Home Colunas Lista | Tales of the Walking Dead – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Lista | Tales of the Walking Dead – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Os diversos contos do mais famoso apocalipse zumbi.

por Kevin Rick
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Avaliação da temporada:
(não é uma média)

Tive sentimentos mistos quando soube que teríamos um spin-off de The Walking Dead que traria histórias no formato de antologia. Por um lado, o conceito é interessante, ainda mais pensando na possibilidade de abordagens e narrativas a serem contadas neste universo pós-apocalíptico. Um episódio sobre o início da proliferação dos zumbis? Diferentes territórios explorados? Novas ordens sociais? Contos de pura sobrevivência? Minha mente viajou por muitas premissas, o que é sempre bacana para atiçar a curiosidade. Além disso, sem as amarras de uma narrativa longa e sequencial, os episódios do seriado tinham a oportunidade de acertar em algo que a série original e FTWD não conseguiram: saber a hora de acabar.

Por outro lado, minha mente sabia que havia altas chances de Tales of The Walking Dead ser apenas um produto para continuar sugando o pouco de hype e de audiência que a franquia ainda tem. Infelizmente, o resultado não foi outro, e o seriado é extremamente medíocre. A maioria dos contos repetem os dramas forçados dos últimos anos da franquia, como colocar dois personagens com ideais opostos para se chocarem em muitos diálogos expositivos, algo que parece ter raiz nas primeiras aparições de Morgan e suas crenças (ainda que, lá no início, a execução era ótima).

Tudo isso faz com que a série seja repetitiva. Vemos os mesmos embates entre os protagonistas em cinco dos seis episódios, o que é terrível quando paramos para pensar que uma antologia deveria prezar moldes narrativos diferentes. A maioria dos contos também são poucos inspirados, como Evie/Joe e a velha historinha de road trip, ou então La Doña e seu conto genérico de casa amaldiçoada.

Para o mérito da obra, porém, temos alguns episódios com premissas corajosas, mas que acabam tendo execuções ruins. Amy/Dr. Everett poderia ter sido o melhor documentário sobre zumbis que ninguém viu, mas se resigna ao choque de personalidades diferentes. Enquanto Blair/Gina Davon são simplesmente estranhos em seus conceitos de loop temporal e representação da Revolução Francesa, na falta de respeito com mitologia de alguns dos roteiros.

Outra grande reclamação que tenho é o distanciamento criativo da linha de terror e da ameaça dos zumbis, cada vez mais subutilizados nas adaptações da HQ de Robert Kirkman. No fim, Dee acaba sendo o melhor exemplar do seriado, com uma boa história sobre uma personagem interessante e uma boa direção de suspense, ainda que sem muita originalidade narrativa. Vamos, então, ao ranking? Digam aí o que acharam dos contos de Tales of The Walking Dead!

 

6º Lugar:
Davon

1X05

Não sei exatamente o que o Channing Powell estava querendo com essas representações de época misturadas com uma narrativa fragmentada de suspense, mas o resultado é completamente vergonhoso de todos os lados que possamos pensar. Os elementos de memórias são mal construídos e só servem para a confusão do protagonista, enquanto as metáforas de período são simplesmente burras, tanto pensando por algum tipo de crítica social quanto por um conceito anacrônico da comunidade.

 

5º Lugar:
La Doña

1X06

Além disso, como recorrente nos roteiros do seriado, há muitos dramas e choques entre os protagonistas. Até gosto de alguns elementos dramáticos, como a questão da sobrevivência versus a culpa de tomar a casa da velhinha, mas todo o joguinho de confio-não confio entre o casal me soou enfadonho, considerando que ambos estavam tendo alucinações. Teria sido bem mais interessante ver os dois simplesmente aterrorizados juntos do que tendo discussões sobre falta de confiança. Um final decepcionante para mais um spin-off medíocre de TWD.

 

4º Lugar:
Blair/Gina

1X02

Já não posso elogiar muito a execução do dia revivido, pois é um roteiro e uma direção que também jogam seguro. Veja lá, não estou me contradizendo, pois o conceito é corajoso dentro deste universo, mas o desenrolar da história é tão genérico quanto possível em histórias desse calibre. É muito difícil encontrar o equilíbrio entre comédia, drama e uma repetição que não seja insossa, como acontece em Feitiço do TempoPalm Springs e até Boneca Russa. Até porque esse tipo de narrativa é melhor com personagens verdadeiramente interessantes, e não apenas duas atrizes divertidinhas. E, bem, pertencer a um universo onde isso faça sentido também não machuca.

 

3º Lugar:
Amy/Dr. Everett

1X04

No entanto, as escolhas estilísticas acabam sendo um tanto gratuitas considerando que o roteiro é extremamente limitado em termos de discurso e dramas para poder dialogar com a direção e a montagem. É como assistir uma ideia bacana do tipo “vamos usar ciência e natureza” em TWD, sem uma boa progressão da premissa, considerando que temos basicamente palestras hipócritas de Everett e pouca exploração da sua pesquisa e de comportamentos dos zumbis. Honestamente, se esse episódio inteiro fosse o cientista perambulando e analisando comportamentos dos mortos-vivos, teríamos um capítulo muito bacana considerando o trabalho da cineasta.

2º Lugar:
Evie/Joe

1X01

A dinâmica de Joe e Evie ainda tem seu charme, porém. Se fosse algo ainda mais puxado para a comédia e com mais criatividade durante a jornada (temos sequências sem graça em florestas e casas abandonadas; motos sendo previsivelmente roubadas; e encontros convenientes), poderíamos ter tido uma experiência genérica de Zumbilândia. Também não gosto da direção de Ron Underwood, falhando em trazer qualquer tensão ou humor para o episódio (a cena da morte do doguinho é ridiculamente mal dirigida, por exemplo), ainda que o final com bolos drogados e uma psicopata caricata seja até engraçado. Evie/Joe é um começo genérico e sem nada especial, mas não é necessariamente ruim.

1º Lugar:
Dee

1X03

Ainda assim, é incrível como a Alpha é uma personagem fascinante, e como Morton tem uma facilidade absurda para incorporá-la e capturar a audiência. Seu lento sotaque sulista e seus olhares psicóticos continuam dando calafrios, e a produção se aproveita com eficiência da personalidade da personagem e sua ideologia de sobrevivência a qualquer custo. As cenas na floresta com sua filha é o padrão de sobrevivência num apocalipse zumbi, com o formato de antologia limitando até onde pode ser desenvolvido, mas ainda há um bom draminha de mãe e filha ali dentro e uma boa história de origem, mesmo que corrida.

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