Crítica | Arquivo X – Eu Quero Acreditar

estrelas 3

Seis anos separam o último episódio de Arquivo X desse segundo filme baseado na série de TV. Arquivo X – Eu Quero Acreditar não chegou a ser um sucesso de bilheteria no ano de seu lançamento, mas também não comprometeu o legado que o seriado havia deixado ao longo de nove temporadas e um filme lançado em 1998.

Ao contrário do primeiro filme, que foi baseado nos acontecimentos da série que estava no ar na TV, esse título começa anos após o final da série, após o fechamentos dos Arquivos X e do asfatamento de Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) do FBI. Uma agente do FBI desaparece de forma misteriosa. A única pista para encontrar o seu paradeiro está em um padre chamado Joe isolado da igreja por ter molestado nada menos de 37 garotos. Essa figura mediúnica é a única esperança que o FBI tem de resolver o problema. É aí que entra toda a experiência de Mulder, que é chamado para ajudar a desvendar todo o mistério, e claro, desmascarar o padre mentiroso.

O único elo com o mundo real que Mulder ainda tem é sua parceira de investigações, a médica Dana Scully que agora está totalmente dedicada à medicina e atormentada pela perda do filho William. Na ânsia de desvendar o caso e reviver os momentos marcantes de anos anteriores, Mulder decide embarcar de cabeça na aventura e precisa que sua parceira esteja ao seu lado.

A trama lembra um pouco clássicos do suspense como Seven: Os Sete Pecados Capitais e O Silêncio dos Inocentes. As semelhanças com esse último se tornam mais evidentes quando uma outra vítima é sequestrada, atestando que quem está por trás dos crimes é mesmo um assassino em série, e mais, motivado por algo maior. Sem contar nas visões do Padre Joe que podem ser comparadas com as “dicas” dadas por Hannibal Lecter a Clarice, agente do FBI interpretada por Jodie Foster.

O roteiro, assinado por Frank Spotnitz (que havia colaborado com o roteiro do primeiro filme) e de Chris Carter, criador da série e também diretor do longa, respeita o legado da série, e principalmente, não subestima a inteligência do espectador com soluções fáceis. O roteiro ainda tem a seu favor o fato de agradar também quem não conhece a série original, mostrando bem seus protagonistas, agora mudados por causa do tempo e do sofrimento de tempos passados. Existem várias citações da série original, como um cigarro perdido para lembrar do Canceroso, as conspirações rolando na cabeça da dupla após ver um quadro do ex-presidente Bush e ainda a aparição relâmpago, mas sempre marcante de Walter Skinner (Mitch Pileggi).

O desfecho é bem interessante, apesar de apontar um heroísmo desmedido de seus protagonistas. O romance sempre latente entre Mulder e Scully se torna ainda mais dolorido e um problema que precisa ser superado por ambos, assim como o passado vivenciado pelos dois nos tempos de FBI que deixaram cicatrizes que ainda não foram curadas totalmente.

Como filme, Arquivo X – Eu Quero Acreditar é um episódio da série de duas horas de duração. Por não trazer nada novo para o universo da dupla, o longa acaba sendo um presente para os fãs que estavam saudosos de mistério, paisagens inóspitas, casos impossíveis e toda a aura que rodeia esse mítico seriado. Os fãs vão gostar de retornar a esse mundo, mas acredite, nada irá mudar depois que você assistir ao filme. Um episódio de quase duas horas muito bem feito, que cumpre o que promete, mas nada mais do que isso.

Arquivo X – Eu Quero Acreditar (The X Files: I Want to Believe – EUA – 2008)
Direção: Chris Carter
Roteiro: Chris Carter e Frank Spotnitz
Elenco: David Duchovny, Gillian Anderson, Amanda Peet,  Billy Connolly, Xzibit, Mitch Pileggi, Callum Keith Rennie
Duração: 104 minutos

GISELE SANTOS . . Gaúcha de nascimento, mas que não curte bairrismos nem chimarrão! Me encantei pelo cinema ainda criança e a paixão só cresceu ao longo dos anos. O top 1 da vida é "Cidadão Kane", mas tenho uma dificuldade enorme de listar os melhores filmes da minha vida. De uns anos para cá, os filmes alternativos têm ganhado espaço neste coração que um dia já foi ocupado apenas por blockbusters pipoquentos.