Crítica | Batman #09 a 11 – Parte II: A Queda da Casa Wayne (Novos 52)

estrelas 4,5

Durante o arco da Noite das Corujas, as edições da revista Batman vieram com uma “Parte B” ou “Parte II”, um segmento que deva continuidade e acrescentava coisas à narração dos fatos lidos na aventura principal.

Em Prelúdio para a Noite das Corujas também tivéramos essa “Parte II”, ali intitulada O Chamado e que basicamente nos mostrava a ligação feita por Alfred para toda a batfamília. Em Noite das Corujas, esse sub-arco chamou-se A Queda da Casa Wayne e foi dividido em três partes que narravam o envolvimento de Jarvis Pennyworth, o pai de Alfred, com a Corte das Corujas.

A base central do pequeno arco é uma ligação “spin-off” com os eventos da Noite. A intenção muitíssimo justificada de Scott Snyder, que aqui escreve ao lado de James Tynion IV, era a de ampliar o raio de alcance dos vilões, envolver mais gente na lista de assassinados e dar informações preciosas que seriam “invasivas” demais caso aparecessem no texto do arco principal. Ou seja, A Queda da Casa Wayne é um complemento importante para entendimento da Noite das Corujas e, principalmente, do passado da família Wayne.

A trama aborda a infância de Bruce e a relação que o garoto tinha com Jarvis. O enredo também explora a proximidade do mordomo em relação ao casal Wayne e fica evidente a confiança e cumplicidade entre os três. Jarvis sabia de muitos segredos da família e se sentia na obrigação não só de guardá-los para si mas de também impedir que fossem descobertos ou que suas consequências afetassem a família de alguma forma. Fica evidente que ele pagaria por isso com a própria vida.

Jarvis

Jarvis Pennyworth escrevendo para o filho: afaste-se da Casa Wayne, Alfred. Ela é amaldiçoada!

Os roteiristas organizam a trama majoritariamente como um flashback. Jarvis escreve uma carta para Alfred (que jamais a recebe) e, no decorrer dessa narração no papel, vemos cenas de perseguição e luta contra um Garra acontecer na casa dos Wayne. É interessante presenciarmos esse lado da história, especialmente porque ele traz informações curiosas sobre Lincoln March e lança dúvidas sobre Martha Wayne e a questão de seu “outro filho”. A mensagem final já estava clara em A Noite das Corujas, mas Snyder e Tynion IV fazem questão de mostrar que o roteiro foi pensado para deixar uma dúvida no ar — de forma narrativa, isso pode vir a ser utilizado em uma história futura, claro.

Com a bela arte de Rafael Albuquerque e cores de Dave McCaig, A Queda da Casa Wayne traz uma aparência aquarelada e saturada em qualquer filtro de cor para momentos dramáticos (cores quentes para as cenas de reunião familiar e cores frias para a perseguição feita a Jarvis). Com o passar das páginas, vemos que McCaig muda a primeira concepção, apostando na tragédia ao invés da felicidade e do amor como sendo representados pelas cores quentes — o incêndio da escola para crianças abandonadas é um marco disso.

O resultado dessa pequena saga é um crepúsculo reflexivo entre Alfred e Bruce, nos dias autuais, num cemitério onde se encontra o corpo de Jarvis. Os eventos da Noite, seja no passado ou no presente, guiam os envolvidos para um questionamento sobre a vida, a morte e seus mistérios.

O que há para descobrir depois de um caso encerrado? Onde está Lincoln March? Alfred realmente tem esse desprezo tênue pelo pai? Quanto mais pensamos nas respostas para essas perguntas, mais convictos ficamos de que este pequeno arco foi um bem sucedido primeiro passo para discussões muito maiores que aqui só dão o seu primeiro passo.

Batman Vol.2 – #09 a 11 (Part II): The Fall of the House of Wayne (EUA, julho a setembro de 2012)
No Brasil: A Queda da Casa Wayne (fevereiro a abril de 2013)
Roteiro: Scott Snyder, James Tynion IV
Arte: Rafael Albuquerque
Cores: Dave McCaig

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.