Crítica | The Walking Dead – 1ª Temporada

estrelas 3,5

  • Observação: Há spoilers da temporada. Leiam a crítica de todas as demais temporadas, dos games e das HQs, aqui.

A série The Wlaking Dead estreou nos Estados Unidos no dia 31/10/2010, pela AMC, e em pouco tempo se tornava uma sensação nas programações televisivas pelo mundo. Baseada na graphic novel de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard, e desenvolvida para a televisão por Frank Darabont (diretor de Um Sonho de Liberdade, À Espera de Um Milagre e Cine Majestic), a série de alto nível técnico e história instigante, é uma das mais bem cotadas séries da atualidade desde Lost (2004 – 2010).

A história traz, em sua essência, as características principais dos quadrinhos, e não se propõe dar explicações sobre o apocalipse zumbi que aconteceu ao mundo, o que aumenta a carga de suspense e a possibilidade dos roteiristas trabalharem com novos dramas. Dessa estratégia narrativa, surge a coluna central da série, que nessa primeira temporada se coloca em pequenos conflitos a serem resolvidos imediatamente: o despertar de Rick no hospital, a chegada a Atlanta, o refúgio no tanque do Exército, o reencontro com a família, e a chegada do grupo ao CDC, no último episódio – aliás, um acontecimento que não existe nos quadrinhos. Esse formato de “conflito – resolução – novo conflito” pode ser perigoso, como foi para Heroes, por exemplo, mas pelo menos até o fim dessa temporada funciona muito bem.

Formada por um elenco praticamente desconhecido, portanto, sem apelo comercial nenhum, The Walking Dead conquistou os espectadores pelo alto nível de realidade adaptada à situação extrema de um apocalipse zumbi – uma característica de produção impecável adotada pelas emissoras estadunidenses, muito tempo depois de já ser algo comum para a BBC. O design de produção, os cenários, e a excelente maquiagem dos zumbis são alguns dos elementos de destaque em todos os episódios. A fotografia que transita na escala das variações do verde, cinza e marrom, é outro louvável acerto. Destaca-se também a edição abrupta em momentos decisivos de um conflito qualquer ou esgotamento da sequência dramática, uma ótima opção dos diretores e responsáveis pela montagem dos 6 episódios dessa primeira temporada.

Como é de se esperar nesse tipo de produção caótica sobre o fim da humanidade do modo como a conhecemos, os valores morais e éticos são questionados e superados. Que leis permanecem em vigor em um mundo de zumbis, onde os poucos humanos vivos lutam para sobreviver? E a ameaça não é dos mortos-vivos, uma vez que muitos humanos optam pelo saque e pelo crime como forma de se manterem vivos, logo, poucos são confiáveis, e até que se prove o contrário, todo desconhecido é uma ameaça. Além da luta pela sobrevivência, há um forte apelo familiar na série.

Os laços humanos são valorizados como essenciais à vida, mas conflitos de interesses surgem nesse meio tempo, e temos aí as subtramas contidas em cada episódio. Talvez seja nesse ponto que a primeira temporada perca um pouco de força. A divergência de algumas visões e o caminho seguido para mostrar cada uma delas pode dar a algumas sequências uma característica de “trama de isopor”, ou seja, coisas que não possuem um valor efetivo e vital para a série. Mesmo assim, trata-se de uma temporada estável, com alto nível de qualidade e tensão garantidas para todos os espectadores. A primeira temporada de The Walking Dead faz jus à fama, e se coloca como uma das melhores produções do gênero já realizadas na TV nessa década.

 – 1ª Temporada (EUA, 2010) Direção: Diversos Criador: Elenco: Duração: 287min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.