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Lista | Top 10: Os Melhores Episódios de Smallville – As Aventuras do Superboy

por Felipe Oliveira
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Nem falei muito no texto anterior, não mesmo — ou falei? Para uma série de 217 episódios, muita coisa ficou de fora, e que trarei para esta pauta. Com todos adjetivos negativos com os quais a série é caracterizada, há a parte maravilhosa que é colocada de lado porque, sim, Smallville não entregou só perfeição, mas emplacou momentos suficientes que provam sua qualidade.

Tenho enorme carinho pela série, por isso, o critério aqui é citar um episódio de cada temporada — com direito a menções honrosas para conseguir defender o máximo de momentos que separei e que para mim marcaram e acertaram em cheio — porque senão, esse Top 10 se tornaria Top 20, 30, 50… série boa coleciona coisa boa, certo? Então vamos relembrar o que mais Smallville: As Aventuras do Superboy teve de ponto forte.

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10° Lugar: Red

2X04

Se a primeira temporada apresentou uma estreia mais cômoda, o 2° ano de Smallville começou com uma sequência interessante de boas tramas e com os dois pés na porta, e por isso, é no quarto capítulo que estaciono para abranger este tópico. Red, título que nomeia o surgimento da kryptonita vermelha na série, apresentou à audiência um Clark às avessas ainda no início da temporada, o que foi animador.

A maneira com a qual Clark teve contato com a kryptonita vermelha pode soar risível e boba, mas funcionava para a lógica regida no roteiro de Jeph Loeb. Era só mais um dia de classe, e a escola tinha encomendado uns anéis personalizados com pedras de rubi, e que mais tarde, descobre-se que usaram a kryptonita vermelha em vez de rubi na customização, e cobraram caro por isso. Indo contra a vontade dos pais, Clark termina adquirindo o objeto, não sabendo que teria sua personalidade completamente afetada.

A essa altura, era identificável que Smallville tinha um charme que transitava entre cômico, o sombrio e sarcasmo de um jeito que dava estilo a série, e Tom Welling parecia perfeito quando o assunto era descaracterizar o Clark incapaz de matar uma mosca. A façanha em si, funcionou muito como alusão a passagem bíblica sobre o Filho Pródigo  — e no 2×15, Prodigal, houve uma alusão ainda mais óbvia, mas divertida — nos aspectos que envolviam um Clark cansado de ser filho de fazendeiros, endividados e que para tudo que queriam gastar, precisava ser decidido pela importância. Assim, o jovem Kent usa os cartões dos pais e compra eletrônicos e roupas caras, e se isso não estava tendo chocante demais para quem o conhecia, numa discussão com Jonathan (John Schneider), Clark usa da agressão — o excomungado joga o pai contra a caminhonete da família — sem nem expressar remorso.

Além do estilo bad boy com óculos escuros, jaqueta de couro preto, altos flertes e beijos com Lana — esse beijo para o que a gente queria ver, não vale —, brigas em clube e o convencimento repentino de que poderia levar uma nova vida com a novata misteriosa da escola, Jessie Brooks (Sarah Downing), com uma Ferrari vermelha emprestada de Lex, Clark anuncia aos pais que está indo embora para ganhar dinheiro através de suas habilidades, e que não mais aceitaria desperdiçar seus talentos na fazenda. E nessa rebeldia toda, ele descobre outra forma de ganhar dinheiro mais rápido, roubando de Jessie e seu pai, que receberam uma quantia por extorsão.

Quem diria um Clark travesso ser assim, mas o ponto alto de Red se deu quando Clark vai à mansão Luthor procurando por Lex, e lá encontra Lionel (John Glover) cego — após o acidente que começou no 1×21, Tempest, e seguiu-se no 2×01, Vortex, com a cena emblemática de Lex escolhendo salvar o pai — e decide zombar da situação, o que surpreende o antagonista, pela atitude ter vindo dos filhos de Martha e Jonathan Kent. A sequência fica ainda melhor quando um investigador chega para questionar Clark sobre Jessie e decide sacar uma arma, o que faz o Superboy vestido com um terno, imponente e autoconfiante expor suas habilidades, descarregando o objeto disparando as balas na palma da mão.

E para fechar a “releitura” bíblica, Clark eventualmente é resgatado dos efeitos da kryptonita vermelha — com ajuda de Jonathan e Peter (Sam Jones III) —, mas ainda precisa lidar com o amargo por ter continuado a usar o anel mesmo sabendo que lhe afetava, e principalmente, pela forma que tratou seus pais e a Lana. O Filho Pródigo ao lar retorna.

Menções Honrosas: 2X03 – Duplicity, episódio em que Clark conta a Peter, seu melhor amigo, sobre suas habilidades. Está aí um personagem que à medida que crescia rápido, se perdeu também muito rápido e foi retirado da série na temporada seguinte — antes que piorasse —, mas enquanto ainda era bem escrito pelos roteiristas, Peter se destacava em Smallville. No primeiro ano do show, se fez necessário e constante o medo de Clark em se abrir sobre o que podia fazer, e como disse, o segundo ciclo da série pretendia avançar com os rumos, por isso, foi notável e lindo o momento em que Clark decide demonstrar a sua força sobre-humana e se sentir mais leve por compartilhar com alguém que confiava e amava: Peter. 2X17 – Rosetta, um dos episódios que contou com a participação de Christopher Reeve vivendo o Dr. Swann, um cientista renomado e misterioso com forte inclinação para a história de Clark. Na trama, ele se mostra fundamental para decifrar uma mensagem importante de Krypton para Clark.

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9° Lugar: Bride

8X10

Cada vez mais se aproximando do fim — em 2008 isso não era sabido, visto a boa audiência —, estava difícil Smallville apresentar temporadas empolgantes como as cinco primeiras, ficando só com outros momentos aqui e ali, e o oitavo ano da série criada por Alfred Gough e Miles Millar se encontrava fraco, com poucas ressalvas e carente de um ritmo que definisse melhor os rumos. Com quase 200 episódios, a essa altura, os roteiristas se comprometeram em apelar para saídas fáceis e conveniências como recursos dramáticos — piores do que as primeiras temporadas — e suspense da trama, e nesse caminho, quem por um fio de descuido seria desperdiçada, era Chloe (Allison Mack), também conhecida como uma das melhores personagens que a série já teve. Contudo, ainda com demasiada chatice de se acompanhar, As Aventuras do Superboy conseguia recuperar alguns pontos, bastando apenas trazer um bom roteiro e emoções significativas.

Quando digo que Chloe correu o risco de ser estragada, não era por incoerência com a personagem, e sim, pela introdução de mais um vilão que Smallville trazia dos quadrinhos para seu universo: Apocalipse. A lista de vilania que marcou presença no programa, é enorme, mas tiveram aqueles que precisavam de maior cuidado no desenvolvimento, como o vilão em questão, Davis Bloome (Sam Witwer) ou como melhor você conhece, Apocalipse (Doomsday). Parte da sua inserção trouxe um apanhado de facilidades do roteiro, mas em Bride, a série fez valer a adaptação — o que muitos podem discordar — de mais um adversário de Clark na atração.

O título do episódio se refere ao tão esperado casamento entre Chloe e Jimmy Olsen (Aaron Ashmore) que recebe um convidado especial: Apocalipse, com fúria caçando a noiva na festa. O que justifica isso, é o vínculo que Davis e Chloe compartilhavam — mesmo ela sabendo que ele era instrumento de transformação para um monstro — e que beirava até em um romance, mas a sua chegada no local era capturar Chloe, e entregar para Brainiac (James Marsters), já que o andróide sabia que a mente e corpo de Chloe seriam perfeitos para ele atingir seu plano de controle mental da humanidade — coisa que só compreendemos no capítulo seguinte, 5X11, Legion.

Com Lex agora só aparecendo sendo representado por dublês, sempre omitindo a face, o capítulo foi um acerto por valorizar Chloe na trama, além disso, por entregar algo drástico e frenético, misturando terror e suspense, ainda mais para uma temporada que precisava recuperar o gás e colocar um pouco de ação e perigo, porque, claro, Apocalipse não poderia ser inserido na série e sua lembrança ser de um resultado modesto: Smallville precisava desse caos assim como Clark de mais uma luta e vilão para sua trajetória de amadurecimento e o que tinha de superar e aprender em cada novo embate.

Menção honrosa: 8X01 – Odyssey, que marca o retorno de Clark após o confronto com Lex no 7X20Arctic, o que o fez perder os poderes novamente. A graça foi o resgate do Superboy como mortal, e também de Chloe, que estava em perigo, pela Liga da Justiça – que falarei mais a frente.

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8° Lugar: Apocalypse

7X18

Como seria o mundo sem Kal-El? Era o ciclo final da sétima temporada, e Clark se encontrava cada vez de frente com novos desafios que o faziam refletir e agir de acordo com a responsabilidade que o destino lhe reservara, e no décimo oitavo capítulo desta fase, o roteiro de Tury Meyer e Al Septien colocaram à prova esse indagamento, que lá no fundo, e por diversas vezes, Clark se questionou: o mundo seria melhor sem mim?

Entretanto, a sétima temporada foi marcada como a última que contou com a participação recorrente de Michael Rosenbaum e seu Lex Luthor na série, e era o momento ideal de concluir, depois de sete anos, o arco sobre aquele que seria reconhecido como um dos maiores adversários do futuro Superman. Era o 150º capítulo num contexto geral da atração e estava próximo do limite do que um papel que se mostrou fascinante poderia narrar sem estragar o que já tinha sido desenvolvido tão bem — se superou as derrapadas do ano anterior, “o fim” não poderia ser amargoso —, por isso, Apocalypse foi inteligente ao trazer no antepenúltimo capítulo do sétimo ano, uma realidade a qual Kal-El não sobreveio à cidade fictícia do Kansas, mas a vilania de Lex era soberana.

Nesta façanha que consagrou o terceiro episódio de Tom Welling como diretor na série, Lex ainda não tinha descoberto o segredo de Clark, e apesar das várias oportunidades sendo espremidas e absorvidas pelos roteiristas ao longo das temporadas, a fim de esticar o máximo esse momento esperado e crucial, conseguiram inserir algo coerente para aproximar Alexander da revelação, ao tempo que as nuances de um Luthor íntegro não eram mais notórias em suas ações: de fato, o vilão.

De maneira lúdica, formidável e tensa, Apocalypse poderia ter sido até um filler, mas se muniu de elementos essenciais do universo ao qual explorava e nos deu um demonstrativo do que aquilo poderia ser — ou estava se tornando. Contextualizando rapidamente, Clark se culpava por sua amada Lana se encontrar em estado de coma por influência de Brainiac, acreditando que, se ele não tivesse chegado à Pequenópolis, essas pessoas que conhece e ama, como Lana, não estariam em perigo, assim, estava decidido a aceitar a “intervenção” do vilão android em um linha temporal do passado, ao qual mataria Kal-El ainda bebê para que não fosse poupado da destruição de Krypton, o que Jor-El também intervém, levando o filho a experimentar como seria o mundo sem ele.

Mesmo estando em carne e osso, Clark transita como um fantasma contemplando uma realidade ao qual, ele, Kal-El não é conhecido, e mesmo com suas habilidade, faltavam os ingredientes que o humaniza como herói: a família Kent agora com outro Clark (Brett Dier), Chloe prestes a casar, e Lana acordada, mas bem distante dali. Ainda assim, saber que todos estavam bem de alguma forma, a conexão que o moldou até então com os pais e amigos, não era familiar ali, e ele seguia transitando, e termina descobrindo que falta pouco para Lex, o Presidente dos Estados Unidos, com a aliança formada com Milton Fine, liberar mísseis nucleares, com o plano de revitalizar a população a exterminando, e mantendo apenas líderes e cientistas renomados salvos em um bunker.

Claro que o dia foi salvo — nas duas linhas do tempo — mas o ponto final aqui, foi o episódio colocar Lois e Clark trabalhando como os cúmplices que se tornariam para frustrar os planos de Lex. Nessa fase, os roteiristas ainda mantinham o empecilho cômodo e preguiçoso que se estendia em círculos na série: Lana Lang, a peça que impedia o desenvolvimento de Clark e Lois — que se conheceram na quarta temporada!!! — fluir naturalmente. Era decepcionante ter esse cenário pronto para decolar, mas recuavam porque Lana ainda era recorrente e, conveniente e incrivelmente, não escreviam logo uma despedida para a personagem.

Como em muitos outros exemplos, o evento se abria para Clark como uma advertência do que ele deveria fazer para enfrentar seus adversários.

Menções Honrosas: 7X01 – Bizarro – Episódio que trouxe a introdução oficial de Kara (Laura Vandervoort) como a Supergirl. E como o título aponta, se Tom Welling esbanjava diversão sob efeito da kryptonita vermelha, foi ainda melhor interpretando o vilão Bizarro numa adaptação muito bem-vinda. 7X14 – Cure, episódio que trouxe a participação de Dean Cain como Curtis Knox. 7X11 – Siren, a introdução de Dinah Lace/Canário Negro (Alaina Huffman) na série — e que mais tarde participou também do 8X01 – Odyssey, para resgatar Clark e Chloe. 7X16 – Descent – Por muito pouco, esse, um dos episódios mais chocantes de Smallville, alcançado as notas máximas de vilania, não foi o maior destaque do 8º lugar, mas é inevitável citar o capítulo ao qual Lex friamente mata o próprio pai. 7X20 – Arctic – Com muitas emoções, o vigésimo episódio da season finale da 7ª temporada encerrou a participação regular de Rosenbaum na série — que voltou para o episódio final, onde claramente não raspou a cabeça para uma participação, tendo que caracterizar a careca com maquiagem — com a descoberta de que Clark era o misterioso viajante ao qual perseguiu a identidade por muito tempo. Excelente escolha o palco do esperado confronto ter sido na Fortaleza da Solidão.

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7° Lugar: Justice

6X11

Precisou Smallville andar para que o Arrowverse pudesse correr? Esta conversa é velha — e correta, claro — no que aponta As Aventuras do Superboy como a pioneira nos crossovers televisivos da DC, mas o melhor disso, é saber que a série de Gough e Millar se propôs a realizar algo bem feito e proveitoso narrativamente. Ou seja, apesar do longo período que estendeu nas telinhas, a série se permitiu manejar com responsabilidade o que tinha em mãos — em outras vezes, a peteca caiu mesmo. E neste caso, montar sua Liga da Justiça.

Quando Bart Allen (Kyle Gallner) participou de Run, o 4×05 capítulo da série, ele se mostrou uma excelente sacada, porque, primeiro, o foco da trama ainda estava na fase adolescente de Clark, e que estava se recuperando do passeio louco que teve no treinamento com Jor-El, e em contrapartida, a personalidade de Bart gerava um atrito divertido em como o Superboy usava e pretendia se assumir com suas habilidades. Só do pontapé do roteiro de Steven S. DeKnight fazer Clark bugar para descobrir quem seria o homem que corria tão rápido  — a cena deles competindo sobre quem possuía mais velocidade já superou o todo lenga, lenga de Barry conhecendo outro velocista mais rápido que ele em The Flash, da CW  —  quanto ele e estava realizando furtos impressionantes, foi um primor, mas ali foi só a ponta de algo maior em mente.

Mais tarde, já no 5X04, em Aqua, foi a vez de Arthur Curry (Alan Ritchson) dar as caras. Sendo outro exemplo divertido, a introdução de Aquaman na série foi mais um passo do leque de personagens vindo dos quadrinhos que complementava a trajetória de Clark. Ainda no mesmo ano, no 5×15, veio Victor Stone (Lee Thompson Young), em uma façanha bastante interessante em Cyborg, deixando um gostinho de querer ver um retorno. Sendo mais certeira que essas inserções, foi a adição de Oliver Queen (Justin Hartley) na sexta temporada, mesmo que em um ciclo irregular para a série, se preocupava no desenvolvimento do personagem.

Sem esses prólogos, chegar em Justice não teria o efeito compensador e emocionante de acompanhar a equipe se unindo e entrando em ação invadindo um complexo da LuthorCorp e desfazer um perigoso projeto de Lex. Todos vieram de origens conturbadas e estariam dispostos a muita coisa para frustrar as criações mortais de Lex, exceto Clark, que defendia outro código ético e moral em como usar suas habilidades: sempre buscar outra alternativa, nunca matar.

Para Clark que vira e mexe cometia o deslize de rejeitar a ajuda dos amigos para agir sozinho, Justice invocou o real espírito de se trabalhar em equipe quando ele e Bart foram capturados, contando com a mão de Oliver, Victor, Arthur e Chloe na sua Torre de Vigilância para fazer valer essa força tarefa com direito a porradaria, explosões e a Liga da Justiça reunida andando em câmera lenta. 

Menções Honrosas: 6X01 – Zod, capítulo que marcou a chegada do temido vilão que escapou da Zona Fantasma e se apossou do corpo de Lex, o que rendeu momentos incríveis, como quando Clark se ajoelha perante o major kryptoniano. 6X04 – Arrow, Oliver surgiu na série pela primeira vez no 6×02, em Sneeze, mas foi no quarto episódio que vimos pela primeira vez a narrativa focar em começar a destrinchar o personagem. Ao longo da temporada, enquanto desenvolvia mais outra amizade e aliado para Clark, um dos pontos altos de Oliver em Smallville foi contrapor os dilemas de Clark em abraçar de vez suas habilidades e enfrentar seus adversários, uma vez que Oliver vinha de uma bagagem traumática e vingativa e não estava nem um pouco preocupado em se impor limites no que dizia respeito em defender a Metropolis. 6X16 – Promise e foi aqui que finalmente Lana descobriu sobre as habilidades de Clark, quando estava prestes a se casar com Lex. Felizmente, um bom roteiro se fez presente nesse movimento tão adiado e enrolado que era Clark e Lana serem transparentes uns com os outros. A coisa poderia, sim, ter sido cheia de melodrama, mas fizeram algo bem bolado, embora conveniente, mas ao menos dando uma dose de tensão.

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6° Lugar: Onyx

4X17

Para quem duvida que Smallville tem o mérito de desenvolver a melhor e insuperável versão de Lex Luthor numa adaptação na TV ou cinema, nunca viu como Michael Rosenbaum dava o sangue por este papel, com classe, soberba, sensualidade, acidez, cinismo e prazer de dar vida a um vilão icônico e sólido. A responsabilidade e chance aqui não era de algo caricato, com o plano familiar de superar o mocinho e conquistar o mundo e o texto à base de frases instantâneas — parte disso era verdade mesmo. Desde o começo, acompanhar uma história onde tinha a prévia noção do que seria cada personagem, era emocionante por se tratar de uma adaptação, e As Aventuras de Superboy se propôs a contar isso por outra perspectiva, e no caso de Alexander Luthor, era como uma trilha de pólvora sendo consumida por pequenas faíscas aos poucos, para explodir em vilania, e observar este desempenho, foi de encher os olhos. Então chegamos em Onyx, e como um vilão flertou sob seu alter ego de maneira genial.

Lex sendo vilão, era o que mais queríamos ver nesta série – ou o beijo de Lana e Clark, Clark e Lois – mas Smallville teve o maior cuidado para conceber isso em tela, o que foi maravilhoso. Quando fomos apresentados a Alexander, vimos alguém que pretendia ser a melhor versão de si mesmo a cada dia, mesmo com os crimes da LuthorCorp. sempre emergindo e tendo de ser varridos para debaixo do tapete, Lex se inspirava na personalidade pura e justa de Clark e no vínculo que possuía com os pais, mas o que ele estava destinado a ser, arranhava constantemente para sair. E como bem sabia brincar com os indícios, a série de Gough e Millar provocava sobre quando Lex deixaria de ser o bonzinho, o que não podia se permitir ao corruptível, alguém que não queria se ver em deslizes, mesmo com o sangue Luthor correndo nas veias. Exemplo disso, foi no 1×21, Tempest, com ele hesitando salvar Lionel preso nos escombros do teto que caiu da mansão Luthor: Lex queria ser amado, mas de quem desejava esse afeto, era também alguém corrosivo, e nos seus olhos frios, refletia a possibilidade de deixar a fatalidade dar um fim nisso ou tentar ajudar.

Por quatro temporadas, contemplamos o conflito interno de acertos e erros de Lex querendo não transgredir ou simplesmente exalando o Luthor que era. E chegamos no momento em que o roteiro de Steven S. DeKnight — que veio de Buffy, Angel, a série Demolidor e depois se meteu em O Legado de Júpiter  — emplacou com um dos episódios mais completos dessa série. Em mais outro experimento envolvendo kryptonita verde, Lex termina sendo atingido por uma energia significativa depois que a substância explode no equipamento. A consequência disso, foi ser dividido em dois, sem perceber, entre o alter ego “puro” e o sombrio.

Astuta, a versão má observa cada passo justo que o Lex “bom” dá, até que consegue prendê-lo acorrentado no porão da mansão, com uma máscara de ferro — lembrou de algo? —, para claro, fazer tudo o que o outro alter ego tem resistido. Apesar da luta de esgrima entre Lionel e filho ser um dos destaques — depois que o doppelganger decide contrariar as tentativas de Lex em ter trégua com o pai, bem como reverter os bons frutos de Lionel depois que saiu da prisão — a guerra maior dele era com quem o superava: Clark.

E não economiza tempo para tirar este obstáculo: além de saber dos poderes de Clark — após armar uma cilada para ele Chloe e ver que o jovem Kent saiu ileso — ele cria até um anel de kryptonita verde, ao notar que Clark enfraqueceu ao se aproximar de amostras de kryptonita, e ainda faz uma oferta para que eles se aliem e conquistem o mundo — em um dia, o doppelganger cumpriu tudo o que Lex mascarava com gentileza. Com Clark rendido e a intervenção dos pais contra Lex sendo vã, e uma bala na perna de Jonathan, chegamos na fala que até arrepia ao ser proferida: “O senhor tinha razão ao meu respeito, Sr. Kent: Eu sou o vilão dessa história“.

A solução arranjada por Clark para recuperar o Lex original, foi atingir o anel com a visão de calor para tornar a kryptonita verde em preta, e assim, fundir as duas versões de Lex. O que funciona, e para o dia ser completamente salvo, Lex não lembra nadinha do que sua cópia aprontou e dos poderes de Clark. Esta foi mais uma oportunidade em Lex vestir sua vilania colocada de lado, mas serviu como um vislumbre de algo reprimido e que faltava pouco para pôr pra fora.

Menções honrosas: 4×01 – Crusade, episódio que marcou a chegada de Lois Lane (Erica Durance), já inclinada a investigar o que levou à “morte” de Chloe no 3X22, e Clark com Kal-El incorporado. 4X07 – Jinx, ápice de um dos melhores arcos desenvolvidos sobre Clark querer fazer coisas comuns, ainda que com suas habilidades. Em vários momentos, o jovem Kent enfrentou os pais porque desejava jogar com o time de beisebol da escola, mas tinha ali o adendo sobre o que seu corpo de aço e força poderiam causar. Ponto para a cena de Clark vestindo o uniforme ao som de Boulevard of Broken Dreams, de Green Day. 4X12 – Pariah, outro episódio avassalador da série, e que marca a sequência em que Chloe presencia sem querer Clark usando suas habilidades, e o melhor, ele não sabe.

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5° Lugar: Memoria

3X19

Superior à temporada anterior, o terceiro ano de Smallville deixou bem difícil a seleção de um episódio marcante, afinal, muitos se destacaram, de forma que chegamos em Memoria, o décimo non capítulo.

Se teve um tema para esta temporada, com certeza se caracterizou como um mergulho em Alexander “Lex” Joseph Luthor, tudo colaborando para estourar em sua inevitável vilania. Memoria ainda não entregou este momento, mas culminou num caótico ápice de eventos envoltos em Lex, Clark e Lionel. Apesar da “memória” no título se referir às lembranças perdidas de Lex após o acidente sofrido no 2X23, Exodus, e seus esforços para relembrar o passado, havia muito mais no roteiro de Alfred Gough e Miles Millar do que o aparente tópico sobre recordar.

Lex estava decidido em encarar o experimento desenvolvido pelo Dr. Garner (Martin Cummins) para explorar sua mente e acessar de uma vez as semanas antes do acidente, e assim, obter a prova necessária que queria dos crimes do pai para entregar ao FBI, mas neste caminho, o procedimento termina revelando mais além sobre seu passado. Como no 1×16 tivemos a informação de que Lex tinha um irmão, Jullian, o qual morrera, mais a frente, também sabemos que Lionel o culpava pela morte do caçula, e em Memoria, depois de inúmeros lapsos e crises psicóticas de Lex, o passeio em flashbacks revela que Lilian Luthor (Alisen Down), mãe dos irmãos, matou o próprio filho para evitar que a influência e paternidade de Lionel causasse rivalidade entre os filhos, e que o ainda jovem Lex vendo tudo, preferiu levar a culpa e aceitar a fúria do pai, o que ocasionou seus traumas e relação conturbada e frágil com Lionel.

O desfecho disso, é na densa cena em que Lex relata o que viu no procedimento para Lionel, e é em exemplos como esse que Smallville provava valer muito a pena quando ia a fundo na premissa do seu show. A forma que a contraditória ligação de ódio e ambições que ambos nutriam, assim como a incansável busca por aceitação, atenção e amor de Lex, irrompe no olhar de Lionel — John Glover sempre formidável — ao ouvir que todo furor e desprezo que alimentou contra o filho não correspondia ao que acreditava, e depois de muito cinismo e aversão proposital, foi a primeira vez que demonstrou ter sentimento por Lex, e que claro, acreditar nisso, nesse ponto da relação seria demais, o que o filho resiste.

Do outro lado deste drama babélico, Memoria ainda tinha a falar sobre Clark, o qual pretendia impedir de maneira limpa que Lex retomasse as lembranças, pois com isso, Lex também recordaria do momento em que o viu usar seus poderes para salvá-lo, lá no 3X08, em Shattered. E como Lionel e o Dr. Garner queriam saber mais do misterioso filho dos Kent, o Superboy termina sendo sujeitado ao procedimento, já que ao chegar ao local para resgatar seu amigo arqui-inimigo, foi enfraquecido pela Kryptonita verde que era fonte principal do funcionamento da máquina — e de muitas obras criações ilegais da LuthorCorp. —, e bingo, o que recorda, era um desejo escondido em conhecer: sua mãe.

E foi neste momento que entendi, chegando no final do episódio deslumbrado — e quase indo ao choro —, que Memoria falou de um jeito cortante sobre maternidade. Numa ponta, Lex chegou a conclusão do que sacrificou e que em troca recebeu ódio, mesmo que fosse inocente quando fez sua escolha, e na outra, Clark se abre com Martha (Annette O’Toole) que agora sabe o nome de sua mãe biológica, Lara, e que teve acesso a sua primeira lembrança de quando ela o colocou no berço da nave para que viesse à terra, contudo, se culpava por esquecer o nome dela. O que Martha o rebate dizendo que “Lara” foi a primeira palavra que ele disse. Imagine a cena ao som de My Immortal de Evanescence ao fundo… era assim que Smallville sabia arregaçar as emoções com um texto maduro e de qualidade.

Menção honrosa: 3X22 – Covenant, o que resumindo outra esplêndida season finale da série, o episódio trouxe uma falsa Supergirl (Adrianne Palicki) para seduzir Clark a realizar o treinamento com seu pai Jor-El (voz de Terance Stamp), Lionel boicotando a amizade de Clark e Lex, o Superboy vendo Jonathan ser quase morto por Jor-El para aceitar a preparação para ser o salvador da humanidade, e depois de Lex e Chloe (Allison Mack) se unirem para mandar Lionel para prisão — a inesquecível cena do antagonista tendo o lindo cabelo raspado —, enquanto Chloe esperava em casa pela proteção de custódia com seu pai (Robert Wisden), a casa explode.

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4° Lugar: Stray

1X16

Já se passava mais da metade da temporada quando Stray  surgiu como o décimo sexto episódio e foi o primeiro exemplar de que Smallville sabia como surpreender — fiquei chocado o quanto o episódio ia na contramão com um saldo muito positivo de outras escolhas da premissa —, principalmente, depois de 15 capítulos anteriores de procedurais medianos que movimentavam a ação das histórias.

Como no piloto a cidade de Pequenópolis foi arrasada com meteoritos, os roteiristas usaram as kryptonitas verdes espalhadas como recursos para justificar os vários meta-humanos que surgiam diariamente contra Clark (Tom Welling). Algumas desses meta-humanos conseguiam trazer algo divertido, como o capítulo 15, Nicodemus, o qual tivemos a trival jogada de colocar o mocinho a mostrar aquele seu lado danado que tanto omite, neste caso, Lana Lang (Kristin Kreuk), que esbanjou sensualidade, aspereza e personalidade independente ao ser infectada temporariamente pela flor tóxica Nicodemus, que foi combinada com extratos da pedra de kryptonita verde, o que foi ótimo para a personagem, mas o que veio depois, foi ainda melhor.

Só a ideia dos meteoritos já trazia “o quê” de peculiaridade para a série, mas em Stray, Smallville quis ir mais além ao trazer o jovem Ryan (Ryan Kelley), um garoto com a capacidade de ler mentes, o detalhe é que sua habilidade não vinha da kryptonita. Só através desse personagem, o roteiro de Philip Levens conseguiu contextualizar algo maduro, ousado, sensível e emocionante.

O background de Ryan revelava alguém que era órfão e que tinha suas habilidades exploradas pelos padrastos, que o agredia para enganar donos de pequenos comércios para serem roubados depois — destaque para o momento que ele compartilha sua história com Clark ao descobrir a nave escondida no celeiro. Após um incidente, Ryan termina conhecendo a acolhedora família Kent, e graças a persistência de Clark em sempre dar o benefício da dúvida para toda pessoa que caía no seu caminho presas no dilema de habilidades e omissão, eles logo desenvolvem um afeto e um elo de proteção mútuo. Clark, por enxergar Ryan como um irmãozinho, e Ryan, por reconhecer nos Kent a vontade e capacidade de dar amor e carinho, e no seu novo amigo Clark, a bondade em se doar.

Enquanto isso, o roteiro seguia o excelente desenvolvimento da amizade de Lex e Clark, que ressoava inocência e cumplicidade, mas o público sabia que era só questão de tempo para isso se desfazer, coisa que Ryan advertiu Clark para não confiar em Lex, pois tinha algo ruim e oculto nele, bingo. E ainda sobre o arqui-inimigo, a série incrementou na história de origem que, por baixo da relação conturbada com o pai, ele possuía um irmão, Julian, o qual morreu quando criança e que isso causou uma grande rachadura na família. Nisso, Stray marcou mais um ponto ao relacionar arcos importantes numa trama que discutia sobre relações fraternais.

E para tornar o episódio mais especial, teve a aparição da fictícia HQ do Warrior Angel (que marcou presença outras vezes durante a série), que tanto Clark quanto Ryan eram fãs. O ponto aqui era a alusão ao “anjo da guarda” que o roteiro fazia, já que Ryan se sentia protegido pela primeira vez desde a morte dos pais ao estar ao lado de Clark, que também era um “anjo guerreiro” pelas habilidades que possuía. o Capítulo encerra com Ryan dizendo que não precisa mais das revistas para se sentir seguro, pois tinha Clark para cumprir esse papel, advertindo sobre confiar em Lex, insistindo para contar a Clark sobre os sentimentos de Lana por ele e jurando proteger o segredo dos Kent. Impossível esse personagem não ser memorável.

Menções honrosas: 1X06 – Hourglass, primeiro vislumbre que tivemos de Lex como presidente dos Estados Unidos na sequência aterradora quando ele visita a vidente Cassandra Carver (Jackie Burroughs) no hospital, a qual teve uma visão de Lex vestido com um terno branco e luva preta na mão direita — relembre. Parecia cedo, e além da cena terminar com a morte de Cassandra logo na presença dele — Smallville e suas peculiaridades que não eram usadas por acaso — serviu para opor a personalidade pura que Lex se esforçava para demonstrar. 1X21 – Tempest, a primeira das excelentes seasons finale da série. Como o nome indica, uma tempestade sobreveio a Pequenópolis, e depois de vários momentos embaraçosos — um adendo para a mansão Luthor despencando e Lex aparentemente deixando seu pai para morrer — para os personagens, o desfecho emocionante se dá com Clark entrando num tornando para resgatar Lana.

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3° Lugar: Reckoning

5X12

Para ocupar o terceiro lugar desse Top 10, Reckoning marca um dos mais catastróficos capítulos de Smallville. Bem como Memoria, os eventos nele, são os efeitos e consequências de acontecimentos que incendeiam desde o início do quinto ciclo da série. O piloto da série pode ter sido eficiente e épico, ou ultrapassado para outros, mas um aspecto que o marcou, era a aura intimista quando o recorte se tratava da família Kent. Detalhe que apontei da crítica geral da série, na forma que John e Annette se consolidaram de forma bela e aconchegante em nossas lembranças como os pais de Clark.

Apesar de momentos como em Memoria, ou no 2X12, Insurgence, no 2×16, Fever, ou 2X22, Exodus, terem colocado Martha em vários perrengues — sendo o último quando ela perde um bebê, pois é… —, muito das divergências em que Clark se via entre obedecer ou não Jor-El, se reverberava em Jonathan, a figura paterna física a qual referenciava. Se o 5×01, Arrival, parecia ser o veredito para as prometidas punições de Jor-El no que Clark perde os poderes e se torna um mortal, no 5×03, Hidden, veio o gancho definitivo quando Jor-El devolve a vida do filho após ser baleado, com um adendo de que uma hora esse preço seria cobrado: uma vida por outra, neste caso, Jonathan Kent.

Mas Smallville não fez isso às coxas; o roteiro de Kelly Souders e Brian Peterson soube elevar as emoções e fazer a dor da perda ser devastadora. Embora Clark e Lana tenham vividos vários romances quando ele era mortal — sim, a série, em suas nuances de compor um retrato mais humano para o Homem de Aço, entregou o belo gesto de Clark perdendo a virgindade como mortal —, estava estranho e difícil de convencer quando ele leva a amada para Fortaleza da Solidão e ainda a pede em casamento. Sabe aquela sensação que o roteiro está elevando o ápice em última hora, realizando coisas que o público estava doido para ver e que em breve aquilo seria desfeito? Era o que Reckoning me transmitia, mas algo estranho ficava no ar, quando, já passava da metade de duração, Lex descobre sobre os poderes de Clark ao pressionar Lana num surto de ciúme ao perceber o anel em seu dedo, e ao tentar escapar dele, ser morta em um acidente de carro e Clark chegando no último segundo sem poder salvá-la — justo quando iam casar…

Percebendo que este era o acerto de contas prometido por Jor-El, Clark pede desesperado por outra chance, o que lhe é concedido, com a advertência que uma vida ainda seria cobrada. O dia se reinicia. Parece até um episódio perdido de Premonição, digo, de Arquivo X, porque, mesmo o dia sendo zerado e Clark e Chloe tentando evitar que Lana seja morta, quem quase morre também é Lois, ao se acidentar em seu apartamento. No centro dessas emoções, o capítulo lidava também com a disputa eleitoral entre Lex e Jonathan para decidir quem seria o Senador do Kansas. A discussão entre Lex e Lana que antecede o acidente ainda acontece, e enquanto Clark evita esta morte, Lionel e Jonathan têm uma discussão no celeiro, e num acesso de raiva pela natureza da conversa, Jonathan é vítima de um infarto.

O roteiro pode ter passado a impressão que usaria um artifício bem conhecido e alguma facilidade narrativa para reverter, mas a rasteira veio com tudo. Não sendo pouco, usam na cena do funeral, na trilha sonora, a música I Grieve, de Peter Gabriel.

Menções honrosas: 5X13 – Vengeance, não foi a última aparição de Jonathan na série, mas serviu para mostrar Martha e Clark lidando com a perda. Destaque para a cena deles assistindo a um vídeo caseiro do Sr. Kent, e de novo, foi mais um momento de arrancar as lágrimas, desta vez com a despedida do personagem no vídeo. 5X22 – Vessel, momento que Lex é levado por Milton Fine/Brainiac como receptáculo de Zod, e a única forma de impedir isso, é com Clark destruindo o canal. Depois da maior perda em sua vida, claro que Clark não iria sujar as mãos com sangue, mas o conflito serviu para dar mais um choque no herói sobre as virtudes que possui: ignoraria isso alguma vez? 

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2° Lugar: Absolute Justice

9X11

Já falei o tanto que Chloe foi umas melhores virtudes que esta série teve? Se isto não ficou claro em algumas citações ao longo deste texto, Absolute Justice foi só mais uma prova de que a sra. Sullivan era incrível.

Muito da temporada de estreia de Smallville, parecia que Chloe seria a trival figura nerd hacker, com frases mecânicas, com um habitual plano para frustrar o meta-humano bad guy da vez, mas — muito, muito — para o bem dessa aventura teen do Superman, o carisma de Allison Mack valorizava a personagem antes mesmo dos roteiristas se aprofundarem em Chloe além da melhor amiga — e apaixonada — de Clark. O crescimento veio naturalmente, como naquelas ocasiões em que o coadjuvante alcança seu brilhantismo e independência dentro do show. Prima de Lois, parte do desenvolvimento de Jimmy Olsen — que na série, teve uma introdução diferente das dos quadrinhos ao tempo que caminhava para a clássica amizade com Lois e Clark —, a excelente amizade com Oliver Queen, a descoberta de uma habilidade meta-humana, e agora, a escolha mais certeira para Chloe: a criação da Torre de Vigilância, rede otimizada para monitorar e dar suporte a Clark e aos heróis que emergiram em Metrópolis, bem como combater os vilões.

E foi graças a este complexo e através de Chloe que este excelente episódio duplo foi concebido na história do show, e pôde encabeçar o segundo lugar desta lista. Escrita por Geoff Johns, a primeira parte foi dirigida por Glen Winter, nome recorrente nas séries da DC, já a parte final, contou mais uma vez com a direção de Welling. Se o ápice das aparições de Ciborgue, Aquaman e Flash se fez no marcante 6×11, a chegada da Sociedade da Justiça da América (SJA) pontuou um épico evento de oitenta minutos no que trouxe a equipe de heróis buscando por reforço, pois estava sendo caçada por um antigo inimigo.

Em um rápido resumo, o duplo Absolute Justice trouxe para centro da ação a união de Clark, Chloe, Lois, Oliver e o Caçador de Marte junto a Stargirl (Britt Irvin), Gavião Negro (Michael Shanks), Senhor Destino (Brent Stait) para combater a ameaça de Geada (Wesley MacInnes), enquanto mergulhava de maneira abragente na mitologia da SJA, e também, engatiava para o surgimento do Esquadrão Suicida na série, ao apresentar Amanda Waller (Pam Grier).

Menções Honrosas: 9X06 – Crossfire, quando o beijo de Lois e Clark aconteceu (aleluia!). 9X09Pandora – A penúltima temporada estava ótima, e foi no nono capítulo que fomos colocados a par do que aconteceu com Lois quando desapareceu, e o resulto, uma caixa de pandora: Lois teria sido transportada para um futuro onde Metrópolis era dominada por Zod e seus aliados, e nesta realidade, o sol vermelho era o centro, o que impossibilitava as habilidades de Clark, dificultando ainda mais a luta dele e de seus amigos. 9X21 – Salvation: Embate de Clark e Zod, a morte do Superboy (Superman), Lois descobre sobre as habilidades de Clark. Apenas essas três coisas sobre uma incrível season finale para uma temporada maravilhosa.

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1° Lugar: Homecoming

10X04

Chegou a hora do melhor vinho, e para este, não restou dúvidas de quem estaria em primeiro lugar desta lista. Quando se fala que Smallville se trata de uma produção sobre a adolescência de Clark Kent, é uma forma bem modesta de se descrever algo que foi muito longe para conceber uma rica história que se fixou em nossos imaginários. Se pensarmos num coming of age, temos aspectos acerca da sexualidade, a celebração do fim do ensino médio para o início de uma nova era, os desafios para experimentar e explorar diferentes ângulos, a ruptura entre sair da zona de conforto e o florescer. Tudo isso abrange a relação do indivíduo com o seu amadurecimento, coisa que As Aventuras do Superboy conseguiu dialogar muito bem, sobretudo, no que ali era a origem e evolução do conhecido herói de Metrópolis.

Ser uma criança comum, com habilidades. Ser um adolescente comum, com habilidades. Ser um adulto comum, com habilidades. Habilidades essas sobre-humanas, e que se transformam no foco principal de Smallville através de Clark Kent: aceitação e identidade. Aceitar o que é e de onde veio foi um passo, mas por muito tempo, Clark não definiu uma identidade, e sim, vivia à sombra do segredo que preferia esconder do mundo e ser sempre dividido do que desenvolver um equilíbrio. Por isso, a série marcou com grande triunfo o belo episódio, lá no 8×07, Identity, a cômica discussão quando Jimmy Olsen faz um registro de Clark em ação ao salvar Lois de um assalto, mas o que captura é um borrão vermelho e azul — graças a farda surrada de casaco vermelho e jeans azul que sempre vestia. Essa não foi a primeira vez que Clark teve a revelação de sua identidade ameaçada, mas foi outra ocasião de que isso estava muito perto de vir ao mundo, e o jovem Kent se viu perturbado com a ideia de que pudesse ser ser mais do que um borrão.

A série encaminhava cada vez mais para seu desfecho, e apesar de muitas enrolações narrativas, o show se aproximava do ponto inevitável ao qual seria o limite de sua abordagem: o entendimento completo de Clark sobre ele mesmo e como um herói. Por isso, pontuo Homecoming como o primeiríssimo lugar. O fim estava próximo, e o roteiro de Brian Peterson e Kelly Souders encontrou um jeito comovente, nostálgico e prazeroso de ponderar sobre esse destino imensurável para a trajetória de Smallville. A premissa trazia um evento de comemoração de cinco anos dos alunos do ensino médio se reunindo na escola da cidade. No momento, Clark se via em conflito sobre quem seria para o mundo, já que pelas suas ações em Metrópolis passou a ser chamado de Borrão, e tinha dúvida de como se assumiria como algo maior para a humanidade. O que parecia bem atípico para o começo da temporada final, ganha outro patamar quando Brainiac 5 surge na narrativa levando Clark em passeio entre o passado, presente e futuro, e isso não poderia ser melhor para dar ao jovem Kent a perspectiva que precisava sobre o que já foi traçado e o aquilo que lhe reservava, principalmente ao lado de Lois — como não poderia deixar de ser, este foi mais um capítulo em que fui levado ao choro.

Sim, a series finale provocou com o vislumbre do uniforme do Superman de longe, e quando chegou pensamos que enfim veríamos Tom Welling vestido, pudemos contemplar apenas o “S” estampado no peito, mas muito melhor do que o futuro proposto no 7X18, Homecoming realmente levou o público a visitar a Metrópolis que tanto idealizamos ver em Smallville, mas que estava sendo lapidada ao longo de 10 temporadas. E certamente, Clark ficar lado a lado com sua versão madura, ainda mais apaixonada no ano de 2017, deu a ele a dose de confiança que precisava para então abraçar sua identidade e destino.

Menções Honrosas: 10X01 – Lazarus, um ótimo retorno de temporada, bem como um emocionante ressurgimento do Superboy. 10X05 – Isis, os frutos do episódio anterior encorajando Clark a contar a Lois que ele é o Blur — mas ela já sabia. 10X10 – Luthor, já imaginou se Clark fosse achado por Lionel Luthor e suas habilidades fossem reconhecidas pelo pavor que seu autor representa? Prazer, Clark Luthor. 10X11 – Icarus, Os heróis estão sendo caçados e Darkseid está surgindo. Mais um exemplar do leque de ação e personagens de Smallville10X21 – Finale, o final duplo nos apresentando as últimas batalhas, as últimas emoções, a luta contra Darkseid e os rumos para nossos amados personagens. O fim foi épico.

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