Crítica | Atividade Paranormal 3

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estrelas 4

Pode-se afirmar tudo sobre a franquia Atividade Paranormal, menos que são filmes fracassados. Afinal, apesar de uma boa parcela do público não se sentir atraída pela proposta pouco convencional dos filmes (apostar mais na subjetividade do que nos exageros visuais típicos do gênero), a franquia tem arrecadado milhões para os cofres dos estúdios a cada filme lançado, tornando esta uma das franquias mais lucrativas do cinema (isto considerando o baixíssimo orçamento de cada um dos filmes). Obviamente que sucesso não é sinônimo de qualidade, mas basta perguntar para aqueles que se sentem atraídos pela proposta dos filmes da franquia: estes são capazes de perturbar o sono durante a noite.

Ao menos o primeiro filme foi capaz disto. Suas continuações, incluindo aí um capítulo não-oficial ambientado em Tóquio, trouxeram um gostinho de decepção por pouco inovarem dentro da mitologia da série, apenas reciclando os elementos que transformaram o original numa experiência assustadora. Mas surpresas acontecem, e Atividade Paranormal 3 talvez seja a maior surpresa da franquia, onde apesar de reprisar novamente a estrutura do primeiro filme, consegue trazer inovações narrativas e visuais para a franquia, sem perder sua capacidade em continuar assustando e impressionar pelo realismo inserido.

Assim como o segundo filme, Atividade Paranormal 3 é mais um prequel do que uma continuação, uma vez que voltamos no tempo e nos situamos em 1988, onde iremos acompanhar o tão conhecido fantasma atormentar a infância das irmãs Katie e Kristi (Chloe Csengery e Jessica Tyler Brown, ambas ótimas!), sua mãe Julie (Lauren Bittner) e o padrasto Dennis (Christopher Nicholas Smith), que trabalha  filmando casamentos e, consequentemente, bola a ideia de filmar os acontecimentos estranhos que ocorrem na casa (é impressão ou o sangue de cinegrafista parece correr no sangue dos homens dessa família?).

A maior sacada do filme está justamente na ideia de filmagem proposta por Dennis: embutir uma câmera no corpo de um ventilador que gira incessantemente. Se o roteirista Christopher B. Langdon subaproveitou o grande número de câmeras no segundo filme, aqui o efeito contrário acontece, e a ideia da câmera no ventilador se revela visualmente atraente e criativa, onde o constante movimento do aparelho instala no espectador uma crescente expectativa sobre o que poderá surgir (ou pular) na tela. A tensão é imensa.

Os diretores Henry Joost e Ariel Schulman também capricham no trabalho visual, onde o posicionamento das câmeras permitem que a dupla trabalhem melhor com a profundidade dos enquadramentos, cujos cenários oferecem diversas oportunidades de planos de filmagem, algo muito bem aproveitando pela dupla de diretores. Os planos abertos, somados ao constante silêncio da gigantesca casa são perfeitos para que o espectador sempre esteja atento ao menor movimento, a menor sombra que possa surgir no canto da tela. Curioso também notar os flertes do roteiro com algumas lendas e clichês que costumam permear os exemplares do gênero: a cena da brincadeira no espelho é extremamente eficiente ao ir do pastelão ao assustador em questão de segundos, e de forma bastante orgânica, onde os risos se confundem com as fortes batidas do coração, uma sensação interessantíssima. Destaque também para o fantasma debaixo do lençol, uma referência visual nada menos que brilhante à imagem que associamos aos fantasmas nas histórias que ouvíamos quando crianças.

Atividade Paranormal 3 talvez peque apenas em seu clímax, que apesar de extremamente tenso (sem dúvida, foram os minutos mais tensos de um filme do gênero em 2011), que além de exagerar em sua exposição, é mal explicado e deixa diversas pontas soltas, prejudicando inclusive detalhes do primeiro filme (onde está o incêndio que destruiu a casa de Katie e Kristi?). Porém, nada muda o fato de que Atividade Paranormal 3 é o exemplar mais bem sucedido do gênero desde o primeiro exemplar da franquia, o que é algo revigorante, uma vez que não apenas o gênero, mas a própria técnica do found footage encontram-se desgastados e banalizados nos dias de hoje.

Atividade Paranormal 3 (Paranormal Activity 3, EUA, 2011)
Roteiro: Christopher B. Langdon
Direção: Henry Joost e Ariel Schulman
Elenco: Katie Featherston, Sprague Gayden, Lauren Bittner, Chloe Csengery, Christopher Nicholas Smith, Jessica Tyler Brown, Brian Boland, Dustin Ingram
Duração: 85 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.