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Lista | Stargirl – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

por Ritter Fan
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Temporada:
(não é uma média)

A temporada inaugural de Stargirl foi, em uma palavra apenas, frustrante. Começando de forma mediana, mas logo descambando para origens meia-boca mal estruturadas e mal encaixadas na narrativa macro, com a entrada e saída de personagens sem qualquer tipo de desenvolvimento, a série perdeu a chance de construir solidamente sua história. Mas esse problema de infraestrutura sequer é a razão para a frustração, já que uma série ruim do começo ao fim não frustra ninguém, pois nunca dá esperança de nada, o que não é o caso aqui.

A frustração veio quando a qualidade começou a subir a partir de Shiv Parte One, o primeiro de quatro episódios seguidos focados em super-vilões que despontaram como uma estirada sensacional, chegando ao ponto alto no potente Brainwave Jr. que, no conjunto, serviram para mostrar todo o verdadeiro potencial do material que Geoff Johns e Greg Berlanti tinham em mãos. Mesmo açodados e sabotados pelo que veio antes, esse arco duplo em que a equipe criativa deixou evidente o que tinham a oferecer conseguiu tirar a temporada do besteirol completo que muitos defendem achando muito erroneamente que a série efetivamente abraçou a linguagem da Era de Ouro dos quadrinhos.

Essa argumentação, aliás, é como uma tábua de salvação para justificar escolhas tenebrosas de desenvolvimento de personagens e situações, ainda que sim, por vezes o espírito da Era de Ouro se fizesse presente. Mas a grande verdade é que, olhando em retrospecto, muito claramente faltou um bom planejamento em Stargirl e tudo o que conseguiram fazer foi colocar na telinha algo que, no agregado, não passa do mediano. Mas um mediano enfurecedor por nos deixar vislumbrar o motor potente debaixo do capô arrebentado.

Como fazemos com todas as séries que criticamos por episódio, confiram nosso ranking e mandem os de vocês!

13º Lugar: Stars and S.T.R.I.P.E. Part One

1X12

Ou seja, com exceção talvez dos cinco minutos finais e, com muito boa vontade em razão unicamente da estética, da cena de teste do Onda Mental dando uma de Professor X localizando mutantes na câmara do Cérebro (supondo que é aceitável testar a máquina pela primeira com a contagem regressiva rolando), o episódio é como um desnecessário e enorme prólogo para o que pode ainda ser uma pancadaria bacana no encerramento (sou otimista, oras!). Novamente o problema da falta de planejamento torna-se evidente, pois não faltavam elementos para serem abordados se eles o fossem de maneira mais equânime ao longo da temporada, sendo uma pena que eles desperdicem um episódio inteiro com banalidades. E olha que eu sinceramente considero que fillers têm seu valor, mas somente quando são bem feitos, claro.

12º Lugar: The Justice Society

1X06

E olhem que eu estou gostando muito da interação adolescente da temporada inaugural de Sociedade da Jus… digo… Stargirl. Esse é, sem dúvida alguma, o ponto alto da série comandada por Geoff Johns e aquele outro cara da CW, colocando-a, nesse quesito, muito acima de seus pares. Mas o problema é que tudo é feito na base do “vamos atacar primeiro e pensar depois”, algo que é bonitinho da primeira vez, mas que se torna idiota e imbecil depois da décima vez que acontece. E mais: não dá para levar a sério quando um vilão que matou seu colega de trabalho de décadas e o filho adolescente dele simplesmente porque deu vontade brigar com outros dois vilões por terem assassinado (no estacionamento da escola, local onde tudo acontece e ninguém nunca vê nada) o treinador do time de futebol americano ou quando Courtney é ordenada a pegar de volta os objetos super-heroísticos que andou distribuindo de brinde para que no momento seguinte suas amigas comentem o quanto ficaram felizes como pintos no lixo pela oportunidade que lhes foi dada. É preguiça demais do roteiro e isso cansa, retirando toda a vontade de continuar assistindo.

11º Lugar: Icicle

1X03

Pior do que isso, mesmo que obviamente tenhamos que considerar que o assassinato a sangue-frio de um adolescente não pode ser encarado como qualquer coisa, a grande verdade é que a temporada não tinha sequer introduzido o personagem, pelo que a morte de Joey Zarick, filho do Mago, é vazia de significado e de emoção. Custava ter trabalhado melhor a presença do garoto e sua relação com Courtney? Era a perfeita oportunidade para trabalhar o lado bem adolescente da série de maneira orgânica e trazer um assassinato realmente corajoso para Stargirl e não algo que, muito sinceramente, esqueceremos muito em breve. E não é muito diferente no próprio caso do Mago, que vislumbramos em S.T.R.I.P.E., mas que já foi limado da história aparentemente sem razão maior que não seja para reafirmar o lado psicopata de Geada.

10º Lugar: Wildcat

1X04

Não sei quanto tempo uma série fica em gestação e o quanto os showrunners discutem sua construção, mas independente do tipo de pegada que queiram dar a determinada história, costuma ser importante a lógica interna. Repetir o quão foi prematura a morte de Cameron e Jordan no episódio anterior é desnecessário, mas essa escolha repentina e deslocada acontece novamente aqui, só que de outra maneira. Vimos Courtney furtar os uniformes e objetos dos integrantes da Sociedade da Justiça original com o objetivo de procurar substitutos para os heróis mortos, algo aparentemente banal e que pode ser feito meramente folheando o Livro do Ano da escola de Blue Valley. E, como se isso não bastasse, o roteiro de James Dale Robinson encaixa conveniência atrás de conveniência em uma sucessão mais do que preguiçosa para levar a jovem super-heroína à escolha da emburrada Yolanda Montez como a nova Pantera.

9º Lugar: Pilot

1X01

A abordagem básica de séries adolescentes nos Estados Unidos é utilizada aqui para falar de problemas familiares, escolares e também apontar o enfrentamento entre antigos vilões e novos heróis. Como disse mais acima, a graciosidade dos movimentos de Courtney utilizando Cetro e a sua própria relação com ele são coisas chamativas e bem realizadas, mas tirando isso, tudo o que vem depois da cena de abertura é artificial e facilmente causador de vergonha alheia. Pode melhorar no futuro, claro, mas entre didatismo e teenizaçãoCW-zada da SJA sugeridos por este piloto, prefiro mesmo seguir lendo os crossovers dos personagens da DC com a Gangue do Scooby-Doo. De toda forma, os adolescentes vão gostar bastante dessa série! Público, grande ou pequeno, essas cosias sempre encontram.

8º Lugar: Hourman and Dr. Mid-Nite

1X05

A questão é que o mais recente episódio da série que, em breve, precisará ser rebatizada de Sociedade da Justiça, conta uma excelente história dupla das versões teen de Homem-Hora e Doutor Meia-Noite, heróis da Era de Ouro dos quadrinhos criados em 1940 e 1941 respectivamente, mas sem saber usar os episódios anteriores como plataformas de desenvolvimento. Foi exatamente a mesma coisa no episódio anterior, com Yolanda sendo praticamente retirada de sua obscuridade ao ganhar holofotes em uma história corrida que tem como base a vontade de criança birrenta de Courtney de montar uma nova equipe a toque de caixa, como se achar alguém para herdar poderes de super-heróis fosse a coisa mais simples do mundo.

7º Lugar: Shining Knight

1X11

É decididamente uma pena que esse tipo de artifício seja utilizado a essa altura do campeonato na temporada, com a introdução do pai verdadeiro de Courtney com uma baita conveniência de roteiro, já que a primeira vez que ouvimos falar dele foi quando Barbara envia um e-mail para ele no episódio anterior sem entrar em detalhes sobre nada. Sam Kurtis (Geoff Stults) é mais um daqueles personagens extremamente mal utilizados que caem de para-quedas na história e criam um caos clichê auto-contido momentâneo que é de revirar os olhos. Mais uma vez, se tivesse havido uma construção melhor em episódios passados, especialmente considerando que Courtney não parava de falar que seu pai era Starman, o mesmo resultado poderia ter sido alcançado de maneira muito mais interessante e significativa na história.

6º Lugar: S.T.R.I.P.E.

1X02

Mesmo com a relação dos dois tomando forma ao final do episódio, ainda falta uma cola narrativa para que os personagens de  Brec Bassinger e Luke Wilson realmente funcionem juntos. E não é nem pela incapacidade dramática dos dois atores, pois a primeira, ainda novata, até que conseguiu mostrar mais nesses dois episódios do que Katherine McNamara foi capaz ao longo de duas temporadas inteiras de Arrow (ok, não quer dizer lá muita coisa, mas pelo menos Bassinger não é uma maçaneta loira como sua colega) e Wilson, que, mesmo nunca tendo se notabilizado por sua latitude dramática, tem muito carisma e simpatia inatos que compensam o restante. A questão é que a conexão de enteada e padastro não convence em razão de o restante da família fazer figuração e por não entendermos exatamente a dinâmica ali, o que acaba resvalando para os momentos super-heroicos, ainda que com menos intensidade. Pode ser, porém, que isso melhore com o tempo, vamos ver.

5º Lugar: Stars and S.T.R.I.P.E. Part Two

1X13

E, com isso, finalmente temos o grande embate entre a velha SIA e a jovem SJA em sequências de pancadaria de bom nível, repletos, como de costume, de wire-fu, mas também de CGI competente. Claro que temos que aceitar que os poderes de praticamente todos os presentes são reduzidos a quase nada para estender a luta por mais tempo. Como dizem por aí, “nerfaram” os super-heróis e os super-vilões, pois o tão ameaçador Geada nem sequer se transforma em gelo, não soltando mais do que uns raiozinhos ineficientes, o Rei Dragão anti-climaticamente morre espetado por sua própria filha, que finalmente sai de sua prisão, o Mestre dos Esportes e a Tigresa levam dois tapas e já saem da jogada, e Stargirl usa seu cajado de forma esparsa e discreta ao ponto de ser chocante ela empregando seu instrumento senciente na versão full power ao destruir as gigantescas parabólicas alguns minutos depois (é aquilo: se ela usasse esse poder todo no calabouço, a luta acabava em cinco segundos).

4º Lugar: Shiv Part One

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Não demora muito para ficar evidente o porquê de Shiv precisar de dois episódios. O roteiro de Evan Ball, além de oferecer uma razoavelmente boa origem que tem absolutamente tudo a ver com o “ser adolescente” – ela brigando com o pai encapuzado na masmorra ou sei lá o que é aquilo foi impagável – ainda é capaz de justamente costurar toda a super-secreta Sociedade da Injustiça que parece ter construído a cidade em cima de seu quartel-general, quase como se Blue Valley fosse a Disney World e a teia de corredores subterrâneos “misteriosos” os lugares onde transitam todo o staff que faz o parque funcionar. Shiv, portanto, parece ser o nexo que faz a conexão entre o mundo dos vilões debaixo da terra e o mundo colorido acima dela, algo que é bem representado pelo seu cabelo de duas cores.

3º Lugar: Brainwave

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Não é um episódio daqueles de arregalar os olhos em termos de acontecimentos incríveis. Na verdade, ele não contém sequer uma sequência de ação completa, só aqueles dez segundos com a Pantera procurando briga. McGuinness joga um jogo tranquilo, mas preciso, trabalhando Henry sem aquele afã de ver o jovem já decidido e uniformizado a toque de caixa, mas também sem reinventar a roda. A ambiguidade é mantida constantemente, algo que reflete inclusive os quadrinhos, já que o segundo Onda Mental, apesar de originalmente ser um herói, oscila entre vilania e boa-mocice não muito tempo depois. Com isso, mesmo que muitos possam torcer o nariz para a decisão de Courtney de arregimentá-lo para seu lado, especialmente considerando que o poder de Henry é justamente ler mentes e que Court deixou o pai dele em coma (sim, minha reação também foi revirar os olhos para a burrice dela), não é algo completamente fora de esquadro, até porque mais ninguém, nem mesmo Pat, parece ser capaz de oferecer alternativas imediatas para lidar com a presença da Liga da Injustiça na cidadezinha de Blue Valley.

2º Lugar: Shiv Part Two

1X08

E essa contrapartida existe aqui muito claramente e não só pela forma como o roteiro de Paula Sevenbergen lida com Henry, mas também por outros dois momentos muito bem construídos. O primeiro deles é quando Cindy visita Courtney em seu quarto, levando balões e bombons e pedindo para a loira ser sua amiga. O incômodo de Court é palpável, assim como a mais absoluta naturalidade da vilã, que parece mesmo sincera em suas intenções a ponto de realmente conseguir enganar o espectador até o final. Temos que considerar que Stargirl não vinha apresentando muita coisa inteligente até essa dupla de episódios, pelo que seria mais do que natural, ainda que completamente irritante, se Cindy não tivesse percebido que Courtney é Sideral e Sevenbergen brinca justamente com essa expectativa, puxando o tapete do espectador no último segundo, mas também de forma muito natural, com um sorriso no rosto de Cindy, depois que ela come as metades de todos os chocolates que ela deixa espalhados em cima da cama da “amiga”.

1º Lugar: Brainwave Jr.

1X10

Como mencionei, apesar de tudo estar literalmente escrito nas estrelas, o personagem de Walker conseguiu, muito rapidamente, ganhar desenvolvimento relevante que primeiro o enquadrou como um adolescente inconsequente que foi capaz de distribuir fotos comprometedoras de Yolanda, então sua namorada, depois o colocou como um filho que, apesar de negligenciado, sofre pelo coma do pai, até alguém que descobre seus poderes, vê a podridão humana, mas mesmo assim resiste à tentação. Esse é o tipo de personagem que a série precisava e é de cortar o coração – ainda que perfeitamente lógico e, espero, também necessário – que ele seja assassinado pelo próprio pai salvando os amigos tão cedo na série.

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