Veredito Cinéfilo #19.3 | Os 100 Melhores Filmes da Década – Parte 3

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Acharam que a gente tinha parado de caçar briga com as listas do final do ano passado? Pois acharam errado! Listas, briga sobre listas, passar mal fazendo lista, passar nervoso comparando lista e gastar energia psíquica com quem não entende o princípio e o caráter pessoal de se fazer listas é praticamente a nossa vida nesse site obscuro e de nicho  😉

Mas antes de entrarmos na lista oficial (composta pelas indicações pessoais de Luiz Santiago, Ritter Fan, Iann JelielMichel Gutwilen, Rodrigo Pereira, Fernando Annunziata e Fernando Campos), vamos comentar sobre uma coisinha numérica, uma coisinha específica sobre datas, sobre início e sobre o fim de um certo período de tempo…
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TENS O NECESSÁRIO PARA ESMAGARES A MINHA DÉCADA?

Cara Legião dos Beremiz Samir,

É internacionalmente conhecido o esforço que vossas senhorias empregam para tornar o mundo um lugar teoricamente perfeito, onde todos os habitantes usam termos e expressões de diversas áreas corretamente, tendo vocês, ó sábios e científicos, como os grandes corretores e denunciadores daqueles que usam termos errados. Há exatas 666 Luas, presenciamos a belíssima Jornada Internacional Pelo Uso Correto dos Termos “Tóxico” e “Venenoso” que vocês fizeram em Tonga, assim como o Cisma Pela Compreensão do Que São “Lei, Hipótese e Teoria”, o Referendum Sobre a Noção Humana do que é “Meteoro, Meteorito e Asteroide”, as 95 Teses Pelo Uso Correto de “Anos-Luz”, a Missão Planetária Pela Definição Precisa da Palavra “Fascismo” e agora, a Manifestação Internauta Para a Lembrança de Quando Começa e Quando Termina Uma Década, ou, como a gente diz lá em Paulo Afonso, “ai, que bicho chato da gota!“.

Através desta cartinha, afirmamos que nós temos pleno conhecimento de que uma década (e também os séculos e os milênios, com seus respectivos acréscimos de zero) sempre começam no 1 e sempre terminam no 0. Ou seja, nós sabemos que 2020 é o matemático fim da década de 2010 e que a década de 2020 começa apenas em 2021. Gostaríamos porém, de pedir licença a vós, ó preciosos, para que usemos “DÉCADA” aqui no senso comum, no sentido de “ANOS TAL” (nesse caso, anos 2010). Nós temos plena noção do que estamos fazendo. A propósito, o ISO 8601 mandou saudações respeitosas. E aquele vídeo em má qualidade de vocês preocupados com o bug do milênio de 1999 para 2000… também.

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NOSSO SITE, NOSSAS REGRAS

  1. São elegíveis apenas os filmes que estrearam entre janeiro de 2010 e dezembro de 2019.
  2. Não são elegíveis filmes feitos para a TV.
  3. São elegíveis filmes que estrearam em plataformas de streaming.

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ADVERTÊNCIA

Se você ficou muito triste porque o seu filme favorito da década não está na lista, considere primeiro se ele se encaixa nas regras expostas acima, mas independente de qualquer coisa, peço que use e abuse do espaço de comentários nessa postagem para você mesmo criar a sua versão dos melhores! Não adianta chorar, espernear, xingar ou dizer que “parei de ler quando…” porque a nossa lista não mostra exatamente o que você queria que ela mostrasse — e na colocação que você sempre sonhou. Entre também na brincadeira, componha seu próprio ranking e aí vamos falar sobre nossas escolhas, sobre concordâncias e discordâncias diante delas, sobre os filmes da década como um todo. Lista é opinião, e como qualquer concordância e discordância de opinião, você precisa apresentar algo em troca. Apenas chorar pitangas, lamentar ausências e sufocar-se por colocações diferentes da sua não vai adiantar em nada. Liste também! E vamos falar de cinema!

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OS 100 MELHORES FILMES DA DÉCADA (2010 – 2019) – PARTE 3

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Fernando Annunziata: Esta década está repleta de filmes maravilhosos. O interessante é que cada um se destaca por algum elemento único: alguns se sobressaem por relembrar o terror tradicional, outros por conter pautas inovadoras, outros por CGI muito bem desenvolvido etc. No entanto, o que mais me chamou a atenção nessa década foi a grande presença do gênero terror psicológico, na qual desenvolvi um grande apreço e que tem se mostrado cada vez mais presente em obras cinematográficas.

Fico muito feliz em poder listar obras de diferentes gêneros. Isso mostra que o cinema ainda não tem uma fórmula de sucesso (com exceção da “jornada do herói”) . Assim, diferentes pautas podem se mostrar eficientes caso bem produzidas, como acontece em Annabelle 2 que, por mais que seja banal, não deixa de aparecer no ranking. Da década passada para essa, percebemos um grande avanço, não só tecnológico, mas também narrativo. Os roteiros passaram a se preocupar mais com causas sociais modernas, mesmo quando o filme não pretendia conter qualquer tipo de crítica social. Vivemos, enfim, a verdadeira face do cinema crítico. E as expectativas para os próximos anos é que isso aumente.

Infelizmente, o cinema crítico se sobressai apenas nos roteiros. Muitos dos filmes citados na lista não são valorizados ou sequer conhecidos pelo público. E deixo aqui, neste ponto, a minha crítica aos espectadores (e não ao cinema!) nesta década: enquanto brilhantes filmes não têm os aplausos merecidos, a maior bilheteria do cinema contém um roteiro defasado e cheio de furos. Então, qual o sentido de cobrarmos bons filmes? Na próxima década passaremos a ao menos criticar o que nos é mostrado, mesmo quando diante do “filme mais esperado do ano?” Até quando a “jornada do herói” será o inimigo do cinema?
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Ritter Fan: Os anos 2010 marcaram minha transição de metido a crítico para crítico metido quando fui convocado pelo Luiz Santiago a fazer parte do Plano Crítico. Então, o que era apenas uma brincadeira iniciada ainda em 2003 somente para amigos, tornou-se uma obsessão: escrever sobre filmes. E eu nunca mais os vi com o olhar inocente e puro de apenas um espectador, para o mal e para o bem.

Mas, independentemente disso, a década foi realmente incrível cinematograficamente, com a revelação de novos grandes diretores, a oferta farta de obras das mais diversas nacionalidades, o avanço da tecnologia e grandes e clássicos diretores seguindo em frente com suas invejáveis carreiras. Claro que o mercado foi inegavelmente afetado pela consolidação de estúdios e a onipresença especialmente dos produtos Disney, que, sem dúvida alguma, tornaram mais difícil que espaços fossem abertos para o risco. Mas a ousadia continuou e continua existindo e, mais importante ainda, novos espaços cinematográficos foram criados com o avanço impressionante dos serviços de streaming, algo que vejo com aquele inevitável gostinho agridoce, mas que parece ser mesmo o futuro. Que venham os próximos 10 anos!

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50º Lugar: Honeyland

Honeyland — 🇲🇰 2019 / Direção: Tamara Kotevska, Ljubomir Stefanov

O mais sensacional nas artes é como determinadas obras conseguem capturar nossa atenção e nossos sentimentos de maneira tão completa sem que esperemos ou sequer consigamos racionalizar o porquê. Honeyland é uma dessas raridades audiovisuais que está acima de classificações ou definições, algo que certamente tentarei fazer ao longo da presente crítica, mas que o leitor faria melhor em simplesmente parar por aqui e, antes de ler meus comentários, conferir essa obra-prima macedônia que a Academia, sabiamente, colocou como concorrente não só à estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, como também à de Melhor Documentário, algo sem precedentes e que mostra a importância de premiações como o Oscar em divulgar obras que, de outra maneira, seriam quase que completamente ignoradas.

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49º Lugar: História de um Casamento

Marriage Story — 🇬🇧🇺🇸 2019 / Direção: Noah Baumbach

Sensível até no meio de toda a burocracia, Histórias de um Casamento é facilmente um dos melhores, se não o melhor trabalho de Noah Baumbach, arriscando explorar um dos episódios mais delicados de qualquer relacionamento, sem deixar de lado a importância do afeto e da empatia quando lidamos de assuntos como esse.

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48º Lugar: O Regresso

The Revenant — 🇺🇸🇭🇰🇹🇼 2015 / Direção: Alejandro G. Iñárritu

Em O Regresso, Alejandro González Iñarritu tenta alçar seu filme nesse status de experiência transcendental. Como em praticamente todas essas obras voltadas para esse nicho de reflexão, O Regresso é um filme que divide opiniões, em sua maioria, entre ame ou odeie graças à sua subjetividade. Por sorte, fiquei no meio termo desses opostos, mas também não tive a catarse tão almejada pelo cineasta.

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47º Lugar: Infiltrado na Klan

BlacKkKlansman — 🇺🇸 2018 / Direção: Spike Lee

Sua comédia, seu texto inteligente, as excelentes atuações, a direção que sabe expandir horizontes, fazer o elenco atravessar a tela com uma impressionante fluidez e a própria história central da investigação são momentos impagáveis da fita. Uma comédia política, histórica e real para incomodar ou falar pela voz de muita gente. Todo o poder para todos os povos!

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46º Lugar: A Origem

Inception — 🇺🇸🇬🇧 2010 / Direção: Christopher Nolan

Ao criar A Origem, o diretor elevou sua carreira a outro patamar bem distinto. Afinal, são poucos os filmes de qualidade em hollywood que te fazem mesmo pensar se tudo aquilo ali visto é real ou não. Bom, sim, é uma ficção. Mas, somente em A Origem que surge essa indagação em relação a realidade apresentada e a ficção dentro da ficção. Cobb ao deixar seu peão girando e a câmera cortar a cena pontua que tudo não passou de um sonho ou o peão estava de fato caindo?

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45º Lugar: Incêndios

Incendies — 🇫🇷🇨🇦 2010 / Direção: Denis Villeneuve

Mas o filme não é o seu final. Não estou falando aqui de tramas cuidadosamente construídas apenas para a grande revelação final como nos filmes de M. Night ShyamalanIncêndios é um primor de roteiro, de direção e de fotografia e o momento final é apenas a cereja no bolo, uma espécie de coroação da complexidade do Líbano, onde mudanças de aliança, mortes, perdas e guerra foram constantes durante muitas décadas.

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44º Lugar: Holy Motors

Holy Motors — 🇫🇷🇩🇪 2012 / Direção: Leos Carax

Mas o que fica são as imagens hipnóticas. Racionalizar cada momento é perda de tempo. O que importa é ver como Carax, com domínio completo do movimento de câmera, evoca imagens de sonho e pesadelo, modernas e antigas, violentas e gentis.

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43º Lugar: Sob a Pele

Under The Skin — 🇨🇭🇬🇧🇺🇸 2013 / Direção: Jonathan Glazer

Sob a Pele é um longa sobre o puro sentir. É uma obra desconfortante que nos leva a infinitas indagações e contemplações. Um filme conduzido inteiramente pelos contrastes, dos mais simples aos mais complexos do ser humano e da sociedade como um todo. Precisa ser visto no completo desconhecimento e, sobretudo, na sala de cinema, aonde facilmente nos perderemos em sua profunda e perturbadora escuridão.

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42º Lugar: Ela

Her — 🇺🇸 2013 / Direção: Spike Jonze

Ela é um trabalho formidável sobre as relações que construímos em nossa vidas, tenham elas origens reais ou cibernéticas. No fundo, todos estamos prontos a, supostamente, amar alguém e sofrer por isso, por mais resistentes que possamos ser. Sem ingenuidades, Jonze disseca este tema de forma agrabilíssima, leve, mas também com certa amargura devido ao duro realismo do que vemos na tela.

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41º Lugar: O Conto da Princesa Kaguya

Kaguyahime no Monogatari — 🇯🇵 2013 / Direção: Isao Takahata

Assim como os príncipes e homens do reino que viam em Kaguya apenas um objeto, um prêmio, uma conquista amorosa, o pai dela também seguiu um caminho que o deixou cego para os sentimentos da filha, que, mesmo revestida de belas roupas e rodeada por riquezas, não tinha aquilo que realmente a fizesse feliz.

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40º Lugar: A Caça

Jagten — 🇩🇰🇸🇪 2012 / Direção: Thomas Vintenberg

E ainda vale dizer que o elenco de A Caça é simplesmente fantástico, mas o destaque mesmo vai para Mads Mikkelsen, que interpreta Lucas. O ator faz um trabalho louvável, contido na maior parte do tempo, mas bastante expressivo. Ele foi premiado em Cannes pelo  trabalho realizado neste filme. Vale ainda ressaltar que também em 2012, o ator personificou com eficácia o doutor Johann Friedrich Struensee em O Amante da Rainha, uma outra personagem de peso.

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39º Lugar: Assunto de Família

Manbiki Kazoku — 🇯🇵 2018 / Direção: Hirokazu Koreeda

Assunto de Família constrói, desconstrói e depois constrói novamente o conceito da família e, com imagens evocativas de um lirismo emocionante, nos faz a pergunta: o que é mesmo uma família? Mas, apesar de posar a pergunta e deixá-la flutuando ao longo da narrativa, apenas flertando com textos expositivos ao final, Koreeda felizmente nos deixa sem resposta. Aliás, sem resposta não. Ele nos deixa com a munição necessária para chegarmos às nossas próprias conclusões, mas provavelmente não sem que estejamos dispostos a sacrificar convenções.

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38º Lugar: Garota Exemplar

Gone Girl — 🇺🇸 2014 / Direção: David Fincher

Quando li, há bastante tempo, que a própria autora do romance Garota Exemplar escreveria o roteiro do filme para David Fincher dirigir, tremi nas bases. Afinal, em minha mente preconceituosa, imaginei que não só uma autora de obras literárias não teria o domínio sobre a arte de escrever roteiros, como ela estaria tão próxima de seu trabalho que não saberia transpor o essencial para uma nova mídia. Engano meu. E que engano!

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37º Lugar: Visages, Villages

Visages, Villages — 🇫🇷 2017 / Direção: JR, Agnès Varda

Filmado antes do aniversário de 89 anos da mãe da Nouvelle Vague, Agnès Varda, Visages, Villages (2017) reúne a diretora e o fotógrafo francês JR em uma jornada por vilas de diversos lugares da França, onde tiram fotografias gigantes de pessoas, paisagens, coisas e animais e as exibem em lugares públicos homenageando moradores antigos e destacando pessoas por suas diferentes belezas, fazendo da fotografia um instrumento de quebra do marasmo cotidiano. Assim, eles convidam a olhar com outros olhos para o mundo e a pensar sobre o significado das alterações que fazem no espaço.

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36º Lugar: Elle

Elle — 🇧🇪🇫🇷🇩🇪 2017 / Direção: Paul Verhoeven

Quando alguém diz para um cinéfilo: “você nunca viu um filme assim antes“, por mais confiança que se tenha na pessoa, uma semente de dúvida nasce. “Será mesmo?“. A dúvida é legítima e ajuda a aceitar a provocação, a ver o filme como um desafio. Em Elle (2016), é como se Paul Verhoeven tivesse aceitado ele mesmo o desafio de fazer um filme diferente, em todos os sentidos, sobre um dos temas mais polêmicos e complexos — por muitos motivos — de se retratar em qualquer arte: o estupro.

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35º Lugar: Dunkirk

Dunkirk — 🇬🇧🇳🇱🇫🇷🇺🇸 2017 / Direção: Christopher Nolan

Soldados aliados da Bélgica, Império Britânico e França são cercados pelo exército alemão e evacuados durante uma feroz batalha na Segunda Guerra Mundial.

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34º Lugar: Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum

Inside Llewyn Davis — 🇺🇸🇫🇷 2013 / Direção: Ethan e Joel Coen

Some-se a isso um conjunto de interpretações fabuloso, a começar pelo protagonista, uma convincente atuação de Oscar Issac, que sem dúvidas teve sua primeira grande oportunidade com este filme. Dentre os coadjuvantes, o destaque fica para as presenças muito especiais de F. Murray Abraham e John Goodman. Este domínio do elenco como um todo é um sinal da maturidade como diretores dos irmãos Coen, que mesmo deixando sua indelével assinatura  souberam dosar com maestria as peculiaridades de seu estilo na condução do filme.

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33º Lugar: O Artista

The Artist — 🇫🇷🇧🇪 2011 / Direção: Michel Hazanavicius

O Artista é daqueles filmes que despertam a personalidade bipolar do espectador, transmitindo uma gama de sentimentos e sensações em menos de duas horas de duração. Se não fosse esteticamente espetacular e bem dirigido, o filme ainda valeria pela ousadia, não a ousadia desmedida e despropositada, mas uma ousadia crítica, que propõe uma viagem, uma discussão e uma dança com a Sétima Arte, no melhor estilo do cinéfilo que gosta de brincar de dissecar o cinema.

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32º Lugar: Boyhood: Da Infância à Juventude

Boyhood — 🇺🇸 2014 / Direção: Richard Linklater

Uma verdadeira experiência cinematográfica, Boyhood: Da Infância à Juventude é um filme que precisa ser assistido no cinema. Tocante, divertido, dramático e imersivo, trata-se de uma narrativa que não terá problemas em nos prender, evocando nossas mais diversas memórias da juventude. Com precisão cirúrgica Richard Linklater nos traz o que certamente se configura como um dos melhores filmes do ano.

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31º Lugar: Mommy

Mommy — 🇨🇦 2014 / Direção: Xavier Dolan

É nisso que Mommy se destaca, na maneira intrínseca como abusa das possibilidades estéticas e cria intensidades que eletrificam o espectador. É impossível desviar o olhar. A caixinha desenhada na tela te proíbe de buscar fôlego, que só chega quando o personagem Steve permite. A interpretação do ator revelação de Cannes, Antoine-olivier Pilon, é emocionante e sensitiva. Ele é Steve. Doce e carinhoso, o rapaz sofre com TDAH mas nem isso ou os acessos de fúria o impedem de sonhar em estudar na Julliard.

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30º Lugar: A Criada

Ah-ga-ssi — 🇰🇷 2016 / Direção: Chan-wook Park

A sociedade nipônico-coreana dos anos 30 e as liberdades individuais são inseridas em um jogo de gato e rato cheio de detalhes nos figurinos, com uma trilha sonora intensa e a sábia decisão do diretor em explorar silêncios, sons do ambiente ou o mínimo de música possível em situações emotivas, de dor, contemplação ou gozo. The Handmaiden é uma poesia erótica e violenta onde todos manipulam todos e onde a moral, a ética e as normais sociais são mais alguns acessórios nas mãos de quem sabe brincar com elas e, embora não pareça, usá-las a seu favor.

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29º Lugar: O Ato de Matar

The Act of Killing — 🇩🇰🇳🇴🇬🇧 2012 / Direção: Joshua Oppenheimer, Christine Cynn, Anônimo

Com esse surpreendente final, O Ato de Matar quase consegue completa absolvição por seus pecados técnicos. Apesar de ser difícil de assistir e mais difícil ainda escrever sobre o documentário, ele é essencial, obrigatório, assim como é A Imagem de Falta.

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28º Lugar: Era uma Vez… em Hollywood

Once Upon a Time in… Hollywood — 🇺🇸🇬🇧🇨🇳 2019 / Direção: Quentin Tarantino

Reescrever a História, na ficção, é uma tarefa árdua, porque o que você vai entregar no lugar não pode bater o martelo apenas pela mudança de um grande ato. E o Tarantino faz a mudança abrindo possibilidades e juntando todas as pontas de uma forma que a gente toma fôlego e acorda, como se um conto de fadas realmente tivesse acabado, fazendo valer o título de duas formas: pelo que ele conta (conteúdo nostálgico, marcando uma era) e também pelo estilo de contar essa história (forma épica), piscando para o Sergio Leone… É um filme maduro demais, com alguns tropeços no caminho que não dá para ignorar, mas com um baita resultado final.

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27º Lugar: Moonrise Kingdom

Moonrise Kingdom — 🇺🇸 2012 / Direção: Wes Anderson

O grande problema de Moonrise Kingdom é que ele acaba. Mas, como tudo que é bom, deixa um delicioso gosto na boca e uma vontade de assistir tudo novamente.

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26º Lugar: O Farol

The Lighthouse — 🇺🇸🇧🇷 2019 / Direção: Robert Eggers

Por isso que a ideia geral de proteção e guia que simbolicamente atribuímos a um farol se corrompe nesse Universo. Ou melhor, é mostrada em uma outra camada de intenções, afinal, alguém iluminado, mesmo que não queira, pode atrair os mais variados horrores para o seu meio. E não é de hoje que sabemos que o mal também pode morar na luz.

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Melhores Filmes da Década – Parte 4

(lista será postada dia 29/01)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.