Crítica | The Walking Dead – 6X07: Heads Up

estrelas 3

Obs: Há spoilers do episódio e da série. Leiam a crítica de todas as demais temporadas, aqui.

[sarcasmo on com mão na boca e olhos arregalados]

Puxa, o Glenn está vivo! Jamais imaginaria. Que surpresa não é mesmo?

[sarcasmo off com olhos revirando]

Nem vou perder muito tempo com esse detalhe. Quero apenas dizer duas coisas: (1) ainda bem que Scott M. Gimple não inventou uma saída maluca para ele como alguém chegando de helicóptero para salvá-lo e fez exatamente aquilo que todo mundo já sabia que ele faria; e (2) que alívio (assim, em negrito mesmo) senti no momento em que finalmente esse mistério chato acabou! Pronto, chega de falar da sobrevivência ou não de Glenn…

Mas não vou parar de falar de Glenn em si. Na verdade, não dele propriamente dito, mas do improvável pareamento do sujeito com a misteriosa Enid. Tudo bem, ela era a única que estava fora de Alexandria quando os zumbis cercaram o “paraíso”, mas daí a ela encontrar o personagem logo quando ele saiu da sombra da lixeira foi um pouquinho demais e todos os eventos relativos à dupla a partir desse momento me pareceram forçados demais, escritos com letras garrafais em neon piscante com a palavra filler em mente. Então Enid não tem um mistério mais profundo do que ser uma ermitã que simplesmente não quer saber de gente ao redor? Ótimo, mas não era necessário enfiar essa questão a cada diálogo entre os dois, diálogos esses, aliás, que tinham “Maggie” a cada cinco palavras. Tanto mistério sobre Glenn somente para largá-lo com uma menina traumatizada?

Enquanto isso, em Alexandria, juro que, por alguns bons segundos, achei que não havia mais zumbis do lado de fora, tamanha era a calma de todo mundo. Mas Rick, checando o muro, achou o ponto fraco que vimos ao final de Now e passou a tratá-lo, com a direção de David Boyd fazendo questão de telegrafar exatamente o que acaba acontecendo no final, com a torre caindo. Será que era mesmo necessário deixar dolorosamente óbvio que o muro seria destruído daquela forma? Não poderiam ter trabalhado melhor o suspense? Ficou não só evidente que a torre cairia como, também, ela cairia exatamente na hora em que algum sinal de vida de Glenn fosse avistado por Maggie. A esperança de alguns segundos esvai-se completamente com a vindoura tempestade. Simpático, mas batido e óbvio demais para criar tensão. O que quase salvou o momento foi a escolha da direção em usar o silêncio e a câmera lenta para melhor efeito dramático, com o encerramento do episódio bem ao final da queda, sem dar maiores detalhes, mas só.

Mas, talvez pior do que isso tenha sido a estrutura, digamos, episódica deste capítulo: Glenn e Enid juntos (sem maldade!), a burrice colossal de Spencer (ok, o único momento minimante tenso, vale dizer, mas que devia ter acabado com ele servindo de lanche), a conversa inócua com Morgan (toda vida é sagrada é o $@&@%#*), a aceitação de Rick pela cidade (fofos os dois de bromance no muro), o treinamento de Ron (para ele obviamente fazer besteira, ainda que Carl mereça pelas interrupções esnobes dele…), a esperança de Deanna por um futuro melhor (tenho para mim que a coitada enlouqueceu…), o treinamento dos alexandrinos no uso de machetes por Rosita (Machete don’t text!) e, claro, o segredo de Morgan sendo descoberto por Carol (só eu quero ver uma luta entre os dois?). Não haveria problema se fosse a primeira vez que esse artifício tivesse sido usado nesta temporada, mas Now também foi assim e com muito mais função, já que o foco era desenvolver personagens que ainda não haviam recebido muita atenção. Em Heads Up (ha, ha, título engraçadinho esse, não?), tudo parece muito estanque e desconexo costurado de qualquer maneira como a proverbial colcha de retalhos.

No entanto, não é o fim do mundo (na verdade é – perceberam o que fiz aqui?), pois finalmente a história andou. Nada de motoqueiro caipira que emburreceu de tanto ficar sentado em sua moto e nada de improvável casal com diálogos de trincar os dentes. Agora é possível ver uma luz no final desse túnel para onde Gimple acabou levando a temporada, apesar de quatro excelentes episódios iniciais. Teremos a zumbizada no midseason finale, (indi)gente morrerá e, possivelmente, um cliffhanger ou outro será deixado aqui e ali. Se Gimple ao menos escolher – sem dar spoiler – adaptar determinado momento da HQ em que algo assim acontece e ele continuar até o fim, doa a quem doer, o episódio terá potencial de ser bem interessante.

O que falta, porém, é uma linha narrativa maior, talvez mais explosiva. Sei que isso virá em breve com a “gangue da cintura para baixo” que vimos em Always Accountable, mas é que já passou do tempo do showrunner acabar com a historinha da super-horda de desmortos que era bacana no começo da temporada, mas que acabou se tornando uma muleta narrativa que ele não larga.

Resta-nos, agora, esperar pacientemente para ver se Gimple ao menos fecha a meia temporada no mesmo nível que começou.

The Walking Dead – 6X07: Heads Up (EUA, 2015)
Showrunner: Scott M. Gimple
Direção: David Boyd
Roteiro: Channing Powell
Elenco: Andrew Lincoln, Norman Reedus, Steven Yeun, Lauren Cohan, Chandler Riggs, Danai Gurira, Melissa McBride, Michael Cudlitz, Lennie James, Sonequa Martin-Green, Josh McDermitt, Christian Serratos, Alanna Masterson, Seth Gilliam, Alexandra Breckenridge, Ross Marquand, Austin Nichols, Tovah Feldshuh, Michael Traynor, Jordan Woods-Robinson, Katelyn Nacon, Corey Hawkins, Kenric Green, Ethan Embry, Jason Douglas
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.