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Sagas DC | Fim dos Tempos #0 a 9

por Daniel Tristao
276 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2,5

Muitos leitores têm um pé atrás com sagas da DC que envolvem viagens no tempo ou realidades alternativas, pois tem sido meio complicado acompanhar o UDC nos últimos anos, justamente por causa de sagas complexas e que exigem muito conhecimento prévio, principalmente após os reboots de cronologia. Por outro lado, um dos atrativos de Fim dos Tempos (também conhecido como “Fim dos Futuros” por aqui) é Terry McGinnis. A DC usou esta história para inserir no universo DC dos quadrinhos o personagem que foi criado para a série animada de sucesso, Batman Beyond (Batman do Futuro no Brasil).

Trinta e cinco anos no futuro, o Irmão-Olho dominou a Terra e assimilou quase todos os superseres do planeta, restando somente uma pequena resistência formada por poucos heróis. Dentre eles, o Batman (sempre ele) tem um plano para evitar esta tragédia; ele construiu uma máquina do tempo e pretende usá-la para retornar 35 anos no passado e impedir a ascensão do Irmão-Olho. Porém, os heróis são atacados e Batman é seriamente ferido. Assim, quem volta no tempo é Terry McGinnis, o Batman do futuro! Mas algo dá errado e ele retorna somente 30 anos, quando alguns eventos que ele deveria impedir já estão em andamento.

Uma boa surpresa que tive ao ler as primeiras edições é que a história é autocontida, ou seja, não é preciso lembrar-se de grandes eventos anteriores (Crises, Zero Hora, Flash Point, Novos 52, etc) para compreender a saga. A partir do momento que Terry retorna no tempo, a história avança através de várias tramas paralelas que, imagino, vão mostrar suas consequências lá na frente.

Existem muitos aspectos misteriosos, como uma guerra contra a Terra 2, invasão de Apokolips, quem é o Superman (que aqui usa uma máscara), as pistas que Lois está seguindo, etc. É uma forma de criar um clima de suspense mas, tenho que dizer, que não empolga muito até a edição #9 da publicação original. Os protagonistas são quase todos personagens secundários do UDC, que normalmente não têm sozinhos um apelo muito forte entre os fãs. Não é à toa que Nuclear, Lois Lane, Bandoleiro, Frankenstein, Gavião Negro, entre outros, dificilmente emplacam um título próprio.

Lembrando que o problema não são os personagens, mas o tratamento que se dá a eles. Há inúmeros casos de personagens menores que tiveram grande sucesso nas mãos de grandes artistas, mas, neste caso, como a trama não foca em somente um ou poucos personagens, a missão de criar empatia com o leitor fica prejudicada.

O futuro mostrado aqui, de 35 anos adiante, é interessante, talvez a melhor trama da saga. Dá vontade de saber quais outros heróis sobreviveram e também de ver o que aconteceu com o Batman após a partida de Terry rumo ao passado. Mas, infelizmente, nos dois primeiros números esta realidade serve só de introdução para a história. Espero que voltemos a ver esse tempo nos próximos números.

Senti falta também de um aprofundamento do personagem Terry McGinnis. Por ser novo nos quadrinhos, acredito que poderia ter sido mais bem explorado, dando a oportunidade dos leitores o conhecerem melhor. Sua participação se resume a sequências de ação e seus planos para evitar a dominação da Terra pelo Irmão-Olho, ou seja, poderia ser qualquer um no lugar dele. O leitor sabe muito pouco a seu respeito, o que dificulta a geração de empatia com o personagem.

Os roteiros ficam a cargo de Brian Azzarelo (100 Balas), Jeff Lemire (Sweet Tooth), Dan Jurgens (A Morte do Superman) e Keith Giffen (Liga da Justiça Internacional). É um quarteto com boa bagagem e trabalhos renomados no currículo, mas que tem o desafio de fazer funcionar uma saga que envolve boa parte do UDC, porém, sem os seus principais personagens (pelo menos até o momento).

A equipe de desenhistas é grande e com nomes pouco conhecidos; os desenhos são razoáveis, não comprometem e também não trazem elementos acima da média. Nos resta torcer para que a história engrene nos próximos números. Fim dos Tempos é uma recente maxissérie da DC, que se passa antes de Convergência e foi publicada nos EUA entre 2014 e 2015 ao longo de 49 edições (0 até 48, se não contarmos e edição #0). No Brasil, saiu em formato mensal em 10 volumes, entre 2015 e 2016.

The New 52: Futures End 0 – 9 (EUA, junho a setembro de 2014)
Publicação no Brasil: Fim dos Tempos 1 e 2
Roteiro: Brian Azzarelo, Jeff Lemire, Dan Jurgens  e Keith Giffen
Desenhos: Jesus Merino, Dan Green, Aaron Lopresti, Art Thibert, Patrick Zircher, Scot Eaton, Drew Geraci
Cores: Hi-fi
Capas: Ryan Sook
108 páginas (cada edição da Panini)

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14 comentários

Paulo Amorim 26 de agosto de 2018 - 14:53

Não posso dizer nada com respeito à crítica e nem opinar sobre a história, pois ainda não li — doido pra incluí-la na minha coleção, pelo personagem principal, pelas capas das edições especiais e pela premissa, tomara que eu goste da história e da arte também.. — então só senti falta do autor ter comentado sobre essas edições especiais (8 no Brasil)…

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Luiz Santiago 26 de agosto de 2018 - 15:23

Confira o título da crítica e veja para que arco foi feita (verifique também a ficha técnica para confirmar). Isso em mente, constata-se que o texto entrega exatamente o que propõe.

Veja também:

Sagas DC | Fim dos Tempos #10 a 24: https://www.planocritico.com/sagas-dc-fim-dos-tempos-10-a-24/

Sagas DC | Fim dos Tempos #25 a 39: https://www.planocritico.com/sagas-dc-fim-dos-tempos-25-a-39/

Sagas DC | Fim dos Tempos #40 a 48: https://www.planocritico.com/sagas-dc-fim-dos-tempos-40-a-48/

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Paulo Amorim 26 de agosto de 2018 - 16:58

Sim, não tinha percebido que as outras partes da crítica já haviam sido escritas… Desculpe!! Vi por alto, pois tô sem tempo agora, mas deu pra notar que a opinião negativa permaneceu até o final — e como disse, não formei a minha, pois ainda não li a saga — Mas os tie-ins não foram mencionados mesmo, correto?! Encontrei aqui a lista de leitura da saga, que estava procurando: https://comicbookreadingorders.com/dc/events/new-52-futures-end-reading-order/

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Luiz Santiago 26 de agosto de 2018 - 20:51

Essas são as críticas da saga principal.

Não fizemos as críticas dos tie-ins.

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JoJo 13 de março de 2016 - 13:21

Da raiva esse site as vezes vcs são muuuuuito marvetes sempre dão nota ruim pra DC afffz

Responder
Luiz Santiago 13 de março de 2016 - 13:55

@disqus_adoUgtzSC5:disqus, se algo é bom, nós valiamos como bom. Se é ruim, avaliamos como ruim. Se é medíocre, avaliamos como medíocre. O que está em jogo não é se a produção vem da Les Humanoides Associés, Marvel, Vertigo, DC ou Shueisha. O que está em jogo é se ela é boa, medíocre ou ruim. Essa é a função do crítico.

No mais, não tenha raiva de pessoas que pensam diferente de você. Converse. Por que acha que estes volumes deveriam ter uma avaliação melhor? Converse, comente apontando impressões, levante uma bola. Destilar descontentamento não leva a lugar nenhum. Bora trocar ideias! 😀
Abs

Responder
Luiz Santiago 13 de março de 2016 - 13:55

@disqus_adoUgtzSC5:disqus, se algo é bom, nós valiamos como bom. Se é ruim, avaliamos como ruim. Se é medíocre, avaliamos como medíocre. O que está em jogo não é se a produção vem da Les Humanoides Associés, Marvel, Vertigo, DC ou Shueisha. O que está em jogo é se ela é boa, medíocre ou ruim. Essa é a função do crítico.

No mais, não tenha raiva de pessoas que pensam diferente de você. Converse. Por que acha que estes volumes deveriam ter uma avaliação melhor? Converse, comente apontando impressões, levante uma bola. Destilar descontentamento não leva a lugar nenhum. Bora trocar ideias! 😀
Abs

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Daniel Tristão 13 de março de 2016 - 16:38

@disqus_adoUgtzSC5:disqus, procuramos sempre ser imparciais nas críticas que fazemos. O objetivo não é mesmo privilegiar uma ou outra editora, até porque não ganhamos nada com isso, pelo contrário, prefiro mil vezes escrever sobre uma boa história do que sobre uma história mediana ou ruim.

De qualquer forma, acho que são as opiniões divergentes que geram bons debates e fazem a discussão crescer de forma saudável! Se você gostou da saga fique à vontade pra escrever aí os seus motivos!

Responder
Daniel Tristão 13 de março de 2016 - 16:38

@disqus_adoUgtzSC5:disqus, procuramos sempre ser imparciais nas críticas que fazemos. O objetivo não é mesmo privilegiar uma ou outra editora, até porque não ganhamos nada com isso, pelo contrário, prefiro mil vezes escrever sobre uma boa história do que sobre uma história mediana ou ruim.

De qualquer forma, acho que são as opiniões divergentes que geram bons debates e fazem a discussão crescer de forma saudável! Se você gostou da saga fique à vontade pra escrever aí os seus motivos!

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JoJo 13 de março de 2016 - 13:21

Da raiva esse site as vezes vcs são muuuuuito marvetes sempre dão nota ruim pra DC afffz

Responder
Alison Cordeiro 5 de março de 2016 - 13:10

Premissa ótima e grande potencial de uma boa história, mas fica a sensação de que a DC perdeu a mão na hora de desenvolver o roteiro. Entendo que o volume impede deixar um artista só desenhando a sérire, mas quando se olha para os grandes clássicos não há como não comparar a unicidade gráfica da saga quando comandada pelo mesmo artista. Crise nas Infinitas Terras, com George Perez, Lendas, com John Byrne, afora Silêncio, afora tantas outras. Acho bacana colocar personagens secundários, mas restringir-se a eles não dá peso a história. Enfim, a saga tem uma roupagem até interessante, mas vai entrar no rol de coisas esquecíveis que a editor tem feito nos últimos tempos. Pena. Abçs!

Responder
Daniel Tristão 6 de março de 2016 - 16:13

Concordo com você Alison, a forma como foi conduzida a saga Fim dos Tempos acabou, na minha visão, desperdiçando uma boa premissa. Mas veja que isso está relacionado ao tratamento dado aos personagens e à arte. Lembra-se de 7 Soldados da Vitória? Personagens pouco conhecidos que foram muito bem explorados e desenhistas diferentes para cada trama, mas que souberam usar o estilo do desenho e as cores para dar o tom certo de cada personagem.

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Daniel Tristão 6 de março de 2016 - 16:13

Concordo com você Alison, a forma como foi conduzida a saga Fim dos Tempos acabou, na minha visão, desperdiçando uma boa premissa. Mas veja que isso está relacionado ao tratamento dado aos personagens e à arte. Lembra-se de 7 Soldados da Vitória? Personagens pouco conhecidos que foram muito bem explorados e desenhistas diferentes para cada trama, mas que souberam usar o estilo do desenho e as cores para dar o tom certo de cada personagem.

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Alison Cordeiro 5 de março de 2016 - 13:10

Premissa ótima e grande potencial de uma boa história, mas fica a sensação de que a DC perdeu a mão na hora de desenvolver o roteiro. Entendo que o volume impede deixar um artista só desenhando a sérire, mas quando se olha para os grandes clássicos não há como não comparar a unicidade gráfica da saga quando comandada pelo mesmo artista. Crise nas Infinitas Terras, com George Perez, Lendas, com John Byrne, afora Silêncio, afora tantas outras. Acho bacana colocar personagens secundários, mas restringir-se a eles não dá peso a história. Enfim, a saga tem uma roupagem até interessante, mas vai entrar no rol de coisas esquecíveis que a editor tem feito nos últimos tempos. Pena. Abçs!

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