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Lista | Top 15 – Melhores Álbuns Nacionais de 2020

por Handerson Ornelas
2785 views (a partir de agosto de 2020)

Finalmente chegamos aos últimos dias de 2020, esse ano com 214351 meses e que demandou tanto de nós. E durante esse ano tão pesado, a música foi nossa fiel escudeira, a companheira que nos ajudava a carregar nosso fardo com mais força e tranquilidade. Bem, como é de praxe em todo fim de ano, é hora das famosas listas de melhores do ano aqui no Plano Crítico. Pois então seguindo nossa tradição, como fazemos desde 2015, listamos aqui os melhores álbuns nacionais de 2020. Vale lembrar que não há ranking ou ordem de preferência na lista, apenas fazendo questão de listar e recomendar o que consideramos os 15 discos nacionais de maior destaque nesse ano e que você precisa ouvir o quanto antes, caso ainda não tenha ouvido. Mesmo diante do grande impacto da pandemia no meio musical, observamos uma grande quantidade de álbuns excelentes no cenário brasileiro, exalando todo o frescor da sonoridade de nossa música popular. Confira, logo abaixo, nossa lista e aproveitem pra compartilhar conosco suas opiniões nos comentários!
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Algoritmo, Vol. 2 – Goribeatzz

Handerson Ornelas: Algoritmo, Vol. 2, a obra mais recente do beatmaker Goribeatzz é um frescor dentro do cenário do hip-hop nacional. Justamente por se tratar de um disco de autoria de um produtor, eis aqui uma coleção de faixas simples e diretas, que não carregam a carga pesada e individual que costumeiramente um disco de rap possui, focada em um narrador. Pois aqui, Goribeatzz reune um catálogo impressionante de diferentes e talentosos rappers, ainda que pouco conhecidos, extraindo o melhor deles em uma dinâmica que, diante de tantos personagens, é centrada essencialmente na sonoridade dos beats magnéticos do produtor e no flow assertivo dos rappers convidados a navegar por essas excelentes batidas. Uma obra que não deixa a peteca a cair em nenhum momento e relembra a força da simplicidade e dos beats como essência básica do hip-hop.

  • Gênero: Rap, hip-hop
  • Aumenta!: Ta russo

Assim tocam os MEUS TAMBORES – Marcelo D2

Handerson Ornelas: Alguns dos melhores álbuns de rap nacional de 2020 parece que souberam trazer um pouco de leveza, despretensão e foco em boas vibrações, talvez até como herança de Amarelo, do Emicida. De qualquer forma, a festa e alegria que Marcelo D2 proporciona com seu novo álbum é maravilhosa. Usando beats e samples que vão de Chico Science a Arthur Verocai, além de contar com um time absurdo de participações que contempla o que há de melhor na música brasileira (Jorge Du Peixe, Baianasystem, Don L, Juçara Marçal, Ogi, Djonga e muito mais), o disco de D2 é um deleite musical e uma verdadeira celebração da música. Uma obra que exala união, muito pelo processo totalmente transparente e através de lives na twitch onde mostrava toda a criação das faixas para seus fãs. No fim de tudo, o som desses tambores se provaram uma obra fantástica.

  • Gênero: Rap, MPB
  • Aumenta!: Pelo Que Eu Acredito

Bom Mesmo É Estar Debaixo D’água – Luedji Luna

Handerson Ornelas: Luedji Luna é alguém que consegue transmitir paz em sua música como poucos outros artistas conseguem. Logo no canto introdutório de Uanga, que culmina nas cordas iniciais de Tirania, temos aqui uma abertura de álbum onde o ouvinte já é completamente raptado. A experiência proporcionada pelo segundo disco da carreira da cantora é uma completa imersão em um oceano sonoro riquíssimo e cheio de personalidade, capturando uma contemplativa aura soul brasileira que fará o ouvinte reviver memórias de tempos mais tranquilos. O bem dosado uso de jazz, soul e MPB fazem de Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água um daqueles discos da música brasileira que merecem um reconhecimento absurdo, ecoando a doce voz de Luedji em todo tipo de rádio, embalando tardes em família.

  • Gênero: Soul, MPB
  • Aumenta!: Tirania

Contracorrente – Andrio Maquenzi

Matheus Camargo: Calmaria, amadurecimento e poesia se juntam ao violão descontraído que rege os momentos mais eletrizantes de Contracorrente e entregam um álbum reflexivo, que aponta os caminhos do amadurecimento como algo natural, mas, ainda assim, melancólico. É um escape para os dias que passam rápido demais, repetitivos, rotineiros em sua angústia, medos e desejos. Não há como explicar a beleza contida no fechar dos olhos, aguçar dos ouvidos e entender que é tudo questão de tempo – curto tempo. Só sei agradecer por ter meus sentimentos tão bem traduzidos em faixas que expressam tanto.

  • Gênero: Pop rock, rock alternativo
  • Aumenta!: Curto o Tempo

Corpo Nós – Guilherme Held

Handerson Ornelas: Por trás de todo grande artista, sempre tem um grande guitarrista. Guilherme Held é um nome que provavelmente você possa não conhecer, mas sua guitarra tem um impacto enorme na recente música brasileira, trabalhando com artistas do naipe de Criolo, Tulipa Ruiz, Rômulo Froés, Juçara Marçal, entre muitos outros. Muito influenciado pela inesquecível sonoridade setentista brasileira, o longo apanhado de 17 faixas do álbum é magnífico, conseguindo transmitir perfeitamente a atmosfera de toda uma era da música nacional, aqui com uma roupagem moderna contando com a participação dos excelentes artistas com quem Guilherme já trabalhou. Entretanto, apesar do calibre de participações no álbum ser impressionante, a real estrela da obra é facilmente a guitarra de Held e sua ótima consistência como produtor junto de Rômulo Froés.

  • Gênero: Rock setentista, MPB
  • Aumenta!: Pra Bem Perto de Mim

Corpo Sem Juízo – Jup do Bairro

Matheus Camargo: Entre os versos ariscos e embargados de CORPO SEM JUÍZO, encontrei sentimentos vastos, incontáveis sim, mas principalmente informuláveis. Posso tentar, e juro que tentei, mas a única palavra que eu consegui assemelhar a todos esses sentimentos é “pertencimento”. Me encontro nas dúvidas, pertenço às certezas, derramo lágrimas com a solidificação de tanta luta, tanto desespero, tanta brutalidade. Mas também sorrio com a esperança. No fim, percebo o quanto me senti acolhido por toda essa inconstância. É por esse tipo de pertencimento que procurei em tantos lugares, essa segurança, o abrir das asas, o cair e o levantar de um corpo. E o que farei com esse corpo? O que posso com esse corpo? Agora, muito. 

  • Gênero: Rap, pop, rock
  • Aumenta!: LUTA POR MIM

Crianças Selvagens – Hot e Oreia

Handerson Ornelas: Na estreia de Hot e Oreia, com o excelente Rap de Massagem, a dupla conseguiu chamar atenção por sua sagacidade, bom humor e autenticidade nos versos. Crianças Selvagens dá continuidade a essa jornada despretensiosa e divertida que não abre mão do tom crítico, das provocações e sátiras, agora já usufruindo da maior popularidade que alcançaram (vale ressaltar, por exemplo, a ótima canção Presença com sample de Caetano Veloso). Ainda que não possua o impacto e relevância do disco anterior, continua construindo uma carreira impressionante e digna de nota, fazendo valer a aposta da dupla como a revelação do rap brasileiro que promete alçar vôos cada vez maiores.

  • Gênero: Rap, MPB
  • Aumenta!: Presença

Crocodiloboy – Diomedes Chinaski

Handerson Ornelas: Se precisasse escolher um único álbum aqui como melhor álbum nacional de 2020, provavelmente seria Crocodiloboy de Diomedes Chinaski. Se trata de um verdadeiro manifesto pessoal do rapper pernambucano. Muito além de críticas sociais ou desabafos, o álbum é praticamente um estudo de personagem, embarcando fundo na mente do artista sem precisar recorrer a versos mega elaborados. A sinceridade esmagadora, melancolia lírica e o flow preciso de Diomedes é o que faz desta uma obra tão impactante. Afinal, as lágrimas de um crocodilo não são tão falsas assim. Isso sem falar na produção caprichadíssima, facilmente uma das melhores que ouço no eixo da sonoridade R&B nacional nos últimos anos, que fique registrado. Bastava receber um pouco mais de atenção pra passar a ser chamado, daqui a alguns anos, de clássico do rap nacional.

Gênero: Rap, R&B, hip-hop
Aumenta!: Crocodiloboy

Dolores Dala Guardião do Alívio – Rico Dalasam

Matheus Camargo: Entre esses meses de descobertas em todo sentido possível, Dolores Dala guardou todo alívio e dor que o antecedeu, e peço perdão caso tenha colocado muito mais sentimento debaixo de sua guarda Dala, garanto que foi o que salvou algumas de minhas noites. Batidas e linhas melódicas abraçadas em beleza e as letras sensíveis confortaram questões que surgiram entre as incertezas diárias, e quanta fé consegui absorver dessas poucas canções. Sei que seguirei acompanhado dessas emoções, enlaçado nas semelhanças entre nossas vivências e experiências, mas comemorando todo passo, mesmo que pequeno, na direção que escolhermos dar. 

Handerson Ornelas: Em meros 12 minutos é inacreditável o nível de qualidade que Rico Dalasam incorpora neste EP. Melancolia, romantismo, cotidiano e desabafos, tudo se mistura dentro de uma obra de duração minúscula, mas que possui um peso musical gigantesco. Brilhante.

  • Gênero: Rap, pop
  • Aumenta!: Braille

Interior – Carne Doce

Handerson Ornelas: Banda afinadíssima, letras inspiradas e um dos melhores vocais da nova música brasileira. Pela quarta vez a Carne Doce acerta em cheio fazendo um rock alternativo de enorme frescor, autenticidade e qualidade musical. Interior esbanja o groove e a aridez que já é marca forte no som do grupo goianiense, mas ressalta aqui um orgulho ainda maior por fazer um rock alternativo que permanece essencialmente regional. Extremamente longe de cair nos clichês e tendências da típica música indie importada de fora, Salma e sua trupe reafirmam em Interior uma música alternativa que reconhece sua brasilidade em cada nota.

  • Gênero: Indie rock, rock alternativo
  • Aumenta!: Saudade

Intermitências – Jonathan Tadeu

Handerson Ornelas: Intermitências me marcou de primeira pela sua completa sinceridade. Letras magníficas e extremamente relacionáveis constroem um álbum atmosférico e muito baseado em memórias (O futebol na ladeira / As brigas por causa de um tazo / O conforto do abraço da minha mãe / O sábado em que meu pai nos levou pra jantar / Batata frita num boteco). Jonathan Tadeu não faz aqui nenhuma metáfora inalcançável, muito pelo contrário, traça versos absolutamente mundanos sobre o cotidiano e a partir daí traça pontes pra filosofias e constatações belíssimas. Aqui se encontram algumas das minhas letras preferidas de 2020, justamente pela honestidade brutal do compositor mineiro, chamando o ouvinte pra uma espécie de conversa de bar onde os mais belos e melancólicos pensamentos são abordados. Perfeita poesia moderna fundida em um ótimo indie rock.

  • Gênero: Indie Rock
  • Aumenta!: Palestra Motivacional

Não Tem Bacanal na Quarentena – Baco Exu do Blues 

Handerson Ornelas: Diversão acima de tudo. Na minha humilde opinião, isso resume esse EP de Baco feito e lançado durante a quarentena. Uma obra subestimada e ignorada por bastante gente, entre os próprios fãs do rapper encontrei vários amigos a esnobar o álbum. E não julgarei pois também entendo: aqueles que esperavam um disco com posição bem firme no rap e com maior acidez nos versos não vão achar aqui, nem aqueles que esperavam a veia mais pop e R&B do mesmo. Não tem bacanal na quarentena possui uma dinâmica parecida com alguns álbuns do Titãs na década de 80 e 90, acertando na experimentação e na imprevisibilidade da música, dando holofote a grandes talentos pouco conhecidos e se aproveitando das ideias, beats e versos mais surtados e divertidos que Baco poderia imaginar.

  • Gênero: Rap, hip-hop
  • Aumenta!: Dedo no Cu e Gritaria

Novo Mundo – Mahmundi

Handerson Ornelas: A sonoridade e o título deste álbum de Mahmundi caminham juntos. É realmente um novo mundo que nos é apresentado dentro da discografia da artista, com a compositora carioca desbravando um som mais orgânico e de instrumentais riquíssimos, contrapondo os synths bastante predominantes em suas obras anteriores. Enquanto Para Dias Ruins e seu disco homônimo soavam como uma trilha perfeita para dias de verão contemplando o mar, Novo Mundo – apesar de também conter faixas com esse swing marcante do Rio de Janeiro – parece uma coleção de canções mais adequadas para o inverno, para a calmaria da solidão muitas vezes inevitável dentro desse cenário de pandemia. Arranjos lindíssimos e produção primorosa, se trata de uma obra que estabelece Mahmundi entre as produtoras que mais merecem destaque atualmente no Brasil.

  • Gênero: Pop, MPB
  • Aumenta!: Vai

O Líder em Movimento – BK

Matheus Camargo: Ainda que num ano marcado por uma pandemia, a violência policial e o racismo estrutural deixaram explícito que a luta nunca deixou de existir, e não há como acobertar a repressão que o povo negro sofre, embora eles tentem. É nesse contexto que O Líder em Movimento toma parte de suas batalhas, enfrenta as bênçãos e maldições, questiona o poder, e disseca completamente as raízes de tanta dor acumulada por séculos. Porém, quando BK se reconstrói, nunca esteve tão certo de sua posição, que também é a nossa. Ainda há muito a se fazer, e me sinto grato em poder sentir o gosto de algo lindo, real, pulsante mesmo que levemente na língua, após escutar suas palavras: a de união.

  • Gênero: Rap, hip-hop
  • Aumenta!: Movimento

Orin, a Língua dos Anjos – Orquestra Afrosinfônica

Handerson Ornelas: Sabe o que eu disse ali em cima sobre Crocodiloboy ser talvez meu álbum preferido no cenário nacional esse ano? Pois então, isso mudou aos 46 do segundo tempo, quando já havia dado como finalizada essa lista, até que descobri o segundo disco da Orquesta Afrosinfônica, projeto liderado pelo maestro Ubiratan Marques. A música é uma arte que sempre vi como abertura para uma completa experiência espiritual e religiosa, uma interação com o divino, justamente pelo impacto sensorial que pode causar no ouvinte ser algo praticamente místico, tamanho o elo emocional. E a prova clara em 2020 desse poder da música é essa belíssima obra, saindo pelo selo Máquina de Louco, o mesmo do Baianasystem, banda que possui forte influência no álbum. Concebida como uma verdadeira experiência divina, Orin, a Língua dos Anjos funciona quase como uma espécie de oração com seu instrumental brilhante e arranjos de vozes lindíssimos que penetram diretamente na alma. Uma das maiores surpresas e catarses musicais que tive esse ano.

  • Gênero: música clássica, canto popular africano
  • Aumenta!: Meu Caminhar

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