Veredito Cinéfilo #14 | As 20 Piores Estreias de 2018

A temporada de premiações começou nos Estados Unidos e não poderíamos deixar de passar a oportunidade para celebrarmos aqui no Plano Crítico os melhores filmes do ano que se passou. E é claro, fazer uma vaia mais que merecida às atrocidades que amargaram nossos corações de sentimentos muito tristes. Começaremos, nessa série de dois Vereditos Cinéfilos, falando dos piores filmes de 2018. Participaram dessa lista os nossos queridos Ritter Fan, Roberto Honorato, Bruno dos Reis Lisboa Pires, além do próprio que vos escreve.

  • Diferentemente dos anos passados, a posição dos filmes nas listas foi extremamente fundamental. O primeiro lugar ganha 10 pontos, enquanto o último ganha apenas 1. Os redatores não foram obrigados a fazer uma seleção com o número integral de possibilidades, ou seja, algumas listas vieram com menos de 10 filmes.
  • Os critérios de desempates foi a quantidade de indicações e a ordem de quem enviou a lista primeiro.
  • A regra de indicações para esta lista é simples: apenas longas que estrearam nos cinemas brasileiros em 2018. Nada de filmes lançados apenas em home video, vistos apenas em Festivais, Mostras, etc. Só estreias nos cinemas brasileiros entre janeiro e dezembro de 2018.
  • No entanto, pela segunda vez consideraremos os filmes lançados na Netflix brasileira em 2018, assim como da Amazon Prime e do Google Plus, contanto que as obras compartilhem, aqui, do mesmo ano de lançamento com a data original, visto o seu enorme alcance dentre os nossos leitores e próprios redatores.

20. Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (Slender Man)

Sylvain White, 2018

(Ritter Fan)

Ritter: Não espero muito dos filmes de terror modernos. Mas esse foi uma daquelas tragédias cinematográficas que dá vergonha de ter pago o ingresso para ver no cinema.

19. A Vida em Si (Life Itself)

Dan Fogelman, 2018

(Gabriel Carvalho)

Gabriel: O longa-metragem entende como sua essência o que contra-argumenta, possuindo uma presunção argumentativa que, assim como Abby comenta, “quando eu escrever, você vai entender”, Dan compreendeu apenas na sua cabeça. Um exercício dissertativo que nunca se compromete a justificar a mera existência do próprio longa-metragem. Uma antítese ao que prega com tanta veemência espertinha. A vida em si é mais ordinária, não cinemática.

18. Unicórnio

Eduardo Nunes, 2017

(Bruno dos Reis Lisboa Pires)

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Bruno: Busca tanto imagens bonitas e poéticas que se esquece de filmar alguma coisa. Assisti o filme e meia hora depois tinha dificuldade de lembrar o que acontecia.

17. Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald)

David Yates, 2018

(Ritter Fan)

Ritter: Uma questão de expectativa versus execução. Mas, aqui, ao contrário de outro indicado mais para frente, eu esperava um filme ruim, já que o primeiro também foi bem fraco. Mas o que eu vi foi um filme péssimo, daqueles poucos que dá vontade de lagar a sessão de cinema no meio.

16. Todo Dia (Every Day)

Michael Sucsy, 2018

(Roberto Honorato)

Roberto: Como me deixar entediado e incomodado com mais um filme que abandona a premissa e se transforma em dois adolescentes viajando e curtindo a vida como um comercial de manteiga.

15. Motorrad

Vincente Amorim, 2018

(Gabriel Carvalho)

Gabriel: Perceberam como o carburador é parecido com um coração? O que isso significa? Sem instigar os espectadores, sem envolvê-los com esses mistérios, Vicente Amorim, infelizmente, cria um filme absorto, falhando, sobretudo, em fazer jus a sua possível importância dentro da indústria. Um cineasta com a intenção de ser um precursor para uma nova geração e estilo deveria enxergar seu produto com muito mais cuidado.

14. Dedo na Ferida

Sílvio Tendler, 2018

(Bruno dos Reis Lisboa Pires)

Bruno: Ligando a câmera, filmando o óbvio, se impressionando, excitando-se com seus próprios talentos. Deve ser assim que o Silvio Tendler se sente fazendo um filme.

13. Robin Hood: A Origem (Robin Hood)

Otto Bathurst, 2018

(Ritter Fan)

robin-hood-movies- plano critico a origem 2018

Ritter: Será que Hollywood poderia, por obséquio, deixar a lenda de Robin Hood em paz? Não que eu tenha especial carinho pelo personagem, mas é que já cansou… E seria um favor maior ainda se, caso fosse realmente irresistível fazer uma nova adaptação da história, que não transformassem o herói em um super-herói. Só faltou a flecha luva de boxe para terminar essa tragédia com chave de ouro.

12. A Freira (The Nun)

Corin Hardy, 2018

(Roberto Honorato)

Roberto: James Wan, olha o mal que você trouxe ao mundo. Pare, por favor!

11. The Square: A Arte da Discórdia (The Square)

Ruben Östlund, 2017

(Bruno dos Reis Lisboa Pires)

Bruno: Culpa burguesa acumulada tratada como um quadro do Porta dos Fundos, uma sequência infindável de piadas cansativas sobre como a elite é terrível, como arte deveria acabar, mas formalmente sustentando todos os pilares que privilegiam os artistas. Feito para ofender à todos na mesma proporção que não ofende ninguém.

10. A Barraca do Beijo (The Kissing Booth)

Vince Marcello, 2018 (Netflix)

(Roberto Honorato)

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Roberto: Uma atriz ruim apaixonada por dois adolescentes que parecem ter sido expulsos de todo filme B possível por não terem atendido a medida básica para atuação competente.

9. Uma Dobra no Tempo (A Wrinkle in Time)

Ava Duvernay, 2018

(Ritter Fan)

Ritter: Sério que conseguiram destruir uma promissora franquia de fantasia com esse negócio colorido aqui? Disney, se era para ser algo assim, teria sido melhor soltar como filme da semana lá no seu canal de TV. Seria menos humilhante para a autora da série de livr os e para os atores…

8. Extinção (Extinction)

Ben Young, 2018 (Netflix)

(Gabriel Carvalho)

Gabriel: A computação gráfica, ao mesmo tempo, não colabora com nada, apenas piorando. O resultado é um filme sem carisma, sem relação com o espectador, quando justamente deveria nos fazer questionar essa relação de público com avatar cinematográfico, o protagonista de fato. A verdade é que esse primo sacana da Netflix não consegue nem passar da árvore, enfiando o cadarço por dentro do tênis e deixando assim mesmo

7. O Predador (The Predator)

Shane Black, 2018

(Ritter Fan)

Ritter:  Gente, é o Predador. Um alienígena feio pacas, com sangue fosforescente, que gosta de sair pelo universo caçando outros seres vivos. Não é física quântica. Molinho de fazer algo no mínimo agradável de se assistir. Mas não. O melhor é fazer algo que tenta ser mais do que é e acaba sendo muito menos do que poderia ser.

Comentários do autor da matéria: A democracia não serve para nada. O Predador é um filme safado demais para estar por aqui. Shane Black mais safado ainda.

6. Nada a Perder – Contra Tudo. Por Todos.

Alexandre Avancini, 2018

(Gabriel Carvalho)

Gabriel: Tudo genérico e breve, parte de um retalho de fases de um videogame no qual Macedo é o herói principal. Mas por que não uma obra religiosa honesta? Ao menos, bem executada. Enquanto isso não acontece para o grande público, a sequência de Nada a Perder é anunciada e a trilogia Deus Não Está Morto está prestes a ser completada. Será que vão mencionar os ataques do bispo evangélico a religiões afro-descendentes?

5. Os Farofeiros

Roberto Santucci, 2018

(Gabriel e Ritter)

Gabriel: Santucci é, de certa forma, um grande gênio do mal. Qual é o fim de uma obra dessa? Rir? A risada precisa ser vazia, deslocada do restante do cerne, inoperante no que se refere a contar uma história? Questione, pois nesse caso, definitivamente não valeu uma tentativa dessa.

Ritter: Não consegue ser uma comédia minimamente decente. Aliás, mal consegue ser um filme. É, literalmente, toda a bobagem da comédia lixosa nacional mal feita derramada de qualquer jeito em celuloide como a gororoba de filmes de prisão é jogada na bandeja dos detentos.E eu sabia que seria ruim. Péssimo, na verdade. Fui preparado para isso e mesmo assim esse lixo tóxico ultrapassou minhas expectativas abissais.

4. Venom

Ruben Fleischer, 2018

(Gabriel e Ritter)

Gabriel: O embate final é uma confusão visual que daria inveja aos quadrinhos mais bagunçados dos anos 90. As texturas dos personagens em computação gráfica, por exemplo, deviam ter sido pensadas para funcionar em um duelo completamente digital. Venom, dessa forma, simplesmente nada é, senão um pedaço desmembrado, decapitado e sem vida, em toda a glória da redundância.

Ritter: Aqui é expectativa versus facilidade da premissa versus execução. Esperava-se um filme minimamente divertido, baseado em um personagem molezinha para se fazer algo bacana dele, mas o resultado foi algo absurdamente idiota que transforma um personagem bacana em uma gosma preta disforme que luta contra outra gosma disforme, só que levemente acinzentada. Ah, parece que tem o Tom Hardy no filme, mas eu não notei…

3. O Grande Circo Místico

Cacá Diegues, 2018

(Bruno e Gabriel)

Bruno: Um filme cujas mulheres estão presentes apenas para serem estupradas ou mortas. E ainda tem a cara de pau de encerrar com duas mulheres transando no ar com uma porção de homens velhos batendo as palmas. Diegues acha que isso é a vida?

Gabriel: Quando encerra o seu longa-metragem rompendo com essa nudez que deve ser castigada, com o sexo como forma de punição, Carlos Diegues parece estar sendo muito mais auto-indulgente do que auto-consciente dos seus pecados como artista. Na conclusão derradeira de uma jornada de profanações, as gêmeas residem, as mais destruídas das personagens, emitindo sorrisos adoecidos, consequentes a alguma deficiência mental mais que clara. O místico é alcançado, parecendo ser mais uma gargalhada insana do cineasta sobre o seu público do que um verdadeiro “o show deve continuar”.

2. The Cloverfield Paradox

Julius Onah, 2018 (Netflix)

(Gabriel, Ritter e Roberto)

Roberto: Uma franquia que começou legal, ficou muito boa e agora termina em desgraça da pior forma. Isso que dá sair comprando qualquer filme e metendo o título Cloverfield no poster.

Gabriel: Gastando milhões na compra de The Cloverfield Paradox, claramente não havia outra solução para que tal aquisição não se tornasse um desastre multidimensional. A busca por estratégias de marketing diferentes tem, enfim, a plena intenção de que esse filme não se prove para a Netflix a catástrofe, financeiramente, que ele provou ser para nós em termos cinematográficos.

Ritter: Que beleza, mais um filme da franquia Cloverfield! UHHHHHUUUUULLLL… Alguém pode me passar a água sanitária para eu esfregar nas retinas para ver se eu apago essa desgraça de uma vez?

1. Sierra Burges é uma Loser (Sierra Burgess is a Loser)

Ian Samuels, 2018 (Netflix)

(Gabriel e Roberto)

Roberto: Está na hora de deixarmos de lado essa falsa paixão pela Barb de Stranger Things. É sério, já está incomodando. Vamos seguir com a vida.

Gabriel: Sierra Burgess, pensando por um senso comum, é uma “perdedora”. A personagem não é socialmente vista como bonita, apesar de, frente ao espelho, no início da obra, enxergamos nos seus olhos uma beleza ímpar. A personagem não é magra, algo que contrasta muito com a sua mãe, que não entende os percalços passados por sua filha. A personagem, aparentemente, por outro lado, é legal – só que ela não é.

As menções desonrosas, seguindo todas as nomeações de cada um dos votantes, foram: Feliz Aniversário de Casamento, Próxima Parada: Apocalipse, Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo, Baronesa, Mary Shelley, Oito Mulheres e Um Segredo, Jurassic World: Reino Ameaçado, Cinquenta Tons de Liberdade, Bird Box e Deadpool 2.

E então, o que acharam? Sentiram falta de algum filme? Lembrando que os redatores não viram todos os filmes (eu, por exemplo, assisti aos filmes os quais fiz crítica aqui no site, mas evitei alguns massacres de bilheteria em prol de outros mais, presumidamente, associáveis com meu gosto) e por isso algumas abominações podem estar em locais não tão ruins quanto outras. Obras mais populares tendem a ficar em posições mais elevadas, devido o alcance que elas têm e, atrelado a isto, a capacidade monstruosa de nos decepcionar.

Enfim, queremos saber as suas opiniões! Comentem!

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.