Crítica | Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque

estrelas 5

Quando alguém tem afilhados, filhos, sobrinhos, primos mais novos ou contato com professores de Ensino Infantil, é muito provável que mais dia menos dia esse alguém se veja com um livrinho ilustrado nas mãos, lendo histórias em uma interpretação canastrona para um público muito atento, de olhos arregalados e expressões de medo ou de encanto.

Assim foi comigo mais recentemente (novembro de 2012), e o tal livro que me vi interpretando durante a leitura foi o gracioso Chapeuzinho Amarelo, obra de Chico Buarque e ilustrada por Ziraldo. O livro, como o título nos diz, conta a história de Chapeuzinho Amarelo, uma menina que tinha medo do medo e não vivia como uma criança normal por temer se machucar, se engasgar, descolar, ensopar, cair…

Ao passo que acompanhamos o medo de Chapeuzinho Amarelo e até sentimos dó da menina, que se priva de todos os prazeres de criança, mergulhando em seu medo, em um estado muito parecido com o da depressão — onde estão os pais dessa menina? — Chico Buarque traz a reviravolta vitoriosa, onde a protagonista se encontra, um dia, com o seu maior medo, o LOBO, e o enfrenta, até que o transforma em outra coisa: LOBO = BOLO. E assim é feito com os outros medos que ela tinha, todos transformados em companheiros, renomeados e vencidos.

Ao inverter o conto original dos Irmãos Grimm, Chico Buraque consegue estimular tanto a imaginação da criança quanto do leitor adulto, que passa a dar um novo significado para a história que já conhecem tão bem. Embora eu particularmente não ame o modo como ele estruturou narrativamente o final da história, gosto e aplaudo o que acontece: Chapeuzinho Amarelo vence o medo do medo e passa a conviver com eles como parte de sua vida comum, não deixando de aproveitar a sua infância por temer de maneira paralisante alguma coisa.

O ritmo e a musicalidade do poema no livro ajudam a narração e com certeza são elementos decisivos para tornar a história mais interessante. Outro fator aqui é a arte de Ziraldo, que forma um contraponto entre as cores da história original e as cores dessa paródia buarqueana, gerando uma rede de novos símbolos que podem ser facilmente percebidos pelo leitor mais perspicaz.

Chapeuzinho Amarelo é uma história sem diálogos, um poema que narra a superação do medo e a chegada do amadurecimento de uma garota. Uma história Universal que merece ser lida e contada várias vezes.

Chapeuzinho Amarelo (Brasil, 1970)
Autor: Chico Buarque
Editora: Autêntica
38 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.