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Lista | Titãs – 3ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Ranqueando o lixo televisivo.

por Ritter Fan
9.040 views (a partir de agosto de 2020)

Avaliação da temporada:
(não é uma média)

  • Há spoilers.

O que é que eu ainda tenho para escrever sobre a 3ª temporada de Titãs? Como levar a sério esse fundo do poço dramático super-heróico a que Greg Walker levou uma série com tanto potencial? Olhem só o que tivemos:

  1. O deslocamento de toda a ação para Gotham City, sacramentado de vez que se trata de uma série derivada do Batman e não Titãs;
  2. O famoso arco da morte de Jason Todd adaptado da maneira mais porca possível, com direito a ressuscitação com o Poço de Lázaro tirado completamente da cartola do showrunner;
  3.  A promessa de um arco narrativo decente envolvendo Estelar e Estrela Negra, mas que, apesar de existente, ficou em terceiro, quarto, talvez até quinto plano;
  4. Personagens, como Lady Vic, que entraram na série para fazer algo e, depois, desapareceram;
  5. Uma tentativa de suicídio de Bruce Wayne que é impedida por Donna Ex Machina e que ficar por isso mesmo e nunca mais é abordada;
  6. Crimes aos borbotões cometidos pelos Titãs – inclusive uma inominável tortura no Espantalho que encerra a temporada – que ficam impunes e que se somam aos que já haviam ficado impunes antes;
  7. Capuz Vermelho matando Hank, mas mesmo assim tendo arco de redenção;
  8. Uma adaptação do Espantalho que é a coisa mais vergonhosa que já fizeram com um vilão do Batman, mais ainda que o Sr. Frio de roupão, pantufas e charuto em Batman & Robin;
  9. Absinto se torna símbolo de série rangedora de dentes, que quer ser violentona, adultona e sombria sem ter a menor ideia de como fazer isso;
  10. A chuva roxa de água do Poço de Lázaro “curando” da morte milhares de habitantes de Gotham.

Escrevendo, lendo e relendo a lista acima – que, vale salientar, é somente parcial, pois tem muito mais coisa para colocar – a vontade que dá é de gargalhar de nervoso e, em seguida, de colocar as mãos no rosto para esconder o choro pelo que fizeram com os personagens. Esse é um daqueles (ainda bem) raros exemplos televisivos que é perfeitamente possível sentir o nosso processo de emburrecimento, de perda de massa cinzenta e de pontos de QI na medida em que os episódios passam.

Mas, agora, não tem mais jeito. Vou até o fim com essa série para descobrir se Greg Walker conseguirá piorar ainda mais o que ele alcançou aqui. Como disse algumas vezes, tem que ser muito criativo para encontrar o alçapão no fundo do poço a que Titãs chegou e eu quero estar lá nesse momento histórico em que terei que criar uma avaliação abaixo de “Lixo Atômico” para combinar…

XXXXXXXXXXX

Como fazemos em toda série que analisamos semanalmente, preparamos nosso tradicional ranking dos episódios para podermos debater com vocês, lembrando que os textos abaixo são apenas trechos das críticas completas que podem ser acessadas ao clicar nos títulos dos capítulos. Qual foi seu preferido? E o pior? Mandem suas listas e comentários!

Categoria:
Arrancando os Olhos com Colher

13º Lugar:
Troubled Water

3X10

O suprassumo do roteiro que faz esforço demais para parecer sombrio, pesado e desesperançoso aconteceu aqui, em Troubled Water, quando a garçonete do bar onde Barbara e Dick se encontram perguntam o que ele quer beber e ele responde algo como “uma dose de absinto”. Absinto? Jura, Melissa Brides? Isso é o melhor que você consegue escrever para passar aquela pegada rangedora de dentes, adultona e toda séria que Titãs vem tentando estabelecer desde seu início e falhando miseravelmente? Se duvidar, vai ser o efeito contrário, com muita gente sequer sabendo o que é absinto e tendo que procurar no dicionário…

12º Lugar:
Prodigal

3X12

Mas aí eu me lembrei do que eu fiz logo quando a sequência preambular acabou e o título da série apareceu na tela com aquela batucada típica: como eu faço com as mais engraçadas comédias que já vi na vida (querem saber quais são ou vão achar que eu também estou enrolando se eu disser?), quebrei minha regra rígida de nunca parar um filme ou uma série e pausei o episódio para terminar de rir – lágrimas rolaram para a estupefação de minha esposa que passava na hora – da antológica cena em que Rachel e Gar acham Dick morto, morcegos (no meio da cidade) começam a sobrevoar o corpo, Gar começa do nada a virar um morceguinho verde e, então, ele e seus novos amigos levam Dick para o Poço. Eu simplesmente tinha que clicar no pause, pois senão eu não entenderia nada nos próximos 10 minutos de projeção por estar lutando contra câimbras estomacais geradas por risos histéricos.

Categoria:
Foi o Estagiário do Cafezinho que Escreveu

11º Lugar:
The Call Is Coming from Inside the House

3X11

Eu admiro muito um showrunner que, mesmo afundando a temporada de uma série de enorme potencial com uma longa e inexplicável sequência de decisões equivocadas, faz todo o esforço possível, quando o final se aproxima, para corrigir nem que seja um pouco de seus erros. Mostra humildade e capacidade de olhar para trás para reconhecer os problemas, erguer a cabeça e seguir em frente corrigindo o rumo da melhor maneira possível, quase que como uma promessa de que tudo melhorará. Infelizmente, porém, Greg Walker não é esse showrunner, pois ele não só insiste em um caminho narrativamente tenebroso, falho e sem a menor lógica interna, como arregaça as mangas para piorar o que não parecia ser possível piorar.

10º Lugar:
Home

3X08

Ao final do episódio anterior de Titãs eu disse que era improvável, mas não impossível que o seguinte fosse pior, dada a qualidade abissal de 51%. Pois eis que Home vem para deixar claro que tudo é possível nesta série que, pelo visto, se perdeu completamente e transformou-se em um emaranhado desconexo de sequências dramáticas e de ação que não contam uma história e sim regurgitam uma narrativa disforme que por acaso tem alguns personagens bacanas dos quadrinhos da DC Comics.

9º Lugar:
51%

3X07

O restante do episódio é, só para resumir, uma vergonha completa. E a vergonha das vergonhas é que o grande plano de Jonathan Crane de distribuir suas drogas por Gotham depende única e exclusivamente de ele não ser localizado, pois, uma vez localizado, tudo o que vinha sendo preparado ao longo de todos os episódios anteriores cai por terra imediatamente, com o grande vilão, desesperado, fugindo de seu QG (ex-QG do Senhor Frio) com o rabo entre as pernas e carregando o Capuz Vermelho à tiracolo. E como a série quer nos fazer acreditar que é impossível achar Crane? Simplesmente dizendo que o próprio Homem Morcego não havia sido capaz de localizá-lo da outra vez com seus recursos multimilionários, tendo que recorrer a um completamente descontextualizado mega-hiper-super computador chamado Oráculo que não pode ser mais utilizado em razão de uma liminar obtida pela NSA contra a polícia de Gotham.

Categoria:
O Ruim que Acaba Ficando Bom na Comparação

8º Lugar:
Purple Rain

3X13

Afinal, em uma série que faz de tudo para ser sombria e adulta, as centenas ou milhares de mortes que Crane causou com a explosão de sua primeira bomba de toxina faz até todo sentido, certamente muito mais do que pedir absinto em um bar. Esse poderia ter sido um momento interessante e até… hummm… ousado da parte de Walker, mas não, pelo visto isso era mais do que ele tinha permissão para fazer. A solução brilhante e que está no título do episódio justamente para sublinhar o quão ela é bacana na cabeça destes geniais roteiristas foi criar uma chuva de água do Poço de Lázaro. Imediatamente lembrei-me da ridícula chuva de kryptonita em Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior, só que, aqui, a coisa consegue ser mais patética ainda. O “plano” mirabolante tem tantas peças móveis e exige tanto da suspensão da descrença – e parte da premissa que todo mundo que morreu estava em local aberto, lógico – que ele parece algo escrito para alguma HQ dos anos 40, com direito até a outra auto referência (só pode ser isso) de Donna Troy brincando com eletricidade…

7º Lugar:
Blackfire

3X04

E isso irrita bastante, serei bem sincero. Claro que não irrita tanto quanto mais uma vez o roteiro precisar de valer de sequências com dentes rangendo, cara de mau e onomatopeias como GRRRRRRRR para mostrar o quão… uhhhhhhh… sombria e pesada é essa série… Afinal, aquela cena de flashback do jovem Grayson correndo de lobos na floresta e, depois, voltando para a cabana com uma faca do Rambo toda ensanguentada e… rufem os tambores… a cabeça decepada do bichinho, com a cereja no bolo sendo Dick no presente dando uma de Rorschach na prisão, foi, para ser bem bonzinho, absolutamente hilária, daquelas de eu ter que pausar para não perder toda a inteligentíssima maravilha que vem em seguir. Não sendo tão bonzinho, foi um negócio constrangedor. Aliás, todo o plano de Dick de mais uma vez agir sozinho, sem sequer avisar Barbara, apagando inteiramente o pouco de “lição de moral” da temporada anterior, foi absolutamente execrável e só mostra mesmo que Titãs é a história de Dick Grayson, o garoto raivoso, e que o resto é perfurmaria.

Categoria:
Episódios Piorados pelo Conjunto da Obra

6º Lugar:
Lady Vic

3X06

Afinal, como a série é pretensamente “adultona”, não bastava que os dois tenham tido um caso; era essencial que mesmo ela sendo filha do Comissário Gordon e ele filho e sidekick do Batman, o romance acontecesse em meio a roubos de museus e galerias pela própria dupla como um passatempo de psicopata. Roteiro “bom”, feito para mostrar que todo mundo tem dois lados, é assim mesmo, inventa qualquer desculpa para esfregar essa literalidade óbvia ululante na cara daquela meia dúzia de espectadores que ainda caem nessa esparrela. E para que isso mesmo? Para lidar com mais uma relação conturbada, para nos fazer entender – sem conseguir, obviamente – o porquê do Asa Noturna ter agido sozinho mais uma vez, com direito a espancamento de policiais à luz do dia?

5º Lugar:
Barbara Gordon

3X01

Se Titãs sempre pareceu ser mais a “história de Dick Grayson pós-Batman” do que uma série sobre uma equipe de jovens – e não tão-jovens – super-heróis, o primeiro episódio do terceiro ano da série, que, de uma tacada só, adapta o potente arco Morte em Família e faz referência à maravilhosa HQ A Piada Mortal, vem para mergulhar ainda mais na mitologia do Homem-Morcego, usando-a como trampolim narrativo para o que parece ser a chegada do Capuz Vermelho, mais outra menção aos quadrinhos. Para isso, sem nenhuma cerimônia, Jason Todd, de volta à Batcaverna e, aparentemente, drogando-se com drogas experimentais de sua própria fabricação (forçadíssimo, obviamente, mas esperemos alguma contextualização melhor antes de condenar completamente), parte para tentar capturar o Coringa contra as ordens de Bruce Wayne, que está impotente em um avião, sendo espancado até morte pelo Palhaço do Crime com o uso do icônico pé de cabra.

4º Lugar:
Souls

3X09

O tão aguardado episódio do retorno de Donna Troy faz esforço para ser mais do que um estalar de dedos para a Amazona ao conectar sua morte com a de Tim Drake e, interessantemente, com a de Hank Hall, além de, estranhamente, com o suicídio(???) de Bruce Wayne. O primeiro sinal desse esforço é o visual, com o episódio alterando radicalmente a pegada sombria e urbana da série e trocando-a por paisagens praianas em Themyscira, com Rachel tentando apressar a ressurreição de Donna e um purgatório nevado, com fotografia em preto e branco, em que os três mortos, recusando-se a “irem para a próxima etapa”, unem-se para combater Dementadores de forma a atravessarem uma ponte que em tese deveria trazê-los de volta à vida.

3º Lugar:
Lazarus

3X05

E o que mais me impressionou nem foram os eventos em si, já que eles eram, de uma forma ou de outra, esperados e o episódio não trouxe tanta novidade assim, mas sim o espaço dado a Curran Walters para trabalhar seu personagem. Esperava que qualquer coisa focada exclusivamente – ou quase – no segundo Robin seria uma tragédia de atuação, já que o ator, para mim, era, até aqui, apenas capaz de fazer biquinho e choramingar pelos cantos, além de me irritar profundamente. Mas eis que eu me deixei levar pela confusão entre roteiros ruins e capacidade dramática. Foi só escreverem algo um pouquinho melhor para o jovem e, voilà, temos um ator de verdade vivendo um personagem tridimensional.

2º Lugar:
Red Hood

3X02

E, se o desconto for dado, aceitando-se que o tempo que passou foi suficiente para a transformação, então a execução da chegada do Capuz Vermelho para aterrorizar Gotham funciona muito bem em termos televisivos e até em termos de um episódio da série Titãs, diferente do que abre a nova temporada. Há uma lógica e fluidez para os eventos que cria situações extremas para Asa Noturna e companhia, além de Barbara Gordon e a polícia da cidade lidarem com um bom grau de gravidade para os atos perpetrados pelo novo vilão. Vale apenas dizer que, mesmo que não tenha havido enrolação na revelação da identidade dele, a direção de Carol Banker poderia ter investido mais no suspense e na solenidade do “grande” momento, o que infelizmente acabou sendo algo normal, com uma reação nada espantada de Dick Grayson, o que chega a ser cansativo. Por outro lado, não foi nada cansativo ver um Vincent Kartheiser barbudo como Hannibal Lecter… digo, Dr. Jonathan Crane, vulgo Espantalho, servindo de consultor da polícia a pedido do próprio Bruce Wayne e fazendo de Dick Grayson seu fornecedor de maconha…

Categoria:
Luz Solitária no Fim de um Longo e Sombrio Túnel

1º Lugar:
Hank & Dove

3X03

Em termos de estrutura, o bom e velho truque da “contagem regressiva” funcionou maravilhosamente bem, criando tensão desde o segundo em que Hank atende a ligação de Jason e burramente cegue as instruções do jovem psicopata, instruções essas que nós sabíamos que iam levar a algo bem ruim, mas que não poderíamos imaginar que seria tão ruim assim. Claro que irrita um pouco ver Dick andando e não correndo e conversando calmamente, além de Dawn, em 45 minutos, planejar e executar o roubo do carro forte e ainda levar as barras para o ponto de encontro com Jason, sem sequer desconfiar de armadilhas do sujeito, mas o forte de Titãs nunca foi a verossimilhança e, se me fizeram engolir que choque elétrico mata uma Amazona, que uma mísera espadada mata o Exterminador e que Jason Todd, alguns dias depois de morto, retorna como Rei do Crime de Gotham, então eu posso fechar os olhos para esses problemas substancialmente menores.

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