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Lista | Top 15 – Melhores Álbuns Internacionais de 2021

O que houve de melhor na música internacional!

por Handerson Ornelas
1.613 views (a partir de agosto de 2020)

Finalmente chegamos aos últimos dias de 2021! Durante esse ano, tivemos lançamentos de álbuns dos mais diversos, dentro e fora do Brasil. E como já é esperado por nossos leitores todo fim de ano, é hora das famosas listas de melhores do ano aqui no Plano Crítico. Assim, seguindo nossa tradição – como fazemos desde 2015 – e dando continuidade à lista publicada recentemente de melhores álbuns brasileiros de 2021, agora trazemos os melhores álbuns internacionais de 2021. Vale lembrar que não há ranking ou ordem de preferência nesta lista, apenas o objetivo de recomendar o que consideramos os 15 discos internacionais de maior destaque nesse ano. Foi um ano absolutamente fantástico dentro do cenário musical. Existem inúmeros registros que mereciam lugar aqui, tornando uma verdadeira desafio esse processo de escolha. Dito isso, confiram, logo abaixo, os melhores álbuns internacionais de 2021 segundo o Plano Crítico e aproveitem para compartilhar conosco suas opiniões nos comentários!

 

The Turning Wheel – SPELLLING

Matheus Camargo: Lançado em junho, The Turning Wheel marcou o ano com a experiência mítica e misteriosa que proporciona. Aqui, Chrystia Cabral usa de sintetizadores, memórias, lesões e, ainda assim, muita confiança em suas revoluções permanentes. Uma construção grandiosa que celebra os pontos mais fortes do art pop, sem medo de explorar as extremidades indecifráveis e turbulentas do enigma que é estar vivo. Esta é sua força maior. Quando eleva-se aos céus e sua atmosfera quimérica, canta sobre união, dança com amor, transforma as sombras em paz. Assim que volta ao solo, deixa que o corpo enraize entre traumas e anseios e se entrega ao pesar com poesia. 

Handerson Ornelas: Um grande espetáculo de art pop construído de forma absolutamente deslumbrante. Arranjos e vocais impecáveis encontram uma produção luxuosa e monumental. The Turning Wheel surpreende a cada esquina de sua duração, demonstrando que Spelling possui potencial equivalente de ser para essa geração o que a Kate Bush foi para os anos 80, tamanha a imponência desta obra.

Gêneros: Art Pop, Experimental
Aumenta!: Boys At School

 

Blue Weekend – Wolf Alice

Handerson Ornelas: O terceiro disco dos britânicos do Wolf Alice é um verdadeiro evento, uma obra rara de se encontrar nos dias de hoje dentro de seu gênero. Um álbum que bebe da fonte do rock dos anos 90, principalmente de shoegaze e grunge, mas que, com a força de sua excelente frontwoman, se apoia em suas influências para construir um som de personalidade e legítimo. Enquanto algumas bandas constroem álbuns despejando guitarras como se fosse a coisa mais ordinária possível, Wolf Alice acerta de forma precisa ao ser versátil e dinâmico na construção de seus instrumentais. Temos aqui uma das melhores produções vistas no rock nos últimos anos, lembrando que o que faz um clássico do gênero nem sempre é a quebra de paradigmas, mas a busca metódica pela sonoridade perfeita.

Matheus Camargo: Blue Weekend é uma experiência diferente desde o seu início. Quando The Beach começa a tocar e te introduzir nesse espaço-tempo, você sente que terá uma epopeia turbulenta pela frente. Esse sentimento se transforma numa certeza: este é um álbum triunfal que continua explodindo em sentimento música após música. Continuo surpreso com a capacidade de criar ápices, de cair e levantar quando acha preciso e te levar junto nessas idas e vindas, um clímax após o outro. Mas não só isso, é um álbum de múltiplas facetas, e me deixou obcecado por cada uma delas.

Gêneros: Rock alternativo
Aumenta!: Lipstick On The Glass

 

Daddy’s Home – St. Vincent

Matheus Camargo: Reformulada numa cantora dos anos 70 que exala poder e glamour, St. Vincent constrói uma nova persona para contar a história de Daddy’s Home. Esse alter-ego é tão real que, desde a primeira faixa, toma sua mão para andar diante das luzes cinza-metrópole entre guitarras, sintetizadores e psicodelia. Pouco tempo é necessário para que você se inclua nas calçadas de uma noite melancólica e mergulhe nos sentimentos complexos cantados por Annie, que dá novos significados ao que um dia já foi fantasma. 

Gêneros: Rock, soul, pop
Aumenta!: The Melting Of The Sun

 

If I Can’t Have Love, I Want Power – Halsey

Handerson Ornelas: Por mais aclamado que tenha sido o quarto álbum de Halsey, o considero bastante injustiçado. Eu ouso dizer com tranquilidade que esse álbum, saindo das mãos de outras artistas, teria um recebimento  ainda muito mais caloroso. Entre as inúmeras aventuras recentes de cantoras pop pelo mundo do rock, Halsey é de longe a que teve os melhores resultados, construindo uma obra densa e complexa, tanto em suas temáticas quanto em sua catártica base sonora. Desde a capa, passando pelo título e detalhes musicais de cada faixa, If I Can’t Have Love, I Want Power é um álbum que aparenta ter sido confeccionado em perfeição. A produção de Trent Reznor e Atticus Ross (Nine Inch Nails) talvez seja minha preferida do ano, evocando muito do rock dos anos 90 com um preciosismo sonoro de cair o queixo, distinguindo o álbum de qualquer lançamento pop recente.

Gêneros: Rock, pop
Aumenta!: Your Asked For This

 

Call Me If You Get Lost – Tyler The Creator

Handerson Ornelas: Essa renascença da carreira de Tyler The Creator após Flower Boy é uma das melhores fases de um artista que já presenciei, implacando três absolutos clássicos do hip-hop recente. Call Me If You Get Lost difere da proposta dos dois álbuns anteriores justamente por sua atmosfera de escape, se entregando principalmente à diversão e ao entretenimento. É o encontro perfeito do velho Tyler – jovem, provocador e divertido – com o novo Tyler, mais maduro e consciente, gerando no processo uma obra de energia inesgotável e avassaladora. O rapper convida o ouvinte a navegar pelos primórdios das mixtapes no hip-hop, sendo acompanhado pelos maravilhosos ad-libs de DJ Drama, beats e rimas que borbulham em criatividade e um flow absurdamente contagiante. Se você se perder por essa vida, basta dar play que Tyler será seu guia para se encontrar.

Gêneros: Hip-hop
Aumenta!: Hot Wind Blows

 

For The First Time – Black Country, New Road

Matheus Camargo: O primeiro álbum da banda britânica Black Country, New Road é fascinante. Seis faixas que constroem apenas pelo prazer de destruir. É o reflexo visceral da ansiedade adulta, as angústias cotidianas que enterramos pois não temos nem mesmo o tempo de gritar. Aqui, tudo que foi soterrado volta para te assombrar numa fusão de melodias, texturas e timbres, mas ao passar por essa jornada, a resposta final, após recuperar o fôlego, é de surpresa por ter escutado um disco tão original e intenso.

Gêneros: Rock, Experimental
Aumenta!: Science Fair

 

El Madrileño – C. Tangana

Handerson Ornelas: As listas de melhores álbuns costumam ser dominadas pela língua inglesa, muito em razão do domínio de grandes portais americanos/britânicos na divulgação musical. No entanto, é absorvendo uma obra maravilhosa como essa de C. Tangana que vemos o tipo de pérola da música espanhola e/ou latina que passa despercebida por causa deste monopólio cultural velado. El Madrileño é, muito provavelmente, meu álbum pop preferido de 2021. Em uma obra absurdamente criativa, o artista oriundo de Madrid mistura os mais diferentes gêneros a fim de criar uma música de extremo frescor e autenticidade, se mantendo firme em sua cultura regional mesmo ao explorar tantas fronteiras sonoras. É R&B, música espanhola, reggaeton, funk, hip-hop e muito mais- tudo misturado em um liquidificador musical que resulta em uma vitamina deliciosa.

Gêneros: Música espanhola, pop
Aumenta!: Te Olvidaste

 

Happier Than Ever – Billie Eilish

Matheus Camargo: Em seu segundo álbum, Billie Eilish volta a procurar formas de traduzir a sua dor. Happier Than Ever é o seu trabalho mais versátil, conseguindo fluir entre diversos gêneros e assuntos que constantemente expressam suas mudanças. Madura, expande todas as qualidades apresentadas nos anos que a tornaram uma gigante figura do pop, sempre disposta a experimentar, quebrar e brincar com as nossas expectativas. É crescimento em todos os aspectos, das explosões de fúria adolescente a melancolia mórbida, Eilish marca mais um ano com a sua evolução artística.

Gêneros: Pop, Alternative
Aumenta!: Happier Than Ever

 

Sling – Clairo

Handerson Ornelas: Sling é, acima de tudo, uma jovem meditando sobre os vários problemas que enfrenta – e ainda enfrentará – como mulher. O medo da responsabilidade de se tornar mãe um dia (Reaper), relacionamentos exaustivos e tóxicos (Little Changes e Harbor) e sentimentos de violação em situações de assédio (Blouse) são apenas algumas dessas angústias desabafadas por Clairo. E tudo isso vem envelopado com arranjos lindíssimos, por vezes acústicos e por vezes meticulosamente orquestrados, entregando um ar contemplativo romântico, não para com um outro ser, mas para consigo mesma. Uma coming of age brilhante que insere Clairo entre as artistas mais importantes deste início da geração zennial.

Matheus Camargo: Num amadurecimento artístico surpreendente, Clairo se junta a Jack Antonoff para criar um álbum de uma sensibilidade emocionante. A composição toma caminhos imprevisíveis para exprimir os medos de uma geração: o futuro, que aqui leva a bagagem das expectativas destinadas a figura da mulher, embalado no acústico e vocais que, ainda que discutem sobre tantas angústias, soam calmos, entre tantas dualidades, cada lágrima e cada passo dá mais razão ao sentimento de que tudo terminará bem. Uma verdadeira contadora de histórias que pouco a pouco te chamam para participar desse processo de cura.

Gêneros: Folk, Indie folk, Indie Pop
Aumenta!: Harbor

 

Sometimes I Might Be Introvert – Little Simz

Handerson Ornelas: A rapper britânica Little Simz já chama atenção na cena do hip-hop há algum tempo, mas o feito alcançado em seu mais recente álbum é extraordinário. O resultado de Sometimes I Might Be Introvert sozinho seria suficiente para colocar a artista facilmente no status dos maiores dessa geração, não deixando a desejar em quase nada se comparado a discos de gigantes como Kendrick, Tyler e Kanye. Por melhor que tenha sido a recepção crítica, é uma obra que já nasceu injustiçada e vai permanecer injustiçada devido a todo sistema misógino onde habita – mas não tenha dúvidas, é um álbum praticamente irretocável.

Gêneros: Hip-hop, rap
Aumenta!: Your Asked For This

 

Chemtrails Over The Country Club – Lana Del Rey

Matheus Camargo: Foi muito difícil escolher entre os dois ótimos álbuns que Lana Del Rey lançou em 2021. Entre a simplicidade etérea e o escapismo taciturno, fiquei com o trabalho em que a artista explora melhor o próprio caos, vagando pelas próprias fantasias que muitas vezes são trabalhadas com tanto detalhe e paixão que se tornam reais. Nesse rancho repleto de momentos marcantes, fui tomado pelas digressões melancólicas de uma fuga que nunca encontra seu fim, mas um pouco de fôlego nos braços da arte, nos momentos de calmaria e reflexão ou nos momentos que o caos é injetado em suas veias antes que você possa reagir. 

Gêneros: Folk, Art pop, Country
Aumenta!: White Dress

 

Ultrapop – The Armed

Handerson Ornelas: CAOS. Completo caos é o que você pode achar de Ultrapop, o segundo e espetacular álbum da banda americana The Armed. Mas para além de todo peso de sua música, também é uma obra extremamente bela, melódica e pop. Ou melhor, ultrapop, como eles mesmos definem no título. Um álbum que bebe do hardcore e do noise rock, mas que possui uma essência melódica em sua concepção, que se preocupa em quebrar expectativas e se recusa a encaixar em rótulos, a começar pelos ótimos e inusitados título e capa. Um disco visceral, que funciona como uma dose cavalar de adrenalina injetada nos ouvidos.

Gêneros: Hardcore, noise rock
Aumenta!: BAD SELECTION

 

Home Video – Lucy Dacus

Matheus Camargo: Lucy Dacus é sinônimo de nostalgia. Em Home Video, a forma que conta suas histórias me surpreendeu repetidas vezes, momentos em que, após um verso ou outro, algo em minha mente acendia e queimava em lembranças. São instantes melancólicos e adocicados, experiências simples na superfície que não demoram a se estenderem em complexidade. Da vulnerabilidade injetada em cada detalhe ao indie rock que sabe explode entre os conflitos de sexualidade e religião, Home Video eterniza a intensidade do crescimento e de todos os tropeços que, felizmente, acompanham esse processo tão bonito. 

Gêneros: Indie Rock
Aumenta!: Triple Dog Dare

 

LP! – JPEGMAFIA

Handerson Ornelas: Tive sempre uma certa resistência aos trabalhos de Barrington DeVaughn, mais conhecido por JPEGMAFIA, devido a estranheza de seu hip-hop extremamente experimental. No entanto, seus dois últimos álbuns demonstraram um balanço muito melhor dosado entre o experimental e o melódico. O resultado é um álbum que sabe ser caótico, funky, divertido e crítico, seguindo um fluxo implacável de faixas que juntas formam um trabalho completo, soando como uma obra única e autêntica. Barrington mostra facilmente a razão do hip-hop ser, provavelmente, o gênero de maior frescor criativo na atualidade.

Gêneros: Hip-hop, rap
Aumenta!: BALD!

 

Stand For Myself – Yola

Matheus Camargo: Stand For Myself é um levantar, um chamado muito pessoal de uma artista que clama pela nossa volta por cima após tempos sombrios. Como a mesma relata, se antes vivia escondida nas sombras por medo da dor, após encontrar poder em sua própria fragilidade, Yola soa verdadeira, confiante, segura de si em meio a esta coleção de faixas que se entremeia a vários gêneros, manifestando poder, glória e união em cada um deles. União pois nos convida a participar de seu levante, ressaltando a importância de não estarmos sozinhos.

Gêneros: Soul, Americana, Country
Aumenta!: Stand For Myself

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