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Lista | The Morning Show – 2ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Ranqueando a queda de qualidade da série.

por Ritter Fan
1.410 views (a partir de agosto de 2020)

Avaliação da temporada:
(não é uma média)

  • Há spoilers.

Quem acompanhou meus comentários e/ou leu minha crítica da 1ª temporada de The Morning Show sabe muito bem que eu adorei o ano inaugural da série dramática da grade inaugural do Apple TV+ que manteve o foco certeiro em uma rica discussão sobre o movimento #metoo. Foi, portanto, uma surpresa ver que, na 2ª temporada, a produção decidiu promover um pulo temporal que levou a série para o começo da pandemia de Covid-19, o que fez com que diversos assuntos pendentes deixassem de ser desenvolvidos, além de introduzir um pano de fundo que quase não foi utilizado, só ganhando destaque no último episódio.

E essa minha frustração com o segundo ano da série só ficou maior na medida em que eu preparava o ranking de episódios. Para começar, ficou evidente que os piores episódios foram justamente aqueles que, de alguma forma, tiveram a pandemia em primeiro plano. Além disso – e pior ainda! – apesar de eu ter classificado nada menos do que seis episódios como “muito bom”, nenhum teve real destaque, nenhum era claramente o melhor ou o segundo melhor ou coisa do gênero. Em outras palavras, a série não conseguiu me empolgar em momento algum, deixando claro que o conjunto da obra conseguiu ser ainda pior do que as partes individuais, especialmente considerando que os episódios de começo e término foram os piores da temporada.

De realmente positivo, foi o espaço dado à Jennifer Aniston, que teve excelentes atuações, a adição de Julianna Margulies ao elenco e, sobretudo, a coragem de abordar Mitch Kessler de maneira sóbria e ampla. Mas, para cada característica positiva, houve um dilúvio de negativas, como a inacreditável transformação de Cory em um bobo da corte, a covarde morte de Mitch Kessler como maneira de “resolver” seu drama, a introdução abrupta de cansativos problemas familiares para Bradley e a incapacidade dos roteiros de focar em um problema, uma questão, preferindo abordagens rasas de uma quantidade maior de assuntos “do momento”, ferindo de morte o espírito da série. E isso porque nem preciso abordar aqui o que já mencionei acima, o tal pulo temporal para o começo da pandemia com uma função narrativa que, com muito boa vontade, é duvidosa…

Não sei qual será o futuro de The Morning Show, mas a queda de qualidade na série foi violenta e frustrante, como se a 2ª temporada sequer conversasse de verdade com a 1ª. Há como a série voltar à sua glória, mas não será um caminho muito fácil.

XXXXXXXXXXX

Como fazemos em toda série que analisamos semanalmente, preparamos nosso tradicional ranking dos episódios para podermos debater com vocês, lembrando que os textos abaixo são apenas trechos das críticas completas que podem ser acessadas ao clicar nos títulos dos capítulos. Qual foi seu preferido? E o pior? Mandem suas listas e comentários!

10º Lugar:
Fever

2X10

Diferente de séries como This is Us e Grey’s Anatomy que se aproveitaram da oportunidade de momento para inserir a pandemia mais naturalmente em suas mais recentes temporadas, a produção de The Morning Show resolveu fazer malabarismos artificiais começando com uma clara indicação de que teria o Covid-19 pelo menos como pano de fundo e partindo para um salto temporal que, como já mencionei diversas vezes, esvaziou a nova temporada de todas as linhas narrativas que viriam diretamente a partir dos eventos da sensacional primeira temporada. Para começo de conversa, pelo menos em tese estamos no final da pandemia e ter uma temporada inteira que acaba no começo da praga parece-me contraproducente, especialmente considerando que o vírus só ganhou destaque aqui, bem neste finalzinho. E o que resta para o futuro da série? Continuar de onde a segunda temporada parou e navegar pela evolução da pandemia justamente quando ela – espero! – for apenas uma lembrança indigesta e triste em nossas mentes lá pelo final do ano que vem? Ou será que a showrunner Kerry Ehrin promoverá outro salto temporal, agora para o final da pandemia, o que tornaria a elipse da temporada atual completamente inútil?

9º Lugar:
My Least Favorite Year

2X01

Afinal, se na primeira temporada tivemos a demissão de Mitch Kessler como a catapulta para a pergunta “quem o substituirá?”, levando então aos eventos que se desenvolvem a partir daí, agora temos Bradley razoavelmente estabelecida como co-apresentadora do TMS, mas com a audiência caindo em razão da saída de Alex, o que leva Cory a chamar Alex de volta, mas sem avisar Bradley que, por seu turno, almeja apresentar o jornal da noite, cargo esse que a produção decide entregar a Eric, também sem avisar Bradley. Perceberam aonde quero chegar com minha explicação que faz o mesmo caminho de minhoca do roteiro? É como ver uma linda Ferrari último tipo capotar 18 vezes depois de não conseguir fazer uma curva, pois a série começou tinindo em 2019 somente para, em seu segundo ano, jogar fora o que tinha conseguido tão magistralmente alcançar.

8º Lugar:
Kill the Fatted Cat

2X04

E não é que os assuntos levantados não sejam importantes. Eles são. E merecem ser levantados e discutidos e desenvolvidos. Mas o que o roteiro fez aqui foi despejar pautas que ganharam linhas de diálogo com frases de efeito para papagaio repetir sem nenhuma tentativa de aprofundamento, até porque não há espaço para tanta coisa ganhar o nível de detalhamento que precisa, especialmente considerando – e aí eu estou sendo um papagaio! – que a questão do #metoo ainda não acabou. Parece-me que a temporada está querendo morder mais do que pode mastigar e engolir, fazendo com que a comida seja descartada muito rapidamente e tudo fique com o mesmo gosto. Afinal, quando há muito de alguma coisa, é natural que simplesmente ou passemos a não dar o valor devido a determinada questão ou a tratá-la de maneira perfunctória, na base do “claro, entendi”.

7º Lugar:
A Private Person

2X06

Comecemos então pelas extremas conveniências do roteiro de Rachel Morrison que preparam o terreno para a grande revelação que, reconheço, foi preparada ao final de Ghosts de forma inteligente e maquiavélica, com Cory perguntando – sem dizer – se Bradley concorda que vale qualquer coisa para evitar que a reputação de Hannah fosse manchada. A primeira delas é a escalação de Laura para ser a co-âncora do TMS a partir de uma ideia de Chip, para sacudir Alex, encampada pelo CEO. A segunda – e bem pior – conveniência é o aparecimento de Hal (Joe Tippett), irmão de Bradley, na porta de seu quarto de hotel de forma que o assunto de sua família conservadora (e caipira, vamos falar português claro) retornasse à pauta e que a notícia pudesse, então, repercutir em outro nível.

6º Lugar:
It’s Like the Flu

2X02

Seja como for, o segundo episódio da 2ª temporada acerta o tom e mantem central dois assuntos, a dança das cadeiras do programa matinal, com Cory tentando fazer com que Bradley compreenda sua estratégia por trás do retorno de Alex, sem ainda muito sucesso e o foco no #metoo em duas frentes, a ação milionária movida pela família de Hannah contra a UBA e a volta de Mitch Kessler à série em uma jogada interessante e que rende o momento mais corajoso e que mais dá pano para a manga para discussões interessantes. E é justamente por Mitch, agora morando em sua suntuosa e paradisíaca propriedade em algum belíssimo lugar da Itália, que começarei de verdade a presente crítica, já desde logo lembrando que a escolha do país em formato de bota é obviamente proposital em vista de ele ter sido o epicentro europeu no começo da pandemia, o que certamente será usado, de uma forma ou de outra, na narrativa.

5º Lugar:
Laura

2X03

Mas a conexão entre as duas vai além. Considerando que Laura é um tanto quanto didaticamente introduzida como membro da comunidade LGBT por Cory no segundo em que eles se falam antes da entrevista com Alex, essa “arma de Tchekhov” teria que ser usada mais cedo ou mais tarde – ou deveria ser usada, pois apenas dizer que determinado personagem é isso ou aquilo é absolutamente ridículo -, ainda que eu não esperasse que fosse neste mesmo episódio. E, quando o momento acontece, depois da entrevista, com as duas na limusine, logo depois de Laura fazer, ainda que informalmente, a pergunta que não quer calar para Bradley, há uma certa atmosfera de estranhamento no que se refere à personagem de Reese Witherspoon, não por ela não ter sido “classificada” como lésbica antes, mas sim por ser talvez repentino demais.

4º Lugar:
Ghosts

2X05

Não que Ghosts finalmente quebre a maldição da temporada e coloque a série de novo no panteão onde se encontrava, mas pelo menos é um tiro na direção certa, especialmente ao finalmente abrir um pouco mais de espaço para Alex Levy de Jennifer Aniston, que entrega, aqui, uma performance invejável ao fazer sua personagem encolher física e mentalmente diante de nossos olhos com a proximidade tanto do lançamento do livro sobre seu programa quanto de sua moderação do debate dos pré-candidatos democratas à presidência dos EUA. Vemos uma Alex realmente apavorada em ter seu nome conectado com o de Mitch Kessler na linha de que os dois já foram amantes, uma verdade que ela não quer de forma alguma que chegue à superfície e isso a afeta sobremaneira, com dores psicossomáticas nas costas que finalmente a impedem de fazer a moderação, abrindo espaço para uma Bradley feliz da vida.

3º Lugar:
Testimony

2X09

Não existe uma solução fácil para o dilema posto na série sobre Mitch, mas eu tenho certeza que ela não será encontrada em radicalismos, seja do lado que acha um absurdo que alguém sequer pense em ir ao memorial do falecido, seja do lado que o defende com unhas e dentes em um solilóquio agressivo e bêbado. Parear Mitch com o pior ou com o melhor dos homens é, em uma única palavra, estúpido e, em duas, completamente estúpido. Há que haver gradações e há que haver espaço para que o ofensor possa se mostrar arrependido, mesmo que isso não seja o suficiente. Acima disso tudo, há que haver o reconhecimento de que alguém pode crescer, possa melhorar, possa se desenvolver, caso contrário é melhor condenar logo à morte todos os assassinos, ladrões e espancadores.

2º Lugar:
Confirmations

2X08

Ao passo que é fascinante ver o trabalho investigativo dos produtores, Mia usando sua equipe para obter as confirmações de morte (ou não) e Chip fingindo-se ser Alex perante uma empresa de cartão de créditos para descobrir seu paradeiro, o mais importante é perceber como a morte de Mitch afeta cada um deles. Mia, por ter sofrido assédio pelas mãos do ex-âncora, tem sentimentos conflitantes que a levam a publicamente, perante toda a equipe do TMS, reconhecer a importância de Mitch para a própria infraestrutura do programa, enquanto que, privativamente, ela luta com seus sentimentos de repúdio. Chip não tem preocupação direta com Mitch, ainda que ele fique visivelmente abalado com a notícia da possível morte, pois sua preocupação principal é Alex, especialmente depois que sua investigação preliminar aponta para a possibilidade de ela ter morrido no mesmo acidente.

1º Lugar:
La Amara Vita

2X07

O mero embarque da série nessa discussão precisa ser reconhecido como uma abordagem ousada, que faz pensar se tivermos o necessário sangue frio para isso. Humanizar Mitch e até fazê-lo encontrar um novo amor lá em seu mega luxuoso refúgio no Lago Como, na Itália (na verdade, é na Califórnia e a vila é uma escola alterada digitalmente e inserida digitalmente no cenário deslumbrante que vemos), não é o caminho que se espera de uma série produzida em 2021, mas a discussão que ela propõe ao fazer isso é rica e necessária. Será que temos sequer o direito de simpatizar com o drama de Mitch, que parece genuinamente querer se tornar uma pessoa melhor, sem saber como fazer isso? Será que conseguimos, verdadeiramente, compreender a noção de que seus atos – que culminaram com a morte de uma mulher – podem ser perdoados?

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