Lista | Titãs – 2ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Nota da Temporada


Que bagunça essa segunda temporada! Com momentos bons lá e acolá, o que se tem no geral é uma coleção de tramas mal-acabadas, misturadas a outras piores e prejudicando até mesmo as melhores. Os sintomas são perceptíveis já no primeiro episódio desse ano, que tem que correr atrás do prejuízo para concluir o que a primeira temporada não conseguiu: o péssimo arco de Trigon. Nem para o enredo posterior conectar-se em algum ponto com a trama anterior. Porém, as sugestões de uma transformação estar ocorrendo em Rachel, prolongadas por uma temporada inteira, são completamente ignoradas no fim das contas. Para piorar, todos os personagens são mal-trabalhados, com exceção de Conner, a grande surpresa de um ano, mesmo assim, errático. Nesse sentido, ver Titãs como um conjunto, não apenas os episódios separados, atesta ainda mais a incompetência da série em contar boas histórias, explorar bons personagens e conseguir, em última instância, fazer jus as suas próprias promessas. E que promessa era o Exterminador, que morreu, por fim, atrapalhando o tráfego. Assim, algumas coisas são esticadas excessivamente – vide o arco de Dick em se tornar Asa Noturna – e outras resolvidas rapidamente – como mistérios que são respondidos num mero piscar de olhos, sem instigar o público. O resultado, portanto, é curioso: uma temporada cheia de coisas para trabalhar, mas que as trabalha de maneira simplória.

13º Lugar: Trigon

2X01

Há um paradoxo enorme no começo da segunda temporada da série Titãs, exibida pelo serviço de streaming DC Universe. Pois a temporada passada, no caso, terminou com um anti-clímax muito frustrante, que não concluiu arcos desenvolvidos no seu decorrer, muito menos explorou pontos de trama supostamente relevantes. Esse começo de um novo ano, portanto, é na verdade o último episódio do anterior, vide a resolução do enredo relacionado ao pai de Rachel Roth (Teagan Croft), Trigon (Seamus Deaver). Mas, construída por onze episódios, a ameaça se encerra como se não importasse, porque os responsáveis pela série estão mais interessados em apresentar novas narrativas que em acabar com as antigas.

12º Lugar: Atonement

2X09

É uma sorte o episódio nove da segunda temporada da série dos Titãs possuir a presença de Gar (Ryan Potter) e Superboy (Joshua Orpin), resgatando alguma alma de uma obra que muitas vezes parece ser produzida nas coxas. Dentre os vários núcleos digeridos em quarenta e cinco minutos, o deles é o único que soa realmente verdadeiro. Esses personagens, consequentemente, são os únicos que soam reais em meio a uma estrutura problemática em que problemas artificiais são propostos e pela mesmíssima artificialidade são resolvidos.

11º Lugar: Nightwing

2X13

É compreensível a tentativa dos roteiristas em promover uma nova etapa para o grupo, na qual mortes podem acontecer, sacrifícios também, mas os próximos passos precisam ser dados na caminhada da vida. Um dos momentos mais interessantes do texto, no caso, é aquele que aponta o luto como algo melhor a ser encarado como grupo do que sozinho. Há uma conceituação de família para a equipe que ganha peso nessa conclusão, o que enfim a revigora, em meio a uma temporada que tentou trazer isso à tona e apenas conseguiu corretamente no seu término. Isso, porém, não exime a série de ser feita nas coxas.

10º Lugar: Fallen

2X10

Os eventos narrados no décimo episódio da segunda temporada da série dos Titãs compõem uma guinada do enredo para um novo caminho. Essa sua recalculada na trajetória mostra-se, porém, errática, sem possuir uma exata direção, porque parte de uma equipe criativa que, desde o princípio, para ser sincero, nunca soubera exatamente o que contar em termos de história acerca destes personagens. Pelo contrário, uma colcha de retalhos aumenta consideravelmente agora, em vista da suposta aposentadoria do Exterminador, separando cada um dos membros da super-equipe em tramas próprias. Para alguns, portanto, o episódio da semana pode soar como um gigantesco filler, embora as consequências dele ameacem reinventar a narrativa desta fraca temporada.

9º Lugar: Jericho

2X08

Em mais um episódio sendo constituído puramente por um flashback – apontar alguma coerência na estrutura do show como um todo já é uma impossibilidade nesse ponto -, Jericó (Chella Man), o filho desse antagonista, vira brevemente o protagonista da série. De princípio, no caso, apenas qualidades podem ser ditas acerca do personagem e do seu intérprete, que é certamente carismático o bastante para criar simpatia com o público. Mesmo assim, o que os responsáveis pela série resolveram para traçar o passado sombrio do garoto em conjunto com os Titãs é, no mínimo, problemático. Por exemplo, dentre tantos a serem citados neste texto, o episódio se inicia com uma sequência de pesadelo. Esse momento, entretanto, não possui correlação alguma com o que acontece no decorrer dos eventos narrados. Jericó não parece se conturbar por conta destes pesadelos, nem mesmo eles são reiterados para criar um sentimento de persistência

8º Lugar: Faux-Hawk

2X12

Por mais problemática que possa ser, essa segunda temporada enfim se dirige a uma conclusão, em um penúltimo episódio que parece ser relativamente um penúltimo episódio, pelo bem e pelo mal. Nisso, existe uma mudança significativa de perspectivas, enquanto que, anteriormente, essa temporada encaminhava-se a uma direção inexata, meramente passeando de núcleo em núcleo. Os Titãs, agora, encontram-se separados, mas precisam se unir para ajudar cada um dos seus amigos, principalmente Garfield (Ryan Potter) e Conner, capturados pela Cadmus. Esse ponto de partida de reunião caminha, portanto, com os personagens seguindo rotas que denotam uma aproximação a um fim, o que costuma ser imprescindível para encerramentos. Já se esqueceram da primeira temporada, na qual certos personagens e seus arcos foram completamente esquecidos no último episódio, o que retirou completamente a importância de suas narrativas?

7º Lugar: Rose

2X02

Os primeiros instantes do segundo episódio da segunda temporada de Titãs já sinalizam o porquê dele decretar, efetivamente, o começo desse novo ano, ao contrário da péssima season premiere, equivocadíssima no estabelecimento de um ponto de partida sem cara de ponto de partida. Longe da insípida conclusão do arco envolvendo o demônio Trigon – três meses se passaram, como aponta uma conversa entre os jovens -, os personagens agora encontram-se com visuais novos, mais coloridos. Os cabelos de Rachel Roth (Teagan Croft) e Garfield Logan (Ryan Potter), no caso, se sobressaem pelas mudanças que tiveram, mais vivos. Ao mesmo tempo, personagens inéditos são apresentados ao longo dos quarenta minutos de sempre, para poder contextualizar as tramas a serem desenvolvidas pelo restante da temporada, como a presença do Exterminador, o retorno de antagonistas conhecidos da equipe antiga, o passado dos Titãs e até mesmo a continuação da narrativa paralela envolvendo Kory (Anna Diop).

6º Lugar: Ghosts

2X03

Os fantasmas dos Titãs são explorados no terceiro episódio da segunda temporada da série, homônimo ao tema principal que o norteia. A partir de uma ameaça do passado que retorna aos pesadelos dos personagens, a Torre Titãs, mais que qualquer outra coisa, torna-se uma revisita às catacumbas que vários dos heróis presentes no prédio querem esquecer. Hank (Alan Ritchson), Dawn (Minka Kelly) e Donna (Conor Leslie) são parte da antiga formação dos Titãs, a qual, como o capítulo da semana revela, parece ter se encerrado com um trauma – um retcon, na verdade, em vista da completa ausência desse ponto na temporada anterior. Logo, a presença do Doutor Luz (Michael Mosley), antagonista conhecido do time e que parece estar agindo por conta própria, serve como uma reunião destes personagens à Dick Grayson (Brenton Thwaites), que comanda a retomada do super-grupo, e, por conseguinte, a exumação de memórias antigas compartilhadas entre os seus membros originais.

5º Lugar: E.L._.O.

2X11

Não que essa segunda temporada esteja boa, mas esse seu décimo-primeiro episódio, ainda que problemático em vários aspectos – a serem pontuados no decorrer da crítica em questão -, possui uma espirituosidade que a série estava devendo há um tempo. Há, no geral, uma esquisitice que certamente contribui tanto para movimentar a história quanto para sustentar um ritmo energético. Por pontuar variadas insinuações, às vezes óbvias demais, o roteiro do episódio aponta o caminho para uma de suas reviravoltas: Jericó não está morto, como antes pensávamos – para ser sincero, ninguém pensava isso realmente.

4º Lugar: Deathstroke

2X05

Um dos meus maiores medos em relação à apresentação do personagem Exterminador (Esai Morales), clássico antagonista dos Titãs nos quadrinhos, era que ele terminasse do mesmo modo como Trigon. Enquanto primeira ameaça concreta aos jovens super-heróis, o demônio de quatro olhos desapontou muitos dos espectadores da série, em uma conclusão para o seu arco – mas no começo da temporada atual – certamente insuficiente. Em contrapartida a isso, o tal Slade Wilson concretiza uma presença imponente, a qual ganha mais robustez no quinto episódio deste novo ano. Tendo assassinado o Aqualad no passado, como passamos a conhecer no capítulo anterior, o Exterminador retorna no presente para os Titãs como uma criatura a ser de fato temida.

3º Lugar: Aqualad

2X04

Por conta de vários acertos, o quarto episódio da segunda temporada de Titãs consegue ser uma contraposição aos equívocos dos exemplares anteriores da série. Dessa vez, a coesão surge como a maior virtude de um capítulo que, não apenas continuar história, mantém uma ordem estrutural própria. Logo, concretiza-se um porquê a esses quarenta e cinco minutos serem um episódio só. Quem acompanha os meus textos, portanto, perceberá aquelas características que agora exalto, enquanto, antes, por serem postas de outras maneiras, critiquei. Durante Aqualad, acompanhamos eventos que antecedem o enredo no presente em anos, necessários para responder perguntas em aberto.

2º Lugar: Bruce Wayne

2X07

O mentor de Dick, contudo, não é uma presença objetiva, como o nome do episódio subtende. Ele é um demônio interno ao personagem principal da série, revivido em meio às crises que encontra-se passando no momento. Enganando-nos, a primeira cena do capítulo é precisa em contextualizar isso – ainda que o uso desse artifício fosse mais coerente caso se mantivesse por toda a temporada, não apenas dessa vez. Com uma implicância aos nervos de Dick bem mais cômica que o esperado, a manifestação mental de Bruce é uma representação do personagem nunca antes vista. Ora, em que universo o Batman dançaria o Batusi, senão em meio a uma versão irônica sua ou no contexto da série televisiva dos anos 60?

1º Lugar: Conner

2X06

Em contrapartida às expectativas mais negativas, o que o episódio conquista é uma surpresa positiva. Embora a presumida costura entre este novíssimo super-herói e a queda para a morte de Jason Todd (Curran Walters) não ter me agradado enquanto hipótese, ao menos antes, a sua execução aqui, contudo, possui um outro valor. Quando tal personagem, que um dia seria conhecido como Superboy, impede a queda de um alguém em apuros, o que está sendo concretizado não possui envolvimento com a pessoa em perigo, não necessariamente. Na resolução do gancho passado, que retorna para encerrar esse capítulo, pouco importa o Robin em si, porém, o significado da ação de resgate para o protagonista do episódio e apenas ele. Conner encontra-se, no caso, em uma jornada particular, contada passo-a-passo nesta sua introdução.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.