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Crítica | Alien vs. Capitão América

Xenomorfos na Segunda Guerra Mundial!

por Ritter Fan
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Na segunda minissérie que promove crossovers entre a franquia Alien e o Universo Marvel, depois da fraca Aliens vs. Vingadores, chegou a hora de os xenomorfos enfrentarem o Sentinela da Liberdade em outra história que se passa em uma Terra paralela que provavelmente sequer é a da minissérie anterior, ainda que eu não tenha certeza disso. A grande jogada de Alien vs. Capitão América (confesso que não entendi o uso do singular no título, já que há uma horda de aliens) é sua localização temporal, evitando o óbvio que seria situar a história nos dias atuais e levando a ação para a Segunda Guerra Mundial, com o Capitão, seu sidekick Bucky Barnes e, claro, o Sargento Nicholas “Nick” Fury e seu Comando Selvagem. Esse é, de longe, o maior acerto do roteiro de Frank Tieri, pois evita, até certo ponto, o uso de tecnologia de ponta e coloca o Capitão em sua ambientação original que é relativamente pouco explorada em tempos modernos.

A história gira em torno da localização, pela Hidra liderada pelo Barão Von Strucker, de ovos de xenomorfos em uma tumba real da misteriosamente abandonada cidade perdida de Attilan, no Nepal, com os Facehuggers logo sendo usado como facilitadores de incubação dos famosos alienígenas do cinema que o Caveira Vermelha, ao lado de Arnim Zola, usa para tentar virar a maré da guerra. O que Tieri escreve é uma premissa que reputo como perfeita, que reúne o melhor que os dois universos têm a oferecer, mas o problema é que o desenvolvimento dessa premissa sofre do mesmo tipo de problema de Aliens vs. Vingadores, ou seja, de falta de espaço para que a narrativa se desenvolva sem que o roteirista apele a atalhos que encurtam e facilitam tudo, aos poucos extraindo o grande potencial que a história tinha. Sem dúvida que esse problema é muito mais sensível na minissérie de Jonathan Hickman diante de seu escopo global de “fim dos tempos”, mas ele se faz presente também aqui com relevância já que os heróis iniciais recebem ajuda de outros alienígenas famosos em uma reunião peculiar em muito bem-vinda e de outro grupo de heróis da Terra, além de Tieri não se conter e criar mais um híbrido de xenomorfo com humano que, apesar de ser bem melhor do que aqueles que vimos em Alien: A Ressurreição e Alien: Romulus, ainda carece do devido cuidado para não descambar para o ridículo.

Em outras palavras, muita coisa acontece e, por isso, infelizmente precisa ser espremida em um número acanhado de páginas. Claro que eu poderia afirmar que faltou a Tieri ajustar seu roteiro ao que a Marvel Comics exigiu em termos de tamanho de minissérie, mas tenho para mim que apenas quatro edições de 20 e poucas páginas é pouco demais para quase qualquer coisa com escopo maior do que o básico, já que a correria empobrece a narrativa e, mais do que isso, limita as possibilidades da arte que, aqui, ficou ao encargo de Steffano Raffaele que tem um traço que reputo muito bonito e visceral para cenas de pancadaria pura e que muito claramente cortou um dobrado para equilibrar momentos funcionais de impulsionamento de trama e outros imaginados para chocar, como por exemplo a primeira aparição da Rainha Alien ou a cena em que os aviões da Hidra bombardeiam a linha dos Aliados com xenomorfos. Com essa necessidade de correr, porém, mortes importantes acontecem muito rapidamente e não ganham o devido tratamento e personagens novos são introduzidos sem a menor cerimônia, em poucos quadros, muitas vezes no estilo deus ex machina que sabota a história.

Com um epílogo no presente estranho e forçado, já que não decorre do que foi visto antes, mais parecendo um mandamento da editora para criar ambiguidade e, possivelmente, uma segunda minissérie, Frank Tieri perde o controle de sua criação e toda a concepção de xenomorfos batalhando o Capitão América na Segunda Guerra Mundial perde o vigor que poderia ter. Alguém precisa avisar para a Marvel que minisséries em seis edições é um formato vencedor e que essa redução no número de edições sem o aumento proporcional de páginas em cada uma delas tende a prejudicar demais as histórias. A correria sabota a execução e acaba fazendo de Alien vs. Capitão América uma história que frustra pelo potencial desperdiçado que ela muito claramente tinha.

Alien vs. Capitão América (Alien vs. Captain America – EUA, 2025/26)
Contendo: Alien vs. Captain America #1 a 4
Roteiro: Frank Tieri
Arte:  Steffano Raffaele
Cores: Neeraj Menon
Letras: Clayton Cowles
Editoria: Lauren Amaro, Mark Paniccia, C.B. Cebulski
Editora: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 05 de novembro e 17 de dezembro de 2025; 21 de janeiro e 11 de fevereiro de 2025
Páginas: 112

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