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Plano Polêmico #44 | Devemos Cancelar Monteiro Lobato?

por Leonardo Campos
1481 views (a partir de agosto de 2020)

A cultura do cancelamento consiste em expor um fato, geralmente pelas redes sociais, tendo em vista anular, suprimir, excluir, negar, em linhas gerais, tornar sem efeito, a existência de uma figura pública. Ligado ao termo trending topies, isto é, assuntos do momento, o cancelamento é visto por seus apoiadores como uma estratégia de ajustes da ordem social e, no caso de figuras não recentes, mas ainda presentes em nosso imaginário, de reparações históricas, tal como ocorreu nos últimos anos com a figura de Monteiro Lobato, ovacionado no campo da literatura infantojuvenil, mas execrado pelo tratamento aos personagens negros, posturas racistas consideradas inaceitáveis em nossa atual conjuntura social. Se olharmos mais detidamente, há o lado bom do cancelamento, pois temos na prática, a oportunidade de colocar algumas questões em seu devido lugar e demonstrar que determinados comportamentos, tais como o machismo, a homofobia, o racismo, dentre outros. Há, no entanto, a preocupante negação do debate por muitos envolvidos na cultura do cancelamento, pois essa suspensão não deveria ser algo vitalício, afinal, a ideia racional seria “vigiar”, “punir” e depois disso, permitir que o cancelado tenha aprendido uma lição com o seu erro e dado continuidade ao seu direito de existir.

Se Monteiro já não está entre nós, como se defender desse cancelamento após o autor ter se tornando um trending topies acirrado na última década? Até projeto de lei foi esboçado para impedir a distribuição de seus livros pelo Ministério da Educação. Coube aos pesquisadores, críticos literários e até mesmo aos habitantes da esfera virtual pública estabelecerem o debate que tem como direcionamento, o título desse texto: devemos ou não cancelar Monteiro Lobato? Para alguns, o linchamento e a degradação visam impedir que a obra do autor circule no âmbito educacional e forme leitores racistas. Enquanto uma parcela favorável ao cancelamento busca negar a existência de Monteiro Lobato como agente literário no preâmbulo do século XX, tornando-o um “apedrejado”, por outro lado, há quem acredite que a solução é não apagar os rastros de sua literatura, mas mantê-la presente para a formação de leitores críticos e mais ativos, problematizada por professores devidamente preparados. Em um mundo que vive constantemente em processos de desconstrução, aparentemente não é mais tolerável o racismo, o sexismo e outras posturas. Mas, será que cancelar é mesmo o melhor caminho?

Brasil, Uma Nação de Cancelados!

O Brasil é uma nação de cancelados. Alessandra Negrini, por exemplo, foi criticada quando utilizou uma fantasia indígena, escolha considerada inapropriada por alguns grupos. Atualmente, qualquer BBB que haja incorretamente ou deixe transparecer algum preconceito, algo que a psicologia social dos estereótipos já comprovou ser inerente aos seres humanos, mas controlado nos impulsos que regem as relações cotidianas. Karol Konká e Sarah, cada uma dentro de sua perspectiva, foram linchadas publicamente após a eliminação no famoso reality show. Regina Duarte, após alguns surtos e envolvimentos com a pedagogia do ódio e da falta de bom-senso que permeiam a nossa mais recente e desastrosa gestão política brasileira, tornou-se forte candidata ao cancelamento e recebeu “empurrões” e “cusparadas” virtuais em 2020. A resposta de Nego do Borel para a postagem elogiosa da transexual Luísa Marilac gerou buscas pelo botão do cancelamento nas redes sociais recentemente. Anitta, ao chamar o artista para o seu palco, também foi alvo de cancelamento, como se compactuasse com a postura errônea de Borel. MC Biel, ao chamar uma jornalista de gostosinha durante uma entrevista, foi cancelado na internet.

Lá fora, a coisa também não é diferente. Woody Allen, cineasta de longa carreira, provavelmente não consiga mais filmar nada, tamanha a ojeriza diante dos supostos casos de abuso sexual e pedofilia, potencializados pelo #metoo. J. K. Rowling, a famosa criadora do universo de Harry Potter, também foi dizimada por comentários transfóbicos. O termo cancelamento, sabemos, caminha mais conectado com debates acirrados nas redes sociais e na internet de forma geral, mas tomei emprestada a abordagem para associar ao movimento de busca por exclusão, algo que também pode ser pensado como cultura do cancelamento, envolvendo o criador de um dos maiores acervos da literatura juvenil em território brasileiro: Monteiro Lobato, ponto nevrálgico de nosso texto, um dos escolhidos para ter abertura de processo e julgamento nos tribunais da internet. Nas polêmicas mais recentes em torno de sua obra, algo que vem ganhado bastante força com a imposição legítima dos militantes do Movimento Negro, temos uma questão norteadora: devemos cancelar a obra de Monteiro Lobato, considerada nociva para a formação das identidades de muitos leitores das gerações recentes?

Um Estudo de Caso do Racismo na Obra de Monteiro Lobato

Há quem o venere. De fato, Monteiro Lobato, o escritor, entregou ao nosso imaginário cultural, uma série de produções literárias interessantes. Personagens bem delineados, humor constante, fábulas moralizantes ideais para o direcionamento pedagógico de sua obra, mas também é um dos acusados do nosso atual e militante tribunal da internet, espaço que há algum tempo, tem discutido a legitimidade do conjunto de narrativas ficcionais desse autor que defendia a criação de uma Ku Klux Klan no território brasileiro, além de ter retratado Tia Anastácia e outros personagens afro-brasileiros pelo perigoso viés do racismo. Para alguns, ler Monteiro Lobato na escola pode criar estigmas nas crianças negras, pois as instâncias de representação são perturbadoras. Por outro lado, há quem defenda a leitura com posicionamento crítico, mas sem o apagamento das marcas do autor, como muitas leis outorgaram nos últimos ano.

Numa interessante roda de conversa entre Marisa Lajolo e Lilia Schwarz, realizada pela editora Companhia das Letras, as pesquisadoras debateram a exclusão da obra de Monteiro Lobato, proposta por alguns políticos militantes, conversa que também versou sobre o apagamento realizado pela mudança de termos da época e explicações em nota de rodapé, escolha de encaminhamento para os leitores que na visão das especialistas, fere os princípios de formação de cidadãos mais críticos e autênticos, algo tão preconizado pelos discursos contemporâneos das metodologias ativas de ensino e aprendizagem. Lajolo, num dos momentos, questiona se teremos, então, que transformar as personagens femininas submissas do século XIX, salvaguardas as comparações entre o machismo e o racismo no discurso da debatedora. Salvaguardas as devidas proporções, há alguns pontos coerentes na articulação de Lajolo.

Noutro momento, desta vez, para um editorial da Nova Escola, a especialista, agora sozinha, expôs as suas considerações sobre esse movimento de exclusão do escritor Monteiro Lobato, comportando-se um tanto diferente do evento para a Companhia das Letras. No intenso tribunal de acusações contra a postura literária do escritor, Lajolo, merecidamente reconhecida como uma especialista em estudos literários, em especial, por sua atuação no campo de produção infantojuvenil, se comporta como uma espécie de advogada de defesa do responsável por tantas obras, dentre elas, Caçadas de Pedrinho, alvo de maior destaque para o cancelamento mais recente do escritor, haja vista o tom altamente racista da publicação. Para a pesquisadora que é parte integrante do corpo docente da UNICAMP, Monteiro Lobato mudou a sua postura ao longo da vida e pelas cartas devidamente registradas em acervos, podemos acompanhar a sua evolução. Ademais, ele já chamava outros personagens dos seus livros de “macaco e macaca”, não apenas Tia Anastácia. A sua defesa em relação ao movimento eugênico da época, também, deve ser refletida diacronicamente, com base na linha de pensamento da época.

Como professor de literatura, reforço que o disfarce com a mudança de termos nas edições mais atuais de alguns livros do autor promove um equívoco na formação do leitor, haja vista a necessidade de estabelecimento de estratégias que fomentem o senso crítico. O que é preciso fazer, neste caso, não é promover o cancelamento efetivo da figura de Monteiro Lobato, tornando a sua existência nula, sem sentido, suprimida e negada em nossa rica história literária. Tudo bem que a figura supostamente simpática que tínhamos na época escolar, a alegria diante das homenagens do criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo e das peripécias de Emília em tantas outras trajetórias literárias, neste momento, deve ser cautelosa. O criador deste universo de beleza, transformado em série televisiva marcante para numerosas gerações, precisa sim ser levado ao tribunal das problematizações contemporâneas, mas jamais esquecido e apagado.

Ao contrário, Lobato deve continuar em seu lugar de agente de discurso do que a história literária chamou de pré-modernismo, época conhecida pela organização da cultura para o que viria a ser, posteriormente, o modernismo, período com fases diversas e ebulição intelectualidade e na produção artística brasileira, em especial, nas artes plásticas. O ato de ler Monteiro Lobato não deve ser algo excludente no percurso dos jovens estudantes em formação de caráter e identidade. É preciso investir na preparação dos professores, na inclusão de prefácios e posfácios para filosofar junto ao leitor, sobre a obra a ser lida, mas nunca apagar os rastros, pois nesta perspectiva, deixaríamos de compreender o que de alguma forma, ficaria latente numa superfície frágil, a curiosidade humana, pronta a descer para o convés da obra de Monteiro Lobato a qualquer momento. Desta forma, creio que não devamos cancelar o autor, mas tornar a sua produção literária um tema de problematizações. E você, leitor, o que acha?

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33 comentários

João 1 de maio de 2021 - 08:35

Pegando a parte do texto em que se referiu á Regina Duarte eu gostaria com sinceridade que o autor do texto me disesse, por gentileza, a sua opinião de uma fase em nosso país em que a gestão política estava organizada, correta e sem nenhum problema? Em qual governo seria esse? Por favor, gostaria que respondesse com sinceridade.

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Thaisa Felton 27 de abril de 2021 - 23:13

O preço que artistas e influênciencers pagam devido a fama e a exposição da vida pessoal e profissional acabam acarretando o desgaste físico e mental. Muitos artistas se consideram bem sucedidas por terem o “emprego dos sonhos”, por conquistarem fama e dinheiro. Mas estão ficando doentes sem saber o porquê.
Cada vez mais médicos, professores, jornalistas e muitos outros profissionais estão à beira de um colapso e enfrentam doenças como o Burnout, Ansiedade, Depressão e Estresse. Será que dinheiro, poder e fama vale sua saúde mental e física?. Precisamos agir com inteligência emocional para conseguir calcular os riscos que assumimos ao tomar decisões importantes em nossas vidas. Só assim vamos descobrir quais são as cartas em jogo e se, aquilo que estamos negociando, uma grande oportunidade de trabalho ou uma promoção, por exemplo,faz sentido para a nossa vida ou se estamos sabotando a nós mesmos.

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Marielly Rocha 27 de abril de 2021 - 19:46

A cultura do cancelamento está cada vez mais presentes nos dias atuais, na maioria das vezes levantando pautas importantes, que pra muita gente é “mimimi”. O que pra muitos não foram notório ao decorrer dos conteúdos de Monteiro Lobato, pra outros foram motivos de reflexão. Mas até que ponto podemos cancelar ou não alguém?. Na minha percepção a palavra cancelamento seja algo muito forte para dizer ao outro, por mais que cometesse erros, como dito no comentário anterior dessa matéria, muitos de nós cresceram assistindo as produções de Monteiro Lobato e nem por isso nós tornamos pessoas preconceituosas, ao menos no meu caso. Vivemos em mundo onde estamos em constante aprendizagem, nada melhor que educar e ensinar alguém em vez de cancelar. No caso das obras de Monteiro Lobato serve de reflexão para ensinamento, pois há alguns anos atrás não imaginaríamos que tal cena, tal conteúdo de suas obras poderia ser motivo de debates nos dias atuais, estamos em constante aprendizagem, não é cancelar uma obra do autor, cancelar uma pessoa não é benéfico a ninguém, é rever os erros e poder aprender e ensinar de uma forma diferente. Não cancelaria o Monteiro Lobato.

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Breno (o peruibense) 23 de abril de 2021 - 02:00

Cancelamento do Monteiro Lobato? Me pergunto se no Japão alguém fala em cancelar o célebre Osamu Tezuka, o mangaká criador de Kimba, o leão branco, A Princesa e o Cavaleiro e outros mangás cuja as adaptações em Anime fizeram um baita sucesso aqui no ocidente, e que hoje seriam acusadas de muitíssimas incorreções políticas. A simples ideia seria absurda, mas no Brasil a lacração atingiu níveis estratosféricos, a ponto de se tentar destruir a cultura literária brasileira (isso seria só o começo) com a desculpa de que assim a nação será “menos preconceituosa”. E pensar que já tentaram “cancelar” o autor nos anos trinta, quando o acusaram de não respeitar a Igreja católica nos primeiros livros do sítio, a ponto de ter reescrito alguns. Mas literatura de verdade é assim, em qualquer época, sempre incomodará alguém, e nem sempre pelos mesmos motivos, Dante Allighieri que o diga: a Divina Comédia acumula séculos de diversas polêmicas e uma popularidade que incomoda aos críticos.

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Breno (o peruibense) 1 de maio de 2021 - 13:35

Até agora dois lacradores me deram deslike. Para eles o Brasil será “melhor” se um dos mais populares e talentosos escritores brasileiros for “cancelado”.

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Ludmila silva 22 de abril de 2021 - 21:46

Eu concordo com a ideia que não devemos cancelar Monteiro Lobato e as suas obras, até porque como o próprio texto cita, o cancelamento é uma maneira que encontramos para trazer a mudança de comportamentos dos indivíduos envolvidos nas histórias. Como Monteiro não se encontra presente para retratação, podemos utilizar as suas obras de maneira critica, afinal de contas, as suas obras, foram grandes responsáveis por formar muitos estudantes de maneira positiva. Com isso, podemos utiliza-las de maneira consciente, trazendo sempre os pontos positivos de cada uma delas.

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Breno (o peruibense) 22 de abril de 2021 - 22:00

Cancelamento do Monteiro Lobato? Me pergunto se no Japão alguém fala em cancelar o célebre Osamu Tezuka, o mangaká criador de Kimba, o leão branco, A Princesa e o Cavaleiro e outros mangás cuja as adaptações em Anime fizeram um baita sucesso aqui no ocidente, e que hoje seriam acusadas de muitíssimas incorreções políticas. A simples ideia seria absurda, mas no Brasil a lacração atingiu níveis estratosféricos, a ponto de se tentar destruir a cultura literária brasileira (isso seria só o começo) com a desculpa de que assim a nação será “menos preconceituosa”. E pensar que já tentaram “cancelar” o autor nos anos trinta, quando o acusaram de não respeitar a Igreja católica nos primeiros livros do sítio, a ponto de ter reescrito alguns. Mas literatura de verdade é assim, em qualquer época, sempre incomodará alguém, e nem sempre pelos mesmos motivos, Dante Allighieri que o diga: a Divina Comédia acumula séculos de diversas polêmicas e uma popularidade que incomoda aos críticos.

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Rafael 22 de abril de 2021 - 16:14

Esse texto tá muito bom , parabéns ao autor . Acredito que tudo tem que ser discutido e debatido em prol de chegar a uma solução aceitável e a cultura do cancelamento vai contra isso, não existe um debate , uma troca de informação .O cancelamento acaba nos trazendo um retrocesso , justamente pelo fato de apagar em sua totalidade uma obra, um autor ou uma pessoa . Algum tempo comentei sobre isso e vou copiar e colar aqui uma parte “…Enfim , vejo da seguinte forma , quando eu era criança existia um chocolate que era no formato de cigarro e era normal naquela época você ” brincar de fumante” com esse chocolate . Não digo que é certo , não digo que se um filho meu se arriscar a fazer tal brincadeira eu vou ficar tranquilo, vou ficar bem incomodado e certamente vou orientar o pq não se deve brincar assim . Era outra época e as obras feitas nessa época quando trazemos para os dias atuais é normal gerar uma polêmica e levantar questionamentos , porém tudo deveria ser debatido e analisado . Essa onda de cancelamento (não digo de forma ofensiva) acaba arrastando muitas coisas sem ao menos ter uma chance de discussão , as vezes você já vê uma matéria ou uma pauta já decretando o cancelamento imediato,saca? Em resumo em quase tudo se você parar pra procurar um motivo e uma falha para ser de certa forma cancelado , certamente vai achar inúmeras e o que for considerado no padrão 100% politicamente correto hoje , daqui 5, 10 anos vai cair também no cancelamento . Os valores do “aceitável” tem um prazo curto e está sempre sujeito as mudanças e sinceramente chega a ser insano querer impor o que pode ser visto e o que não pode , sendo que cada um tem a liberdade de querer ou não consumir tal produto .”

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Andressa Gomes 22 de abril de 2021 - 01:23

Eu acho que não deveria ser cancelado. Eu cresci lendo as histórias no colégio e minha mãe me deu o livro da Emília para ler e nem por isso influenciou em meu modo de ver e achar o racismo. Afinal, o que tornar alguém racista não é o livro por si só e sim adultos pensantes que influenciam as crianças.
Acho que seu livro era para ser debatido e mostrar os pontos negativos e fim. O que acho curioso é que querem cancelar um livro como se isso solucnionasse todos os problemas da sociedade. Estamos em constante mudança e aprendendo mais sobre os assuntos e pautas.
Essa atitude é só a ponta do iceberg e me incomoda como debates racistas por essa galera do twitter sejam tão superficiais e rasos, como se cancelar X pessoa por ter tido atitude fosse mudar alguma coisa.

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ricardo 21 de abril de 2021 - 22:09

Esta besteira de cancelamento so virou por causa principalmente da cultura de ficar o dia inteiro cuidando/seguindo a vida dos pseudo famosos,BBBs,pseudo artistas,enfim o povo esta sendo induzido a se achar importante por cancelar /ofender outras pessoas famosas.Cancelar Monteiro Lobato que perda de tempo,ao invez de se valorizar um escritor que produziu tantas obras e personagens classicas,o brasileiro prefere cancela-lo e continuar idolatrando Anitas,BBBs,entre varios outros pseudo artistas. Se as pessoas fossem ensinadas a pensar por si propria,poderiam ler um livro e absorver o que tem de bom e o que tem de ruim apagar.

Responder
Lara Emanuelle 21 de abril de 2021 - 21:45

Visto que, Monteiro vivia numa sociedade onde evidentemente não eram reconhecidas atitudes racistas, cancelar o escritor por completo não é um ato viável, já que o acesso a informação era limitado e quase não repassado. Entender o contexto é de extrema importância pois, talvez Lobato não fosse racista por escolha. Todavia, é importante ressaltar que, sendo ou não sendo racista por opção o racismo existe e não deve ser escondido. Suas obras devem continuar nas bibliotecas para que, os leitores aprendam com seus erros e, é importante suscitar debates de conscientização sobre essa questão.

Responder
joao pedro teles 21 de abril de 2021 - 21:31

Acredito que seja desnecessário utilizar o cancelamento e simplesmente esconder toda essa questão. Seria mais vantajoso como o próprio texto aborda, trazer essa discussão a tona para formar pensamentos mais críticos e não apenas empurrar essa situação com a barriga e após o cancelamento simplesmente deixá-la de lado.

Responder
ricardo 21 de abril de 2021 - 18:09

Esta besteira de cancelamento so virou por causa principalmente da cultura de ficar o dia inteiro cuidando/seguindo a vida dos pseudo famosos,BBBs,pseudo artistas,enfim o povo esta sendo induzido a se achar importante por cancelar /ofender outras pessoas famosas.Cancelar Monteiro Lobato que perda de tempo,ao invez de se valorizar um escritor que produziu tantas obras e personagens classicas,o brasileiro prefere cancela-lo e continuar idolatrando Anitas,BBBs,entre varios outros pseudo artistas. Se as pessoas fossem ensinadas a pensar por si propria,poderiam ler um livro e absorver o que tem de bom e o que tem de ruim apagar.

Responder
joao pedro teles 21 de abril de 2021 - 17:31

Acredito que seja desnecessário utilizar o cancelamento e simplesmente esconder toda essa questão. Seria mais vantajoso como o próprio texto aborda, trazer essa discussão a tona para formar pensamentos mais críticos e não apenas empurrar essa situação com a barriga e após o cancelamento simplesmente deixá-la de lado.

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Alan 21 de abril de 2021 - 12:51

Não

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Verônica Oliveira Suzart dos S 21 de abril de 2021 - 02:17

As obras de Monteiro Lobato, embora racistas, contribuíram muito para o movimento artístico. Assim como todo artista, ele compartilhava de um pensamento da época. Se formos analisar, todo artista tem algo para ser cancelado. Os livros dele podem ser lidos formando opiniões críticas, afinal, questões sociais, políticas e econômicas também faziam parte das suas obras. Retirar as obras dele de circulação, é banir um acervo cultural.

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Alice Evangelista 21 de abril de 2021 - 02:12

Na perspectiva sob a situação de Monteiro Lobato, considero errôneo o cancelamento por total, visto que parte do seu comportamento racista foi gerada por repetidas influências externas e internas de sua vida e a época em que vivia. Contudo, é preciso admitir que ademais a essas razões, o mesmo ainda se torna incorreto, já que possuía acesso a informações que contribuíssem em seu desenvolvimento intelecto. No que se refere a manter seus livros nos acessos acadêmicos, considero que relata o olhar dele a época e que faz os leitores a se transportarem. Porém, para os dias de hoje, em um mundo onde atitudes antirracistas são de um número reduzido, pode se tornar maléfica, já que ele reproduz situações e estereótipos em que negros ainda são a minoria e atingidas a um público que ainda compactuam com o racismo ou estão desenvolvendo suas percepções sobre o mundo, pode se tornar incentivo para reprodução do mesmo pensamento por mais décadas.

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Allan Santana 21 de abril de 2021 - 02:08

A cultura do cancelamento é tóxica conforme é aplicada atualmente.
Suas obras fizeram parte da infância de milhares de pessoas, inclusive a minha. É nítido que suas falas racistas eram naturalizadas em suas obras, e como a depreciação a pessoas não brancas eram fomentadas pelas mesmas. Obras destinadas ao público infantil que consumiam desse conteúdo e que por ser dita por personagem de sua admiração, poderiam chegar a reproduziam com naturalidade (até por que sabemos que o racismo é algo estrutural em nossa sociedade). Creio que seu cancelamento não acabaria com o racismo no brasil, mas se caso fosse construído obras em valorização de pessoas negras e indígenas que pudessem chegar nas escolas, estaríamos gerando representatividade e construção de indivíduos éticos e conscientes da reparação histórica que esse país tem.

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Rafael de Araújo Passos 21 de abril de 2021 - 01:43

Atualmente, é comum ver pessoas famosas sendo canceladas na Internet por seu posicionamento político, por palavras ditas ou algo que vai contra determinado grupo. É difícil de se pensar que um autor tão reconhecido na literatura infantil ter um posicionamento tão racista e isso tem que ser considerado e levado para além do cancelamento. Isso deve ser discutido para ter uma conscientização na sociedade sobre suas obras e o seu teor. Cancelar por cancelar não resolve a questão, debater e conscientizar, sim.

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Pedro Oliveira 21 de abril de 2021 - 01:40

O caminho não seria cancelar Monteiro Lobato e sim utilizar de todos os erros para levar reflexão e aprendizado a todos, pois são obras lendárias que mudaram o que se fazia na literatura brasileira e fascinaram diversas gerações com toda magia a cargo das histórias, o que não faz com que sejamos omissos a toda uma problemática envolvida, temos que ser ativos nesse processo mas de maneira pensante mostrando que é possível mudar esses estigmas com educação e dando exemplo do que não pode ser tolerado, utilizando como ferramenta de estudo ,fomentando o debate e extraindo o que de melhor teve da literatura do autor.

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Ronaldo Anunciação 21 de abril de 2021 - 01:24

Quem diria que a “cultura do cancelamento”, alcançaria um escritor tão renomado. Mas infelizmente, ele não está mais entre nós para sustentar uma defesa. Toda obra deve ser compreendida e também situada em seu contexto histórico. É compreensível que a nossa sociedade não tolera mais as práticas do machismo, homofobia, racismo ou qualquer outro tipo de discriminação. Os livros de Monteiro Lobato podem ser utilizados de forma pedagógica, ou seja, para orientar a nova geração sobre os pontos positivos e negativos dentro da escrita, e também sobre os termos que não devem ser extintos da literatura. Não sou a favor de apagar sua existência, que de certa forma, estão traduzidas em suas obras.

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Maryana Coelho França Da Rocha 21 de abril de 2021 - 01:12

Acho intrigante quando se trata de um ícone da literatura infantil e em contrapartida seu posionamento extremamente racista, é algo que deveria ser abordado além da cultura do cancelamento, como foi dito no texto ele defendia até mesmo a criação da Ku Klux Klan no Brasil, isso fala muito além de suas obras literárias encatadoras, muito além da cultura do cancelamento, mediante as circunstância não seria de bom tom continuar a trazer sua imagem como um herói ou alguém intocável, é preciso se questionar sim e não ter medo que algo que se popularizou tanto talvez não devesse ocupar mais o mesmo espaço.

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Narjara Torres 21 de abril de 2021 - 00:51

Todos os dias alguém é cancelado na internet, mas não dura muito tempo, o cancelado sempre acha um jeito de se pronunciar e se desculpar com todos e depois fica tudo bem. Não vou negar que fui público de Monteiro Lobato, quando criança me vestia de Emília e assistia com muita alegria o desenho, por ser criança, não prestava atenção nos problemas. Atualmente, ao invés de perder meu tempo no Twitter cancelando alguém que nem me conhece, eu faço a minha parte não sendo o público dele mais.

Responder
Paloma Oliveira 21 de abril de 2021 - 00:50

A cultura do cancelamento é algo muito tóxico, que pode influenciar de forma negativa a carreira de uma pessoa, o racismo enraizado com as expressões de Maurício só reforçam a ideia e a naturalização de expressões pois o mesmo tem um público que só o vê como criador de “Desenhos infantis” ao invés de uma pessoa que incentiva a ideia da branquitude como algo superior. Cancelar não será necessário mas fundamental procurar autores que falem e abordem as diversidade para que as crianças de hoje, adultos amanhã tenha senso críticos de suas falas e ações. Assim mostrando ao mesmo (Maurício) a importância e necessidade de mostrar que existem vidas que não são brancas e que são muito importante.

Responder
Verônica Oliveira Suzart dos S 20 de abril de 2021 - 22:17

As obras de Monteiro Lobato, embora racistas, contribuíram muito para o movimento artístico. Assim como todo artista, ele compartilhava de um pensamento da época. Se formos analisar, todo artista tem algo para ser cancelado. Os livros dele podem ser lidos formando opiniões críticas, afinal, questões sociais, políticas e econômicas também faziam parte das suas obras. Retirar as obras dele de circulação, é banir um acervo cultural.

Responder
Lú Lopes Lima 20 de abril de 2021 - 05:24

A obra infanto juvenil de Lobato é meu tema de dissertação de mestrado. Durante o último ano, tenho oscilado entre um quase êxtase e o desencanto com sua obra. O desencanto naturalmente é em relação às declarações racistas.
Eu acho que nada se apaga. Nada pode ser apagado. O esquecimento é maldição para todos. Nunca uma dádiva.
Lobato foi um inacreditável humanista e patriota. O Sitio do Pica Pau Amarelo não é o Minha luta, de Hitler. Lobato é o mais fecundo fundador de nossa literatura e está em toda a parte. Se fosse possível eliminar toda sua obra, mesmo assim ele continuaria presente. E o Brasil continuaria um país racista.
Toda a obra deve ser problematizada. Lobato inclusive. Nada deve ser esquecido, mas elaborarado.

Responder
JC 20 de abril de 2021 - 03:47

É uma discussão interessante, já rolou aqui no Plano (Não sobre Monteiro..).
Bem, como não posso falar pelos outros, falarei por mim.
Eu li certamente quando era criança, assisti, e não tomei como verdades absolutas.
Mas obviamente com o passar do tempo e amadurecimento e conhecimento de outros assuntos, por si só dá pra chegar nessas conclusões dos canceladores.

Mas eu acho que é como você falou, não deve suprimir, e sim com ajuda de bons professores, qualificar e coloca-lo dentro daquele universo que ele viveu e como são as coisas hoje.

🙂

Responder
Rodrigo Costa 19 de abril de 2021 - 23:53

Os “canceladores” despontam para o anonimato. Já o Monteiro Lobato, é Monteiro Lobato!

Responder
Felipe Brandon 19 de abril de 2021 - 21:15

Eu acho desnecessário cancelar e jogar para debaixo do tapete. Porque muitas vezes o cancelamento é seletivo. Porque um artita X faz algo que “uma série de pessoas gostam”, ele é descancelado logo após. Sobretudo se o mesmo estiver em evidência.
Então, eu acho necessário sim debater, discutir para que novos caminhos sejam percorridos pela sociedade.
Excluir e ignorar a existência, para mim, é perigosíssimo porque com o debate não sendo feito, alguém vai repetir o feito e vai virar um ciclo vicioso de erros.
Tem que haver debate, discussão, conscientização. É como falar sobre Hitler. Tem que ser falado para que nunca mais aconteça tamanha tragédia. Só assim a sociedade evolui. Aprendendo com os erros. Afinal, empurrando com a barriga a montanha não move.

Responder
Matheus mathinho 19 de abril de 2021 - 17:35

Acho que cultura do cancelamento não existe, mesmo. Todos artistas citados continuam produzindo e tendo público cativo que consome suas obras, claro que podem ter perdido patrocínios e contratos, afinal existem marcas que não querem se associar com racistas, pedófilos e assediadores, mas todos eles ainda tem uma gorda poupança. O que vem sendo chamado de cultura do cancelamento é tão somente a consequência dos próprios atos, parece que temos pessoas dispostas a assumir essas consequências, porque artistas não estariam?

Responder
Roberval Machado 19 de abril de 2021 - 17:22

Se for cancelar todo artista que for problemático, vamos acabar cancelando quase toda a História da Arte.

Responder
Jean 🐰 19 de abril de 2021 - 16:06

Quando criança, eu ganhei uma coleção do Sítio, aquela com capas amarelas e o Saci pulando na lombada. Lembro, devia ter meus 6 anos de idade, em um momento que a Emília não quer tomar café para não ficar “preta igual a Tia Anastácia”. Na época, eu achei isso super errado, mas na minha cabeça era só o jeito da boneca de pano de tratar os outros. Claro, hoje em dia eu consigo entender que o problema pode ser maior – e vou me abster de dizer se é ou não pois tem uns 20 anos que não leio uma obra do autor.

Eu não acho que nenhum produto deva ser apagado, ao contrário. Toda obra é um produto do seu tempo, seja para o bem ou para o mal. Se é racista, indique que é. Só ver os serviços de streaming que colocam avisos em produções que tenham esse teor. Cancelar o Lobato não adiantará, visto que 1) ele não está aqui para se defender e 2) ele não aprenderá nada com isso.

Todos têm o direito de analisar uma obra e julgar se tal conteúdo é inapropriado para si ou aqueles à sua volta. Se assim o achar, fale diretamente com a pessoa ou no pior dos casos, acione a justiça. Só não faça como um ex-prefeito de minha cidade não tão maravilhosa assim. Em alguns casos, o simples boicote também pode ajudar, e aqui eu dou exemplo da Rowling. Após seus comentários recentes sobre pessoas trans, eu me abstenho de consumir qualquer produto novo dela, muito em respeito à minha namorada que faz parte desta comunidade. Isso não tira o carinho que tenho pela obra, que fez parte de minha infância e adolescência. Ao contrário, a obra está lá, feita bem antes desses comentários virem à tona e eu não vou apagar parte da minha vida por conta de uma besteira dita por ela. Claro, sou um só entre milhões que consomem sua obra, mas dou esse exemplo tendo em vista uma grande mobilização. Afinal, se não gosta, não veja.

Excluir a pessoa não vai adiantar, sem contar que é tão grave quanto, pois não sabemos os danos que isso pode trazer ao excluído (e não, não estou passando pano, só pense se você fizesse um comentário infeliz e de repente se visse excluído de todos os lugares, sem nem ao menos se defender). O povo precisa ser educado? Com certeza. Precisamos combater para que mais nenhum tipo de preconceito tenha espaço em nossa sociedade atual (e futura)? Pode apostar que sim.

Infelizmente vivemos numa época de total e completa intolerância; não importa para qual lado você olhe, parece que só isso que encontrará.

Responder
Felipe Brandon 19 de abril de 2021 - 17:15

Eu acho desnecessário cancelar e jogar para debaixo do tapete. Porque muitas vezes o cancelamento é seletivo. Porque um artita X faz algo que “uma série de pessoas gostam”, ele é descancelado logo após. Sobretudo se o mesmo estiver em evidência.
Então, eu acho necessário sim debater, discutir para que novos caminhos sejam percorridos pela sociedade.
Excluir e ignorar a existência, para mim, é perigosíssimo porque com o debate não sendo feito, alguém vai repetir o feito e vai virar um ciclo vicioso de erros.
Tem que haver debate, discussão, conscientização. É como falar sobre Hitler. Tem que ser falado para que nunca mais aconteça tamanha tragédia. Só assim a sociedade evolui. Aprendendo com os erros. Afinal, empurrando com a barriga a montanha não move.

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