Lista | The Orville – 2ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

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Nota da Temporada

Ainda sem terceira temporada confirmada, ficamos na torcida para que a Casa do Camundongo tenha boa fé em relação a The Orville, já que se trata de um cantinho de televisão que tem explorado uma veia específica como nenhum outro, mesmo com a (feliz) subida recente de interesse pelo subgênero. Se o pior acontecer, ao menos a jornada se encerrou em um ápice narrativo e temático.

Aqui estão classificados todos os episódios da temporada, com os links para as críticas completas e um trecho delas em cada colocação. Não deixe de comentar sobre quais foram os seus episódios favoritos!

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12º Lugar: Primal Urges

2X02

Eu particularmente temi um sacrifício de Bortus — não escondo ser um de meus personagens favoritos, embora a superexposição nesse início de temporada deponha contra o Moclan. Poderia ser um desfecho um tanto deprimente (e prejudicial para o seriado no longo prazo), mas sem dúvida se alinharia melhor com o restante do roteiro, que acaba mergulhando em um cataclisma planetário sem ter muito o que aproveitar do cenário. O desfecho poderia funcionar em um episódio de Futurama, por exemplo, mas os passos decisivos de distância em relação à comédia cartunesca tornavam um fechamento mais trabalhado algo necessário. Teriam havido mudanças de roteiro decorrentes do reagendamento do episódio? De toda forma já são águas passadas, e Primal Urges segue entretendo — mas é compreensível que os fãs de Star Trek devem estar aguados por uma trama mais tradicional para a nossa tripulação.

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11º Lugar: Ja’loja

2X01 

Ainda que o capítulo tenha sucesso como reintrodução comédico-dramática dos personagens, equilibrando bem seus vários núcleos para colocar a temporada em movimento sem grandes digressões, sua estrutura acaba sendo desfocada o suficiente para que sintamos falta de um eixo de desenvolvimento central mais preciso. Como um mosaico de interações cotidianas entre a tripulação, o episódio funciona muito bem, mas a ausência da escolha por uma temática central mais substanciosa — como ocorreu em Firestormótimo bottle episode da temporada passada — faz com que tenhamos uma visão apenas panorâmica de nossa tripulação.

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10º Lugar: Deflectors

2X07

Se Deflectors serviu como prólogo da história em duas partes que o seguirá — a qual eu espero que seja sobre a dita exploração de uma zona desconhecida do espaço —, ele sem dúvida utiliza bem o seu tempo de tela para desenvolver uma história dramática de forma crível e interessante. Por outro lado, sua resolução um tanto apressada e a proximidade de seus elementos principais com temáticas já bastante percorridas recentemente pela série acabam deixando a coisa toda com ares de filler, por mais que o desenvolvimento de personagem realizado aqui não o merecesse.

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9º Lugar: Home

2X03

Se Home foi escrito desde o início como a despedida da personagem ou se tratou-se de um incremento de última hora, o fato é que a partida lembra um pouco as despedidas mais repentinas dos companions na série clássica de Doctor Who. Encerrando um drama bem construído de forma pouco orgânica e um tanto repentina, a produção faz o melhor para entregar uma sequência dramática crível, com direito a uma piada interna significativa e bem realizada com Mercer. Embora bem realizado, o desfecho acaba sendo o ponto fraco do episódio, com ares apressados e atuando de forma contraintuitiva em relação ao núcleo temático do restante da trama. No geral, mais uma boa entrada focada em personagem para a tripulação da Orville, que aparentemetne segue agora com um componente a menos em sua equipe principal.

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8º Lugar: All the World Is Birthday Cake

2X05

Nesse sentido, All the World Is Birthday Cake acaba tendo um resultado próximo a Mad Idolatry, construindo uma premissa interessante e bem explorada tanto pelo ângulo cômico quanto pelo drama, porém resolvendo-a com uma conclusão apressada que se vale repentinamente do teor comédico da série para escapar pelos fundos sem dar maiores explicações. As reações presumidas dos regorianos desafiam qualquer credibilidade à lógica humana que emprestamos aos seres ao longo do episódio — mas no fim das contas, a jornada é divertida e acaba sendo uma forma ultra-complexa de forçar Bortus a ter que engolir seu aniversário compartilhado (e atrasado), com direito a e-cards e tudo mais.

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7º Lugar: A Happy Refrain

2X06

A Happy Refrain é mais uma ótima peça de personagem para a série, balanceando bem a comédia com o drama e fazendo bom proveito da continuidade do seriado e do desenvolvimento do elenco efetuados até aqui. Mostrando novamente que não é necessário inovar para explorar de forma eficaz os lugares comuns do subgênero, a viagem da U.S.S. Orville continua a nos levar onde muitos homens já estiveram — por um bom motivo!

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6º Lugar: Nothing Left on Earth Excepting Fishes

2X04 

Trabalhando cenários conhecidos e temáticas tradicionais do subgênero sob uma perspectiva interessante e sem excessos, Nothing Left on Earth Excepting Fishes mostra o poder de uma ideia simples, quando trabalhada sem hesitação a respeito de seus componentes mais extravagantes. Sem deixar a desejar enquanto sequência de um dos melhores capítulos da temporada anterior, o episódio ajuda na construção de um universo mais rico e multi-facetado para The Orville.

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5º Lugar: Sanctuary

2X12

A produção consegue construir bem uma exploração sincera e bastante vívida o tema, salpicando momentos de otimismo mais rodenberryano (o breve discurso idealista do Capitão Mercer (Seth MacFarlane) durante a assembléia da União) sobre um todo mais realista que não foge da raia ao mostrar as limitações que toda e qualquer tentativa de negociação do tipo (mesmo as que envolvem o direito de simplesmente existir-se como tal) acabam por encontrar. Ah, claro que no meio a isso tudo temos piadas inesperadas (algumas que aterrissam bem, outras nem tanto) e uma sequência de ação em que Bortus e Kelly (Adrianne Palicki) se envolvem em um tiroteio de phasers ao som de Dolly Parton. Pois é, isso é The Orville. Eu é que não estou reclamando!

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4º Lugar: Lasting Impressions

2X11

Mesmo repetindo algumas temáticas ainda recentes na atual temporada, a precisão das boas escolhas dramáticas e a tonalidade bem ajustada entre a comédia leve e a ficção especulativa autêntica fazem de Lasting Impressions mais uma excelente entrada na fase atual do seriado. Mais do que apenas se provar como uma produção genuinamente apaixonada pelos seriais televisivos de exploração espacial, The Orville continua a ter como grande trunfo a sua ótima construção de personagens, que serve de base para que o tempo investido no desenvolvimento da trama em si esteja sempre muito perto de explorar todos os seus ângulos mais interessantes.

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3º Lugar: Blood of Patriots

2X10

O interessante é a forma como a série consegue transitar nessa zona de moralidade cinza sem recair em uma figura pedregosa. Seria fácil recair em uma resposta “toque de realidade” aos roteiros de futurismo utópico que pontuaram o subgênero nos anos 60, mas a solução de The Orville é mais criativa e interessante. Ao invés de se ocupar com a manifestação política explícita, o foco torna novamente aos personagens em seu íntimo e em sua cotidianidade: uma conversa entre Ed e Gordon sobre seus sentimentos a respeito da perda do amigo pontuam a crise de forma inusitada e efetiva. Explorando bem a antiquíssima interface entre a tragédia e a comédia, Blood of Patriots é mais um excelente roteiro de Orville, vertido em uma produção que continua a manter seu alto nível.

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2º Lugar: The Road Not Taken / Tomorrow, and Tomorrow, and Tomorrow

2X13 e 14

Que esse encadeamento absolutamente ordinário dos fatos tenha sido o fator decisivo para um final feliz no arco Identity acaba ressoando como uma temática interessante e inusitada para The Road Not Taken: a dupla Ed Mercer e Kelly Grayson como uma ode à pessoa comum, ao ordinário nada heroico e a diferença que ele é capaz de fazer no(s) mundo(s). Sem a coragem de um Kirk ou a astúcia de um Picard, mas ainda assim salvando a galáxia. Ainda sem terceira temporada confirmada, ficamos na torcida para que a Casa do Camundongo tenha boa fé em relação a The Orville, já que se trata de um cantinho de televisão que tem explorado uma veia específica como nenhum outro, mesmo com a (feliz) subida recente de interesse pelo subgênero. Se o pior acontecer, ao menos a jornada se encerrou em um ápice narrativo e temático.

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1º Lugar: Identity, Part 1 / Identity, Part 2

2X08 e 9

Entregando com maestria exatamente aquilo que precisava fazer para completar a excelente história iniciada na semana anterior, Identity, Part 2 curiosamente ilustra aquilo sobre o qual fala a Dra. Finn a Isaac na cena final. Clichês são clichês por um bom motivo – inclusive o “clichê de evitar clichês a todo custo”. E, com uma visão sólida de onde chegar, The Orville consegue se utilizar habilmente de vários dos clichês em seu arsenal de referências para entregar provavelmente sua melhor história até aqui.

GIBA HOFFMANN . . Graduado em Ciências Mutantes pelo Instituto Xavier Para Estudos Avançados, realizou trabalho de pesquisa em Historiografia Mutagênica sob orientação do Prof. Charles Xavier. Mestrado interrompido em Transmutação Humana sob orientação do Prof. Doutor Van Hohenheim. Doutorado em Transcendência Dimensional de Cômodos sob orientação do Professor Doutor John Smith. Atualmente realiza curso por correspondência (escrita) sobre Combate a Vampiros com o uso de Stand, pelo Instituto Speedwagon.