a briga claramente encenada (ou, talvez melhor dizendo, unilateralmente encenada) pela senadora com seu marido sobre o vício dele em jogos, de maneira que seu motorista, que, conforme cena posterior confirma, é mesmo informante do Império, mais especificamente de Blevin e, a segunda, consequência direta da primeira, o momento em que Mon Mothma “entrega” sua filha para o filho adolescente do gângster Davo Sculdun, simbolizando sua própria e completa entrega para a causa, como no caso de Cassian.

3º Lugar:
Reckoning

1X03

Mesmo não gostando quando séries semanais começam com a oferta de mais de um episódio de uma vez, a decisão, aqui, foi acertada e justificada exatamente pela bem-vinda lentidão da narrativa. O ponto é que, muita gente, acostumada com pancadaria incessante ou incapaz de lidar com sequências que se beneficiam de cortes espaçados, ficaria frustrada com apenas o primeiro episódio e é sempre bom, nesses casos, deixar bem claro que tudo faz parte de um arco e que, portanto, tem razão de ser. Afinal, aquilo que é minuciosamente construído ao longo de dois episódios, e que poderia ser resumido em um magnífico senso de comunidade em Ferrix, paga seus generosos dividendos no terceiro que, inclusive, parece encerrar o primeiro arco narrativo da série de 12 episódios (de um total de 24, já que a segunda e última temporada começou sua produção e, ao que tudo indica, levará até os eventos de Rogue One).

2º Lugar:
The Eye

1X06

Cada informação que foi lentamente ofertada sobre cada rebelde é importante para que a missão tenha peso e relevância para o espectador para além do roubo em si. Cinta, apesar de calada e de nunca mostrar nada de particularmente especial, é qualificada como a mais letal do grupo, exatamente o que vemos acontecer dentro das instalações do Império no planeta. Vel ganha uma abordagem que a coloca na tensão de ser uma líder de uma missão considerada suicida e o episódio é cuidadoso em mostrar sua hesitação, seu medo mesmo em seguir em frente. O tenente Gorn é o traidor do Império, desgostoso com o que testemunhou e que usa sua frieza para vingar-se de seu superior. Karis é o idealista que acredita profundamente na causa e, aqui, luta não só para conciliar o que Andor é em relação à Rebelião, mas também para, apesar de mortalmente ferido, cumprir sua função até o fim. Somente Taramyn ganha uma informação a mais neste mesmo episódio, criando o contexto para seu sacrifício: ele fora um Stormtrooper (talvez tudo o que Finn deveria ter sido na Trilogia Sequência).

1º Lugar:
One Way Out

1X10

A frieza do tom de voz de Rael primeiro em descartar Meero como algo realmente sério (o que pode ser apenas um jogo dele, claro) e, depois, em basicamente sacrificar Kreegyr e sua célula é como violentos tapas nas caras tanto de Lonni quanto dos espectadores, com a interpretação apenas vocal de Stellan Skarsgård sendo um destaque impressionante. E, quando a porta finalmente abre, esse destaque continua e é amplificado com o ator agora completo vivendo seu personagem de maneira imponente, ameaçadora, segura de si e nem por um segundo hesitante, ainda que deixando evidente seu pesar por fazer o que acaba fazendo, quando Lonni conta sua verdadeira intenção por trás do encontro que ele pedira, ou seja, largar os rebeldes para ter uma vida sem riscos com sua recém-formada família. Rael deixa muito claro que essa não é uma opção que está na mesa, que Lonni não pode simplesmente deixar para trás anos e anos de trabalho infiltrado em posição tão importante, o que faz o diálogo imediatamente retornar para os cumprimentos de Rael pelo nascimento do bebê de Lonni, especialmente depois que o antiquário deixa muito claro o quanto ele sacrificou e ainda sacrifica pela Rebelião. Não sei quanto a vocês, mas eu não me lembro de ter respirado nessa aterradora sequência que Toby Haines e Beau Willimon, respectivamente na direção e roteiro, conseguiram criar.

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