Lista | Tim Burton – Os Filmes Ranqueados

Como fazemos ao fim de todos os nossos especiais, aqui está a filmografia de Tim Burton devidamente ranqueada por processo democrático de votação entre os redatores do Plano Crítico que quiseram participar do processo.

Os seguintes membros do site participaram desse ranqueamento: Gabriel “Mãos-de-Tesoura”, Luiz Santi”wood”, Ritter “Betelgeuse”, Ritter “Betelgeuse”, Ritter “Betelgeuse”, Roberto “Wayne” e Bruno “Wonka”. A não ser quando indicado expressamente, os textos são todos do autor da presente lista.

Concordam? Discordam? Têm sua própria lista? Mandem seus comentários e vamos conversar!

18. Sombras da Noite
(Dark Shadows, 2012)

  • Pontuação: 15 pontos.

Considerações do autor: Acho que esse último colocado era muito provável, não é mesmo? Não foi, necessariamente, o pior de várias listas – a da minha era, no entanto -, mas Sombras da Noite é um filme que basicamente ninguém gosta, quase todo mundo odeia, e isso contou a favor – ou contra, dependendo do seu ponto de vista – para uma das tragédias da carreira de Tim Burton arrematar um encontro ao fundo do poço desse ranqueamento macabro.

17. Grandes Olhos
(Big Eyes, 2014)

  • Pontuação: 27 pontos.

Considerações do autor: Quantos pontos de diferença do penúltimo para o último colocado, não é? Grandes Olhos foi uma tentativa do Tim Burton em abraçar novos mares para a sua carreira, contudo, o cineasta foi de encontro ao arame farpado, à correnteza do mal ou qualquer expressão que comporte, para muitos, a vontade de arrancar os seus próprios olhos – estou exagerando, eu sei, mas não podia perder a piada. Basicamente Tim Burton desistindo de ser Tim Burton e adentrando a maré das cinebiografias ordinárias. Grandes Olhos nem é nem muito ruim na verdade – ou eu que gosto mais do Tim Burton do que a maior parte das pessoas -, porém, está entre as coisas mais descartáveis que o cineasta já fez.

16. Alice no País das Maravilhas
(Alice In Wonderland, 2010)

  • Pontuação: 28 pontos.

Considerações do autor: Acho que a virada da década, justamente com esse projeto, em paralelo ao rejeito extraordinário de O Turista, impulsionou o mundo a não se entusiasmar tanto quanto antes pelo outrora extremamente estimado Johnny Depp – o auge, vários anos depois, são os escândalos mais recentes, envolvendo a sua vida privada. Outro personagem maluco? Apesar de, particularmente, interessar-me pelo universo recriado pelo cineasta, com a manha burtoniana de sempre, o antepenúltimo lugar é uma confissão mais que merecida de um desgosto geral nosso, em níveis proporcionalmente distintos de desgosto, por essa reimaginação do cineasta.

15. Marte Ataca!
(Mars Attacks!, 1996)

  • Pontuação: 30 pontos.

Considerações do autor: O argumento que capto de Marte Ataca! é poderoso e muito coerente até, acerca de uma invasão alienígena que só pode ser resolvida pelos jovens e pelos velhos, porque os adultos foram estragados demais para serem realmente salvadores de alguma coisa. Os militares são feitos de piadas. Os discursos de paz são uma mentira. Uma espécie de ácida crítica por parte de Tim Burton aos Estados Unidos. Uma pena que a obra, no entanto, seja uma bagunça completa, com um elenco aleatoriamente gigantesco, várias participações bestas, algumas cenas patéticas e alienígenas que não possuem a menor graça – até começarem a explodir.

14. O Lar das Crianças Peculiares
(Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children, 2016)

  • Pontuação: 30 pontos.

Considerações do autor: A mais recente empreitada do cineasta – antes de Dumbo, a ser lançado no ano que vem – não conquistou muitas pessoas. Os fãs do material original, por exemplo, ficaram furiosos por causa das mudanças em relação a série de livros. Já eu fiquei furioso com o desperdício de ótimas ideias. Uma maravilhosa homenagem a Ray Harryhausen permanece em meio a um conjunto de conceitos de universo apresentados da forma mais indiferente possível.

13. Planeta dos Macacos
(Planet of the Apes, 2001)

  • Pontuação: 37 pontos.

Considerações do autor: Gosto muito de como o Tim Burton resolve a premissa clássica da maneira mais pessimista possível, mas Planeta dos Macacos não consegue evidenciar algo a mais, para os seus espectadores em questão de conteúdo, além da estética singular do longa-metragem, particular do consciente, cheio de criatividade, domínio de Burton nesse área. O mais notável de tudo é que o protagonista tem muito mais química com a primata de maior relevância no enredo, do que com a contraparte feminina. Muitas ideias excelentes são exploradas com pouca profundidade.

12. As Grandes Aventuras de Pee-wee
(Pee-wee’s Big Adventure, 1985)

  • Pontuação: 37 pontos.

Considerações do autor: A última entrada da carreira de Tim Burton que faltava para que eu completasse a sua filmografia – ironicamente, a primeira obra em longa-metragem assinada pelo cineasta -, As Grandes Aventuras de Pee-Wee igualmente me apresentou a esse personagem icônico interpretado por Paul Reubens. Os primeiros vinte minutos, particularmente, me incitaram à violência em níveis que nunca percebi antes em mim. Os risos esporádicos e agudos do personagem me provocaram uma ânsia poderosíssima, mas momentânea, em desistir da vida de crítico de cinema. As coisas melhoraram, a obra é consideravelmente querida, embora problemática, mas eu provavelmente nunca mais verei algo do Pee-Wee novamente.

11. A Fantástica Fábrica de Chocolate
(Charlie and the Chocolate Factory, 2005)

  • Pontuação: 39 pontos.

Considerações do autor: A Fantástica Fábrica de Chocolate conseguiu péssimas posições nos ranqueamentos pessoais, assim como ótimas posições, o que aufere esse décimo-primeiro lugar a obra, no “meio” das colocações. O mórbido nunca esteve tão próximo do fantástico quanto aqui, porque Tim Burton não trabalha com o horror da maneira mais cru como nos outros casos de sua carre ira, com corpos mortos, alienígenas explodindo, cabeças decepadas, super-vilões monstruosos e mãos de tesoura. Uma fábrica de chocolate é a coisa mais mágica e assombrosa do mundo.

10. A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça 
(Sleepy Hollow, 1999)

  • Pontuação: 47 pontos.

Considerações do autor: Ninguém ama A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, apesar de ter sido complicado de encontrar alguém que não gostasse do filme, tanto quanto outras obras foram desgostadas. A diferença dessa posição para a próxima, por exemplo, é considerável, mostrando o quanto essa empreitada do diretor é melhor recebida que outras. Tim Burton, nesse caso, assume o horror da maneira mais sóbria que já assumiu – o que deixa a comédia ainda mais desagradável, ao meu ver.

9. Frankenweenie
(2012)

  • Pontuação: 50 pontos.

Considerações do autor: Como podem perceber na minha crítica, gosto bastante de Frankenweenie, versão em longa-metragem do curta-animado que despontou Tim Burton para o sucesso, juntamente ao seu trabalho em Vincent. As admirações do passado do cineasta são reimaginadas em uma animação que carrega uma atmosfera nostálgica que concilia a infância, em um caso mais próprio de crianças grotescas, com a morte, coisa que não costuma ser vista com bons olhos perto dessas pessoas por razões óbvias. Queria que mais pessoas também gostassem.

8. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas
(Big Fish, 2003)

  • Pontuação: 55 pontos.

Considerações do autor: Carrego sentimentos imensamente pessoais em relação a essa entrada da carreira de Tim Burton, coisa que é compartilhada com muitas pessoas, porque Peixe Grande é justamente a obra mais humana do cineasta, assim como a que mais se afasta do pretexto mórbido recorrente. A magia é deslumbrada, porém facilitadamente, sem a contraposição com o horror. Deve ser isso que o diretor pensou para esse caso: o macabro é a vida mundana, as mentiras que não são tão mágicas quanto as histórias.

7. Batman
(1989)

  • Pontuação: 58 pontos.

Considerações do Ritter: Poucos se dão conta, mas Batman foi apenas o terceiro longa de Tim Burton, depois de As Grandes Aventuras de Pee-Wee e Os Fantasmas se Divertem. Sua famosa pegada gótica, já visível em Beetlejuice e também em alguns de seus curtas anteriores, ganha sua primeira expressão máxima na recriação de Gotham City bem ao seu estilo. E foi uma escolha vencedora no quesito design, ainda que a escalação de Michael Keaton tenha sido para lá de controversa (fico imaginando, com um sorriso no rosto, como seria o histerismo coletivo nas redes sociais depois do anúncio, se fosse hoje em dia), mas que acabou resultando em um filme sombrio, mas em partes iguais respeitoso aos quadrinhos e veículo para o desabrochar do “universo Burtoniano” de obras de visual estranhamente fascinante.

6. Batman: O Retorno
(Batman Returns, 1992)

  • Pontuação: 59 pontos.

Considerações do Ritter: Entre um Batman e outro, Burton fez Edward Mãos de Tesoura, já muito confortável com seu estilo visual. Mas o esperado retorno do Homem Morcego, que trouxe a reboque as inspiradas escalações de Danny DeVito como Pinguim e Michelle Pfeiffer como Mulher-Gato, solidificou ainda mais o seu estilo e expandiu o universo cinematográfico do Morcegão. Pena que, depois, a tragédia cinematográfica abateu-se sobre o super-herói, mas isso fica para outra história ou para esse último link aí…

5. A Noiva Cadáver
(Corpse Bride, 2005)

  • Pontuação: 60 pontos.

Considerações do Ritter: Apenas um ponto na frente de Batman: O Retorno e dois na frente de Batman, veio A Noiva Cadáver, o magnífico primeiro trabalho de stop motion (longa metragem) de Burton. A animação é como se fosse a encarnação de todo o estilo inconfundível do cineasta embalado em um produto só para apreciação geral.

4. Os Fantasmas Se Divertem
(Beetlejuice, 1988)

  • Pontuação: 64 pontos.

Considerações do Ritter: Eu, pessoalmente, nunca entenderei o amor por Besouro Suco. Não gostei quando o vi quando adolescente e não gostei novamente quando o vi já adulto e, depois, como burro velho. Mas, como não estou aqui para falar de mim e dos meus gostos, tenho que me curvar à democracia e reconhecer que meus colegas, espelhando provavelmente o que a maioria acha sobre Os Fantasmas Se Divertem, o colocaram aqui, em quarto lugar. Independente de qualquer coisa, essa foi a obra que “destravou” o potencial hollywoodiano de Burton com seu estilo visual a que até hoje está preso.

3. Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
(Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, 2007)

  • Pontuação: 66 pontos.

Considerações do autor: O contraste do cineasta entre o macabro e o mágico tem em Sweeney Todd um dos seus ápices, explorando um dos gêneros que mais é, sem grandes mistérios, a par do que se configura como magia cinematográfica, o musical. Aqui, as palavras do Bruno “Wonka”, escritas em sua crítica: “A estranheza é passada sem qualquer cerimônia, mas apenas os mais detalhistas irão desvendar os mistérios por trás da encenação cadavérica de Burton, que assombra com total controle o espetáculo das hiper sensações que é seu musical, um jogo de luzes e sombras que no fundo carrega a história da violência consigo.”

2. Edward Mãos de Tesoura
(Edward Scissorhands, 1991)

  • Pontuação: 74 pontos.

Considerações do Ritter: Aqui, a inspiração de Tim Burton para recriar a história de Frankestein como uma fábula gótico-cômica merece todos os aplausos. Não só o filme é visualmente incrível, como Johnny Depp, como o estranho personagem-título, está absolutamente encantador.

1. Ed Wood
(1994)

  • Pontuação: 79 pontos.

Considerações do Ritter: E, finalmente, como não poderia deixar de ser, a homenagem de Tim Burton ao “pior diretor do mundo” (até o surgimento de Uwe Boll, claro), Ed Wood, leva a primeira colocação com um boa folga mesmo em relação ao adorado segundo colocado. A única cinebiografia da carreira de Burton, o filme confunde o personagem com a pessoa e com o “mito cinematográfico”, com Depp mais uma vez brilhando no protagonismo (sim, ele já foi bom ator, vejam só!).

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.