Plano Polêmico #35 | Madonna, Pior Atriz?

Madonna não é, nunca foi e, provavelmente, nunca será uma grande atriz. Isto é um fato. Palavra de crítico. Acredito que este simples trecho traduz o meu ponto de vista sobre a polêmica presença da cantora no âmbito da produção cinematográfica. Grande atriz, não é. Mas também não posso considerar uma atriz ruim. Madonna costumava render um desempenho razoável, quando bem dirigida. Basta observar a direção segura de Alan Parker no musical Evita, ou a perversão da trama guiada por Abel Ferrara em Olhos de Serpente. São várias as questões que envolvem a artista e a sua participação no cinema: além de um extenso painel de tramas pífias e personagens mal desenvolvidos, Madonna possui uma personalidade muito marcante no contexto da mídia, fazendo com que as pessoas não consigam dissocia-la da artista provocante e polêmica do eixo canção-videoclipe. Minha opinião coaduna com o que Andrew Morton, um dos biógrafos da artista, disse sobre a transparência de sua personalidade para personagens que interpreta, o que se evidencia como um grande problema para o fracasso da maioria dos seus filmes.

Em depoimento para o programa televisivo Parkinson entrevista, exibido pelo canal Multishow, Madonna declarou que não se acha uma atriz ruim. Na opinião da cantora, “há diferença entre ser uma atriz ruim e fazer filmes ruins”. Mas este autodiagnostico nunca foi suficiente para que a mídia deixasse a artista em paz. Madonna já encabeçou várias listas das piores atrizes do cinema, bem como é alvejada pela crítica a cada produção, seja como atriz, ou até mesmo como realizadora, como se observou nas constantes críticas do filme W.E. – O Romance do Século, lançado em 2011. A relação com os filmes começou muito antes do sucesso musical. Um Certo Sacrifício, dirigido por Stephen John Lewicki, foi o seu primeiro filme. Repleto de cenas de orgia envolvendo Madonna, o roteiro traz uma história confusa sobre uma mulher que vive uma relação nebulosa de amizade e sexo com um rapaz e uma pessoa transexual. Após desistir do envolvimento, a personagem é estuprada e se vinga, ao arrastar os envolvidos no esquema de abuso para a execução de um ritual satânico. Mesmo sendo gravado em 1979, só foi disponibilizado em 1985, quando a cantora já estava em seu auge.

Madonna moveu um processo judicial contra o diretor, mas perdeu. O filme hoje é uma raridade e foi lançado em DVD em pouquíssimos países. No documentário Madonna Exposed, o realizador revelou que Madonna ganhou apenas 100 dólares para fazer o filme, e que durante o processo de seleção, anunciado num jornal da época, a ambiciosa artista enviou uma carta bastante original, dizendo que se não fosse freira, seria atriz de cinema, desejos duais bastante frequentes em toda a carreira de Madonna. Em 1985, Madonna alçou o estrelato com Procura-se Susan Desesperadamente, dirigido por Susan Seidelman. O filme é um manifesto dos anos 1980, estruturando a indumentária típica graças ao trabalho de figurino, parte da equipe de design de produção de Santo Loquasto, profissional que já havia trabalhado em quase todos os filmes de Woody Allen. Essa adequação ao melhor estilo anos 1980 também é de responsabilidade do roteiro de Leora Barish, valorizado pela direção musical de Thomas Newman e direção de fotografia de Edward Lachman.

Sendo um dos seus filmes mais conhecidos, Madonna ganhou muito com a produção: havia acabado de lançar o álbum Like a Virgin e um dos hits presentes no filme, Into the Groove, ainda não era tão popular. Foi sucesso absoluto, mesmo que a crítica tenha detonado Madonna num papel caricato, utilizando uma das mais famosas muletas de atuação: o chiclete mascado copiosamente. No filme, não contemplamos Susan. Estamos diante de Madonna, interpretando a si própria, tamanha a dificuldade em dissociação da cantora catapultada ao sucesso e da atriz.  Ainda em 1985, Madonna teve uma breve participação no drama Em Busca da Vitória, dirigido por Harold Becker, no papel de uma cantora de bar que aparece rapidamente interpretando Crazy For You, uma das suas baladas românticas mais famosas. Surpresa em Shangai foi o filme subsequente. Talvez um dos mais problemáticos no que tange aos bastidores. Já casada com Sean Penn, Madonna agora enfrentava o assédio constante, da imprensa, algo que ela adorava, segundo os especialistas da mídia, o que causava furor por onde passava.

Cheia de prerrogativas por causa do sucesso que havia alcançado, participou desta produção dirigida por Jim Goddard, com roteiro assinado por Robert Bentley, baseado na novela homônima de Tony Kenrick. No filme, Madonna interpreta Gloria Tatlock, uma misteriosa estadunidense que chega a Shangai em busca de uma mercadoria que pode salvar a dor dos soldados envolvidos na guerra de 1938, quando Shangai é invadida pelos japoneses. Com produção do músico George Harrisson, o filme foi um fracasso de bilheteria e crítica e Madonna, indicada e ganhadora do prêmio Framboesa de Ouro de Pior atriz em 1986. Mas, as tentativas apenas começavam.

Em 1987, Madonna interpretou Nick Finn em Quem é essa garota?, comédia levemente inspirada em Bringing Up Baby, protagonizada por Cary Grant e Katherine Hepburn em 1938. No filme, Nick é uma garota que passou alguns anos presa por um crime que não cometeu. Com roteiro de Andrew Smith e direção de fotografia de Jan De Bont, a narrativa explora bastante a estética urbana dos anos 1980, seguindo o padrão visual de Procura-se Susan Desesperadamente. Numa cena que reforça a postura cinéfila de Madonna, a sua personagem beija calorosamente uma foto de Marlon Brando, em O Selvagem da Motocicleta, além de contemplar outros itens do star system em sua cela, como Elvis Presley, etc. Na esteira do filme, Madonna lançou a turnê homônima. O filme fracassou, mas os shows renderam bastante. Em 1989, Madonna surgiu como Hortense Hathaway no filme Doce Inocência, uma comédia sobre gangsters ambientada nos anos 1920. No ano posterior, 1990, Madonna ganhou um pouco mais de notoriedade no cinema: era a vez de chamar a atenção com Dick Tracy, adaptação de HQ conduzida por Warren Beaty, seu namorado na época.

Segundo a biógrafa O´Brien (2008), o namoro com Warren Beaty, diretor do filme, ajudou na construção da imagem, pois em Dick Tracy, ela exalava charme semelhante ao das atrizes das décadas de 1930 e 1940. Desta vez, foi diferente: o filme ganhou o Oscar de melhor direção de arte, melhor maquiagem e canção original, Soon of Later, interpretada por Madonna. A crítica não destroçou o trabalho de Madonna, mas a direção segura, os diálogos envolvendo Nietzsche e Platão, além do suporte de atores do quilate de Al Pacino e Dustin Hoffman ajudaram no sucesso da produção. Para Madonna, ficou a prova de que a crítica a queria mesmo ajustada no mundo da música. Na trilha sonora, várias canções foram interpretadas pela cantora, com apenas uma faixa diferenciada de todo o conjunto do álbum: Vogue, um dos seus “hinos”. Na cerimônia do Oscar daquele ano, Madonna fez uma de suas mais belas apresentações, vestida e maquiada, além dos adornos com joias que lembravam o mito Marylin Monroe. Mais uma vez, a sua relação com o cinema era fortalecida, através desta emulação de mitos femininos da jornada cinematográfica hollywoodiana.

Em 1991, Madonna investiu pesado em um documentário sobre a sua turnê Blond Ambition, filme dirigido por Alek Keshishian. Ao longo dos 122 minutos de duração, ora apresentada em colorido (números musicais), ora apresentada em preto-e-branco (bastidores), Na Cama com Madonna fez muito sucesso de crítica e de bilheteria. Para aumentar a divulgação, a MTV exibiu os números musicais separadamente durante a programação, como vídeos promocionais. A ousadia e polêmica deste documentário era o começo de um arriscado e perigoso investimento na seara de sexualidade explícita, abordagens posteriores da artista. Antes, no entanto, Madonna trabalhou ao lado de Tom Hanks e Gena Davis em Uma Equipe Muito Especial, comédia dramática dirigida por Penny Marshall. O filme narra a trajetória de uma Liga de Beisebol Feminino dos Estados Unidos, numa história que tocou em temas como amor, amizade, companheirismo, feminismo e solidão. Desta vez, Madonna interpretou Mae Mordabito, uma das jogadoras da Liga, em um papel seguro e trabalhado em colaboração com o bom elenco coadjuvante. Podemos destacar desta incursão a relação que Madonna tem com os seus personagens.

Coincidência ou não, o nome da personagem Mae, bem como seu comportamento, remete-nos a uma das inspirações da cantora, a ousada e irreverente atriz Mae West, personalidade que escandalizou na mídia e no cinema dos primeiros anos de Hollywood. Outro fato preponderante ao assistir esta comédia é perceber que, ao observar o personagem Mae, parece que estamos assistindo a Madonna da mídia, ousada e polêmica, como se a artista estivesse “falando” de si mesma através do personagem. Uma cena bastante peculiar reforça esta questão: durante um dos intervalos dos jogos da liga, na travessia que as garotas fazem através dos Estados Unidos, Mae e suas companheiras decidem ir até a Igreja. A única a ruborizar e constranger o padre no confessionário é a personagem interpretada por Madonna, num jogo bastante inteligente dos envolvidos na produção, haja vista que até aquele momento, Madonna já havia explorado com veemência a sua relação conflituosa com o catolicismo, seja através de entrevistas, seja através das canções e videoclipes.

Ainda em 1991, Madonna encarou um diretor de peso em seu currículo: Woody Allen, na comédia Neblinas e Sombras, trama com traços expressionistas sobre um homem que é confundido com um serial killer. A participação é pequena, mas um grande desafio para a artista. O filme não fez muito sucesso, mas Madonna saiu ilesa no que tange as críticas publicadas. Provavelmente o envolvimento com Woody Allen ajudou muito. No ano seguinte, Madonna foi um dos assuntos mais comentados na mídia, com os filmes Corpo em Evidência e Olhos de Serpente, produções que adornam a sua fase sexualmente explicita, ao lado da canção e do videoclipe Erotica, bem como da publicação do livro Sex.

Corpo em Evidência foi um dos maiores fracassos da carreira de Madonna. Dirigido por Uli Edel, profissional já acostumado em tratar temas polêmicos no cinema, vide a produção Christiane F. – Drogada e prostituída, desta vez, ele comandou Madonna como Rebecca Carlson, uma mulher que é suspeita de provocar a morte do seu amante através de atos sexuais agressivos. Com cenas de sexo realizadas na base do improviso, o filme surge como uma espécie de Instinto Selvagem, mas sem a mesma qualidade do suspense protagonizado por Sharon Stone.  No documentário Madonna Exposed, somos informados que a feminista Camille Plagia considerou a personagem mecânica e sem nenhuma dose de erotismo, investindo em falas e gestos vulgares. O filme fracassou nas bilheterias. Com a crítica, não foi diferente, mas Madonna ainda não desistiu do cinema. Em Olhos de Serpente, dirigido pelo competente Abel Ferrara, Madonna interpreta Sarah Jennings, a esposa de um diretor de cinema, numa trama que envolve metalinguagem, perversão e muitas discussões sobre família.

Alguns críticos, como eu, consideram Olhos de Serpente como a melhor atuação de Madonna. O tratamento dado ao personagem consegue se distanciar um pouco da cantora e da personalidade midiática, mas ainda era algo muito magnético, tamanha a dificuldade de dissociação. Antes da projeção e da mudança meteórica na carreira cinematográfica possibilitada pelo musical Evita, Madonna participou de três produções de pequeno porte, uma delas, Garota 6, dirigida por Spike Lee, já renomado na época. No filme, a artista interpreta uma personagem intitulada de “chefe”. No filme, uma jovem atriz tenta fazer carreira em Nova Iorque, mas quando o dinheiro e as oportunidades de trabalho se tornam escassas, ela decide trabalhar no ramo de sexo por telefone. Madonna interpreta um dos personagens “mentores” das fantasias sexuais que devem ser “encenadas” através das ligações. Em Sem Fôlego, continuação de Cortina de Fumaça, Madonna surgiu como outro personagem não intitulado, “a moça do telegrama musical”. Na trama, dirigida por Wayne Wang e Paul Auster, situações cotidianas são retratadas com bastante humor em determinada localização do Broonklyn.

Em outra comédia, Grande Hotel, narrativa conduzida através de quatro esquetes, de quatro diretores diferentes, ambientadas em Los Angeles, Madonna deu vida à bruxa Elspeph, mulher em ação na Noite de Ano Novo, num papel divertido e simplório, que explorava toda a sensualidade da artista antes da imersão no papel do ícone argentino Evita Perón, foco central do musical Evita, dirigido por Alan Parker, filme que provocou mudanças intensas na carreira de Madonna.  Primeiro, foi uma produção meticulosa, bem dirigida, cheia de atrativos estéticos. Na época, Madonna atingiu maturidade em sua vida pessoal, além do tratamento na voz através de investimentos pesados em aulas de canto com profissionais renomados. Evita é o papel que mais distancia a Madonna cantora e midiática da encenação cinematográfica. Mas mesmo com todo esse cuidado, meticulosamente trabalhado através da direção segura de Alan Parker, profissional que traz no currículo filmes renomados como Mississipi em Chamas e O Expresso da Meia-Noite, há bastante Madonna no personagem.

Para conseguir o papel, um dos mais cobiçados da época, Madonna enviou uma carta para o diretor, bem como uma cópia do videoclipe Take a Bow. Ela buscava mostrar para o diretor que tinha a versatilidade necessária para interpretar o papel da primeira dama argentina. Convencido, o diretor aceitou trabalhar com Madonna, possibilitando-lhe o papel mais marcante da sua carreira cinematográfica, algo lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em comédia/musical, entregue pelas mãos da talentosa Nicole Kidman. Podemos observar, mesmo que salva as suas devidas proporções, a proximidade biográfica de Madonna com o mito a ser levado para as telas do cinema: moça do interior que decide seguir os seus instintos, seguindo para o grande centro urbano do país, em busca de sucesso e notoriedade. Com longos 134 minutos de duração, a narrativa em flashback começa apresentando a filha bastarda de um agricultor sendo barrada no funeral do próprio pai, saindo de um pequeno povoado e se tornando a primeira-dama de seu país.

O fato de Evita ser uma órfã também se aproximou bastante da história de Madonna, que estudou todas as biografias de Evita, bem como arquivo de imagens, tentando emular o personagem e interpretá-lo da melhor maneira possível, afinal, precisava fazer valer a pena, pois o papel havia sido disputado por atrizes como Michelle Pfeiffer e Meryl Streep, além da cogitação da cantora Cher, bem sucedida no ramo cinematográfico, diferente de Madonna. Após todo o alvoroço de Evita, a cantora pausou. Voltou em 199, desta vez, na comédia dramática Sobrou pra Você, dirigida por David Schlesinger. Na trama ela é Abbie, professora de ioga que mantém forte laço de amizade com Robert (Ruppert Everett), seu melhor amigo, homossexual assumido. Numa noite de diversão, ficam bêbados e, posteriormente, descobrem que estão “grávidos”. Os problemas surgem quando ambos decidem viver as suas vidas separadas e com isso, não sabem conduzir a educação e manutenção da criança.

O roteiro de Tom Ropelewisk é delicado e trata o tema com carinho, mas a extensão da trama irritou a crítica. Madonna, porém, apesar dos comentários da superficialidade da sua atuação, é considerada menos caricata e mais madura, apesar de exalar o seu “eu” na trama. O filme traz elementos da Cabala e das inquietações de mulheres após os 40 anos de idade, temas próximos da vida pessoal de Madonna na época. Em 2002, Madonna decidiu investir na canção tema do filme 007 – Um Novo Dia para Morrer. A gravação da música trazia, além do videoclipe com cenas que fazem referência aos filmes da série de James Bond, uma pequena participação como a instrutora de esgrima Verity, personagem discreta e charmosa, mas que não passou ilesa pela premiação dos piores do ano. Madonna foi indicada como pior atriz coadjuvante. Neste mesmo ano, seduzida pelo projeto de refilmagem do drama italiano Travolti da Un Insolito Destino Nell’azzurro Mare D’agosto, guiado pelo então marido Guy Ritchie, Madonna entregou ao público o seu pior filme.

Nada se salva na refilmagem, lançada diretamente em DVD no Brasil como Destino Insólito. Naquele ano, 2002, Madonna, com muito dessabor, ganhou dois prêmios Framboesa de Ouro: pior atriz e pior atriz coadjuvante, ambos, do meu ponto de vista, merecidos. Em Destino Insólito, a artista interpreta Amber, uma mulher rica, mimada e arrogante. Ela é esposa de Tony, empresário que a convida, juntamente com amigos, para um cruzeiro. Após um pequeno acidente, Amber vai parar numa ilha deserta com Giuseppe, o cozinheiro que ela implicara desde o início da trama, numa história que deságua num mar de amor e desilusão. Depois desta incursão, Madonna ainda investiu em outros projetos cinematográficos. Ambos os filmes da fase são ruins: tanto a refilmagem italiana como o filme da saga 007, talvez um dos piores do inventivo personagem James Bond.

Em 2005, Madonna voltou ao cinema, como ela mesma, desta vez, com o documentário I’m Going to Tell You a Secret. O filme foi lançado direto em DVD e não recebeu críticas negativas: cuidadosamente dirigido por Jonas Akerlund, o documentário seguiu o mesmo padrão narrativo colorido para os números musicais, e preto e branco, para as cenas de bastidores, mostrando Madonna numa incursão bastante política e religiosa. O filme pode ser considerado uma “continuação” de Na Cama com Madonna por mostrar a artista numa performance mais madura, artística e pessoal, refletindo sobre a sua carreira, sua família e sobre a situação política do seu país, com um “personagem” que parece ter evoluído. A produção estreou na televisão em 21 de outubro de 2000. Em 2007 ela participou de Arthur e os Minimoys, animação francesa de Luc Besson, dando a voz para princesa Selenia.

Mais adiante, a artista adentrou o âmbito da direção cinematográfica com Sujos e Sábios e W.E. – O Romance do Século, produções que não sofreram as mesmas represálias que os filmes atuados ao longo de mais de vinte anos na cena cultural. I Am Because We Are foi outra produção de Madonna por detrás das câmeras, mas como produtora. Em Sujos e Sábios, primeiro filme dirigido por Madonna e exibido em alguns festivais e canais de TV a cabo, o cantor Eugene Hitz interpreta um imigrante ucraniano que deseja ser astro do rock, trabalhando clandestinamente para uma dominatrix, uma dançarina de strip-tease e uma assistente de farmácia que rouba os medicamentos do local de trabalho. Já na produção do documentárioMadonna trata do complicado cotidiano das crianças que vivem em condições precárias no Malawi, mostrando os esforços da sua instituição de caridade, Raising Malawi. Em W.E. – O romance do século, a cantora investiu mais tempo e produziu um drama bem estruturada sobre o romance entre o rei inglês Edward VIII e a estadunidense comum Wallis Simpson, relação tórrida que o fez abdicar o trono em 1936.

O Globo de Ouro de Melhor Canção veio, mas o posto na cadeira de diretora não foi bem recebido por parte da crítica. Após este panorama, algumas indagações: o que está por detrás deste fenômeno de críticas? Conforme Madonna já deixou claro em entrevistas, as pessoas não conseguem ver uma artista circulando por todos os campos com total liberdade. Será? Eis uma questão não objetiva, mas nevrálgica para a discussão empenhada nesta reflexão. Madonna, sem sombra de dúvida, utilizou o campo do videoclipe como uma espécie de “terapia” para alimentar o seu desejo de projeção imagética, basta observar quantas vezes a cantora referenciou o cinema em seus videoclipes. Diante dos dados, provoco-lhe leitor: Madonna é realmente uma atriz ruim?

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.