Crítica | Legião dos Super-Heróis: Origem e Primeiras Aventuras (1958 – 1962)

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A concepção de alguns grupos de super-heróis é capaz de capturar o leitor em apenas algumas páginas, mesmo que a narrativa não seja inovadora ou que a construção do roteiro tropece na caracterização dos personagens (especialmente em dar voz e maior força a eles), como acontece logo na aventura de estreia da Legião dos Super-Heróis (Adventure Comics #247). Nela, temos os jovens da Terra do século 30 chegando ao século 20 para conversar, convencer e convidar o Superboy a fazer parte da equipe. Neste compilado, temos as críticas para TODAS as histórias da LSH e formações ou heróis relacionados, publicadas nas revistas Adventure Comics Vol.1Action Comics Vol.1Superboy Vol.1Superman Vol.1 entre abril de 1958 (data de capa da edição de estreia) e dezembro de 1962.

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A Legião dos Super-Heróis

Com roteiro de Otto Binder e arte de Al Plastino, a Legião apareceu pela primeira vez disfarçada, no século 20, tendo encontros misteriosos com o Superboy e assustando-o, chamando-o de Clark Kent, enquanto ele estava com o uniforme, ou de Superboy enquanto ele estava em roupas civis. Como se isso não bastasse para aterrorizar mais o menino, os Legionários também mandavam lembranças para Jonathan e Martha Kent. Há um quê de conspiração e medo que torna os primeiros momentos dessa primeira história da LSH bastante intrigantes, sendo até possível escantear incômodos como diálogos e resoluções abruptas para situações que precisariam de melhor contexto. No entanto, para uma trama de 1958, é esperado esse tipo de estrutura narrativa, mesmo que ela não seja boa.

O ponto é que mesmo com essas pequenas barrigas, o leitor espera curioso pelo próximo passo, que deve consistir na estadia e provas do Superboy no século 30, para fazer valer a sua aceitação oficial na Legião. De maneira muito sábia, Binder não segmenta as ações de cada herói, como futuramente seria de praxe na DC, diante dos absurdamente famosos times heroicos que surgiriam em poucos anos, a saber, a Liga da Justiça e os Jovens Titãs. Com uma narrativa mais fluída, optando por duplas ou por uma integração geral de ação entre os heróis, o roteiro consegue fazer as provas do Superboy avançarem sem maiores estranhezas, embora as interrupções a cada nova tarefa (e aquela patética águia invisível) tirem temporariamente a nossa empolgação.

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Começam os testes para o ingresso do Superboy na Legião.

Há uma espécie de aula de humildade e gentileza como “moral da história” aqui, colocando o Superboy magoado, mas nem por isso, enraivecido ou ignorante com o restante da equipe. O teste, a rigor, parece um pouco extremo, mas em uma análise final, tem sentido. O curioso é que o leitor conhece a personalidade do Super e fica triste pelo tratamento infame que recebe de Relâmpago (Lightning Lad/Garth Ranzz), Cósmico (Cosmic Boy/Rokk Krinn) e Satúrnia ou Moça de Saturno (Saturn Girl/Imra Ardeen) — todos fazendo suas primeiras aparições nos quadrinhos –, o que talvez afete um pouco a nossa recepção final da trama, mas nada terrivelmente grave. Com uma arte simples naquilo que representa, mas eficiente ao fazer a oposição entre os séculos e a ação dos personagens em cada um dos cenários, a Legião dos Super-Heróis tem um bom início nos quadrinhos, definitivamente o tipo de enredo que o leitor fica curioso para acompanhar. Pena que levaria muito tempo até que outra boa história com a equipe fosse publicada.

The Legion of Super-Heroes (Adventure Comics Vol.1 #247) — EUA, abril de 1958
No Brasil:
Ebal (1966, 1968, 1969, 1979), Nova Sampa (1995) e Panini (2010)
Roteiro: Otto Binder
Arte: Al Plastino
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
12 páginas

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Prisioneiro dos Super-Heróis

Copiando descaradamente o roteiro de Otto Binder em A Legião dos Super-Heróis (AC #247) Jerry Siegel retomou a trama dos heróis do futuro da Terra colocando o Superboy em maus lençóis. Inicialmente vemos Cósmico, Relâmpago e Satúrnia realizando uma série de benefícios para Smallville, fazendo o pequeno Super ser humilhado diante da população da cidade. Como aconteceu no encontro anterior do herói com os heróis fundadores da Legião, existe um “disfarce de intenções” aqui, cujo objetivo é levar o Superboy para o… adivinhem só… Superboy Planet (é isso mesmo que vocês leram) e lá então fazerem um “julgamento” do tipo Minority Report.

A história tem alguns poucos momentos interessantes, mas é impossível não rir ou revirar os olhos com as resoluções mais absurdas e narrativamente fracas que Siegel utiliza para guiar os Legionários. Não bastasse a exata mesma dinâmica de acontecimentos da estreia da Legião, temos uma explicação sem pé nem cabeça para todo o mal tratamento ao Garoto de Aço, especialmente se levarmos em conta que Cosmic Boy, Saturn Girl e Lightning Lad são jovens bastante inteligentes e com um senso de moral do futuro da Terra que claramente barraria o tipo de atitude que tomam aqui. Em suma, nenhuma de suas ações de julgamento fazem sentido.

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É “patada” que chama, não é?

Por sorte, ainda temos notamos pequenos lampejos de coisas interessantes ao longo da edição, como a partida do Superboy do planeta Terra, o dilema sentimental de ser maltratado pelos pais (isso dói até no leitor) e a própria posição do herói diante das adversidades, que é uma marca central de seu comportamento, mantida em sua vida adulta. Contudo, essas coisas não salvam a história. E a queda de qualidade nas histórias da Legião estava só começando…

Prisoner of the Super-Heroes! (Adventure Comics Vol.1 #267) — EUA, dezembro de 1959
No Brasil:
Ebal (1970)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: George Papp
Letras: Joe Letterese
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
12 páginas

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Os Três Super-Heróis!

Se eu fosse a Supergirl, com certeza iria desfazer todo o imenso (e científica ou logicamente sem sentido) projeto para desafogar o tráfego aéreo na Terra do século 30! Já que os heróis da LSH (oh, os filhos dos heróis fundadores que conhecemos em Adventure Comics Vol.1 #247, mas é bom nem pensar nessa bagunça ou tentar colocar algum sentido nisso, para não piorar mais ainda e baixarmos a nota para lixo atômico). A coisa toda dessa edição é um verdadeiro Oceano de Coincidências (ou melhor, de acontecimentos forçados e pseudo-amarrados) que colocam Relâmpago, Cósmico e Satúrnia Jrs. na cola da Supergirl, fazendo desastres acontecerem ao seu redor só para chamar a atenção da moça através do desespero. E nem para Jerry Siegel ser mais misterioso no título, colocando os 6 heróis, em vez de 3, só para fazer jus ao número verdadeiro de novos supers que aparecem aqui.

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Invisible Kid: Super Invisibility“. Ora ora ora, parece que temos um Xeroque Rõmes aqui, não é mesmo?

Falando mais precisamente do que acontece, esta trama é uma cópia totalmente sem graça da estreia da Legião nos quadrinhos. Pelo menos naquela ocasião, mesmo sendo trollado e maltratado pelos sem-coração do século 30, Clarkinho conseguiu o ingresso na equipe. Aqui, mesmo fazendo algo muitíssimo mais difícil e muitíssimo mais útil do que o primo fizera, “Linda Lee” recebeu apenas um “sinto-muito, você está muito velha” bem na cara e tudo ficou por isso mesmo. E sabem o que é ainda pior? O fato de ela saber, naquela momento, que estava sob efeito de kryptonita vermelha e os colegas do Clube de Super-Heróis não mexerem uma palha para mudarem a situação ou contextualizarem tudo aquilo, pois a moça ficou daquele jeito (envelhecida) por causa deles, para impressioná-los. E só para não dizer que perdemos a viagem, vale lembrar que temos nessa revista a primeira aparição mais ou menos contextualizada de Camaleão (Chameleon Boy/Reep Daggle), Rapaz Invisível (Invisible Kid/Lyle Norg) e Colossal (Colossal Boy/Gim Allon).

The Three Super-Heroes! (Action Comics Vol.1 #267) — EUA, agosto de 1960
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Jim Mooney
Letras: Joe Letterese
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
12 páginas

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A Tropa de Seres de Kryptonita Viva!

Pensemos que a questão de “buscar pistas misteriosas” em aspectos diferentes da nossa vida não é algo assim tão incomum. Logo, não são exatamente estranhos os apontamentos sobre a coincidência de indivíduos com letras iguais na vida do Superboy. Este não é o problema. O problema foi a forma como Jerry Siegel inseriu esse elemento na história (quase uma teoria da conspiração que tem o seu charme, mas descamba para o nonsense) de maneira completamente aleatória, retornando a ele no final, como vocês podem ver na tira abaixo, de modo risível e sem sentido. Quando a trama começa, Clark conversa com pa Kent sobre ter três importantes “L.L.” em sua vida, com significados diferentes para ele: Lana Lang, Lex Luthor e Lightning Lad. Até aí tudo bem. É um argumento meio fora da curva, mas aceitável. Só que essa informação não serve para absolutamente NADA no decorrer dessa história, que consiste em Luthor brincando de bonequinhos e tentando matar o Superzinho à distância.

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O que você não contava era com alguém que também tem as iniciais L.L.“. Sim. Isso faz total sentido sentido, Superboy, ahã.

Na primeira parte da trama, quando a máquina do careca criminoso é colocada em uso, o leitor quase compra a ideia. Tentando esquecer a informação aleatória dos “L.L.” nos quadros iniciais, meio que voltamos à base das histórias loucas da Era de Prata e aí tudo bem, já estamos acostumados a isso. Mas então Lana Lang entra em cena (provavelmente só para valer a “pista” do “L.L.”, novamente, sem nenhum sentido dentro da história) e o roteiro dá uma guinada de “estranho” para o “WTF”, e não o “WTF” no bom sentido. Nem a presença do super-fofo Krypto ajuda a melhorar o texto, muito menos a chegada de Relâmpago, na parte final. Mesmo que tenha um pedacinho em sua continuidade que divirta, a história é simplesmente mais uma grande decepção.

The Army of Living Kryptonite Men! (Superboy Vol.1 #86) — EUA, janeiro de 1961
No Brasil:
 Panini (2008)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: George Papp
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
24 páginas

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Lana Lang e a Legião dos Super-Heróis

Ok., vamos combinar que esta é uma história de 1961 e que o público-alvo aqui era mesmo o adolescente, mas… Céus de Krypton, que história horrorosa, pelo amor de Rao! Cultural e historicamente falando, é fácil entender o por quê Otto Binder se sentiu impelido a registrar uma trama romântica com Lana Lang caindo de amores pelo Superboy e manipulando o coitado do Ástron (Star Boy/Thom Kallor) para fazer ciúmes para o crush. No entanto, mesmo com o trabalho na linha de “menina louca e apaixonada” que o roteirista colocou aqui, até era possível imaginar algumas atitudes que fizessem sentido, que fossem ruins, mas das quais a gente pudesse aproveitar algo, como aconteceu em Prisioneiro dos Super-Heróis. Todavia é penoso constatar que nada aqui faz sentido ou tem, a longo prazo, um ingrediente interessante a ser considerado.

Sendo muito bonzinho, a gente pode salvar aqui a primeira aparição de Thom Kallor nos quadrinhos e os rápidos quadros em que o vemos se apresentar à Legião dos Super-Heróis, mas fora isso, trata-se de uma aventura extremamente penosa, com diálogos aterradores e uma linha de conflito à la “louca paixão adolescente” que não dá em nada e só gasta o nosso tempo e paciência.

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Eu não precisarei da sua nave, Star Boy“. HAHAHAHAHAHAHA

A gente começa a rir quando notamos as pistas loucas que Ástron (sim, este é o nome do coitado aqui no Brasil, também grafado sem acento agudo) utiliza para chamar a atenção do Superboy, praticamente arriscando machucar um monte de gente e causar imensos danos, especialmente com o lance do fluxo interrompido da barragem. Daí, seguem-se conversas que vão piorando as coisas, com limitações de poderes e “busca de criminosos” que realmente me fez pensar que eu estava lendo as atrozes histórias de Doctor Who na revista TV Action tudo de novo. É engraçado, mas ao mesmo tempo enraivece, porque subestima a nossa inteligência. De qualquer forma, a trama serviu para apresentar um personagem que teria um futuro muito bom nos quadrinhos. Contudo, esta sua primeira aparição é simplesmente vergonhosa. Nem a arte da revista ajuda!

Lana Lang and the Legion of Super-Heroes! (Adventure Comics Vol.1 #282) — EUA, março de 1961
No Brasil:
Ebal (1969)
Roteiro: Otto Binder
Arte: George Papp
Letras: Joe Letterese
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
14 páginas

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As Três Super-Amigas da Supergirl

Depois do terrível vexame de Os Três Super-Heróis!, era mais do que justo que a Supergirl tivesse não só a tentativa, mas o seu real ingresso na Legião dos Super-Heróis, que aqui é feito ao mesmo tempo que a entrada de Brainiac 5 (Querl Dox) no grupo, justamente em sua primeira aparição nos quadrinhos. A LSH mudou, neste ponto, uma regra para o ingresso de novos membros, sendo, em vez de um único indivíduo por ano, a entrada de dois, um menino e uma menina. Nessa mesma jogada, Jerry Siegel e Jim Mooney aproveitam para nos apresentar mais uma porção de novos personagens, além do descendente bonzinho do malvado Brainiac. Surgem também pela primeira vez Etérea ou Moça Fantasma (Phantom Girl/Tinya Wazzo), que já aparece como membro do grupo; Moça-Tríplice (Triplicate Girl/Luornu Durgo), que já aparece como membro do grupo; Violeta (Shrinking Violet/Salu Digby), candidata; Saltador (Bouncing Boy/Charles Taine), candidato; e Solar (Sun Boy/Dirk Morgna), também candidato.

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Supergirl e Brainiac 5 são aceitos na Legião dos Super-Heróis.

Mesmo que o princípio aqui seja apenas a vontade da Supergirl em ter amigas e, do nada, aparecerem candidatas para preencher esse posto (melhor nem pensar muito nisso. E vale dizer também que é preciso ler contextualizando a época os quadros onde salta aos olhos o machismo no tratamento para com a heroína, que segue em uma relação de quase subserviência e até pressão psicológica diante do Superman), o fato é que a história consegue avançar mais ou menos bem, dentro loucura que propõe, tendo ainda uma cena curiosa com a sereia Lori e o tritão Jerro (ou melhor, em pompa e circunstância atlante: Jerro the Merboy. Pois é.) e uma cômica, fofa e muito rápida cena com Krypto (sim, eu amo esse cachorro). Quase uma aventura boa!

Supergirl’s Three Super-Girlfriends! (Action Comics Vol.1 #276) — EUA, maio de 1961
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Jim Mooney
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
24 páginas

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O Irmão de Superboy & O Segredo de Mon-El

Embora esta não seja uma aventura da Legião, não dá para ignorar a estreia de Mon-El/Lar-Grand (aqui, com o nome civil de Bob Cobb, um caixeiro-viajante) nos quadrinhos, até porque ele seria uma parte muito importante da vida do Superboy daqui para frente e porque no futuro se afiliaria à LSH, portanto, é lícito que a origem dele apareça no momento cronológico em que as primeiras aventuras da Legião também aconteciam nos quadrinhos. Nesta história de origem em duas partes, temos a chegada do jovem de Daxam à Terra, em um foguete que lembra a Clark o mesmo que ele viera à Terra, anos antes. Aos poucos, o jovem Kent vai pegando pistas relacionadas ao misterioso recém-chegado, e fica espantado com o que essas pistas lhe indicam: um papel com orientações astronômicas escritas à mão por Jor-El, um colar com lembranças do casal Jor e Lara, uma roupa parecida com o uniforme de Clark, mas com cores invertidas; e uma certa semelhança física… Tudo isso faz o Superboy achar que encontrou um irmão e, já que o recém-chegado não tinha memória nenhuma de seu passado, Clark começou a lhe contar essa teoria como se fosse verdade. Para o agora batizado Mon-El (“Mon”, porque chegou à Terra em uma segunda-feira — monday, em inglês — e “El”… bem, vocês sabem por quê…), ele tinha um irmão e veio para a Terra porque seu pai Jor-El o enviara. Gravem bem essa informação.

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Kryptonita? Tô fora! Pego minha reserva de chumbo e vou embora.

O roteiro de Robert Bernstein tem os ingredientes necessários para alavancar a curiosidade do leitor. Claro que a trama se perde em alguns momentos, sendo o pior deles o tour que Clark faz até o Egito Antigo (mais precisamente em 4.000 a.C.), para coletar informações sobre Rhodopis, que é uma das variantes do mito da Cinderela; ou a bobagem injusta que o autor força no público, ao fingir que foi Mon-El quem estava representando, de maneira vilanesca, toda aquela situação (ou seja, fingindo sem irmão de Clark), sendo que o “culpado” de absolutamente tudo (inclusive a intoxicação do daxamita por chumbo) é inteiramente o Superboy. Mesmo assim, a história se ergue e termina acima da média, com uma situação bastante triste, que sempre me faz pensar em Mon-El, independente da fase, com um misto de tristeza e noção de perseverança, lembrando todo o tempo que ele teve que passar na Zona Fantasma para poder continuar vivo. Uma história bastante densa e inesperada no meio de tantas tramas tortuosas envolvendo o Garoto de Aço e heróis aliados a ele neste período.

Superboy’s Big Brother! (Superboy Vol.1 #89) — EUA, junho de 1961
No Brasil:
 Ebal (1973)
Roteiro: Robert Bernstein
Arte: George Papp
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
24 páginas

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A Legião dos Supervilões

Pelo menos a gente tem um marco importante nessa revista, que é a estreia da Legião dos Supervilões. Mas o lado positivo da coisa toda para por aí mesmo. Entre diálogos absurdos, decisões nonsenses e muita, muita coisa engraçada no meio do caminho, essa edição traz Luthor tramando um plano para sair da cadeia. Ele consegue fazer um rádio que leva sua voz pelo espaço, para o futuro, e transmite coisas simples, daquelas que a gente está acostumado a ouvir pelas ondas do Universo todos os dias: “chamando o futuro! Arqui-criminoso Luthor, do ano 1961 chamando a Legião dos Supervilões, no futuro! Eu estou preso! Preciso de ajuda! Me salvem!“. Comovente, não? Pois é, esta edição está cheia desse tipo de coisa, e tudo, claro, é direcionado para um plano de destruição do Superman, que recebe ajuda das versões adultas de seus amigos da Legião: Satúrnia, Relâmpago e Cósmico, lutando contra Rei Cósmico, Lorde Relâmpago (irmão de… ahã, dele mesmo…) e Rainha de Saturno. Nem preciso dizer que os nomes, a postura e a motivação desses vilões são, em uma palavra, patéticos.

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A gente já viu essa capa em algum lugar…

Jerry Siegel sequer tentou esconder que estava totalmente desconfortável escrevendo esse roteiro, reciclando da pior maneira possível todo tipo de ideia maluca que já havia aparecido pelos quadrinhos até aqueles primeiros anos da Era de Prata (a revista é de 1961). Ele faz questão de colocar uma origem para os três vilões do futuro, apresentadas como se fosse uma conversa no parque, com Luthor ouvindo atentamente e sem fazer absolutamente nada com essas informações. E o que dizer da falta de esperança do Superman, algo completamente atípico a ele? Ou da BIZARRA ideia de tirar meteoritos dos anéis de Saturno e levar para um planetoide, para neutralizar a vontade criminosa da Rainha de Saturno? Ah, e sem falar naquela “Cidade dos Órfãos” que o Azulão estava construindo, ao que me parece, com casas pré-fabricadas, misturando estilo grego clássico, hindu, medieval e setecentista. Exceto pela arte e por alguns momentos de batalha, esta história é uma “vergonha alheia” ligada em nível máximo.

The Legion of Super-Villains! (Superman Vol.1 #147) — EUA, agosto de 1961
No Brasil:
Ebal (1971)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Curt Swan
Arte-final: Sheldon Moldoff
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
12 páginas

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O Segredo do Sétimo Super-Herói

E a onda de absurdos não para! Desta vez, temos um roteiro que se divide em dois núcleos, ambos com indivíduos assumindo a identidade de um super-herói (Tom Tanner, sósia de Clark Kent, o Superboy e o Sunboy Imposter, disfarçando-se de Dirk Morgna, o Solar), o que, à primeira vista, parece algo interessante, não é mesmo? Bem… em teoria, sim, é algo interessante. A proposta com certeza poderia gerar uma boa aventura a respeito de duplos, especialmente quando um personagem mau assume a identidade de um personagem bom. Mas o roteiro de Robert Bernstein faz tudo o que é possível fazer de errado com esse material.

Em vez de utilizar a duplicidade de personalidades para algo contido, onde algumas explicações cabíveis são possíveis, o autor abraçou decisões que colocam a própria sanidade do Superboy em questão, permitindo de bom grado que alguém que fingia ser ele ficar em sua casa, ir para a escola em seu lugar e, no fim de tudo, comemorar isso como um verdadeiro favor!!! Sim, meus amigos, Superboy cabulador de aula e feliz com isso (ah, ainda vale citar o fato de que é uma prática do menino cabular e mandar outros assistirem aulas em seu lugar, pois ele tem um robô de Clark Kent em casa e o roteiro indica que isso já aconteceu antes).

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Uma das armas mais poderosas do século 30! O que a gente vai fazer? Destruir? Nada disso! Vamos colocar em contêineres e esconder na Terra do século 20! Porque esta é a coisa mais inteligente a se fazer, não é?

Já o drama envolvendo o falso Solar é ainda mais troncho, piorando — se é que isto é possível — com a explicação final dada por Clarkinho, a respeito do “aperto de mão secreto” (vulgo “tokinho dos parça“) que os membros do Clube dos Super-Heróis têm. E eu não estou colocando o “toquinho” como algo ruim. Eu acho, aliás, algo sensacional. A questão é que mesmo com todas as coisas impossíveis que o tal Solar pediu para o Superboy fazer, o jovem sequer suspeitou que estava diante de um embuste e precisou esperar a falta do toquinho pra notar isso? Não não não… Por mais que a gente queira defender, não tem como.

The Secret of the Seventh Super-Hero! (Adventure Comics Vol.1 #290) — EUA, novembro de 1961
No Brasil:
Ebal (1970)
Roteiro: Robert Bernstein
Arte: George Papp
Letras: Joe Letterese
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
12 páginas

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Legião dos Supertraidores

Essas primeiras histórias da LSH nos mostram claramente que Clark Kent, quando jovem, era um verdadeiro saco de pancadas, a “Dor & Sofrimento” em pessoa, nas mãos dos heróis do século 30. Não bastasse a trollada que fizeram com ele logo no primeiro contato, ao longo dessas edições iniciais ele passou por maus bocados envolvendo esse povo da Terra do futuro. Na presente edição, a coisa não é diferente e, ainda bem, traz um número bem maior de boas resoluções para a revista, se compararmos às últimas aparições do grupo, claro.

Tudo bem que o motivo para o comportamento errático e violento do Superboy tem uma péssima motivação, mas a história quase funciona. A edição também merece os louros por trazer Cometa, O Supercavalo (Biron ou Comet the Super-Horse) para os quadrinhos, assim como a Legião dos Super-Pets, formada, além de Cometa, o cavalo da Supergirl, pelo gato Raiado (Streaky, the Supercat), Beppo, O Supermacaco (Beppo, the Super-Monkey) e pelo fiel super-cão Krypto, que tem uma participação de destaque na história, impedindo, inclusive, que o Superboy entre em apuros enquanto estava sendo manipulado.

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Cósmico, Satúrnia, Relâmpago, Legião dos Super-Pets e os Brain-Globes of Rambat!

Há uma espécie de fan service estranho com a aparição da Zona Fantasma e principalmente de Mon-El na história (não dá para lembrar dele sem sofrer um pouco, não é?), tentando enganar o Superboy, mas nada disso se enquadra de verdade em uma ameaça para o planeta, como o vilão coloca. Não faz sentido e não há uma explicação racional para como essa dominação aconteceu. Já o negócio de mudança de planeta… bem… é aceitável dentro do uso dessa “tecnologia especial”, mas na história e com a explicação do tipo “aceitem o mistério e pronto” do roteiro de Jerry Siegel, não cola bem. Pelo menos a participação dos bichos é divertida, apesar de um pouco bizarra.

The Legion of Super-Traitors! (Adventure Comics Vol.1 #293) — EUA, fevereiro de 1962
No Brasil:
Ebal (1973)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Curt Swan
Arte-final: George Klein
Letras: Milton Snappin
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
12 páginas

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O Maior Desafio da Supergirl!

Uma das melhores coisas de histórias com grandes equipes é a possibilidade de vermos heróis com diferentes poderes lutando juntos para derrotarem um vilão, reverterem ou solucionarem alguma coisa muito ruim em um determinado cenário. Agora fica a questão: qual é o sentido de haver uma equipe de heróis e apenas um deles trabalhar? Esta é basicamente a pergunta-chave que fazemos em O Maior Desafio da Supergirl, história um pouco mais longa que o padrão das tramas com a LSH até aqui, colocando a Garota de Aço em duas diferentes situações, a primeira, em uma simples “saída com as amigas”, para a reunião de um fan club do Superman (é patético como os roteiros empurravam esse tipo de tonteria para uma personagem do porte da Supergirl!) e a segunda, dando destaque merecido para a heroína, mas infelizmente, em um contexto que não faz muito sentido.

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A pergunta que não quer calar é: por que ninguém ajudou a Supergirl?

Quando chegamos na Parte 2 da revista, conhecemos o gato Whizzy (descendente de Streaky, o “atual” gato de Linda Lee) e somos colocados diante de uma série de problemas, todos nas costas da Supergirl, mesmo com outros OITO (sim, 8!) membros da Legião dos Super-Heróis em cena. Retroativamente, até conseguimos dar algum sentido para essa escolha de Jerry Siegel, porque o Clube dos Heróis havia sido colocado em animação suspensa (não me perguntem como) pelos Chameleon Men, em algum ponto durante a luta da Supergirl contra o Positive Man. O impasse é que enquanto a equipe está em cena, ela não faz anda a não ser assumir coisas bestas como “será que a Supergirl abandonou a Terra à sua própria sorte?” entre outras sandices do tipo. Se tivessem ficado à distância, a visão geral da história seria bem diferente. Entretanto, mesmo com todas essas lombadas, a coisa acaba fluindo dentro de sua própria lógica, trazendo uma ótima arte de Jim Mooney no bloco da batalha no espaço, uma das melhores cenas de luta do título até o aqui.

Supergirl’s Greatest Challenge! (Action Comics Vol.1 #287) — EUA, abril de 1962
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Jim Mooney
Letras: Milton Snappin
Capa: Curt Swan, Sheldon Moldoff
24 páginas

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O Super-Cortejo do Superman!

E eis que a Supergirl resolveu se intrometer na vida do primo, assumindo que ele era um homem infeliz (e pior: que seria um homem mais infeliz ainda quando “seu amor” se casasse com outro homem, em algum momento no futuro) só porque ele era solteiro. Com essa premissa, Jerry Siegel resolveu tentar de tudo. Desde a Síndrome de Toupeira da Supergirl (é impressionante como ele adorava escrever roteiros dessa garota cavando buracos!) até a presença de um Cupido (o negócio é tão insano que eu fiz questão de colocar a página aqui pra vocês verem que eu não estou sendo engraçadinho) e com a Supergirl assumindo o papel de casamenteira, levando sua grande missão para… adivinhem só… a Grécia Antiga!!! Sim, sim, depois de todo esse tempo, de todo o conhecimento coletado + o entendimento de como funcionam as leis do espaço-tempo (dentro desse Universo, claro) e os perigos de alteração da História, a Supergirl realmente tentou descolar Helena de Troia para o primo Azulão.

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Eu não tenho ironia suficiente para comentar isso…

E lembram do negócio com a coincidência das letras “L.L.”, lá de A Tropa de Seres de Kryptonita Viva? A ideia volta aqui, revestida de uma cumplicidade que, reconheço, está melhor colocada e gera até um pouco de ânimo no leitor — porque vem acompanhado de uma linha de ação um tantinho mais aceitável –, mas termina sendo um grande desperdício de tempo e energia, já que toda essa Saga de Santa Antônia não tem cabimento algum. Mesmo depois de Helena, a moça ainda cogitou arranjar Cleópatra para o Sups, e ainda passou por um enorme vexame junto à Legião dos Super-Heróis (basicamente eles estragaram o Natal do pessoal, com essa besteira da Garota de Aço — se bem que o Superman resolveu aqui o problema do pessoal, para voar sem precisar daqueles maquinários todos). Ah sim, e ainda temos a trama parcialmente interessante junto à Superwoman Luma Lynai (notaram o “L.L.”?), uma versão alternativa e futura da Supergirl. Olha… É preciso um grande esforço para ler essas histórias sem querer bater a cabeça na parede umas 150 vezes…

Superman’s Super-Courtship! (Action Comics Vol.1 #289) — EUA, junho de 1962
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Jim Mooney
Letras: Milton Snappin
Capa: Curt Swan, George Klein, Ira Schnapp
12 páginas

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O Rapaz com Ultrapoderes

Se não fossem dois momentos estruturalmente bizarros e com consequências narrativamente ruins (daquelas de revirar os olhos mesmo, embora a curto prazo), essa estreia do Ultrarrapaz (Ultra Boy/Jo Nah) nos quadrinhos, juntamente com Marla Latham, poderia subir ainda mais de qualidade. Ainda assim, este é um motivo de comemoração, pois se trata da melhor história envolvendo a LSH (nesse caso, um dos heróis do Clube, em sua missão de ingresso) desde que ela apareceu nos quadrinhos, em abril de 1958. Ou seja, foram pouco mais de quatro anos de histórias majoritariamente ruins (apenas três delas podem ser classificadas como “ok”) para termos algo com um pouco mais de relevância e qualidade na galeria de aventuras do grupo.

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Como o Ultra Boy ganhou seus poderes…

O roteiro brinca com a percepção do leitor ao apresentar algo que pode ser uma ameaça, mas acaba se revelando outra coisa. A sequência de eventos é muito bem pensada, embora passe por dois momentos ruins, como o da pedreira e como o absurdo do diário de Pete Ross. Embora seja perfeitamente possível entender a necessidade do garoto em registrar certas coisas em seu diário, não seria mais inteligente ele colocar isso em código ou simplesmente destruir as entradas referentes ao Superboy, para evitar todo o problema? Me pareceu uma variação da estúpida atitude da Legião em O Segredo do Sétimo Super-Herói, quando desmembraram um robô mortífero do século 30 e em vez de destruir essas peças, trouxeram-nas para a Terra do século 20, escondendo-as em lugares que não pudessem ser acessados por mais ninguém. Percebem o absurdo? No caso de Ross, a atitude é ainda mais questionável, porque ele poderia substituir o nome Superboy por… sei lá, Marilyn Monroe ou Futebol. Mas tudo bem. Pelo menos ele ganha uma interessante e certamente merecida medalhinha da Legião e a história como um todo, vale a pena. Até que fim!

The Boy With Ultra-Powers! (Superboy Vol.1 #98) — EUA, julho de 1962
No Brasil:
 Ebal (1973)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Curt Swan
Arte-final: George Klein
Letras: Milton Snappin
Capa: Curt Swan, George Klein
Editoria: Mort Weisinger
24 páginas

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A Máscara de Chumbo

A capa desta edição da revista Adventure Comics #300 diz que “atendendo a pedidos” Mon-El volta da Zona Fantasma. E que bom que ele volta, embora por pouco tempo, não dando nem tempo de o personagem respirar direito ou falar algumas coisas interessantes para a gente gostar mais dele. O fato é que o sofrimento do herói, sua intoxicação por chumbo (não é, Superboy?) e seu “exílio” na Zona Fantasma como uma forma de impedir que ele fique cada vez mais doente e morra, nos comove e nos faz querer ver mais dele nas histórias da Legião. Aqui, porém, Satúrnia desenvolve um soro, o XY-4, que permite que o moço esteja livre da intoxicação por alguns minutos, abrindo um precedente estranho (podia ser logo algumas horas, não é mesmo?) para que fosse usado em ocasiões especiais. Pura conveniência.

Conheçam o ~misterioso~ Urthlo.

Aqui, existe um descontrole dos poderes dos heróis da Legião, deixando todos com medo e com a ameaça da polícia da Terra no século 30 em exilar todos, caso continuassem sem o domínio de suas habilidades. Exceto pelos diálogos de insatisfação de Satúrnia e Relâmpago — porque era óbvio que havia algo de errado com Cósmico e Solar, eles não estavam apenas destruindo coisas porque era divertido — o primeiro momento de descontrole dos poderes é muito bom. Dá uma sensação de medo e essa sensação é bem acomodada no restante da história, a despeito do plano bobão do robô envelhecido de um certo Urthlo. Mesmo que não houvesse necessidade nenhuma daquela ligação e breves diálogos com o Luthor do século 20 — a inimizade dele para com o Superboy já era repetida ad infinitum, não precisava mais de nenhuma reafirmação disso — a passagem de um bloco para outro acaba se beneficiando dessas informações e o roteiro utiliza bem o ódio do personagem contra a LSH e o Superboy, criando uma boa armadilha e uma saída aceitáveis no final.

The Face Behind the Lead Mask! (Adventure Comics Vol.1 #300) — EUA, setembro de 1962
No Brasil:
Ebal (1970)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: John Forte, Al Plastino
Letras: Milt Snapinn
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
24 páginas

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A Origem Secreta de Rapaz-Saltador

Ok, poderia ser muito pior, certo? Afinal de contas, essa história se chama A ORIGEM SECRETA DO RAPAZ-SALTADOR. Vá lá. Pensem bem nesse título e tentem não sentir um pouco de vergonha por Jerry Siegel, pela DC e pela Legião dos Super-Heróis, tudo ao mesmo tempo. Por outro lado, é curioso que até o Saltador tenha ganhado uma origem secreta e que foi aceito na LSH. Sim, ele, com toda a sua habilidade de inchar, como um balão pimpão, e sair pulando (ou melhor… saltando!) alegremente por prados verdejantes… não, estou divagando. Mas a coisa toda não deixa de ser bem louca. E nessa história, conhecemos as atividades do garoto antes de ganhar seus poderes, de uma maneira tão engraçada quanto a que seria a sua habilidade de “saltar de maneira heroica”. E tudo fica ainda mais engraçado quando notamos que essa história acontece em um dia de seleção de novos membros para a Legião, aparentemente inspirando dois candidatos (o que diz bastante sobre eles, não é mesmo?).

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Moleque Incha-e-Pula é aceito na Legião do “A Gente Não Tem Vergonha de Nada!”.

No entanto, o jovem Bouncing Boy ou Charles Taine é aquele tipo de gordinho simpático que todo mundo gosta e quer ter por perto, o que de alguma forma justifica a loucura da LSH aqui, mas jamais tirará o fato de que um moço que incha e salta é uma das coisas mais ridículas dos quadrinhos. Uma das (esperem que logo logo vem o jovem que come metal). No fim das contas, a ideia não dita de que “mesmo o mais inútil poder pode ser útil” é vendida com um certo calor pelo roteiro. Continua sendo ridículo, mas é um ridículo… bonitinho.

The Secret Origin of Bouncing Boy (Adventure Comics Vol.1 #301) — EUA, outubro de 1962
No Brasil:
Ebal (1972)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: John Forte
Letras: Milt Snapinn
Capa: Curt Swan, Sheldon Moldoff, Ira Schnapp
Editoria: Mort Weisinger
24 páginas

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O Poder Perdido de Rapaz do Sol

Na verdade é Solar. Mas “Rapaz do Sol” é uma versão charmosa, publicada no Brasil pela Ebal, em 1971. Nesta edição, temos o pico do utilitarismo aplicado a uma história de super-heróis e, para mim, uma atitude dos Legionários para com o colega Dirk Morgna, temporariamente sem poderes, que é algo absolutamente desprezível. Tudo bem que o Clube dos Super-Heróis tem uma função básica, com indivíduos que precisam utilizar de seus poderes para vencer inimigos, contribuir em batalhas, salvar o Universo e por aí vai. Essa é a premissa. Mas pensem no nível de ingratidão, falta de tato e respeito de um grupo com quem você passou tanto tempo, lutando lado a lado, de repente te tornando um pária (bom, essa é a impressão que temos, pelo menos) só porque agora “você não tem mais nenhuma utilidade, uma vez que não tem poderes”. É doloroso e incômodo ao mesmo tempo.

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♫ “Sou eu, bola de 🔥, e o calor tá de matar…” ♫

Claro que Jerry Siegel utilizou da emoção, fazendo o moço sofrer bastante com as atitudes ríspidas dos “amigos” só para recolocá-lo no grupo, no final da história. Mesmo assim, a coisa não funciona bem, porque dá uma aparência de descaracterização dos personagens e mesmo de incoerência com a proposta e lema da Legião, que justamente na trama anterior nos trouxe um conto de aceitação daqueles que aparentemente são ridículos e inúteis (o Saltador), mas que com o respeito dos colegas e uma colocação no lugar certo e na hora certa, com certeza pode contribuir para a salvação do dia. E agora, o próprio Saltador é enviado até a casa do Solar para solicitar de volta um equipamento da Legião. Não dá. É demais pra mim… A sorte é que algumas batalhas aqui, mais um ponto da explicação no final seja um tantinho interessante, pelo menos fazendo valer uma parte da leitura.

Sun-Boy’s Lost Powers! (Adventure Comics Vol.1 #302) — EUA, novembro de 1962
No Brasil:
Ebal (1971)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: John Forte
Letras: Milton Snappin
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
24 páginas

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O Espião Fantástico!

O ano de 1962 encerra a fase de “aventuras de formação” da Legião dos Super-Heróis, mas não sem a sua dose costumeira de alucinógenos pesados… Aqui, temos a primeira apresentação nos quadrinhos do grande, do impressionante, do incomparável, do sensacional Digestor (Matter-Eater Lad/Tenzil Kem), o rapaz do planeta Bismoll que comia… wait for it… qualquer coisa [mas meio que ficou estabelecido que ele é um comedor de metal]. Sério, eu acho que se alguém dissesse isso para outra pessoa, sem mostrar os quadrinhos, sem dúvidas passaria por um mentiroso de imaginação fértil, porém insana, com o melhor tipo de piada ruim. Mas o negócio é real-oficial. A DC Comics tem um herói chamado DIGESTOR ou, traduzindo ao pé da letra o seu nome original (que é ainda melhor!) COMEDOR DE MATÉRIA!!! Imaginem só, em uma divisão de tarefas por dupla, o Digestor e o Saltador trabalhando juntos, lutando contra um mega-vilão? Se essa HQ não tivesse 190 páginas e não ganhasse todos os Eisner possíveis eu nem lia mais quadrinhos…

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MEU. DEUS. DO. CÉU.

Mas além da apresentação do ‘Estômago de Avestruz’, temos uma história bacaninha nesse encerramento de ano, com uma trama de investigação e suspeita que, por mais coisas bobas que traga a respeito da desconfiança que um herói tem do outro, consegue um resultado muito bom quando Siegel explica o que, de fato, estava acontecendo. A solução para parte dos problemas aqui, especialmente por sugestão de Brainiac 5, é realmente muito boa e faz dos vilões Dr. Landro e Meglaro boas intromissões no caminho, não apenas buchas de canhão ocasionais. Mesmo com a reflexão bobinha sobre a capacidade de mudança do pensamento de gerações passadas para o futuro — o sentimento de culpa de Brainiac 5 às vezes chega a ser patológico –, a trama funciona muito melhor do que se esperava, se pensarmos que tem como uma das linhas principais, um cara chamado Comedor de Matéria.

The Fantastic Spy! (Adventure Comics Vol.1 #303) — EUA, dezembro de 1962
No Brasil:
Ebal (1971)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: John Forte
Letras: Milton Snappin
Capa: Curt Swan, Stan Kaye
Editoria: Mort Weisinger
24 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.