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Crítica | Mad Men – 1ª Temporada

por Ritter Fan
738 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

Mad Men, para quem não sabe, é uma série de TV da AMC que conta a história de uma agência de publicidade em plena Nova York dos anos 60 pelos olhos principalmente de um brilhante mas misterioso publicitário e diretor de criação da agência, chamado Don Draper (Jon Hamm, excelente). A série, já com sua terceira temporada em andamento, foi laureada com diversos prêmios Emmy, o Oscar da TV. Em 2008, ganhou 6 Emmys, inclusive o de melhor série dramática e concorreu a mais 10.

Toda essa atenção aguçou minha curiosidade e parti para comprar Mad Men. Definitivamente, a série é tudo isso que dizem sim e mais um pouco. Para começar, não há como deixar seu queixo cair pela inacreditável reconstituição de época. Não vivi os anos 60 mas já li e vi filmes sobre a época e parece-me que os produtores foram no alvo. O cuidado com a Nova Iorque e com o figurino dos personagens é suficiente para encher os olhos. O mesmo se dá com o tratamento de questões hoje polêmicas: o fumo, o feminismo, o comunismo, o consumismo e outras.

Sobre o fumo, cabe um parênteses. Para nós que, hoje, estamos acostumados a ver filmes assépticos, em que as pessoas nem reconhecem a existência de um objeto de consumo – e vício – chamado cigarro, assistir aos primeiros capítulos de Mad Men é uma experiência até, eu diria, estranhamente incômoda. Todos os personagens (ok, quase todos) fumam e fumam em qualquer lugar e em muita quantidade. Nada de sair de sua sala para ir ao fumódromo. Acende-se cigarros e mais cigarros em casa, no hall de elevadores, na sala de reunião e isso sem nem perguntar se a pessoa ao lado se incomoda. É tanto cigarro que a série parece feder a cigarro.

Mas o que chama atenção mesmo em Mad Men (uma brilhante brincadeira, aparentemente usada na época, com sua tradução literal – homens loucos – com Madison Avenue, onde ficavam as grandes agências de publicidade e com a expressão “ad men”, publicitário) é a bem costurada história que entrelaça a vida profissional e particular de seus personagens. Temos Don Draper, o brilhante publicitário com sua vida tipicamente americana. Trabalha na cidade grande mas mora na casinha de subúrbio com sua linda esposa (Betty Draper vivida pela bela mas comum January Jones) e dois filhos, ao mesmo tempo que tem uma amante com quem libera seus instintos, digamos, mais selvagens. Há seu chefe, Roger Sterling (vivido pelo excelente John Slattery) que odeia ficar com a esposa e arruma qualquer desculpa para farrear. Há, ainda, Pete Campbell (interpretado à irritante perfeição por Vincent Kartheiser), um riquinho que só conseguiu emprego por ser filho de quem é e que quer por que quer subir na vida, mesmo que para isso tenha que atropelar seus superiores com todas as jogadas sujas que puder esconder em suas mangas.

Mas o filme não é um “clube do bolinha” ainda que o ponto de vista seja majoritariamente masculino. Há a interessante personagem da esposa de Don Draper que vive com o dilema entre de um lado ser a modelo perfeita de esposa e, de outro, literalmente, ser modelo. Há, também, Joan Holloway (a também bela – e essa nada comum – Christina Hendricks), a fogosa chefe das secretárias que sabe tudo sobre todos no escritório. Por último e principalmente no elenco feminino, temos Peggy Olson (Elisabeth Moss, excelente) no papel da nova secretária de Don Draper que, completamente sem querer, vai rapidamente subindo na vida, para o espanto e inveja de todos ao redor, especialmente Joan Holloway.

Toda essa riqueza de detalhes vem emoldurando um passado negro para Don Draper e as excelentes campanhas publicitárias (e reuniões com clientes) que sua equipe vai criando ao longo dos episódios. Logo na abertura vemos Don e seu grupo matutando para criar a campanha nova do Lucky Strike (o cigarro, lembram?). Mais para frente, em ótimo e comovente episódio, vemos Don criar, quase que de instinto, a campanha do aparelho de slides da Kodak (slides, para quem é da era da informática, são aqueles positivos de fotos dentro de um quadrado branco de papel ou de plástico que eram usados em projetores para se mostrar fotos em uma tela ou na parede e não aquilo que o PowerPoint nos permite criar).

Enfim, é mais uma série brilhante da televisão americana que, na última década, assim como os publicitários de Mad Men, tem tido idéias sensacionais atrás de idéias sensacionais. Se há um defeito nessa 1ª temporada é um acontecimento bem inesperado no último capítulo que meio que me “derrubou da cadeira”. Não vou contar para não estragar mas fiquei assim meio zonzo, e ainda estou para dizer a verdade… Mas nada que não seja facilmente apagado quando lembro do que veio antes.

*Crítica originalmente escrita em 09 de setembro de 2009.

Mad Men – 1ª Temporada (Estados Unidos, 2007)
Criador: 
Matthew Weiner
Direção: vários
Roteiro: vários
Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones, Christina Hendricks, Aaron Staton, Rich Sommer, John Slattery, Kiernan Shipka, Robert Morse, Michael Gladis, Alison Brie, Christopher Stanley, Jessica Paré, Peyton List
Duração: 611 min. (13 episódios)

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34 comentários

Elton Miranda 21 de novembro de 2020 - 21:37

estou revendo a serie pela 2x, 4 anos depois e ela continua sendo a minha série favorita. E Ritler nunca pensou em refazer uma nova critica da primeira temporada nao?

Responder
planocritico 22 de novembro de 2020 - 12:35

Um dia, talvez, mas não não tenho planos concretos não, já que isso exigiria rever a série e eu tenho uma pilha de séries para ver e rever na frente de Mad Men…

Abs,
Ritter.

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Luiz Fernando Gonçalves 26 de abril de 2020 - 18:17

Aproveitei que terminei better call Saul e a quarentena do corona vírus para ver o que tanto falam dessa série ( demore um pouco kkk) e posso dizer que gostei bastante. Fotografia, ambientação, cenários perfeitos. Só o roteiro da primeira temporada que achei que demorou a engrenar mas no geral excelente série. Ansioso para o que virá nas próximas temporadas…. E parabéns por manter a crítica no site. Não esperava encontrar algo relacionado.

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planocritico 1 de maio de 2020 - 19:40

Obrigado, @luizfernandogonalves:disqus !

E que bom que gostou dessa série. Está no meu top 2.

Abs,
Ritter.

Responder
Cleisson Oliveira 19 de março de 2020 - 21:37

Confesso que achei o primeiro episódio bem chatinho mas como sou bem tolerante em relação às séries que me disponho a ver, acabei e gostei, da primeira temporada. A série é bem feita e gostei do modo que ela costura a trama, mostrando os detalhes relevantes sutilmente, sem apelar para o drama raso ou para explicitar as coisas subestimando a inteligência de quem assiste. E quanto à revelação do final da temporada, achei plausível desde o início mas achei que isso poderia ser um problema ainda mais amplo naquele escritório já que todo mundo pega todo mundo. Enfim, crítica bem resumida mas muito bem colocada. E caramba, 2009? Faz tempo, hein!

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planocritico 20 de março de 2020 - 23:40

Que bom que perseverou!

Sobre a crítica, perdoe-me, pois ela já é bem antiga e bem mais amadora, por assim dizer! Fiz quando eu ainda escrevia em meu blog pessoal…

Abs,
Ritter.

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Eduardo Roque 17 de outubro de 2019 - 13:35

Geralment concordo c/as críticas desse sit mas nesse caso ñ deu mesmo. Q seriezinha chata dos Diabos! Vi o piloto e nada aconteceu. Assisti o 2º ep e ainda nada aconteceu. Me peguei pensando: ” Meu Deus, o q todo mundo viu d bom nessa série q só eu ñ consigo ver?” Mas ñ teve jeito, desisti d assistir

Responder
planocritico 17 de outubro de 2019 - 18:03

Uma pena que não tenha gostado.

É um das duas melhores séries que já vi!

Abs,
Ritter.

Responder
Comediante 15 de outubro de 2019 - 22:48

É praticamente impossível achar essa série hoje em dia que não seja na Netflix, mas depois de alguns meses numa incansável busca, consegui assistir a primeira temporada (infelizmente dublada). Achei incrível, porém não é para todo mundo, muitos podem reclamar da dificuldade de “entrar” nessa realidade e que é um tanto parada, esse último ponto chegou a me afetar levemeeente no começo, mas dei um tempo e voltei a ver. Não teve uma vez em que os créditos finais subiram e eu não fiquei satisfeito com os minutos que vi. Apesar de não ter a ação propriamente dita, alguns episódios simplesmente acabavam rápido demais, nem parecia ter uns 50 minutos. Não creio que ela entrará para o meu top 2, mas se for melhorando ao decorrer das temporadas, certamente estará perto. Ah, sim, também me assustei (de verdade) com a revelação no último episódio (acho que posso dizer aqui). Peggy estava grávida e simplesmente não percebeu???? Ok, todo mundo dizendo que ela estava engordando porque comia muito e de fato comia, mas era porque ela estava comendo por dois… Como ela não notou que estava grávida?? É incrível como todos os personagens (não consigo lembrar de nenhuma exceção) fazem ações questionáveis (no mínimo questionáveis..) e Peggy rejeitar o filho é a cereja do bolo. Acho muito estranho a relação da Betty com o Gleen, o filho da vizinha “desquitada”, vamos ver como será abordado daqui para frente. Na torcida para o Pete colocar aquela espingarda na boca e puxar o gatilho.

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planocritico 16 de outubro de 2019 - 03:47

Não é mesmo uma série para todo mundo. Exige paciência. Mas ela vai melhorando na medida em que se desenvolve e o conjunto é fenomenal. Continue assistindo!

Abs,
Ritter.

Responder
Alcides Faria Costa 26 de maio de 2019 - 15:12

Pra mim q bb e fuma, essa série não fez muito bem. A bebida até q é tranquilo, pois não é vício. Mas difícilmente terminei um episódio sem pausar a série pelo menos 2x pra ir fumar

Responder
planocritico 26 de maio de 2019 - 15:49

Os episódios te davam vontade de fumar?

Abs,
Ritter.

Responder
Alcides Faria Costa 27 de maio de 2019 - 06:36

Muito

Responder
Ana Elisa Pontes 20 de fevereiro de 2019 - 15:02

Olá, sinceramente não gosto da dublagem, parece que todos de Nova York é mineiro kkkkkkkk

Responder
planocritico 20 de fevereiro de 2019 - 17:39

HAHAHAHHHHHAAAHAH

Nossa, não quero nem chegar perto disso dublado!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 6 de junho de 2018 - 19:48

Esse negócio do cigarro foi incômodo mesmo! E só vai piorar daqui para frente!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 6 de junho de 2018 - 19:48

Sempre lemos os comentários de nossos leitores e adoramos quando críticas antigas são redescobertas! Essa é uma verdadeira velharia, cuja qualidade eu acho duvidosa justamente por ser lá do meu começo de “carreira” como crítico.

Mas é uma 1ª temporada da mais alta qualidade mesmo, de uma das minhas séries preferidas!

Sobre o acontecimento inesperado, é a revelação de que Peggy estava grávida. Achei o negócio muito surreal demais!

Abs,
Ritter.

Responder
Lucas Quaresma 3 de junho de 2018 - 15:27

Ah esqueci, puta merda, como me incomodei essa quantidade de cigarro. Felizmente nasci nesse tempo de alta reprovação social do cigarro. Real, também me pegava imaginando como deveria tá fedendo o set. kkk

Responder
Lucas Quaresma 3 de junho de 2018 - 15:26

Ah, terminei a primeira temporada, a tempo atras. Quem diria achei essa critica do Plano. 2009? Como o tempo nos escapa viu. Eu aqui em 2018, certamente, mais lerão. O que mais gostei dessa temporada foi a relação Trabalho X Vida Domestica. Atuação dos atores em pequenos detalhes, reações rápidas, um certa violência/agressividade contida nos personagens (Ex: Quando Don ameaça bate na esposa por ter um homem estralho em sua casa). Qual foi o acontecimento inesperado, mesmo? Vou começar a 2 temporada em breve. Nota justa.

Responder
Christian Allen 2 de novembro de 2017 - 23:47

Após me impressionar com a construção da década de 1970 em Mindhunter, resolvi voltar ainda mais no passado até Mad Men. Gostei muito desta primeira temporada, mas, o que me chamou mais atenção, além é claro das ótimas atuações, foi mesmo a retratação da época, tanto a ambientação, o figurino e os costumes me parecem perfeitos. Séries e filmes assim sempre me causam um baque temporal pela falta de tecnologia, fico pensando…”como essas pessoas viviam?”.
Agora uns pontos: 1- Nunca vi uma mudança física tão radical em uma única temporada quanto o da atriz da Peggy, o ganho de peso dela pode até ser fictício, mas me pareceu tão verdadeiro. 2- É difícil eu odiar um personagem, mas esse Peter Campbell ta se esforçando. 3- Até a sétima temporada eu pego um câncer de pulmão só de assistir essa cigarrada toda.

Ps: 2009?? Uau! Plano Crítico é mais antigo do que eu pensava. Ótimos textos como sempre Ritter.

Responder
planocritico 3 de novembro de 2017 - 15:16

@christianallencarobasilva:disqus , você então foi para o lugar certo. A reconstrução de época de Mad Men é absolutamente primorosa (além de todo resto, lógico).

E, se você quiser ver outra reconstrução de época de cair o queixo (e da mesma Nova York, só que uma década depois), não perca a recentíssima The Deuce.

E sim, o lance do cigarro em Mad Men é enlouquecedor. E eu, que simplesmente ODEIO cigarro e me sentia fedendo a cada episódio…

Sobre a data, é que eu e o Luiz Santiago tínhamos blogs separados desde 2007 ou 2008 (o meu ainda está no ar até, mas eu não atualizo) e nós acabamos nos juntando na versão 1.0 do Plano Crítico lá por 2011. Mas críticas que precediam 2011 nós mantivemos com as datas originais na transposição para o PC.

Abs,
Ritter.

Responder
Christian Allen 3 de novembro de 2017 - 21:20

Vi muitos elogios a The Deuce, irei sim assistir futuramente.

Responder
planocritico 4 de novembro de 2017 - 19:07

The Deuce é maravilhosa. Fiz a crítica sem spoilers aqui, se tiver interesse em ler: https://www.planocritico.com/critica-the-deuce-1a-temporada/

Abs,
Ritter.

Responder
André Mozzer 22 de setembro de 2017 - 08:21

Começando agora Ritter, apenas dois episódios vistos e digamos que estou boiando ainda rsrs. Eles estão em uma realidade muito diferente né, até que consigamos entrar nessa atmosfera é complicado, e o que disse é FATO, é muito mas muito cigarro pra uma só tela kkk. Uma coisa que achei sensacional são os produtos, acredito que deve aparecer mais itens muito conhecidos no decorrer da série, sem falar nos trejeitos dos personagens, figurinos e cenário.

Aquela cena em que a chefe das secretárias mostra a maquina de escrever foi demais.

Responder
planocritico 22 de setembro de 2017 - 14:07

@andrmozzer:disqus , bem vindo aos loucos da Madison Avenue! Espero que goste da série, pois esta, para mim, está no meu Top 2! Divirta-se, mas um conselho: veja com calma, saboreando a obra de arte que é Mad Men.

E comente sempre!

Abs,
Ritter.

Responder
André Mozzer 22 de setembro de 2017 - 17:21

Top 2????????

Responder
planocritico 24 de setembro de 2017 - 17:03

Sim, @andrmozzer:disqus , Top 2.

Mad Men e The Wire são as duas melhores séries de TV na minha lista. Uma hora uma está em 1º lugar, outra hora elas invertem as colocações. Mas são essas obras-primas que estão lá em cima invencíveis para mim.

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 12 de novembro de 2016 - 10:55
Responder
planocritico 12 de novembro de 2016 - 15:35

É uma curva de crescimento, sem dúvida, mas acho 3 estrelas pouco. Considerando design de produção, figurino, direção, fotografia, montagem e tudo mais, não sei se daria menos do que 4 estrelas.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 12 de novembro de 2016 - 15:35

É uma curva de crescimento, sem dúvida, mas acho 3 estrelas pouco. Considerando design de produção, figurino, direção, fotografia, montagem e tudo mais, não sei se daria menos do que 4 estrelas.

Abs,
Ritter.

Responder
Jonathan 12 de novembro de 2016 - 10:55

Olá Ritter. Acho esta 1ª temporada boa… eu daria 3 estrelas, hehe.
Mas como foi citado aqui, é um pouco difícil se encaixar nela. Enfim, penso que as temporadas seguintes, melhoram e muito a qualidade da série. Abraço.

Responder
Gabriel Pereira 20 de junho de 2016 - 23:11

Ritter! Como vai ? Sensacional essa série, estou super animado com ela, te falo que no começo foi dificil me encaixar nela, é muito diferente de tudo que já vi, mas dps que peguei a sintonia da série, adorei! Sem falar no figurino, maquiagem,atores, etc, muito boa.

Responder
planocritico 21 de junho de 2016 - 08:39

@disqus_7JTpvCcjpL:disqus , que bom que você começou a assistir essa maravilha de série. Meu conselho: vá devagar, saboreando os episódios.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 21 de junho de 2016 - 08:39

@disqus_7JTpvCcjpL:disqus , que bom que você começou a assistir essa maravilha de série. Meu conselho: vá devagar, saboreando os episódios.

Abs,
Ritter.

Responder

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