Crítica | I Love Lucy – 2ª Temporada

estrelas 4,5

I Love Lucy é uma das séries mais queridas de todos os tempos e consta na lista de recordes de audiência da TV americana. Baseada em um antigo programa de rádio, a série estreou na CBS em outubro de 1951, e foi exibida oficialmente até 1957, não tendo um final definitivo. Mesmo com o término, alguns episódios especiais de uma hora de duração foram ao ar até 1960. Produzida pelo Estúdio Desilu (de propriedade dos dois protagonistas do show), a série acompanhava o atrapalhado dia a dia do casal Lucy (Lucille Ball) e Ricky Ricardo (Desi Arnaz), seguidos de perto por seus melhores amigos, Ethel (Vivian Vance) e Fred Mertz (William Frawley).

Eu tive contato com a série muito por acaso, por ocasião do lançamento da edição de colecionador aqui no Brasil. A primeira temporada é uma verdadeira maravilha da comédia, e eu já me tornei fã da série após o clássico segundo capítulo, Seja Companheira (Be a Pal), onde Lucy tenta chamar a atenção de Ricky de todas as formas e termina dublando Carmen Miranda em um disco arranhado. É uma sequência de fazer qualquer um morrer de rir. As gags, o excelente texto e as boas atuações da primeira temporada (exceto de Desi Arnaz, de quem não consigo gostar, com exceção dos momentos musicais) me convenceram a comprar o box da segunda temporada. Não me arrependo.

A segunda temporada teve duração um pouco menor que a primeira, com “apenas” (pasme!) 31 episódios, e apresentou uma quantidade maior de filmagens em externas (não necessariamente em locação, mas pelo menos fora de apartamentos ou do Clube Copacabana), além de outras personagens secundárias adicionadas à trama. O destaque vai para o bebê de Lucy e Ricky, que chega para aumentar ainda mais o caráter familiar da série, e a Sra. Trumball (Elizabeth Patterson), que surge como antagonista, querendo a saída dos Ricardos do prédio, dado o barulho que do bebê fazia de madrugada, e passa a ser amiga de Lucy e babá oficial do pequeno Ricardo, como podemos ver nos episódios O Último Aniversário de Lucy (2X25) e Nunca Faça Negócios Entre Amigos (2X31).

Algo que eu não consigo entender foi a escolha dos criadores e roteiristas em filmar metade da temporada como um flashback. Pelo menos até o episódio Lucy Vai Para a Maternidade (2X16), temos uma enorme e desnecessária quantidade de digressões, algumas muito divertidas, é claro, mas mesmo assim pouco justificáveis. Talvez o receio dos criadores em passar metade do ano exibindo episódios sobre a vida de uma dona de casa grávida tenha sido um fator de peso, mas se pensarmos a abertura para a comédia que essa situação poderia ter trazido, lamentamos a maior parte dessas voltas ao passado. No início, o recurso até pareceu interessante, trouxe um quê de inovação, mas depois se tornou enjoativo, sem nunca, porém, tirar a genialidade do show. Ainda bem que a comédia apresentada, mesmo em ocasiões de pouca inspiração (vale dizer que essa temporada foi marcada por uma infinidade de finais inconclusos) era boa, e superava a má escolha do formato narrativo.

Uma melhora em relação a temporada anterior foi a escolha das músicas. A voz de Desi Arnaz não conseguia fazer boas notas agudas e, na Primeira Temporada, tivemos que assisti-lo entoar aos gritos algumas canções, algo simplesmente horroroso. Nessa Segunda Temporada, o repertório mais grave mostrou um outro lado do cantor e ator, com interpretações realmente muito boas.

Mesmo com alguns episódios pouco inspirados, alguns finais abruptos e flashbacks desnecessários, a segunda temporada de I Love Lucy manteve um bom nível de qualidade e justifica, salvo os elementos já citados, por quê foi o primeiro pico de audiência da série na CBS, fato que se repetiria pelos três anos seguintes.

I Love Lucy – 2ª Temporada (EUA, 1952 – 1953)
Direção: William Asher, Marc Daniels
Roteiro: Jess Oppenheimer, Madelyn Davis, Bob Carroll Jr.
Elenco principal: Lucille Ball, Desi Arnaz, Vivian Vance, William Frawley
Duração: 31 episódios com 25 a 30 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.