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Lista | Superman & Lois – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

por Ritter Fan
5.518 views (a partir de agosto de 2020)

Avaliação da temporada:
(não é uma média)

  • spoilers.

A primeira temporada de Superman & Lois talvez tenha sido a maior surpresa de 2021 até agora para mim. Afinal, eu tinha tudo para detestá-la mais do que completamente: não gosto de nada de super-heróis da DC, tendo amargado oito anos de Arrow e alguns de Supergirl e The Flash, nunca realmente fui lá muito fã do Superman (ainda que o filme de 1978 esteja no meu top 2 de melhores adaptações de super-heróis) e não havia gostado nadinha de Tyler Hoechlin como o Azulão na série de sua prima. Era a tempestade perfeita para eu sair fumegando de raiva a cada episódio.

Mas como eu estava enganado. Caí na “besteira” de assistir ao episódio piloto e pronto, fui completa e imediatamente fisgado para essa pegada mais intimista e familiar que o showrunner Todd Helbing imprimiu à temporada. Passei pelo menos metade da temporada achando que ele meteria os pés pelas mãos, mas o danado segurou as rédeas da difícil tarefa de contar uma história do Superman e Lois com os pés no chão, lidando com problemas comuns a meros humanos, como filhos adolescentes, sogro durão e assim por diante. E o mais incrível é que, mesmo não tendo conseguido encerrar a temporada com o mesmo nível de qualidade que vinha mostrando, o resultado final foi tão satisfatório que pelo menos esta temporada inaugural pode ser muito facilmente considerada como uma das mais bem feitas adaptações do super-herói desde o já citado filme de Richard Donner.

Hoechlin apagou todo aquele gosto agridoce que deixou com suas aparições em Supergirl, convencendo completamente tanto como Clark Kent e Superman – mesmo que tenhamos que fechar os olhos para o fato de que, certamente por direção do showrunner, o ator nem de longe tente criar uma diferença entre as duas personas – e Elizabeth Tulloch elevou sua personagem a alguém tão e às vezes mais importante que sua cara metade. Até mesmo os tão temidos “draminhas adolescelentes” com os gêmeos Jonathan, sem poderes, e Jordan, no começo da manifestação dos seus, foram muito além do que bobagens para ocupar tempo e servir de conexão com uma demografia importante para a série.

A introdução de uma nova e extradimensional versão de Aço foi outra excelente sacada, com uma ótima atuação de
Wolé Parks, que construiu um personagem trágico, primeiro rotulado como vilão e, depois, aos poucos, bandeando-se para o lado do Superman, assim com foi o uso do General Samuel Lane, pai de Lois e chefe do Departamento de Defesa. Não funcionou tão bem a revelação de que Morgan Edge era o kryptoniano Tal-Rho disfarçado há décadas e com um plano de dominação mundial, mas é a velha sina do Superman, em que, em razão de seus vastos poderes, muito sentem a necessidade que ele tenha um vilão tão ou mais poderoso. Talvez – gosto de pensar assim – o desenvolvimento desse lado da narrativa tenha sido prejudicado pelo pandemia, que atrasou a produção da série, mas tenho para mim, lá no fundo, que não, que o problema foi mesmo na forma como o plano de Edge simplesmente não fazia lá muito sentido, exigindo alguns atalhos de roteiro que levaram aos episódios finais desapontadores.

Mas, independente de qualquer coisa, essa primeira temporada de Superman & Lois foi marcante e inesquecível. Eu poderia até dizer que é o momento de “virada” na qualidade das séries do Arrowverse da CW, mas aí já seria otimismo demais. É muito mais fácil eu concluir dizendo que a nova série é a exceção que confirma a regra, restando apenas torcer para que Helbing continue mantendo essa sua pegada família para o maior herói dos quadrinhos.

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Como fazemos em toda série que analisamos semanalmente, preparamos nosso tradicional ranking dos episódios para podermos debater com vocês, lembrando que os textos abaixo são apenas trechos das críticas completas que podem ser acessadas ao clicar nos títulos dos capítulos. Qual foi seu preferido? E o pior? Mandem suas listas e comentários!

15º Lugar:
Last Sons of Krypton

1X15

Com direção de Tom Cavanagh, o próprio Flash Reverso daquela outra série da CW, o primeiro problema sistêmico do episódio é ele ser confuso. Mas não sei se eu consigo abordar a confusão narrativa que acaba resultando da direção sem lidar com o outro problema sistêmico, este trazido pelo roteiro que Brent Fletcher escreveu com o próprio showrunner, ou seja, a simplicidade de diversas escolhas para lidar com a ameaça do Erradicador. Esses dois aspectos negativos andam de mãos dadas no episódio, já que a simplicidade acaba forçando Cavanagh a lidar com uma decupagem que impede em grande parte que a história mantenha sua coesão.

14º Lugar:
The Eradicator

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O problema de The Eradicator é justamente não saber fazer o que tanto elogiei no episódio anterior, ou seja, o equilíbrio da ação macro com os desdobramentos micro em Smallville. Não que eu pregue que deveríamos ter visto só ação, pois o espírito de Superman & Lois não é esse e eu espero que nunca chegue a ser, mas, aqui, houve talvez um desvio grande demais do ponto nevrálgico, deixando a narrativa envolvendo diretamente o vilão kriptoniano, transformado na versão viva do Erradicador depois de absorver radiação solar por dias a fio, um tanto quanto decepcionante. Ou melhor, deixe-me ser mais preciso: a pancadaria em si foi mais uma vez ótima e muito bem feita, com Superman fazendo uma baita dupla com Aço, mais uma vez, só toda a lógica do que Tal-Rho planeja ficou um pouco perdida.

13º Lugar:
The Perks of Not Being a Wallflower

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Talvez muito rapidamente demais, as características clássicas de qualquer obra audiovisual envolvendo o Superman começam a aparecer. Se com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, com poderes do nível que o Homem de Aço tem, vem a necessidade de superinimigos no mínimo tão poderosos quanto. Faz parte do jogo, mas meu ponto é que o misterioso Capitão Luthor, que parece ser um Lex Luthor de outra realidade em que o Superman bandeou-se para o Lado Sombrio da Super Força, já preenchia esse papel em Superman & Lois. A entrada de capangas de Morgan Edge com habilidades iguais às do Azulão já no terceiro episódio da temporada inaugural me pareceu um pouco demais.

12º Lugar:
Holding the Wrench

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No entanto, o roteiro de Kristi Korzec simplesmente não conseguiu criar um episódio engajador como os anteriores, com algumas escolhas narrativas de se coçar a cabeça, levando a situações artificiais para atrasar a reunião de Irons com Lois Lane somente para que a repórter pudesse chegar no último segundo para salvar seu marido de uma lança de kriptonita no peito (sério que uma das armas desenvolvidas secretamente pelo exército é uma lança medieval e não uma metralhadora com balas verdinhas???). O primeiro e mais evidente problema de Holding the Wrench é a tentativa de ser “esperto” e “descolado” com o uso de uma sessão de terapia de Lois Lane que aborda algum fato que vamos aos poucos descobrindo qual é e, principalmente, o porquê de ele ter acontecido.

11º Lugar:
Loyal Subjekts

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Existem as surpresas boas, bem construídas, que conseguem convencer de imediato o espectador quando acontecem e existem as surpresas estranhas, que parecem, pelo menos em um primeiro olhar, forçadas e retiradas completamente da cartola. A revelação, em Man of Steel, que o Capitão Luthor, na verdade, era John Henry Irons é a reviravolta do primeiro tipo, que usa o episódio em que acontece para envelopá-la e aninhá-la completamente dentro da lógica do que é estabelecido. Por outro lado, Morgan Edge ser um kryptoniano é algo que se encaixa mais no segundo tipo de surpresa, especialmente se ele realmente tiver chegado à Terra na mesma época que Kal-El, tendo permanecido incógnito todas essas décadas (e nem digo que ele é mesmo irmão do Superman, pois o uso da palavra pareceu-me mais metafórico, no sentido de compatriota, do que literal, ainda que, claro, tudo seja possível).

10º Lugar:
Man of Steel

1X07

E isso me leva ao segundo problema. Era mesmo necessário que o roteiro curasse Jordan em apenas um episódio? Não vi problema em ele conseguir ter algum nível de controle e usá-lo para bisbilhotar o irmão justamente no momento errado e, depois, ajudar o pai a derrotar Irons, mas daí a simplesmente aparecer livre, leve e solto, já com um sorriso no rosto, sem fone de ouvido como se nada tivesse acontecido foi um desperdício da abordagem literal das “dores de crescimento” que fazem da série algo tão especial. Afinal, será cansativo se a rotina for Jordan, a cada poder novo, ter um treco, ser levado à Fortaleza, e ser “curado” como um estalar de dedos.

9º Lugar:
Pilot

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Durante todo o episódio, dirigido por Lee Toland Krieger (A Incrível História de Adaline), tanto a trilha sonora de sons agudos quanto a fotografia esverdeada entregam muito o tom novelesco e bastante dramático que vai fluir durante todo o piloto. A carga emocional parece a de videoclipes com tomadas de cenas mais lentas e constante uso de planos abertos de embelezamento de um ambiente rural ensolarado, parecendo artificial, como vídeos apelativos de alguma propaganda mais exagerada. Porém, junto com a revisão narrada no início do piloto, esse esforço de criar emoção acaba ajustando a história, que consegue progredir em plausibilidade de descobertas e conclusões na mesma medida do efeito dramático intenso. Se a simbologia de endeusamento do Super-Homem é muito associada ao slowmotion e as proporções de tamanho para o sentir da força dele segurando um iceberg, um avião, entre outros objetos maiores enquanto a capa esvoaça, parece que o diretor Krieger capturou essa harmonia para a narrativa ensaboada (Soap Opera) do casal Clark e Lois com dois filhos gêmeos na juventude.

Superman & Lois

8º Lugar:
Heritage

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O recorte feito na série faz o que tradicionalmente as séries da CW fazem, que é aproximar a narrativa de um drama adolescente e o clichê de irmãos diametralmente opostos em suas personalidades chegou a me fazer rolar os olhos tamanha a obviedade (inclusive sobre quem manifesta poder primeiro), mas a grande verdade é que há algo mais ali. Há uma ode à simplicidade, um retorno do Superman às suas raízes humildes de fazendeiro em uma cidadezinha no Kansas que torna a narrativa, até o momento, absolutamente irresistível. Sim, é dificílimo conciliar o dever de Kal-El como protetor da Terra e as obrigações de Clark Kent como marido da mais famosa jornalista do mundo e pai de dois filhos adolescentes, mas isso é reconhecido dentro do próprio texto da série, algo que é amplificado em Heritage que, como não poderia deixar de ser, lida primordialmente com a investigação exata sobre os poderes de Jordan lá na Fortaleza (ou seria caverna?) da Solidão.

7º Lugar:
Through the Valley of Death

1X12

O outro ponto negativo, mas que só é potencialmente negativo para aqueles que ainda não tiverem comprado o ritmo com que as ameaças são lidadas nos episódios da série, é justamente a velocidade com que Kal-El consegue se livrar da dominação pela “alma” de Zod, no bom e velho estilo do “lembre-se quem você é, quem você ama” que eu acho que já vi em pelo menos um milhão de séries e filmes por aí. Tudo pareceu muito fácil, por assim dizer, de certa forma criando uma sucessão que clímaces envolvendo Morgan Edge até que um eventual mega-clímax venha em algum dos três episódios restantes. Tenho para mim, porém, que essas resoluções obedecem a uma lógica de “quadrinhos antigos” que a série privilegia, em que todas as ameaças são resolvidas em algumas páginas, pelo que consigo aceitar, ainda que com reservas, claro, essa escolha.

6º Lugar:
Broken Trust

1X06

Especificamente, o drama de Jordan ao não mais conseguir controlar seus poderes e sua ira depois de ser atacado por Tag mostra um garoto imaturo que não sabe lidar com a responsabilidade que caiu em seu colo, enquanto que o exército atacando Tag e Superman defendo-o a ponto de ser baleado com kryptonita e ficando furioso como seu filho, mas conseguindo se segurar em uma sequência que conseguiu trazer uma tensão legítima à ação, é exatamente o que é o bom uso do artificio que mencionei, fazendo a trama andar e levando ao dénouement em que Jonathan, com o braço quebrado, sofre as consequências da incapacidade do irmão de se segurar e finalmente aprendendo – espera-se! – que ele não é tão diferente assim do pai como ele achava que era. Aliás, o diálogo de Clark com ele sobre o assunto é exemplar, pois consegue ser didático, mas não cansativo, soando exatamente o que podemos imaginar como seria uma conversa entre super-pai e super-filho em circunstâncias parecidas.

5º Lugar:
The Best of Smallville

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E, quando digo madura, quero dizer especificamente que Superman & Lois normalmente não recorre ao chororô padrão de séries semelhantes – sejam ou não da CW, já que a produtora não está sozinha e nem tem o monopólio dessa pegada abobada para obras televisivas – e constrói conexões relevantes entre Jordan e Jonathan, entre Lois e Clark e entre cada filho e cada pai trafegando muito naturalmente entre os fatos da vida. Vejam por exemplo o drama de Jonathan Kent, o filho que em tese era o padrão do jovem bonitão, jogador de futebol e popular entre garotas de um sem-número de filmes e séries. No lugar de mantê-lo unidimensional como sua descrição dá a entender, o roteiro de Brent Fletcher e Nadria Tucker expande de maneira crível seus sentimentos de exclusão quando, improvavelmente, seu irmão Jordan começa a assumir os postos que eram exclusivos dele.

4º Lugar:
O Mother, Where Art Thou?

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Melhor ainda é a magia do roteiro para que tudo – ou quase tudo, claro – seja resolvido com um estalar de dedos, sem que o orçamento da série tivesse que ser todo ele gasto em uma reedição de O Homem de Aço, só que com muitos mais seres superpoderosos. Afinal, nada como ressuscitar a própria Lara Lor-Van usando a mais do que solícita Lana Lang para isso (e a moça não reconhecer Clark como Superman é tão hilário que foi difícil não rir na conversa série e supostamente emocionante que os dois têm…) para que ela adapte sua máquina que permite transplantar consciências para permitir a extração dessas mesmas consciências e nada como precisar de mais energia do que a do Sol que é suprida na maior tranquilidade por um Superman capaz de qualquer coisa para salvar seu mundo adotivo usando também o ataque maciço do exército kryptoniano contra ele próprio como no judô. Sim, como disse mais de uma vez, tem conveniência aí até o talo, mas há uma lógica boa por trás se considerarmos que o que estamos vendo passar diante de nossos olhos nada mais é do que o virar de páginas de uma particularmente bacana revistinha em quadrinho que põe um ponto final – até quando durar – ao plano de um vilão malvadão.

3º Lugar:
Haywire

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Haywire mostra muito bem isso com um texto esperto que coloca na mesa a questão e, mais do que isso, não oferece lá uma resposta definitiva, exatamente como deveria ser. Afinal, se pararmos para pensar, não há uma resposta “certa” ao conflito que apontei acima. Como alguém pode afirmar categoricamente que o Superman pode ignorar alguém prestes a morrer para ser treinador assistente no futebol americano escolar dos filhos? E, por outro lado, como alguém pode afirmar categoricamente que Clark Kent precisa sempre largar a esposa e filhos para salvar alguém que ele nunca viu antes na vida lá no outro lado do planeta? A primeira afirmação anula o Superman e, a segunda, Clark Kent. Sabemos exatamente de que lado o pai de Lois está nessa história e não sei se gostei muito da paralelização do tipo de pai que ele foi para Lois para “explicar” o tipo de pai que ele quer que Clark seja, pois acho a comparação um tanto quanto estranha e distante, ainda que não de todo sem mérito. Seja como for, o ponto mais importante é que sim, o mundo acostumou-se a ter o Superman e se o Superman pode estar em algum lugar e não está porque escolheu brincar com os filhos, então o Superman talvez esteja sendo negligente. Esse é o raciocínio de Sam e, vamos combinar, ele não está sozinho nessa conclusão.

2º Lugar:
Fail-Safe

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É ao resistir à tentação de ampliar as apostas pirotécnicas a cada novo episódio e de repisar e desenvolver assuntos importantes que Superman & Lois se distancia de suas colegas de multiverso, e Fail Safe, ao voltar com a discussão clássica que Alan Moore popularizou em Watchmen, que pergunta “quem vigia os vigilantes?” e concluindo que sim, o Superman precisa ser controlado ou que pelo menos a humanidade precisa ter chance caso ele se volta de verdade para o mal, Helbing mostra que não está para brincadeiras. E a solução do roteiro de Jai Jamison e Kristi Korzec foi engenhosa, pois faz o próprio Kal-El reconhecer que ele sentiu prazer em perder o controle de seus poderes e que, por isso, precisa de algo para bater de frente com ele caso o pior aconteça, faz o General Samuel Lane preocupar-se com seu genro em razão dessa atitude, algo que ele aplaudiria não muito tempo atrás, coloca Lois Lane em estado de desespero pelo marido e, no final, entrega as chaves do projeto 7734 para John Henry Irons, abrindo avenidas e mais avenidas para que essa linha narrativa seja novamente explorada no futuro da série.

1º Lugar:
A Brief Reminiscence In-Between Cataclysmic Events

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A Brief Reminiscence In-Between Cataclysmic Events é uma inegável lição de como fazer um episódio de série de TV de super-heróis. No entanto, mais importante do que isso, o episódio é uma check-list de como adaptar o Superman, especificamente sua história de origem, é verdade, mas mesmo assim vale como um exemplo de como capturar a essência de um personagem difícil de se escrever e de se transpor para o audiovisual e isso tudo sem fazer com que a série em si, que gira em torno do Superman como marido e pai de família, seja desvirtuada. E é isso. Mas, como eu ainda estou aqui com meu sorriso bobo, acho que vou é colocar o episódio para rodar novamente!

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