Lista | Top 10: Os Piores Melhores Filmes do Oscar

(arte: Behance)

Tenho convicção de que a lista abaixo é potencialmente polêmica, mas essa, às vezes, é a essência de listas pessoais como essa, além de ficar mais divertido fazê-las já sabendo disso. E sim, esse Top 10 aqui é a minha lista pessoal olhando para 90 anos de cerimônias do Oscar e tendo assistido a todos os concorrentes ao longo de uma vida. E, como toda lista, não existe certo ou errado, ainda que tenha sido extremamente difícil escolher “só” 10 exemplos (ainda que eu tenha tomado minhas liberdades lá no final…). De toda forma, a lista está aqui justamente para atiçar a curiosidade e permitir o diálogo e, claro, aquela pancadaria simpática nos comentários, pois ninguém é de ferro…

Mas cabem breves palavras sobre como a lista foi feita:

1. A lista lida apenas com a categoria de Melhor Filme, mais nenhuma;

2. Os “piores filmes” abaixo não são necessariamente filmes ruins (alguns são excelentes até), mas sim filmes que, em comparação com seus concorrentes no ano em que levaram as estatuetas de Melhor Filme, jamais deveriam ter saído vencedores. Portanto, nada de cometer seppuku ao ver seu filme favorito da vida como “pior”, ok?

3. Considerando que são 90 cerimônias, tentei equilibrar ao máximo o passado remoto com o passado recente e a atualidade para não alienar completamente leitores que porventura não tenha assistido, por exemplo, os concorrentes de 1935, ano em que Aconteceu Naquela Noite levou o prêmio maior (mas, se você não viu esse filme, corra lá para ver!);

4. A ordem é cronológica das cerimônias, da mais antiga até a mais recente e, quando há mais de um filme que deveria ter levado o prêmio, eles estão em minha ordem de preferência.

Preparados? Vamos lá então:

10º Lugar
Cimarron
(4ª Cerimônia – 1931)

Trecho da minha crítica: “É uma pena que o passo claudicante de Cimarron, atrapalhado por um roteiro que tenta ser mais símbolo do que história, dificulte e muito a apreciação do caráter histórico da produção. É um daqueles filmes que só são lembrados mesmo por terem levado a estatueta dourada.”

E o Oscar deveria ter ido para: Lágrimas de Amor.

9º Lugar:
Cavalgada
(6ª Cerimônia – 1933)

cavalgada

Trecho da crítica do Luiz Santiago:Cavalgada não é um bom filme, mas é perfeitamente assistível. O espectador certamente irá se divertir em alguns momentos e se espantar em outros. O teor familiar e o caráter narrativo de saga que encontramos no roteiro, embora mal escrito, funciona em seu serviço de aproximação com o espectador. Humanismo, antibelicismo (nada tão sério ou profundo como em Sem Novidade no Front, mas ainda assim…) e mensagem de esperança unidas para contar uma trama familiar de perdas e ganhos são os alicerces de Cavalgada. O contexto que citei no início está aí. O Oscar de Melhor Filme para Cavalgada, portanto, faz sentido. Mas isso não tem praticamente nada a ver com a sua qualidade.”

E o Oscar deveria ter ido para: O Fugitivo.

8º Lugar
Como Era Verde Meu Vale
(14ª Cerimônia – 1942)

Trecho da crítica do Guilherme Almeida: “Se transitamos da análise do enredo para a da direção, a situação já é outra. John Ford é um dos mestres da Hollywood clássica; rei dos westerns, ele também fez sucesso em outros gêneros, e ganhou cinco vezes o Oscar de melhor diretor. Como Era Verde o Meu Vale voltou para casa com o prêmio de Melhor Filme, batendo o aclamado Cidadão Kane, obra-prima de Orson Welles. Não há dúvidas de que o Kane é muito superior ao filme de Ford, por sua ousadia no manejo da linguagem cinematográfica. Mas à parte a controvérsia a respeito da premiação, resta claro o valor e sensibilidade dessa obra nostálgica e encantadora.”

E o Oscar deveria ter ido para: Cidadão Kane.

7º Lugar:
A Volta ao Mundo em 80 Dias
(29ª Cerimônia – 1957)

A Volta ao Mundo em 80 Dias é uma simpatia, mas não muito mais do que isso. Um filme que levou o Oscar por sua leveza e pelo encantamento de seu espetáculo, retirando do outro espetáculo – e aí sim merecedor – que concorreu à estatueta máxima. Ganhou a bobagem e perdeu a qualidade.

E o Oscar deveria ter ido para: Os Dez Mandamentos.

6º Lugar:
Conduzindo Miss Daisy
(62ª Cerimônia – 1990)

Esse é outro exemplo de simpatia acima de tudo, mesmo considerando o subtexto sobre o racismo que Conduzindo Miss Daisy carrega. Apesar de bom e de conter excelentes performances da dupla principal, o filme foi o “menos melhor” dos concorrentes daquele ano.

E o Oscar deveria ter ido para: Qualquer um dos demais concorrentes: A Sociedade dos Poetas Mortos, Campo dos Sonhos, Meu Pé Esquerdo e Nascido em 4 de Julho.

5º Lugar:
Dança com Lobos
(63ª Cerimônia – 1991)

Essa indicação é para provar como eu estou disposto a “cortar na carne”. Afinal, como minha crítica prova, eu simplesmente adoro Dança com Lobos. Mas temos que ser realistas: dentre as obras-primas que concorreram à estatueta máxima do Oscar naquele ano, Os Bons Companheiros deveria ter saído vencedor…

E o Oscar deveria ter ido para: Os Bons Companheiros.

4º Lugar:
Shakespeare Apaixonado
(71ª Cerimônia – 1999)

Shakespeare Apaixonado é o filme mais comumente citado como exemplo de ganhador da estatueta que jamais deveria ter chegado perto dela. E devo dizer que concordo, ainda que eu goste dele mais do que muita gente.

E o Oscar deveria ter ido para: Além da Linha Vermelha ou, talvez, O Resgate do Soldado Ryan.

3º Lugar:
Crash: No Limite
(78ª Cerimônia – 2006)

Crash: No Limite tem a sutileza de um elefante em uma loja de louças e atuações cheias de chororô forçado que cansam a beleza. Se nem mesmo Paul Haggis, o diretor, achou que o filme deveria ter levado o prêmio máximo, quem sou eu para discordar, não é mesmo?

E o Oscar deveria ter ido para: Qualquer outro concorrente, mas, especialmente, O Segredo de Brokeback Mountain ou Munique.

2º Lugar:
O Discurso do Rei
(83ª Cerimônia – 2011)

Eu realmente gosto de O Discurso do Rei. Nada nem próximo do nível de Dança com Lobos, mas a performance de Colin Firth é impressionante e uma delícia. O problema é que o filme de Tom Hooper empalidece diante de quase todos os seus outros nove concorrentes naquele ano.

E o Oscar deveria ter ido para: A Rede Social ou Cisne Negro ou A Origem ou Bravura Indômita.

1º Lugar:
O Artista
(84ª Cerimônia – 2012)

O Artista foi o La La Land de 2011/2012 para mim. Dois filmes bons e ponto final, com a diferença que o segundo pelo menos não levou a estatueta máxima para casa e pelo menos tinha uma musiquinha para lembrarmos dele depois da projeção. Em preto-e-branco (uau!), mudo (duplo uau!) e com um cachorrinho simpático (au, au!), O Artista arrebatou corações mundo afora. Menos o meu, feito de pedra e revestido de adamantium que, ao contrário, amaldiçoou a Academia e Michel Hazanavicius por terem roubado o prêmio que obviamente deveria ter ido para Hugo Cabret.

E o Oscar deveria ter ido para: A Invenção de Hugo Cabret.

Hors Concours:
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
(50ª Cerimônia – 1978)

Antes de revirarem os olhos, cliquem no título do filme aí em cima e leiam minha crítica. Annie Hall (vou economizar letras, ok?), apesar de eu não ser lá um grande apreciador da filmografia de Woody Allen, é espetacular.  A inteligência do roteiro, com comentários e críticas sociais, humor e alfinetadas na base de 20 a cada centésimo de segundo, a direção perfeita e as atuações inesquecíveis fazem dele o real merecedor do Oscar em 1978.

Mas então porque você colocou o filme na sua lista, seu crítico arrombado, bosta, lixo, prepotente do caralho®?

Bem, primeiro, coloquei em Hors Concours justamente para criar a diferenciação. Estamos diante de uma situação sui generis em que o melhor ganhou mesmo. Mas Star Wars é Star Wars e o filme já era o fenômeno que continua sendo quando a Academia computou seus votos. É o típico exemplo de uma obra cinematográfica que mereceria entrar no rol das oscarizadas por fatores que vão além de sua qualidade intrínseca. Afinal, esse filme, querendo ou não, mudou a História do Cinema.

E o Oscar deveria ter ido para: Star Wars.

Menções (des)honrosas:

XXXXXXX

Agora é a vez de vocês! Concordam? Discordam? Mandem suas listas!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.