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Plano Polêmico #38 | Crítica Não é Aritmética da Estética!

por Luiz Santiago
294 views (a partir de agosto de 2020)

Acreditem: eles vivem! E estão no meio de nós! “Eles quem?“, pergunta o xófen e inocente leitor. Ora, os Críticos de Críticos Especialistas em Aritmética da Estética, oxe! “E quem são esses?” há de perguntar o mesmo tenro leitor. Pois bem, este é o tema do nosso Plano Polêmico, que na verdade é apenas a semeadura do óbvio. No entanto, diante da realidade em que vivemos, semear o óbvio se tornou uma prática necessária. Ainda mais quando falamos com quem acha que um crítico precisa tabelar as avaliações que fez na vida, afinal, se para a comédia de costumes Por Que Vocês Não Aceitam Opiniões Diferentes das de Vocês? (1913) o crítico Ditadorzinho Irônico e Bruto deu absurdas 456 estrelas, como é possível que ele tenha dado apenas 31 galáxias para o documentário Ninguém é Obrigado a Aceitar a Opinião de Ninguém, Apenas a Garantir a Liberdade de Fala do Outro (1900) e pior ainda, apenas 6,17³ meteoritos para o épico jornalístico Aqui Está Garantida a Sua Liberdade de Fala, Agora, Se Você Não Gostou do Que Leu, Não é Um Problema Que Compete a Mim Resolver, Afinal, Se Tens a Liberdade de Falar o Que Queres, Eu Tenho a Liberdade de Responder o Que Quero… A Não Se Que Você Queira Que Todo Mundo Concorde Com a Sua Discordância, E Isso Lá Em Casa Tem Outro Nome (2020).

Para esses Pitágoras da atribuição tabelada de estrelas, a crítica é feita via um comparativo regulado pela “aritmética ético-estética” que obriga o profissional avaliar todo o restante das coisas que ele vir na vida a partir de uma metódica comparação aproximada (e corrigida) frente a tudo o que avaliou antes. Ou seja, para atribuir estrelas ao suspense Bee, A Senhora Só Vem Aqui Escrever “Lacraste” Nas Críticas, Já Sacamos Qual é a Tua, Cacura! (2019), o crítico precisa levar em profunda consideração quantas estrelas ele atribuiu para A Gigantesca Barba do Mal (2013), O Grande Golpe (1956), A Mulher Que Se Foi (2016), Entre Facas e Segredos (2019), Eleição (1999), Primavera Para Hitler (1967), Laranja Mecânica (1971), Memórias de um Sargento de Milícias (1854) e Terra de Ninguém (1973)! Se ele deu 5 estrelas para um filme, pela tabela, jamais poderia dar 3,5 para outro, pois é assim que funciona a atribuição de notas numa crítica, não é?

Resposta: não.

Para começo de conversa, a atribuição de um valor numérico a qualquer obra de arte é algo puramente didático, mais ou menos prático, patético e… popular. Como uma das funções da crítica é estabelecer um diálogo com seus leitores a partir de uma interpretação/leitura da obra, a nota meio que crava uma “opinião qualitativa fácil” para quem bate o olho e conclui que “fulano gostou” ou “fulano odiou” o filme, o livro, etc. Mas esse tipo de avaliação é um problema para a quase totalidade dos críticos: a maioria de nós na verdade nem gosta desse tipo de notificação. E sabem por que? Primeiro, porque às vezes uma obra é complexa demais ou até simples demais para ser resumida apenas por estrelinhas, ovinhos, tomatinhos, insetinhos, cocozinhos. Eu não sei se vocês sabem, mas a parte mais importante da crítica não são as estrelas. Estrelas são perfumaria, isopor. Um charminho mimoso e às vezes ridículo. A parte mais importante da crítica é… pã pã pã… a crítica! OOOOOOOOOOOOOOOOHHHHHHHHHHHHHHH!!! De explodir a cabeça, não?

Vocês já leram um texto que, ao chegar ao fim, vem aquele pensamento “ué, não entendi por que o indivíduo deu 4 estrelas se ele fala mais mal do que bem do filme!” ou o contrário disso? Este é um dos exemplos que mostra o por quê usar uma avaliação numérica para arte é complicado. Eu mesmo já me vi pelejando para saber se dava + ou – meia estrela para um filme. E às vezes mudei a nota (ou, como editor, já pedi para meus parceiros mudarem a nota) de textos que eu leio e penso “hummm… não tá batendo o texto com a quantidade de estrelas dadas“. E sim, isso acontece mesmo. Porque transformar um conteúdo artístico em um número dá margem para esse tipo de problema. Aos poucos é que a gente consegue deixar o mais coerentemente possível a nossa reflexão + a nossa nota.

Aí vem a outra parte do samba: o objeto de análise. Embora cada crítico tenha um estilo diferente — e até uma intenção final diferente, o que  faz alguns textos nem serem uma crítica de fato, mas uma resenha ou um ensaio — há algo que todos precisam levar em consideração ao levantar uma discussão e trazer um olhar avaliativo para uma obra específica: o contexto. É como eu sempre digo para os meus alunos antes de iniciar a doutrinação titeufista: contexto é tudo. No campo das ideias, especialmente quando a proposta é uma análise (de qualquer cunho!), o articulista tem por obrigação colocar seu objeto de estudo em contexto, trajetória que começa na identificação da proposta e termina no componente externo, mas relevante, para a criação daquele produto: o tempo e espaço, o artista, os materiais utilizados (cabe aqui toda a consideração técnica), a visão do resultado final (opinião pessoal — para quem ainda não sabe, toda crítica é parcial e também pessoal!) e o levantamento de uma discussão original, um tipo de “… então, para mim, esse filme quer dizer isso por conta disso, disso e disso” e é aí que muitos autores podem soar bem parecidos uns com os outros ou completamente diferentes.

Spoiler: a maioria das concordâncias e discordâncias a respeito de uma obra está nesse aspecto. Na leitura que cada um faz de um dos significados que a obra pode ter. Empatado com isso vem a experiência pessoal.

Se o contexto é a nossa âncora, ou seja, aquilo que impede que um texto seja engessado, praticamente uma cópia estrutural do outro, só trocando o elenco, a sinopse e o diretor, é natural que apliquemos das mais distintas maneiras o nosso julgamento para cada obra! Um crítico (não confundir com “Fazedor de Meu Querido Diário“) jamais julgará os efeitos especiais de um filme de 1920 sob o mesmo contexto que julgará um filme de 2020. Estamos falando de um século de desenvolvimento da tecnologia! A manufatura da arte aí tem peso, instrumentos, execução e resultados completamente diferentes. A mesma coisa eu posso dizer quando pego um trash, um blaxploitation, um blockbuster com milhões de orçamento ou um alternativo feito com alguns milhares de dólares. Tudo é cinema e tudo será analisado com as mesmas ferramentas, mas com manipulação diferente delas (ou seja, considerando o contexto), porque uma crítica sem a observação do contexto é apenas um amontoado anacrônico/irreal que termina cobrando de uma obra de arte algo que ela nunca se propôs a dar.

Assim, o que moveu O Pior Crítico do Mundo a dar 5 estrelas para Palhaços Assassinos do Espaço Sideral foi todo um contexto e proposta diferentes para que ele desse 4,5 para Coringa, mais todo um contexto e proposta diferentes para dar ZERO para 47 Ronins, mais mais todo um contexto e proposta diferentes para fechar com 3 em Roma. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Cada filme tem uma proposta diferente, uma leitura diferente, um caminho de análise diferente, uma equipe e história de produção diferente, um tempo diferente, um espaço diferente e as estrelas atribuídas a eles não obedecem a um padrão onde nós, críticos, somos obrigados a dar X para um só porque demos Y para outro… Minha dica é: sempre que tiver dúvida ou ficar insatisfeito com a atribuição de estrelas para um texto, siga esses dois conselhos:

1 – Repare que lá na parte superior e na parte inferior da página não está escrito o seu nome. Logo, não é O SEU texto, logo, a visão e as estrelas podem ser (ora, quem diria, não é mesmo?) bem diferentes das que VOCÊ atribuiria para tal obra.

2 –  Sinta-se à vontade para xingar o crítico o quanto quiser, afinal, crítico nem é gente (não espere, todavia, ser tratado com carinho na réplica), apresente suas discordâncias (mas não espere que o autor vá concordar com tudo o que você disse) e explique você mesmo por que pensa diferente (isso é sempre legal, porque gera diálogo. Faça isso!). Se, na sua argumentação, alguma comparação precisar ser feita, que seja uma comparação de conteúdo, de proposta, de aproximação temática ou de trabalhos diferentes feitos pelo mesmo profissional. Faça tudo isso. Menos condicionar a notinha dada para um filme/série/livro/álbum/game/peça/quadrinho a uma tabela fixa, achando que a atribuição de notas para uma obra de arte é tipo tabuada. Crítica não é aritmética da estética!

E agora lá vou eu coletar minhas zero estrelas, dá licença? Numerosos thauzinhos a 24fps!

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84 comentários

Silas Leal 11 de março de 2020 - 16:21

“Bee, A Senhora Só Vem Aqui Escrever “Lacraste” Nas Críticas, Já Sacamos Qual é a Tua, Cacura! (2019)”

SE EU MORRER HOJE, EU MORRO FELIZ KKKKKKKKKKKKKKKK
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Responder
Léon 29 de fevereiro de 2020 - 15:55

Mas que rapaz debochado esse Santiago!

Olhe, quando eu vejo que o Luiz colocou o meme da Mônica no computador, corro, pego a minha pipoca com manteiga e meu refrigerante e sento, porque sei que lá vem deboche! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.

Antes de qualquer coisa: “…mas jamais deixarei que o Plano Crítico abandone a cotação em estrelas.” OBRIGADO! Apesar de não ter visto menção a isto no texto, vi muita gente comentando como se o PC estivesse pensando em acabar com a cotação de estrelas. Chega deu um baque no peito. Ok, concordo que quantificar uma obra é algo bastante limitante e subjetivo, mas como você mesmo disse no texto, as estrelinhas são só um mimo. E eu gosto tanto desse mimo. Estrelinhas, tomatinhos, ovinhos, caveirinhas, cocozinhos (tá, cocozinhos nem tanto…). O que seria de mim sem as estrelinhas do PC para eu olhar e pensar: “Gostou, não gostou, odiou o filme. Agora vamos ler os motivos…”

Sério que tem gente que acredita que crítica é imparcial? O nome não já deixa claro, não? E também tem gente que não entende que críticos DIFERENTES podem ter opiniões DIFERENTES sobre uma mesma obra? E independentemente se concordo com a crítica A ou B, devo respeitar as opiniões divergentes já que desejo que a minha também seja respeitada?

Interpretação é algo tão pessoal, que mesmo quando os indivíduos têm opiniões semelhantes sobre algo e interpretações parecidas, de alguma forma, mesmo que microscópica, a uma diferença entre o jeito como cada um interpretou algo…

P.S: Por favor, Luiz, se possível, responda-me esta pergunta de cunho mais pessoal: Você leva este nível de deboche para as tuas aulas? Porque acho muito engraçado e maravilhoso, e ainda deixa a aula mais interessante. Fora que, parece que cada vez mais as pessoas precisam ouvir, ver e falar certas verdades através de deboches escrachados para ver se a mensagem atinge o ponto nevrálgico correto…

P.S.2: Se der, responda-me esta outra pergunta (que acho que já fiz e você já respondeu, porém a nota da minha memória atual não ultrapassa os dois cocozinhos): Você é professor de qual disciplina?

P.S.3: De antemão, desculpe pelas perguntas acima.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 29 de fevereiro de 2020 - 20:01

DEBOCHADOOOOOOO??? EEEEUUUUUUUUU? OH, COMO OUSAS, PAGÃO INFAME??? VAIS PAGAR COM 12 FLEXÕES NO MELHOR ESTILO “MEXENDO O QUADRIL NO QUARTEL”!!!

Velho, tem uma CARALHADA de gente que acha que crítica é imparcial, isenta. Normalmente é assim: se fala uma coisa que eles gostam, especialmente em filmes políticos, aí nossa, que crítica maravilhosa. Aí se usa a palavra “igualdade” num texto, aí já é parcialidade HAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHUAHUAHAUAHAU. Você não tem noção do que a gente recebe aqui diariamente.

P.S.: Eu adorei essa pergunta! E a resposta é sim! A ironia é um recurso excelente quando você quer falar muita coisa em pouco espaço de tempo ou quando você quer condensar toda uma situação através de elementos externos a ela — veja, por exemplo, como eu resumi a história da política brasileira lá no segundo parágrafo sem entrar diretamente numa longa prelação relacionada a ela. Eu gosto desse tipo de exposição e combina com a minha personalidade, entre o eterno zuero e o eterno briguento, onde a ironia/o deboche ganha um nível de poder e fineza que acaba sendo bem pior, em termos de enfiar a lança na ferida, do que se eu fosse pelas vias mais comuns, como xingamento ou agressão.

P.S.2: Eu sou professor de História, Geografia, Sociologia e Filosofia!

P.S..3: Que isso!

Responder
Léon 29 de fevereiro de 2020 - 20:23

Sim! Eu pensei bastante nisso sobre falar de política e filmes sobre política e as coisas que vocês devem receber sobre isto, mas não quis comentar porque hoje estou no meu estado zen e não quero me estressar sendo taxado de miçangueiro-comunista-socialista-mamador-das-tetas-do-governo-pervertido-transviado-maconheiro-subversivo-lacrador-tá-achando-ruim-vai-para-Cuba!!! E assim vai…

Que história é essa de falar de IGUALDADE?!?

Igualdade é coisa de mimizento que não corre atrás do que quer e gosta de viver das migalhas jogadas pelo governo. Tem de lutar e se dedicar para conseguir o que quer, pois quem tem as coisas é porque MERECEU!!!! Aí esse povo miçangueiro vem falar que cada ser humano é individual e tem seus defeitos e qualidade, e depois me vem com essa de igualdade. Daqui a pouco vão querer que mulheres e homens recebam igual ao fazerem o mesmo serviço. Meu irmão, mulher engravida… blábláblá… Mas eu não sou machista. Sou um cara cabeça, que pensa nas coisas. Blábláblá…

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Só sei que vocês são tudo uns vendidos que recebem bilhões da Marvel para falar mal da DC!!! COMUNISTAS!

– Eu também gosto muito de uma ironia. Principalmente nos tempos de hoje.

– Parabéns pelas disciplinas que você ministra, Luiz. Lembro que no Ensino Médio vi muito pouco de Sociologia e Filosofia, mas o pouco que vi, gostei,. Principalmente de Filosofia. Também gosto bastante de História e Literatura. Sobre História, vivo me perguntando como ainda vivemos repetindo os mesmos erros do passado, com leves variações de contexto, quando temos a História para mostrar os caminhos que foram seguidos e deram errados, e os que deram certo…

– Obrigado pelas respostas!

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 29 de fevereiro de 2020 - 20:32

É… a História traz uma maldição consigo. Existem coisas que tenderão a se repetir sempre (trágica e farsescamente — hehehe), especialmente quando falamos de três coias específicas:

1 – Poder
2 – Dinheiro
3 – Religião

Responder
GENIO PLAYBOY E SAFADÃO VOLTOU 28 de fevereiro de 2020 - 22:40

Eu ainda não li o texto, vou ler depois e deixar um comentário mais detalhado, mas queria deixar claro uma coisa aqui : A frase “Isso não é uma critica, isso é uma opinião” não faz o menor sentido.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 29 de fevereiro de 2020 - 07:40

Toda crítica é uma opinião.
Nem toda opinião é uma crítica.

Não sei onde foi que você viu essa frase, ou quem falou essa frase para você, mas dependendo do contexto, ela pode sim estar correta e sim fazer o maior sentido.

Responder
GENIO PLAYBOY E SAFADÃO VOLTOU 29 de fevereiro de 2020 - 14:33

Vou detalhar melhor essa frase, sim, eu sei que nem toda opinião é uma critica, mas quando eu ouço essa frase, é basicamente alguém dizendo que a pessoa está usando a opinião dela pra embasar a critica, tipo “como você acha que a direção desse filme não é boa? Eu e outras pessoas achamos, você está usando a sua opinião, critica não tem que ter opinião, ela tem que ser objetiva” sendo que uma critica é construída em cima de opiniões, todos os pontos levantados numa critica são, no fundo, opinativos. Pessoas pedirem que uma critica seja isenta de opinião não sabem do que estão falando.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 29 de fevereiro de 2020 - 19:01

Exato.

Responder
Here's Johnny 28 de fevereiro de 2020 - 12:51

Eu nunca gostei de dar notas, tanto que abandonei as notas no meu letterboxd, no máximo só marco os filmes como gostei, mas entendo a necessidade de um site público de manter notas, até porque sempre vejo em sites que não as tem que as pessoas não entendem bem quando o crítico gostou de um filme ou não.

Mas mesmo assim eu não consigo deixar de achar bizarro a ideia de quantificar o quanto eu gostei de um filme em um número.

Isso é mais sobre os comentários daqui, mas eu tenho que fazer um papel ingrato e dizer que as pessoas são muito injustas com o Rotten tomatoes, por mais que o site não tenha nenhum valor crítico, eu não consigo deixar de achar ele uma ferramenta muito interessante onde podemos ter rapidamente uma noção razoavelmente precisa de quais filmes a crítica está gostando. Acho que o maior problema do site é como as pessoas usam ele.

Acho que muito filme bom ganhou visibilidade por causa do Rotten e no geral vejo a ferramenta como algo mais positivo do que negativo na indústria.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 28 de fevereiro de 2020 - 17:55

Eu faço toda a autocrítica possível para isso. Em essência, não gosto, mas jamais deixarei que o Plano Crítico abandone a cotação em estrelas. Como eu disse no texto, é um tipo de “resumo didático” onde a pessoa bate o olho e já tem uma noção. Infelizmente é limitador e nunca fala DE FATO o que o autor quis dizer, mas é uma indicação geral do pensamento dele. Agora, o pensamento, só vai saber quem leu o texto hehehehehe.

Sobre o Rottern, é aquilo: é um indicador. Como todo indicador, há problemas, limitações, estranhezas. Mas é um indicador. O que talvez o coloque uma certa posição de destaque é que há a divisão entre a média avaliativa dos críticos e a média avaliativa do público. Isso delineia um pouquinho melhor a qualidade final do produto. Mas nem de longe é ideal. É um indicador, apenas. Quem gosta de recorrer a indicadores, tem aí um minimamente competente para se basear…

Responder
Michel Gutwilen 28 de fevereiro de 2020 - 12:49

Aproveito aqui para fazer 5 desabafos para falar um pouco a forma que EU enxergo a relação da crítica cinematográfica com o filme:

1) Infelizmente se perdeu a essência original da crítica cinematográfica. Somos vistos como guias de consumo. Claro, aí entra um fator socioeconômico de que na atual sociedade não há tempo e nem dinheiro suficiente para o lazer e, por isso, a pessoa acaba precisando escolher 1 entre os 5 lançamentos da semana para investir o seu raro tempo livre e seu escasso dinheiro, recorrendo as críticas para tal escolha. Óbvio, a pessoa é livre para fazer isso se ela quiser, mas ela não tem o direito de vir cobrar se a crítica não deixa claro se o filme é bom ou ruim, porque este nunca foi o objetivo da crítica. Nas minhas críticas, eu falo de que maneira o filme me afetou subjetivamente, aliado ao meu conhecimento técnico da área, procurando entender como o autor assimilou todos os elementos da mise-en-scène (roteiro, direção, fotografia, atuação etc) em prol de uma unidade que ele deu para obra.

2) Não existe crítica objetiva e imparcial. Eu já ouvi o absurdo de uma pessoa falando que o crítico tinha que ser menos egoísta, porque o filme foi extremamente aclamado pelo público e, por isso, ele devia fazer uma ressalva na crítica de que aquela opinião negativa não corresponde a da maioria!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

3) As pessoas precisam parar de achar que um filme que tenha uma mensagem social relevante, APENAS, já o qualifica como bom. Não me levem a mal, mas quem me conhece na “vida real” sabe que sou até meio militante, mas quando eu escrevo uma crítica, não existe dar 5 estrelas para um filme só porque ele fala que racismo/nazismo/machismo/xenofobia é ruim, se todo o resto da mise-en-scène é medíocre ou ruim. Isso me leva diretamente a outra coisa que eu queria falar:

4) Um roteiro medíocre/ruim nas mãos de um diretor que sabe integrar os elementos da mise-en-scène pode se tornar uma obra prima, já um roteiro excelente nas mãos de um diretor de estúdio sem ideia nenhuma, que decupa o tal roteiro brilhante da maneira mais simples possível, vai ser no máximo um filme mediano. O roteiro NÃO É ALMA do filme. O diretor e a forma como ele cria uma cosmologia própria, sim.

5) Parem de achar que crítica é uma cartela de bingo no qual se vai falando dos elementos da obra separadamente ou que a nota é uma média aritmética de todos eles. “A fotografia do filme é nota 10, o roteiro é nota 5, e a direção é nota 8….. logo, a nota do filme é 7.6”. NÃO. Eu já vi o absurdo de site colocar as áreas técnicas do filme para se dar nota separado. O filme é uma U-N-I-D-A-D-E, um diálogo entre todas as áreas. A “fotografia PERFEITA” não aquela que é linda por si só e que capta imagens belíssimas, mas aquela aquela que faz total sentido dentro da unidade do filme. Se eu estou falando no 1º parágrafo da direção, depois passo para o roteiro, depois para as atuações, depois para fotografia, edição de som, figurino etc, mas não estou tentando enxergar um DIÁLOGO por trás disso tudo, falando somente das coisas separadas, eu estou fazendo uma análise, e não uma crítica.

Fonte e base para meus argumentos: André Bazin, Cahiers du Cinema, Jean Douchet e diversos outros da escola francesa.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 28 de fevereiro de 2020 - 17:54

1 – Nenhum crítico, nenhuma pessoa que se dispõe a discutir sobre qualquer arte tem tem por obrigação carregar a aura de “indicador-mor”, independente se o público tem ou não dinheiro para gastar com cinema. A não ser que o espectador conheça o crítico e saiba que fecha com ele uma gorda camada de pontos de vista, basear-se num texto como condicional para ir ver (ou não) um filme é margem para quase 100% de arrependimento. Só funciona MESMO se você pensa parecido com quem escreve. O resto é sorte. E sorte por sorte…

2 – Tem um Plano Polêmico meu sobre isso aqui: Plano Polêmico #34 | Não Existem Críticos Imparciais!.

3 – Tema é tema. Existe uma convenção a partir da qual se analisa se ele é bem ou mal desenvolvido/escrito/resolvido/integrado num todo.

4 – Um roteiro ruim nas mãos de um diretor brilhante continua ruim, só que com um lacinho rosa amarrado. E um diretor só é a alma do filme se ele for o responsável por tudo: produção, direção, roteiro, trilha, fotografia, arte, figurinos, montagem, etc.. A soberba exclusivista dos nouvellevagueanos nunca me convenceu…

5 – Não necessariamente. Em termos de gênero, na crítica cabe perfeitamente o destaque para uma ou mais áreas técnicas que sejam destacadamente relevantes para a obra, se o autor assim desejar, desde que o filme como produto seja a base do texto. Agora, algo onde em cada parágrafo se fala separadamente de uma única coisa fechada em si, aí concordo que é uma análise. E isso não significa que é melhor ou pior que a crítica. É só uma coisa diferente, um outro tipo de leitura/reflexão.

Fonte base para meus argumentos: Luiz Santiago. AHUAHAUHAUAHUAHUAHAUHAUAHAUHAUAHAUHAUAHUAHUAH

Responder
Michel Gutwilen 28 de fevereiro de 2020 - 18:15

Até o 3 concordamos em tudo, certo?

Quanto ao ponto 4, o roteiro pode continuar ruim, mas existem filmes excelentes com roteiros inexistentes ou extremamente simples. Cinema experimental esta aí. Estou falando que um diretor bom pode fazer milagre com certos roteiros, já um roteiro excelente nas mãos de um amador nunca será um grande filme, no máximo OK. Cito aqui uma frase que meu colega de crítica, Matheus Fiore, falou mais cedo hoje no Twitter: “O roteiro nunca pode ser o mais importante numa arte audiovisual. É só você fazer um exercício simples: imagina o mesmo roteiro nas mãos de Michael Bay, Christopher Nolan, Paul Thomas Anderson, Sofia Coppola e Jordan Peele

5 filmes totalmente diferentes com pouquíssimo em comum.”

E sim, obviamente existem todas as outras áreas que você citou, mas quem comanda a unidade nisso tudo, é o diretor. Claro, sofro influencia da política dos autores, mas não reconhecer a atuação das outras áreas é loucura também, hehehehe.

Quanto ao 5, sim, não me referia qualitativamente, apenas que existia uma diferenciação, e que 80% das pessoas na internet estão fazendo análise e não sabem disso.

Valeu pelo diálogo, querido.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 28 de fevereiro de 2020 - 20:14

No 4, diante dessa reformulação que você trouxe, estamos de acordo. Mas aí entra um problema de continuação do papo em cena. Porque veja, as artes audiovisuais são compostas por duas colunas: imagem e som (este último podendo ser voz ou música ou os dois), certo? Cravar O QUE PODE SER MAIS IMPORTANTE é problemático no sentido em que você pode ter obras visualmente gloriosas, toda enfeitada, toda linda, toda xuxu e um roteiro que… bem… não é nada. Estesia pura, certo? (fico imaginando Bakhtin vendo um filme assim e já pensando como destruí-lo no próximo livro HAHHAHAHAHAHAHHAHAAHAHHAHAHAHA) Também filosofar sobre tudo sem o amparo visual, seja de forma plástica, seja no ritmo e condução geral desse enredo é tão ruim quanto. Por esse olhar, eu concordo com a frase citada: o roteiro não deve ser o mais importante… DESDE QUE a imagem não assuma um protagonismo vazio e crie uma casca belíssima cujo interior seja a mais completa podridão ou o mais completo vazio.

Sabe, @michelgutwilen:disqus, que quando eu comecei estudar cinema (há muitas e muitas décadas… quando os Lumière ainda estavam vivos hehehehehe) a minha forma de enxergar as engrenagens na produção era bem parecida com a sua, mas dela eu fui me afastando com o tempo, por motivos que num papo exclusivo sobre isso posso explicar melhor. Mas não é uma negação do “pódio”, como você certamente entendeu, é apenas uma visão um pouco menos garbosa que a gente herdou da historiografia cinematográfica francesa (especialmente Truffaut e Bazin). Minha visão na maturidade está mais em par com as propostas da escola inglesa — e nem necessariamente cinematográfica, mas sociológica e antropológica, em especial de Stuart Hall — e da escola alemã, embora eu até hoje faça debates looooongos num Coliseu e segurando uma peixeira afiada para algumas linhas de abordagem do titio Alexander Kluge. hehhehehhehhehhe

Deu até vontade de escrever um Fora de Plano sobre nossos pensamentos a respeito do cinema…

Responder
santos 28 de fevereiro de 2020 - 11:42

Que legal, já experimentou Gardenal?

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 28 de fevereiro de 2020 - 11:53

Vou falar mais uma vez: para de me oferecer seus remédios! Eu não tô interessado. Depois daquele showzinho que você deu no bueiro, ainda tem coragem de vir aqui me oferecer drogas? Tsc tsc tsc tsc… Triste fim.

Responder
JC 29 de fevereiro de 2020 - 15:15

você tem paciência…..parabéns!!!!

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 29 de fevereiro de 2020 - 19:00

Não se passa no curso celestial de COMO SER UM ANJO sem esse teste de paciência…

Responder
JGPRIME25 27 de fevereiro de 2020 - 21:13

Obrigado por esse texto.

Acho que eu vou abandonar notas. Eu odeio como toda vez em que eu assisto algo, eu já penso na nota em que darei, antes do término da obra.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 21:36

Notas são um indicativo. Talvez não abandonar, mas ressignificar a importância delas, entende? Assim, você mantém uma métrica geral, mas não fica hipnotizado por ela, entende?

Responder
Jorge Duete 27 de fevereiro de 2020 - 21:00

Confesso que adoro a tal das estrelinhas… Mas leio o texto também. Concordo com a matéria em tudo. Agora uma sugestão que estou para dar ao “Plano Crítico” em geral: revisem o texto antes de publicá-lo. O site tem uma proposta muito boa, abrange muitas coisas, mas os erros gramaticais são difíceis de relevar. Muitas vezes já abandonei textos do site por causa de erros gramaticais. Desqualifica a crítica. Desanima… E dá pra melhorar… Espero que não se ofendam. Admiro a proposta do site. Abraço!

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 21:36

Todo mundo pode melhorar em absolutamente tudo, sempre. Peço que, em vez de abandonar as críticas, indique para o autor o erro que passou pela revisão dele, e será corrigido. Assim, todos se ajudam. Erros gramaticais ou de digitação constantemente passam batido pela revisão. Vamos corrigindo aos poucos, mas precisamos saber o que passou.

Responder
Iann Jeliel Pinto Lima 27 de fevereiro de 2020 - 19:50

Seus textos nesse quadro são simplesmente épicos!

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 20:59

💖

Responder
Wies e thal 27 de fevereiro de 2020 - 19:50

Engraçado é que eu nunca reparo nas estrelas, sempre vou direto para o texto. Não sabia que tanta gente revirava o olho pra isso. Se abolirem o ranqueamento, não irá fazer falta nenhuma.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 20:59

Pois tá cheio!

Responder
Fernando Annunziata 27 de fevereiro de 2020 - 18:32

Ain, Fernando, então você dá a mesma nota para o GRANDIOSÍSSIMO BELÍSSIMO FORA DO COMUM PERFEITO Era Uma Vez em Hollywood e para Centopeia Humana? SIM
E quem não gostou das estrelinhas pode processar https://uploads.disquscdn.com/images/95d20cd551b034ee28242e38b12be4ac9beb71f31297f9f79e2c3095ccffe918.jpg

Responder
Josué de Morais 27 de fevereiro de 2020 - 18:09

Isso tem que ser mandado para a Ouvidoria da Dona Rita, para que ela possa encaminhar para todos, acho que até ela ta perdendo a paciência…
Uma coisa que lembrei do Ritter falando em uma critica de AoS, sobre as estrelas, A nota que é dada em AoS não é a mesma que é dada em Arrow por exemplo kk. Uma nota 3 estrelas em AoS é bem diferente de uma nota 3 estrelas para Arrow, depende muito de como a série se comporta, acho que até do que você espera daquilo, e é como se diz é algo muito pessoal…

Ps.:Venha falar mal de Mr.Robot e sinta a minha fúria

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 18:09

Tadinha da Dona Rita, anda tão estressada. Aqui no escritório tá difícil aguentar, viu. Esses leitores… AHHAHHAHAHAHAHAHAHHAHA Ne vou falar de quem foi a encomenda a escrita desse Plano Polêmico…

Responder
Ruqui 28 de fevereiro de 2020 - 22:14

A gente sabe que as estrelas do Ritter pra Arrow são diferentes. São dadas com muito amor e carinho.

Responder
Lucas Casagrande 27 de fevereiro de 2020 - 17:05

Deixa esse texto logo na HOME do site e como foto de capa da página do facebook hahahaha

Muito mais do que bem vindo, esse texto é necessário

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 17:12

Esse aqui será uma daquelas bases que a gente indica quando as samambaias aparecerem. Tipo: “ai, cê tá atrasado pra festa, a gente já colocou fim a essa palhaçada NESSE TEXTO AQUI, clique e seja feliz” AHUAHAUHAUAHAUHAUHAUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHAUHAUAH

Responder
Victor Martins 27 de fevereiro de 2020 - 15:53

Sei que não é exatamente o ponto, mas há algum tempo o Scorsese (sempre ele) disse algo sobre o Rotten Tomatoes:

“Empresas de pesquisa como o Cinemascore, que começaram nos anos 70, e “agregadores” online como o Rotten Tomatoes não têm nada a ver com crítica cinematográfica de verdade. Eles mostram a nota de um filme da mesma maneira que alguém daria uma nota para um cavalo numa pista de corrida, um restaurante no guia Zagat ou uma aplicação financeira no Consumer Reports”

É complicado você reduzir um filme à uma notinha qualquer. Até porque tem muita coisa envolvida ali, tanto no cineasta quanto no impacto catártico no telespectador.

Enfim, excelente texto.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 17:02

Scorsese sempre fazendo tudo, né? Reizinho sensato é assim mesmo ❤️

O que o povo se esquece é que Rotten, Metacritic, IMDB, Letterboxd e tantos outros agregadores são apenas UMA FACE de métrica e dizem UMA (de muitas) possibilidades sobre um filme. Às vezes bate de tua opinião condizer com a opinião dos que votaram ali, mas é aquilo: experiência e leitura da obra. Não dá pra botar essas notas no altar e achar que elas são a opinião definitiva sobre a qualidade ou falta de qualidade de uma obra.

Uma das coisas que mais me faz rir é quando uma samambaia vem aqui e diz assim:

NONNNNSA, TODOS OS SITES GRINGOS ESTÃO DANDO NOTA ALTA, O ROTTEN ESTÁ DANDO NOTA ALTA, MEU YOUTUBER FAVORITO E O IMDB ESTÃO DANDO NOTA ALTA, TODO MUNDO ESTÁ DANDO NOTA ALTA, SÓ VOCÊ DEU 2 ESTRELAS

hauahuahauhuahuahauahauhauahuahauhauahuahauhauahauhauahauhau
Como se isso quisesse dizer alguma coisa específica além da óbvia discordância. Tipo: “é assim que funciona, amore. Desde criança eu sigo os ensinamentos de mamãe: eu não sou todo mundo“.

Responder
Henrique Braga 27 de fevereiro de 2020 - 15:53

O que eu gosto daqui é a diversidade de cada opinião. Quando vcs analisam uma série ou um filme, isso é opinião de vcs, com base naquilo que vós acredita. O problema do ser humano hoje é “mimimi” tudo é motivo de ser contra, é muitas vezes sem argumentos. Aqui é um lugar onde pessoas gostam de ler, gostam de tirar um tempo é ter opiniões diferentes das suas. (Ex: Top 100 das séries, não concordei com maioria, é ai ? ) vcs colocaram a opinião de vcs com base em todo um histórico. Quantas vezes fui assistir um filme com uma boa critica aqui e achei o filme ruim. respeitar e aprender é o que faz dessa pagina ser o que é ! Agradeço vcs por tantas vezes naquele check-in, no no Metrô me fazerem ler algo com conteúdo.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 16:23

A beleza do contato que estabelecemos aqui no PC com vocês, leitores, é justamente essa troca. Eu já perdi a conta de quantas vezes já levei semanas discutindo sobre um determinado filme e tudo respeitosamente, procurando mostrar cada pensamento. Até mesmo as discordâncias mais pentelhas são legais porque dá a oportunidade de ser irônico e eu amo isso. O que não suporto é o tipo de ignorante orgulhoso, saca? A desgraça não sabe absolutamente nada do que está falando, não consegue sequer construir um argumento que justifique a opinião e ainda quer cantar de galo no poleiro dos outros. Aí não dá… Sem contar os que chegam e fala: “nossa, deram uma nota 3 para um filme ano retrasado e agora deram nota 5 para esse filme? O site deveria ter uma unidade“. HAUAHUAHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUAHU

Até explicar que o Plano Crítico é um site de críticas e não um agregador de notas, a pessoa já está procurando terapia por conta da minha primeira patadinha gostosa.

Responder
JGPRIME25 27 de fevereiro de 2020 - 21:13

Obrigado por esse texto.

Acho que eu vou abandonar notas. Eu odeio como toda vez em que eu assisto algo, eu já penso na nota em que darei, antes do término da obra.

Responder
JC 27 de fevereiro de 2020 - 14:12

Tô com uma puta enxaqueca, então ler o texto foi ruim pra dedeu, mas tive de comentar algo, isso me lembra aquelas conversas:
“Aim, mas o filme é foda!”
E aí alguém tem aquele argumento esmagador de corações:
“Mas EU não gostei”
“Aim, mas veja a luz o sol a camera o ator o diretor a trilha”
“Mas EU não gostei”

Basicamente parece ser blasfêmia não gostar de alguns filmes mesmo que você aceite que tudo mais é legaus.

PS: Exceto Mulholland Drive, Assassinos por Natureza, Dark Knight, Blade Runner 2049, Mr Robot…esses todos tem de gostar 😛

AHHAHAAHAHAH

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 15:27

Não é? O pior é quando quem não gostou só quer paz: não quer discutir, não quer explica, não quer nada. Quer PAZ. Eu defendo a seguinte ideia: NINGUÉM tem obrigação de justificar nenhuma opinião, desde que não queira discutir sobre ela. Se alguém pergunta, você responde e pronto, sai, vai viver a vida. Nesse caso, a opinião é só uma opinião e ela pode ser tudo: apaixonada, vazia, incorreta, correta, justificável, infame, etc. Agora, se a pessoa quer discutir sobre algo, se ela não quer paz, ela tem por obrigação fornecer algo além do próprio umbigo.

Mas sempre tem isso mesmo, inclusive entre nós da área. O tanto de olhar torno que eu já tomei quando digo que acho A Árvore da Vida um filme medíocre e Roma um filme okzão, você não tem noção. E tá tudo justificado lá nas críticas. Mas aí, nãaaaooooooo, não pode não gostar, ora! HAHAHHAHAHAHAHAHAHAH. Vi um povo descer a lenha em uma porrada de colegas que não gostaram de Bacurau. Eu, por exemplo, adorei o filme, mas isso não significa que todos os críticos do mundo devem gostar também, né. Enfim… é uma doença esse troço. E acho que é a raiz toda vez que vamos discutir arte. Os ânimos se atiçam.

P.S.: se alguém chegar para mim e dizer que não gostou de Mr. Robot, eu já vou tirando a navalha debaixo da língua… “repete o que cê disse, repete!“. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Responder
JC 27 de fevereiro de 2020 - 15:53

Eu gostei de Árvore da Vida, mas não é a última maravilha.
Roma mesmo como já disse, eu dormi e nem voltei ainda….
Rapaz, Bacurau é muito muito bom. Não é meu predileto. ehehehehehe. Mas é muito bom.

Quer ver….Harry Potter, não vi, não quero ver, e não verei. Quanta gente enche meu saco com isso…..

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 16:20

VOCÊ NÃO VIU E NÃO QUER VER HARRY POTTER???? COMO ASSSIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM????

HAUAHAUHAUHAUAHUAHAUAHUAHAUAHUAHAUAHUAH

Responder
JC 27 de fevereiro de 2020 - 16:21

Não sei porque eu tenho quase certeza que você falou com a mais fina das ironias!

aieheaiueaiueahiueahaieuhaeiu

Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 17:02

IRONIAAAAA????? EEEEEUUUUUUUU???

COMO OUSAS, Ó, PAGÃO NOJENTO, ME INSULTAR COM TAL ATRIBUIÇÃO?
https://uploads.disquscdn.com/images/b6b467ea02acc6633a2d69fe635054c38f9065e86afa4610e8222c11aaa8e4d4.jpg

Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 18:09

O VO MATÁ TIMÓTEO CAÇADOR!!!

JC 28 de fevereiro de 2020 - 07:08

Crítico prepopentIUS QUE sE acHARIUs
Aqui é UM SAiTY de FamiliCIA, NAUm Poude bRIGá de VárinhA!
XEU FEIO

Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 28 de fevereiro de 2020 - 11:23

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Cleison Miguel 28 de fevereiro de 2020 - 12:49

não viu Harry Potter???

Avada kedavraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Responder
JC 29 de fevereiro de 2020 - 15:15

E nem quero, apenas porque não me interessa e acho tedioso mesmo sem ver.

😀 https://media0.giphy.com/media/mIZ9rPeMKefm0/giphy.gif

Matheus Felipe 27 de fevereiro de 2020 - 13:50

Post bacana, mas o que me achou atenção foi que algo realmente levou zero neste site (47 Ronins) kkkkkkk, nem Arrow conseguiu.
A questão das estrelas é importante para ressaltar a opinião definitiva do crítico, pois tem certas críticas que, mesmo lendo o texto, não fica tão claro se o redator gostou ou odiou. O feio é achar que a opinião de alguém é um fato ou tentar tirar satisfações do pq um filme recebeu nota menor que outro.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 14:11

Arrow levou lixo atômico HAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAAHHAHAHAHA

Responder
Matheus Felipe 27 de fevereiro de 2020 - 14:12

Agora que fui rever, realmente, é pior que nota zero Rsrsrsrsrsrsrs. Mas minha frase ainda está correta, Arrow nunca levou nota zero.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 14:19

É aquele ditado: sempre pode piorar! 😀

Responder
Cleison Miguel 27 de fevereiro de 2020 - 11:58

hahahahahahahahahaha, adorei o texto, quase dá nó na cabeça… fico imaginando (eu sei que eles não leem nada que tenha mais do que três parágrafos de quatro linhas) as novas gerações tendo que reler a introdução para entender algo do que você quis dizer.

Dito isso, meu caro Luiz o senhor está querendo BOM SENSO em um mundo em que isso é mais raro do que ganhar na mega sena… vai ser difícil, mas valeu pela tentativa e pelas risadas altas aqui.

Abraços

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 13:29

Pois é, meu velho, a gente tenta, a gente tenta. Vai que dá certo? HAHAHHAHAAHAHAHHAAAHAHHAHAHAHHA

Responder
Leonardo Sette Pinheiro 27 de fevereiro de 2020 - 10:48

Opa opa Luiz gado dos nossos corações…. sem estrelas nas notas não leio mais….

Você deve classificar todas suas criticas, tabelar e criar um ábaco para suas notas para assim então criar seu “rotten cocozation” e dominar o sub-nincho da obscuridade.

Introdução a parte, ao longo do tempo que acompanho e as vezes converso sobre no site sempre tem discórdias e reações inesperadas dos leitores vs critica / crítico.

Porém as premissas básicas de uma crítica audiovisual, ao meu ver, se dividem em:

* técnica (fotografia, trilha, plots, etc);

* e a própria opinião de quem assiste… e nisso existem camadas infinitas a serem consideradas (expectativas, gosto, contexto de vida de cada um, realidade de cada um, etc²³³³³) e é aqui que as coisas se complicam… fans, hatters, cegos, flamers….
e nisso poucos conseguem ser sensatos e o resultado … bom o resultado gerou esse texto e outros textos passados…

abraços

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 10:59

É exatamente por esse caminho aí! E nesse bolo cabe um montão de coisas! É como falei com o Álvaro aqui abaixo: a gente acaba discutindo sobre isso vez ou outra (é tipo procurar significado para Um Cão Andaluz, como o Ritter disse), mas o que importa mesmo não é perder tempo discutindo filosoficamente sobre a quantidade de estrelas que o filme merecia e sim o texto que (talvez) sustenta essa constelação aí. Mas ainda assim, em momentos isolados, acho que esse tipo de papo até vale. Agora comparar estrelas de um filme para outro OU estrelas que o Ritter deu para um filme e que EU dei para outro, aí é de cair o cu da bunda…

Responder
Leonardo Sette Pinheiro 27 de fevereiro de 2020 - 11:00

e isso acontece demais… ainda mais nas criticas que voces fazem de filmes blockbuster, uma sem spoiler e outra com, eu adoro ler e comparar os “sentimentos” de cada crítica pq acaba sendo duas pessoas diferentes que fazem…. e ta ok.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 11:02

E é bom pra gente também. Porque mesmo que a gente xingue o colega e já prepare os papéis da demissão (hehehehehehehehehehe) a gente passa a considerar novo ponto de vista sobre aquela obra.

Responder
Gabriel Carvalho 27 de fevereiro de 2020 - 11:58

Não se divide. Tudo é opinião.

Responder
Gabriel Filipe 28 de fevereiro de 2020 - 02:28

Vc por aq novamente. Que pena que saiu do site

Responder
Michel Gutwilen 28 de fevereiro de 2020 - 12:50

Oi, Leonardo, venho discordar respeitosamente. A base da crítica cinematográfica não é se divide entre a técnica e opinião, nem falar dos elementos da técnica separadamente. Eu escrevi um longo comentário lá em cima, convido você para ler e entender melhor o que estou falando 🙂 Abs

Responder
Leonardo Sette Pinheiro 5 de março de 2020 - 09:57

Confesso ter sentimentos conflitantes, porém um caso me vem sempre que penso nessa separação. O filme A Chegada se mostra, ao meu ver, muito bem realizado em fotografia, trilha, etc porém tirando a parte técnica eu não vejo o tanto que outros veem no filme (não me apedrejem Ritter e Luiz). Irei ler seu texto com certeza.

abraços.

Responder
FabioRT 27 de fevereiro de 2020 - 10:48

Cara..eu acho notas de 1 a 10 até pior. Eu gosto simplesmente do: Ruim, Razoável. Bom e Ótimo. (talvez incluindo o péssimo e o muito bom…mas aí já acho que começa a ter muitas subdivisões). Enfim…não é fácil..como você mesmo disse. Abraços

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 10:59

Eu te entendo…
E não é fácil mesmo não.

Responder
Cahê Gündel 🇦🇹 27 de fevereiro de 2020 - 10:33

Que maravilha voltar do Carnaval pra vida real e me deparar com esse texto maravilhoso. Adorei, Luiz, vou dar 3 estrelas e meia mais um asteroidezinho pra ele.

PS: Fiquei com vontade de assistir ao filme dos palhaços

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 10:48

@cahegundel:disqus, meu consagrado, VEJA Palhaços Assassino! É um rtash hilário e maravilhoso! HAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHHAHHAHAHAH

Fiquei emocionado com o meio asteroidezinho na minha nota! Fofo!

Responder
Álvaro Costa 27 de fevereiro de 2020 - 09:54

Eu ia ler o texto, mas como vou saber se vale a pena já que não tem estrelas para quantificar a qualidade como eu quero? AHUAHUAHUA

Eu realmente comparo o texto com a quantidade de estrelas para tentar entender o que foi mais relevante para o autor, e vejo o quanto impactaria na minha forma de apreciar a arte. Concordar e discordar, principalmente quando se fala de arte, faz parte da beleza da vida.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 10:48

Estrelas não importam. Como eu disse, é um charme didático que a gente usa para “facilitar” um resumo de opinião para a maioria. O que importa mesmo é o texto e as concordâncias e discordâncias, essas sim, devem vir a partir dessas ideias. MAS a gente sabe como o mundo funciona. E vira e mexe brigar por estrelas é a pauta do dia. Bom, desde que não seja comparação tabulada de estrelas, acho que tá valendo. 😀

Responder
planocritico 27 de fevereiro de 2020 - 07:45

Quer dizer que eu não vou precisar mais passar dois dias inteiros depois de elaborar a crítica só para comparar as estrelas com todas as outras 3 mil críticas que escrevi e publiquei????????!!

Um mundo novo se abre para mim…

Mas você não explicou o que acontece quando alguém compara a nota em estrelas do crítico X com a nota em estrelas do crítico Y em outro filme!!!!!

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 10:48

HAUHAUAHUAHUAHUAHAUHAUHAUHAU rapaz, comparação de estrelas em críticas feitas por pessoas diferentes merece um OUTRO Plano Polêmico. Tempos atrás teve um aqui que veio reclamar que as minhas críticas não combinavam com as críticas do Rafs sobre AHS. AHAHAHHAHAHAHAHAHAH

Responder
Here's Johnny 28 de fevereiro de 2020 - 12:51

Isso é totalmente off-topic, mas me lembrou de um membro da Microsoft Brasil reclamando que um site deu uma nota 6 para Donkey Kong e um 9 para a versão desse mesmo jogo no switch, falando de falta de coerência… Sendo que as notas foram dadas por pessoas diferentes kkkkkkkk foi a maior vergonha que já vi uma pessoa da indústria passar.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 28 de fevereiro de 2020 - 17:55

HAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAU MEU DEUS DO CÉU!!!!

Responder
Cleison Miguel 27 de fevereiro de 2020 - 11:58

Acredito que deva ser colocado um padrão obrigatório aos críticos daqui, que devem reavaliar semestralmente todas as críticas para saberem se estas últimas estão comparativamente equilibradas com as outras 3 mil passadas.

Só penso assim, seria um trabalho edificante para todos e evitaria questionamentos de usuários/leitores….. rs

Responder
planocritico 27 de fevereiro de 2020 - 13:29

Estamos pensando em não só mudar para notas de 0 a 10 como permitir logo três casas decimais para maior precisão!

Abs,
Ritter.

Responder
Cleison Miguel 27 de fevereiro de 2020 - 15:53

excelente, espero que entre em vigor logo, não suporto mais essa falta de padrão adequado nas estrelas concedidas.

Responder
Cleison Miguel 28 de fevereiro de 2020 - 12:49

Excelente notícia, favor implementar este novo formato imediatamente, não suporto mais tanta imprecisão…. rs

Responder
Stella 27 de fevereiro de 2020 - 02:41

Parabéns pelo texto Luiz muito bom. Não esperava menos de um site obscuro de nicho kkkk

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de fevereiro de 2020 - 02:42

Muito obrigado, minha querida! A gente precisa manter o nível da obscuridade nichada, né? HAHAHAHAHHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAA

Responder
Stella 27 de fevereiro de 2020 - 02:44

kkkkkk sim

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