Veredito Cinéfilo #15 | As 35 Melhores Estreias de 2018

Achou que não ia ter a lista de Melhores Estreias de 2018? Achou novamente errado, caro leitor. Eis que apresentamos a mais esperada de todas as listas, uma lista que reúne o melhor que o cinema teve a nos oferecer ano passado. Não se esqueçam de ver as edições passadas clicando aqui. Participaram desse Veredito Cinéfilo os nossos queridos Ritter FanHanderson OrnelasLuiz SantiagoRafael OliveiraFernando Campos, Roberto Honorato, Rodrigo Pereira, Bruno dos Reis Lisboa Pires, além do próprio que vos escreve.

  • Diferentemente dos anos passados, a posição dos filmes nas listas foi extremamente fundamental. O primeiro lugar ganha 10 pontos, enquanto o último ganha apenas 1. Os redatores não foram obrigados a fazer uma seleção com o número integral de possibilidades, ou seja, algumas listas vieram com menos de 10 filmes.
  • Os critérios de desempates foi a quantidade de indicações e a ordem de quem enviou a lista primeiro.
  • A regra de indicações para esta lista é simples: apenas longas que estrearam nos cinemas brasileiros em 2018. Nada de filmes lançados apenas em home video, vistos apenas em Festivais, Mostras, etc. Só estreias nos cinemas brasileiros entre janeiro e dezembro de 2018.
  • No entanto, pela segunda vez consideraremos os filmes lançados na Netflix brasileira em 2018assim como da Amazon Prime e do Google Plus, contanto que as obras compartilhem, aqui, do mesmo ano de lançamento com a data original, visto o seu enorme alcance dentre os nossos leitores e próprios redatores.

35. Pantera Negra (Black Panther)

Ryan Coogler, 2018

(Rodrigo e Luiz)
4 pontos

Luiz: Saí da sala do cinema flutuando com esse filme. Produção imensamente divertida, com uma criação de mundo que me encantou em todos os seus aspectos, uma construção de povo/cultura/postura internacional que são interessantes de ver em um blockbuster como esse. Para mim, já estava na cara que entraria na minha lista de melhores do ano. Pois aqui está.

Rodrigo: Causador de um grande alvoroço neste ano não só pela qualidade da obra, mas também por toda uma questão de representatividade, Pantera Negra veio com tudo. Abordando a história de origem do rei T’Challa (Chadwick Boseman), o filme nos entregou um universo visualmente maravilhoso, uma história envolvente, cativante e cheia de momentos memoráveis e Killmonger (Michael B. Jordan), um dos melhores vilões já apresentados nesses 10 anos de UCM. Wakanda forever!

34. Aniquilação (Annihilation)

Alex Garland, 2018 (Netflix)

(Fernando Campos)
5 pontos

Fernando: Alex Garland se consolida como um dos grandes diretores dessa geração. Aniquilação é uma ficção científica enigmática, de difícil interpretação, mas muito profunda em suas reflexões. O mistério vivido pela protagonista, em mais um grande trabalho de Natalie Portman, serve como degrau para uma temática sobre depressão, autodestruição e melancolia. Nosso maior inimigo é e sempre será nós mesmos. Uma das grandes ficções científicas dos últimos anos.

33. Asako I & II

Ryusuke Hamaguchi, 2018

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(Bruno dos Reis Lisboa Pires)
5 pontos

Bruno: É um filme bastante cruel de se discutir por tratar de tantas durezas que qualquer um enfrenta diante do amor. Grande lembrete de que um relacionamento na maioria dos casos é composto de pessoas interessadas puramente naquilo que lhes é conveniente e não no bem dos dois. É tarefa do espectador resolver se isso é certo ou não.

32. Um Pequeno Favor (A Simple Favor)

Paul Feig, 2018

(Rafael Oliveira)
6 pontos

Rafael: “Nós, espectadores, gostamos de ser manipulados, moldados, enganados e surpreendidos, e as escolhas narrativas de Um Pequeno Favor ressaltam o gosto deste suspense tragicômico pelo prazer da surpresa, da aversão às expectativas (por mais que se entregue a um bom número de furos para isto) e no prazer de se perder em meio a tantas direções possíveis. Um filme que foge da realidade com muito bom gosto, e muita diversão.”

31. Baahubali 2: The Conclusion

 S. S. Rajamouli, 2017

(Bruno dos Reis Lisboa Pires)
6 pontos

Bruno: Surpresa do ano pra quem assina os serviços da Netflix. É mais um daqueles filmes indianos que você não deve dar a mínima, mas esse e a primeira parte são filmes incríveis de ação e musical, uma prova de que o oriente é domesticado ao anti realismo muito mais que nós, e graças a isso são honrados com as melhores sequências de ação do ano com toneladas de efeitos especiais que qualquer americano ou brasileiro meteria o pau se tivesse sido nos Vingadores

30. O Primeiro Homem (The First Man)

Damien Chazelle, 2018

(Ritter e Rafael)
6 pontos

Ritter: Damien Chazelle saindo de sua zona de conforto dançante? E abordando uma cinebiografia de uma das mais famosas personalidades modernas americanas que por incrível que pareça ainda não havia sido brindada com um filme? E resultando em uma maravilha pessoal, delicada e ao mesmo tempo potente? Esse diretor iniciante promete uma carreira realmente incrível.

29. The Post – A Guerra Secreta (The Post)

Steven Spielberg, 2017

(Rodrigo Pereira)
7 pontos

Rodrigo: Eu poderia simplesmente colocar um nome para justificar a presença desse filme aqui: Steven Spielberg. Entretanto, colocarei mais dois: Meryl Streep e Tom Hanks. Pronto, acho que já está suficientemente justificado.

28. Benzinho

Gustavo Pizzi, 2018

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(Rafael Oliveira)
7 pontos

27. Amante de um Dia (L’amant d’un jour)

Phillipe Garrel, 2017

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(Bruno dos Reis Lisboa Pires)
7 pontos

Bruno: Fiquei em dúvida entre os dois filmes do Garrel que estrearam em 2018 no Brasil (quase botei os dois) mas acredito que esse escolhido seja o mais importante do diretor francês nos últimos dez anos. Tragédia anunciada somada ao seu preto e branco que revela a alma de cada um dos personagens. “quando nos apaixonamos, começa-se a amar tudo”.

26. Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs)

Wes Anderson, 2018

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(Rodrigo e Ritter)
7 pontos

Ritter: Eu adoro stop-motion e eu amo Wes Anderson. A combinação desses dois fatores já havia resultado no magnífico O Fantástico Sr. Raposo. Ilha dos Cachorros consegue chegar ao mesmo nível de excelência.

Rodrigo: Até o finado ano de 2018, eu não havia assistido a nenhum filme do Wes Anderson, confesso. Depois de começar, porém, devorei boa parte de sua filmografia e adorei tudo o que vi. Quando soube do lançamento de Ilha de Cachorros já conseguem imaginar o quão feliz fiquei, certo? E as expectativas foram muito bem atendidas com essa maravilhosa animação stop-motion incrivelmente detalhada sobre o garoto Atari (Koyu Rankin) e sua incansável busca atrás de Spots (Liev Schreiber), seu companheiro canino. Caso não tenha visto, vale muito a pena dar uma chance (só cuidado para não devorar as obras do diretor numa sentada tal qual este que vos fala).

25. Visages, Villages

JR e Agnès Varda, 2017

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(Roberto, Fernando e Luiz)
7 pontos

Luiz: “Visages, Villages é o produto de colisão de dois grandes artistas de diferentes idades e mundos mas com a mesma paixão pela arte e pela forma como ela enxerga as pessoas em volta. Ou seja, aquilo que faz toda a diferença.”

Roberto: Agnes Varda é uma das gigantes do cinema, e seu olhar delicado é literal e figurativamente o foco desse documentário belíssimo.

24. O Sacrifício do Cervo Sagrado (The Killing of a Sacred Deer)

Yorgos Lanthimos, 2017

(Ritter Fan)
8 pontos

Ritter: As pessoas ficam tentando arrumar significados escondidos em “Blind Box” para justificar o porquê gostaram desse filme tão ruim e, quando se deparam com O Sacrifício do Cervo Sagrado e não conseguem fazer o mesmo tão fácil e imediatamente, dispensam o filme como “pretensão cinematográfica”. A ironia é incrível. Mas o filme do grego Yorgos Lanthimos é mais incrível ainda.

23. 15h17 – Trem Para Paris

Clint Eastwood, 2018

(Bruno dos Reis Lisboa Pires)
8 pontos

Bruno: Maior herança de John Ford da nossa década (e muito provavelmente o melhor Eastwood desde Gran Torino). É a real noção de um destino alheio de qualquer ética senão a de servir o seu país, por mais que essa não seja a coisa certa. O heroísmo provém desse mito constituído em cima do militarismo (parte dos rapazes crianças é genial), e se o exército é tão convincente para algumas pessoas, devemos questioná-lo assim como essa obra de Eastwood faz, mesmo que seja incompreendido.

22. Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name)

Luca Guadagnino, 2017

(Fernando Campos)
8 pontos

Fernando: Mais do que um excelente romance, o filme é um espetacular exemplar de coming of age. O diretor Luca Guadagnino explora com imensa beleza o despertar da paixão e sexualidade durante a juventude. A química entre Timothée Chalamet e Armie Hammer, ambos ótimos, torna essa relação ainda mais convincente e bela. Para completar, a seqüência final, em que pai conversa com o filho, traz um dos diálogos mais poderosos do ano. Lindo visualmente e tematicamente.

21. Viva: A Vida é Uma Festa (Coco)

Lee Unkrich e Adrian Molina, 2018

(Rodrigo e Luiz)
8 pontos

Luiz: A memória, a família e a música são coisas que formam uma parte de nós. Viva é o tipo de filme que reúne todas essas questões em uma só, sendo capaz de emocionar e nos fazer pensar sobre algumas coisas. Uma fofura de produção

Rodrigo: Vencedor do Oscar de Melhor Animação essa obra da Pixar, que teve seu nome original alterado porque aparentemente julgam o público brasileiro como extremamente infantil, traz o que já estamos acostumados do estúdio: sentimentos dos mais variados maximizados devido a extrema qualidade da obra. Viva – A Vida É Uma Festa consegue ser absolutamente leve e pesado na mesma medida e nos momentos exatos. Um longa emocionante sobre música, família, vida e morte.

20. 22 de Julho (22 July)

Paul Greengrass, 2018 (Netflix)

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(Ritter e Luiz)
8 pontos

Ritter: Longo, mas esse filme é uma pancada. Uma abordagem sóbria, respeitosa e belíssima para os terríveis atentados na Noruega. E um sinal de alerta acachapante contra qualquer tipo de extremismo.

Luiz: “Intenso, polêmico, político, 22 de Julho é uma obra sobre o ponto final de uma ideia extremista: sempre matar para impor aquilo que, por algum motivo, acredita-se que é “para a salvação de todos“.”

19. Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)

John Krasinski, 2018

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(Ritter e Rafael)
9 pontos

Ritter: Terror não é meu forte. Mas esse filme é refrescantemente sensacional. Saí do cinema feliz com a experiência e constatei que o terror de monstro original e bem feito ainda não está morto.

18. Arábia

(Fernando e Rafael)
9 pontos

Fernando: A saga do trabalhador. Com um início surpreendente e provocativo, Arábia realiza um excelente recorte sobre a classe trabalhadora brasileira, maltratada pelos patrões e esquecida pela sociedade. Por culpa do descaso, essa parcela da população de classes sociais mais baixas tem que, infelizmente, se contentar em sobreviver, assim como o protagonista, construído de maneira muito humana por Aristides de Souza. Aliás, o monólogo do personagem é uma dos momentos mais impactantes do cinema brasileiro e um grito de protesto contra o sistema atual, que tritura a saúde e os sonhos dos menos favorecidos.

17. Hereditário (Hereditary)

Ari Aster, 2018

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(Handerson e Rafael)
11 pontos

Handerson: Eu vivo me gabando de que, após ter passado grande parte da minha vida morrendo de medo de filmes de terror, já faz muitos anos que não sinto medo algum ao assistir filmes de terror. Isso até eu ver Hereditário. Dotado de qualidades que fazem dele um filme muito maior que seu rótulo, o longa é perfeito em direção, atuação e roteiro. Talvez seja presunção demais afirmar tão cedo, mas acredito que se trata de uma das melhores obras de horror já feitas e que terá uma enorme influência no futuros do horror.

16. The Ballad of Buster Scruggs

Irmãos Coen, 2018 (Netflix)

PLANO CRITICO The Ballad of Buster Scruggs

(Handerson e Ritter)
11 pontos

Ritter: Queria evitar colocar filmes não lançados em primeiro lugar no cinema nessa lista, mas eu estaria remando contra o sinal dos tempos e faria injustiça aos Irmãos Coen. Essa compilação de contos de faroeste tendo a morte como ponto de interseção é um deleite do começo ao fim.

Handerson: Já era hora de vermos o olhar particular dos Irmãos Coen para um western tradicional (afinal, Bravura Indômita se tratava de um remake). Em seis extraordinários contos, cada um bem diferente, se estrutura o espetacular longa da dupla, uma antologia que aborda a morte em suas várias faces: seja ela irônica, cômica, trágica, ou misteriosa. Um dos destaques de maior personalidade no ano.

15. Nasce Uma Estrela (A Star Is Born)

Bradley Cooper, 2018

(Bruno e Gabriel)
11 pontos

Gabriel: “O resultado não consegue evidenciar muito bem o olhar do cineasta em relação a mesma história singela interpretada por Janet Gaynor, cantada maravilhosamente por Judy Garland e desgastada consideravelmente por Barbra Streisand. O diretor, por outro lado, encara com maior humanidade a derrocada do astro, justificando as mudanças no enfoque.”

Bruno: Apesar da reação intensa que o filme teve, principalmente por conta da Lady Gaga, está aí um filme que sabe englobar o melodrama em prol de um progresso cinematográfico. Bradley Cooper dirige da maneira mais frenética que um românce blockbuster, escrotiza com os ícones populares, mas não desrespeita o cinema momento algum. São os planos mais puros do cinema americano em 2018, coisas vindas do coração mesmo,

14. Ponto Cego (Blindspotting)

Carlos Lopez Estrada, 2018

(Roberto e Gabriel)
11 pontos

Roberto: Escrito pela dupla Daveed Diggs e Rafael Casal, esse filme executa perfeitamente cada elemento que apresenta. Além de uma direção criativa, a música é um personagem poderoso na narrativa.

Gabriel: Mais pungente e poderosa obra com viés sócio-racial do ano.

13. A Casa Que Jack Construiu (The House That Jack Built)

Lars von Trier, 2018

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 (Fernando e Luiz)
12 pontos

Luiz: “Depois, a realização de que o filme trazia “violência contra crianças“, algo que nunca é interessante ou fácil de se ver nas telas, especialmente num filme de alguém tão “sem regras” quanto este diretor. Mas o filme, por incrível que pareça, não aciona a justificativa de afastamento inicial que eu — e creio que muitos de vocês — normalmente temos para o tratamento da violência em uma obra de arte. Aqui, ela não é gratuita.”

Fernando: Lars Von Trier debochando de si mesmo. Apesar da violência, o longa não deixa de ser bem humorado, com momentos imensamente dúbios, assim como a própria carreira do diretor. Outra dubiedade tratada pelo filme é enxergar a beleza na destruição e no trágico, temas muito explorados por Trier ao longo dos anos. Portanto, temos aqui uma espécie de síntese da filmografia do realizador. A casa que Jack está construindo é a carreira do diretor e cada crime é um filme. O Trier assume que não consegue fazer outra coisa que não seja chocar o público, mas poucos diretores são tão bons nisso como ele.

12. O Passageiro (The Commuter)

Jaume Collet-Serra, 2018

(Gabriel e Rafael)
13 pontos

Gabriel: “O Passageiro é uma viagem com início, meio e fim, sem digressões, sem espaços que, apesar de necessários, não foram verdadeiramente preenchidos, quase como um trem que possui apenas poucos assentos vagos, mas todos são ocupados com competência, dados os objetivos compreendidos e muito bem executados, dentro de um discurso sobre a moralidade do homem e, na linguagem percebida, acerca da gamificação do cinema, transformado em um livre processo de reorganização da narrativa, à base do inesperado e do intocado – a mulher como uma ameaça fantasma, subvertendo a química que Vera Farmiga, inicialmente, possuiu com Liam Neeson. O fim da linha.”

11. Paddington 2 

Paul King, 2017

(Roberto, Luiz e Gabriel)
14 pontos

Roberto: Quem diria que um filme inocente sobre um urso animado em computação gráfica seria um dos mais divertidos do ano, sem contar bem dirigido, com ótimas atuações e um enredo que funciona em todos os níveis. Surpreendente.

Luiz: Eu confesso que estava totalmente indiferente pela continuação Paddington, embora tivesse gostado bastante do primeiro filme. Mas aí fui ao cinema ver outro filme e, nos trailers que antecedem a sessão, adivinha quem apareceu? Ali estava tudo o que eu tinha gostado no primeiro filme e mais um pouco, com uma composição artística que lembrava um pouco Wes Anderson, que é um diretor que eu adoro. Resolvi assistir no lançamento e… não me arrependi em nada. Um filme infantil (só que não exatamente, né) capaz de aquecer qualquer coração. Lindão!

Gabriel: Um filme do Wes Anderson que o Wes Anderson não saberia fazer como o Paul King soube.

10. O Outro Lado do Vento (The Other Side of the Wind)

Orson Welles, 2018 (Netflix)

(Roberto, Bruno e Gabriel)
15 pontos

Roberto: É uma pena que uma experiência como essa não possa ser vista na tela grande e o modelo de negócios da Netflix não seja dos melhores, mas se é o preço que temos que pagar para ter algo tão bom em mãos, que seja.

Bruno: Não acho a obra-prima que muitos vêm atribuindo o filme, mas é uma bela elegia à Hollywood vindo das mãos do que deve ter sido um dos maiores de lá. É caótico, é belo, e principalmente, imoral. “Shoot’em dead”.

Gabriel: O único O Outro Lado do Vento possível. Anti-cinema, anti-autorismo, anti-tudo.

9. As Boas Maneiras

Juliana Rojas e Marco Dutra, 2017

(Bruno e Gabriel)
16 pontos

Gabriel: “As tradições e as tradições. A fuga dos padrões, da vida dita como correta, é uma constante entre todos os personagens do longa-metragem, desde o princípio, em níveis e níveis que vão se distanciando, mantendo, na ruptura, entretanto, um uníssono rugido por liberdade.”

Bruno: Mais maravilhoso exemplo de filme nacional cuja preocupação em respeitar a cultura brasileira é maior que a de parecer um filme estrangeiro. Por mais que haja o cinema de horror, os efeitos visuais, a experimentação e as claras referências a filmes e diretores de gênero, As Boas Maneiras exerce um importante papel em defender os valores da telenovela, das festas populares e da cultura regional. Um filme sobre uma catástrofe contida cuja única solução é liberar geral.

8. Missão Impossível: Efeito Fallout (Mission Impossible: Fallout)

Christopher McQuarrie, 2018

(Roberto, Fernando, Ritter e Gabriel)
16 pontos

Ritter: A franquia cinematográfica de Missão: Impossível é uma anomalia. Não há nenhum filme verdadeiramente ruim nela e a grande maioria é no mínimo muito boa. Na sexta parte da história de Ethan Hunt, a lógica hollywoodiana dita que o filme simplesmente precisava ser péssimo. E eis que estamos diante do melhor filme de ação de 2018. Nada mal!

Roberto: Essa é uma franquia que parece ir na contramão de todas as outras. Ela ganha cada vez mais fôlego e dá uma aula de como desenvolver um longa de ação com propósito.

Fernando: Com certeza, a grande surpresa do ano. O filme possui um brilhantismo técnico inacreditável e cada seqüência de ação é uma verdadeira pintura. Além disso, a edição insere um senso de urgência que permanece do início ao fim, ou seja, cada segundo da obra é empolgante. As mais de duras horas passam voando. Mas tão ágil quanto Missão Impossível é seu protagonista. A entrega de Tom Cruise, abrindo mão de dublês ou efeitos digitais, torna as cenas extremamente realistas, facilitando ainda mais a imersão do público. Como resultado, Missão Impossível: Efeito Fallout é um dos grandes filmes de ação da década.

7. Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman)

Spike Lee, 2018

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(Rodrigo e Luiz)
18 pontos

Luiz: “Devido a questão política, a ótima relação com reais manifestações de grupos supremacistas brancos nos EUA em 2017 e a forma como o diretor se coloca diante do governo Trump, o filme pode incomodar muita gente, o que é esperado e também comum que aconteça. Todavia, Infiltrado na Klan tem muito mais do que essa essa camada política. Sua comédia, seu texto inteligente, as excelentes atuações, a direção que sabe expandir horizontes, fazer o elenco atravessar a tela com uma impressionante fluidez e a própria história central da investigação são momentos impagáveis da fita. Uma comédia política, histórica e real para incomodar ou falar pela voz de muita gente. Todo o poder para todos os povos!”

Rodrigo: A única obra que fez-me questionar o posto do primeiro colocado (e por muito pouco não encabeça minha lista). Infiltrado na Klan é tudo: comédia, ação, drama, sátira, política. E funciona extremamente bem em todos os quesitos. Spike Lee criou uma obra-prima absolutamente necessária e que merece levar todas as premiações existentes (e as que ainda serão criadas).

6. Três Anúncios Para Um Crime  (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)

Martin McDonagh, 2017

(Roberto, Fernando e Rodrigo)
18 pontos

Roberto: Eu adoro o trabalho do Martin McDonagh e com esse filme ele se firmou como um dos meus diretores favoritos.

Fernando: Só o amor salva. Utilizando características do western, como a trilha sonora, fotografia e a trama de vingança, o diretor Martin McDonagh mostra como até os seres mais repugnantes podem encontrar salvação. Cada arco, seja da protagonista ou dos coadjuvantes, é construído com precisão, as viradas na vida dos personagens são convincentes e o elenco espetacular, composto por Frances McDormand, Woody Harrelson e Sam Rockwell, se beneficia com um roteiro tão bom, visto que cada personagem possui uma grande cena aqui.

Rodrigo: Claro que indicações não obrigatoriamente refletem a qualidade de uma obra, porém as sete indicações de Três Anúncios Para Um Crime no Oscar de 2018 refletem, sim. Só a magnífica atuação de Frances McDormand (vencedora do Oscar de Melhor Atriz com méritos de sobra) no papel de protagonista já seria suficiente para colocar o filme na lista.

5. Projeto Flórida (The Florida Project)

Sean Baker, 2017

(Fernando, Ritter e Gabriel)
18 pontos

Ritter: O contraste da encantadora e sempre alegre Moonee com o mundo à sua volta que ela só pode ver, mas não tocar, toca profundamente o espectador. Um filme para deixar qualquer um com aquele gosto agridoce na boca.

4. Colette

Wash Westmoreland, 2018

(Rodrigo, Ritter e Luiz)
25 pontos

Meus comentários: Não assisti a Colette, erro meu, mas olha que interessante esses relatos. Um influenciou o outro que influenciou o outro. Será que te influenciaremos a assistir a essa obra?

Ritter: Esse é, provavelmente, o filme mais esquecido de 2018. Passou batido nos cinemas e ninguém fala dele em lugar algum. E é um dos melhores e mais importantes filmes sobre a emancipação feminina já feitos. Mas é muito melhor seguir publicidade marqueteira de filmes ruins que acham que abordam a mesma temática.

Luiz: Eu iria deixar para ver Colette só quando tivesse tempo. Estava na minha lista, porque a temática me chama a atenção, mas não na lista de prioridades. Aí o Sr. Ritter Fan (vulgo Homem de 5 Milhões de Anos) publicou a crítica dele e então acendeu a minha curiosidade. Fui ver o filme e… MEU DEUS DO CÉU!!! Como é possível que uma obra desse porte tenha ficado bem fora do radar nessa temporada? Chega a ser ofensivo! Que filme, senhoras e senhores! Que filme!

Rodrigo: Um dos últimos filmes que assisti em 2018, Colette quase passou despercebido por mim se não fosse a indicação do Luiz SantiGADO. Inclusive, preciso agradecê-lo por isso, já que graças a ele tive o prazer de ver uma obra tão bem realizada, desde a direção até as atuações, a tempo de colocá-la aqui. Uma das minhas favoritas do ano.

3. A Forma da Água (The Shape of Water)

Guillermo del Toro, 2018

(Roberto, Rodrigo, Handerson, Luiz e Gabriel)
27 pontos

Roberto: Guilhermo Del Toro merecia um Oscar há sei lá quanto tempo e essa fábula romântica é uma das razões pela qual foi tão difícil acreditar que ele ainda não recebeu um.

Luiz: Diante da minha chatice com aclamações loucas para alguns filmes, resisti consideravelmente para ver A Forma da Água. E para mim, foi como ver todos os meus temores afogados (hehehe) ao final da sessão. Um Del Toro abordando um tema que ele sabe trabalhar muito bem e em um contexto impossível de ficar indiferente. Baita filmão, esse Escama Só de Peixe!

Handerson: Del Toro levou o Oscar merecidamente. Torci muito para que acontecesse, o diretor traz aqui uma obra que nada mais é do que um belíssimo conto sobre aqueles que vivem a margem da sociedade. Por mais simples que o roteiro seja – com sua estrutura fabulesca – é difícil não se encantar.

Rodrigo: Vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2018, essa pode não ser nem a melhor obra do Del Toro (alô, O Labirinto do Fauno), mas nem de longe tira os méritos de seu realizador. Uma bonita história de amor dentro do universo fantástico e monstruoso desse grande diretor que não poderia deixar de fora.

Gabriel: Um dos auges, um pouco anacrônico até, mas especial justamente por causa disso, do romance fantástico no cinema.

2. Roma

Alfonso Cuáron, 2018 (Netflix)

(Roberto, Fernando, Handerson e Rafael)
33 pontos

Roberto: Esse é um filme meticulosamente dirigido e facilmente uma das melhores experiências sensoriais do cinema, mesmo que eu tenha assistido em casa.

Handerson: Apenas Filhos da Esperança já era o suficiente pra erguer um altar para Alfonso Cuarón, mas Roma prova a razão deste ser um dos maiores e mais subestimados diretores da atualidade. É seu ápice na direção, construindo um longa delicado, refinado e belíssimo.

Fernando: Um dos filmes mais sensíveis de todos os tempos. Alfonso Cuaron desenvolve um longa extremamente pessoal e nos convida a vivenciar esse recorte de sua vida, recorrendo a uma direção suave e que sabe explorar espaços. Nada é expositivo no longa, tudo é dito por enquadramentos e simbolismos. Assim como a protagonista, o filme se assume introspectivo. Aliás, que grande trabalho de Yalitza Aparicio, transmitindo tanto pelo olhar. Quem se propor a decifrar os sentimentos e imagens, encontrará uma obra apaixonante.

1. Trama Fantasma (Phantom Thread)

Paul Thomas Anderson, 2017

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(Roberto, Fernando, Rodrigo, Ritter, Luiz e Rafael)
60 pontos

Meus comentários: Também amei Trama Fantasma, mas não o indiquei aqui porque tive outras preferências. São apenas 10, poxa! Mas que lavada! Maior que a de Mãe!, ano passado, com 40 pontos para 5 redatores. Aqui, temos 60 pontos para 6 redatores, ou seja, Paul Thomas Anderson gabaritou a prova.

Ritter e Luiz – o primeiro citou essa passagem: “Fios de intenções invisíveis se cruzam para tecer uma trama fantasma de comportamentos amargos, demonstrações inesperadas de amor, cumplicidade, arte e felicidade. Daniel Day-Lewis se aposenta da carreira de ator em um clímax. E Paul Thomas Anderson parece ter construído mais uma camada de maturidade em sua carreira como cineasta.”

Roberto: Esse é o tipo de experiências que me deixa animado com a sétima arte. Paul Thomas Anderson é um mestre em construir enredos e personagens maravilhosos que ficam cada vez melhores quando você revisita seus filmes.

Rodrigo: Daniel Day-Lewis e Paul Thomas Anderson. Eu realmente preciso dizer mais algumas coisa? Ok, lá vai: obra-prima suprema e foi golpe não ter levado tudo no Oscar. É isso.

Fernando: Mais uma obra-prima de Paul Thomas Anderson. Dessa vez, o diretor nos faz refletir sobre o lado tóxico dos relacionamentos, a perda da liberdade individual e a infantilidade masculina diante da mulher, vendo-a quase como uma mãe. No entanto, a abordagem é madura, sem tornar a reflexão maniqueísta. Destaque também para o esplendoroso trabalho técnico, construindo um universo elegante. Além disso, na última interpretação de sua carreira, Daniel Day-Lewis mostra-se, mais uma vez, genial.

As menções honrosas, seguindo todas as nomeações de cada um dos votantes, foram: Antes que Tudo Desapareça, Culpa, Os Jovens Titãs Em Ação! Nos Cinemas, Vingadores: Guerra Infinita, O Dia Depois, Sequestro Relâmpago, Você Nunca Esteve Realmente Aqui e Mãe e Pai.

E então, o que acharam? Sentiram falta de algum filme? Lembrando que os redatores não viram todos os filmes possíveis, muito pelo contrário, e por isso algumas maravilhas podem estar em locais não tão bons quanto outras, tudo de acordo com a sua subjetividade, senão esquecidas. Obras mais populares tendem a ficar em posições mais elevadas, devido o alcance que elas têm.

Enfim, queremos saber as suas opiniões! Comentem!

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.