Lista | Top 15 – Melhores Álbuns Internacionais de 2019

Finalmente chegamos aos últimos dias de 2019 e já é de praxe: é hora também das famosas listas de melhores do ano. Pois seguindo nossa tradição, como fazemos desde 2015, listamos aqui os melhores álbuns internacionais de 2019 (a lista dos álbuns nacionais você pode conferir aqui). Vale lembrar que não há ranking ou ordem de preferência na lista, apenas fazemos questão de listar e recomendar o que consideramos os 15 discos internacionais de maior destaque nesse ano que termina. No ano que encerra a década dos anos 2010, observamos uma enorme quantidade de álbuns fantásticos no cenário internacional pelos mais diversos gêneros musicais, de modo que foi bastante difícil a escolha de apenas 15 álbuns nessa lista. Se passou mais um ano onde a música deixou nossas vidas mais leves. Confira, logo abaixo, nossa lista que vai desde o punk ao pop! Aproveitem e compartilhem conosco suas opiniões nos comentários!

Igor – Tyler the Creator

Tyler The Creator sempre demonstrou uma pluralidade grande de influências dentro de sua música, mas o excelente Flower Boy foi um divisor de águas na carreira do rapper. Igor continua essa mudança de perspectiva, contemplando ares mais melódicos e experimentais, com altas doses de R&B e impressionantes ensaios de produção, criando ótimas bases rítmicas. Se trata de possivelmente um candidato a álbum mais criativo do ano, rompendo com estruturas clássicas de composição, explorando novas sonoridades dentro do hip-hop, usando quebra de beats e inserção de samples que provocam uma completa catarse tamanha sua capacidade de surpreender a cada esquina do avançar das faixas. Um disco fluido, dinâmico e profundamente sensível.

Estilo: hip-hop, experimental, R&B
Faixa destaque: I Think

Western Stars – Bruce Springsteen

Um dos melhores trabalhos do The Boss em anos, mas não somente isso. Ouso dizer que se concentra entre alguns dos melhores álbuns de sua carreira, percorrendo estradas do oeste americano, incorporando diferentes personagens, contando as mais variadas e lindas histórias com uma sensibilidade absurda. Cada verso entoado por Bruce é encharcado de emoção, carregando a voz de alguém experiente diante de tantas batalhas na vida, unido a instrumentais que beiram o épico. Uma obra que possui o tamanho do gigante da música que é Bruce Springsteen, em plenos 70 anos de idade, inserindo mais um possível clássico em sua brilhante discografia.

Estilo: rock, country
Faixa destaque: Wild Horses

Two Hands – Big Thief

Definitivamente não é qualquer grupo que consegue lançar dois álbuns em um ano e ainda conseguir que os dois revezem de preferência em quase qualquer lista de melhores do ano. 2019 foi o grande ano do Big Thief com o lançamento dos ótimos U.F.O.F e Two Hands, ambos com uma Adrianne Lenker mega inspirada em suas composições e uma atmosfera folk bastante instrospectiva, pacífica e quase anestesiante. Two Hands leva destaque por se tratar de um trabalho um pouco mais sólido que seu antecessor, com o single Not entre as grandes performances do grupo, visceral na construção de seu instrumental. A vulnerabilidade na bela interpretação de Lenker é outro ponto digno de nota, ressaltando um talento complementar da compositora que é uma das grandes revelações dessa década.

Estilo: indie folk
Faixa destaque: Not

i,i – Bon Iver

Talvez o melhor disco de Justin Vernon e seu grupo, esse quarto álbum é o fim de uma excelente tetralogia onde cada disco corresponde a uma estação, sendo i,i o outono. Uma obra que experimenta com texturas sonoras, múltiplos efeitos e possibilidades de produção, resultando em um trabalho de imensa genialidade e que, acima de tudo, busca uma verdadeira experiência sensorial. Se trata de um amálgama experimental de influências do folk, pop e rock onde o resultado final é catártico. Nas entrelinhas, Vernon sugere à audiência um pouco de esperança e calma em meio a tantos conflitos e transformações vivenciados nos dias de hoje. Um ciclo de belas estações chegando ao fim de forma praticamente impecável.

Estilo: indie folk, experimental
Faixa destaque: Naeem

Purple Mountains – Purple Mountains

Após um longo período longe da música, David Berman retornou com um novo projeto intitulado Purple Mountains. Uma obra lindíssima e executada com a mais pura honestidade, tanto que – assim como ocorreu com Bowie e Cohen – provaria ser, semanas após seu lançamento, uma outra carta de despedida de um grande artista. Os desabafos do explosivo hino de Margaritas At The Mall, a desesperança confessada em Nights That Won’t Happen, a tristeza transpirante de I Loved Being My Mother’s Son… a melancolia de Purple Mountains é angustiante e bela ao mesmo tempo, especialmente ouvindo após a morte de Berman. Algumas das melhores letras do ano facilmente se encontram aqui, todas parte da reflexão agridoce do autor sobre sua vida, suas memórias. Um disco com grande potencial de virar um clássico.

Estilo: americana, indie rock
Faixa destaque: Margaritas At The Mall

Miss Universe – Nilufer Yanya

Uma das maiores revelações de 2019. Esse disco de estreia da britânica Nilufer Yanya é de um frescor enorme, mesclando diversos gêneros sem se prender a preciosismos e criando composições de base melódica e rítmica extremamente rica, resultando em um álbum de grande personalidade. Uma boa dose de indie rock, uma alta influência de soul e R&B noventistas com pitadas deliciosas de pop geram o som da cantora. Além dos admiráveis e viciantes instrumentais presentes aqui, Nilufer também desfila um vocal dócil e reconfortante, além de versos com ótimas tiradas. Do início ao fim, Miss Universe é quase impecável, formando um dos melhores debuts que ouvi nessa década e estabelecendo um desafio enorme para os próximos trabalhos da cantora.

Estilo: R&B, indie pop
Faixa destaque: Tears

Titanic Rising – Weyes Blood

Em meio a tempos onde líderes descredibilizam a existência do aquecimento global e o tópico cria cada vez mais popularidade, chega a ser cômico imaginar um álbum com esse tipo de temática. Claro, o terceiro disco de Weyes Blood contempla isso somente muito em meio a entrelinhas, oferecendo questionamentos acima de tudo sobre o futuro em versos que oferecem um olhar romântico da vida. Conheci a cantora em seu disco anterior, Front Row Seat To Earth, e lembro de me surpreender com seu potencial gigantesco. Titanic Rising é a completa materialização de todo esse potencial, possuindo a aura de uma verdadeira obra-prima, incorporando as melhores influências setentistas a fim de criar um trabalho épico, instigante e recheado de arranjos absolutamente magníficos. Um álbum brilhante.

Estilo: chamber pop, folk
Faixa destaque: Everyday

Sucker Punch – Sigrid

Em um ano ótimo para o pop, talvez eu tenha escolhido uma ovelha negra injustiçada para essa lista. Sucker Punch, a estreia da norueguesa Sigrid, é um dos discos mais deliciosos que escutei esse ano, se entregando ao puro e simples divertimento pop cheio de refrões enérgicos, excelente produção e vibe despretensiosa. Influências do pop tanto retrô quanto moderno se fundem nessa obra maravilhosa. Eu bem que poderia inserir nessa lista a complexidade de Magdalene de FKA twigs, ou a versatilidade popular de Ariana Grande, mas a verdade é que poucas obras do indie pop conseguem transmitir a mesma inocência e efervescência jovem que esse debut de Sigrid, que, em minha opinião, constitui a essência do gênero.

Estilo: pop
Faixa destaque: Sucker Punch

Norman Fucking Rockwell – Lana del Rey

Apesar de gostar da carreira de Lana Del Rey, sempre achei que ela ainda não havia lançado sua obra definitiva, carregando um grande potencial e entregando obras abaixo do que poderia ser atingido. E Norman Fucking Rockwell era justamente a que eu aguardava da artista. Aqui, Lana parece atingir seu ápice de maturidade e desenvolvimento artístico, gerando um balanceamento perfeito das influências que a cantora sempre buscou incorporar em suas canções, mas executadas de forma muito mais sincera e sutil, com belíssimos instrumentais, ótimas letras e uma das melhores produções assinadas por Jack Antonoff.

Estilo: trip hop, pop
Faixa destaque: Venice Bitch

Grey Area – Little Simz

A britânica Little Simz já chama atenção no rap tem um tempo, mas seu mais recente trabalho, Grey Area, é 0nde ela realmente mostra a que veio. Um álbum de hip-hop meticuloso em todos os seus âmbitos: cada beat e instrumental é responsável por uma surpresa diferente, o flow veloz e preciso da rapper é impressionante enquanto suas rimas são de um brilhantismo que só poderia sair de uma grande mente artística. Grey Area encapsula o que de melhor pode ser oferecido dentro do hip-hop, talvez o gênero de maior versatilidade criativa existente nos dias atuais.

Estilo: rap, hip-hop
Faixa destaque: Pressure

Bandana – Freddie Gibbs & Madlib

Cinco anos após Piñata, o aclamado álbum que marcou a primeira parceria de Freddie Gibs e Madlib, o anúncio da sequência da dupla, intitulada Bandana, foi recebida com fervor. E o resultado foi compatível ao hype, com Gibbs em chamas desfilando versos sobre consumo/tráfico de drogas e desigualdades sociais, compartilhando suas próprias experiências por cima dos brilhantes recortes de beats e samples que Madlib constrói, criando uma narrativa que se destaca em suas minúncias, transições e surpresas ao avançar de cada faixa. Um nível de produção altíssimo em meio a excelentes colagens criativas, algo já esperado de qualquer obra produzida por Madlib.

Estilo: rap, hip-hop
Faixa destaque: Palmolive

Jaime – Brittany Howard

Sempre busco dizer que mais importante do que afinação em uma voz, é a interpretação musical que essa voz entrega. No caso de Brittany Howard, vocalista da ótima Alabama Shakes, ambas são executadas com a maestria de alguém com completo controle emocional e técnico do canto. Jaime, o primeiro álbum solo da cantora é uma verdadeira experiência sensorial delicada e bela, comprovando estarmos diante de uma das maiores vozes dessa geração musical.  Brittany explora uma variedade de gêneros musicais (do blues e soul até o rock alternativo) na busca por compartilhar de forma sincera e vívida suas memórias e reflexões. Em suma, Jaime é um disco solo brilhante vindo de uma intérprete completa.

Estilo: soul, rock alternativo
Faixa destaque: Tomorrow

Jesus Is King – Kanye West

O álbum mais divisivo e questionado de Kanye. Mas é sempre bom lembrar que seu último trabalho divisivo assim – 808 & Heartbreaks – se tornou também um dos mais influentes do gênero nessa década. Jesus Is King não é perfeito, mas inaugura uma nova fase do artista e prova a incessante vontade do rapper de trazer novas ideias e facetas ao hip-hop, isso sem mencionar o nível elevado de produção. Kanye faz uso de beats, samples e instrumentais de extrema criatividade pra criar sua atmosfera gospel, mesclando soul psicodélico com rítmos modernos. Uma obra que, mesmo entre falhas, mostra como a genialidade de Kanye o distingue dos demais.

Estilo: gospel, hip-hop
Faixa destaque: Use This Gospel

Anak Ko – Jay Som

Melina Duterte, com a alcunha artística de Jay Som, configura entre as mais versáteis e autorais figuras do indie pop/rock americano, trazendo para sua sonoridade influências específicas de jazz, shoegaze e AOR que pouco são vistas dentro do gênero. Anak Ko, seu segundo álbum, é uma obra aparentemente despretensiosa, mas com composições invejáveis criadas com extremo cuidado e atenção, recheadas de fascinantes linhas de guitarra e de baixo, vocal muito bem colocado e um admirável ar contemplativo dentro das influências oitentistas e noventistas. Um trabalho surpreendente, ressaltando o trabalho brilhante da artista como compositora e produtora.

Estilo: indie pop/rock
Faixa destaque: Superbike

Patience – Mannequin Pussy

Em um dos melhores anos do rock nessa década, com ótimos e variados lançamentos, o Mannequin Pussy entregou em Patience um álbum fantástico, unindo o punk com diversas facetas do rock alternativo gerando uma sonoridade que consegue ser agressiva na mesma medida que demonstra um lado de total fragilidade. Uma obra que sabe dosar muito bem um equilíbrio entre o peso e a melodia, com um vocal feminino repleto de emoção e extraordinárias linhas de guitarra com um teor um tanto contemplativo. Um trabalho notoriamente feito com paixão, com sentimentos sendo exalados desde as letras até cada detalhe do instrumental.

Estilo: punk rock, rock alternativo
Faixa destaque: Drunk II

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.