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Crítica | Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo

por Fernando Campos
553 views (a partir de agosto de 2020)

Após o sucesso da missão Apollo 11, a primeira a conseguir pousar uma espaçonave tripulada na Lua, a Nasa expandiu suas fronteiras espaciais e rapidamente investiu em um novo projeto. Porém, ao contrário do seu precursor, Apollo 13 teve problemas graves durante a viagem, sendo lembrada não por algum feito científico, mas sim pela incrível história de resgate dos astronautas. Após ter vivenciado isso, Jim Lovell escreveu um livro sobre as experiências dos astronautas durante o ocorrido e a trama atraiu o interesse de Ron Howard, responsável por filmes como Cocoon e O Código da Vinci, que adaptou a história para as telonas.

O longa aborda a missão espacial Apollo 13, que foi composta pelos astronautas Jim Lovell (Tom Hanks), Fred Haise (Bill Paxton) e Jack Swigert (Kevin Bacon). Porém, após uma explosão, mesmo tendo como objetivo inicial pousar na Lua, a tripulação passar a lutar para salvar suas próprias vidas e retornar à Terra em segurança.

Logo após os créditos iniciais, a obra estabelece a maneira como a historia será contada, utilizando imagens da Apollo 11 enquanto um narrador relata os fatos ocorridos na missão, ficando claro o tom documental da trama. Portanto, o primeiro ato preocupa-se em introduzir a família do protagonista Jim Lovell, buscando a empatia pelo personagem, para que, consequentemente, o público torça por sua sobrevivência durante o clímax, sendo uma boa estratégia, uma vez que humaniza o personagem. Além disso, o roteiro apresenta os ricos da operação, através de diversas cenas de treinamento, onde é explicado cada movimento que será realizado e as consequências de alguma falha, uma decisão acertada dos roteiristas William Broyles Jr. e Al Reinert, porque quando o segundo ato chegar ficará claro para o público tudo o que está acontecendo.

Outro ponto bem estabelecido é a época onde a história se desenvolve, através de uma direção de arte e figurino que reconstroem bem o início dos anos 70. Um curto plano sequência no início, por exemplo, acompanha Lovell pela casa enquanto é destacada a roupa de seus convidados e a mobília do local, ficando claro o período ali retratado.

Apesar de construir eficientemente pilares importantes da trama no primeiro ato, o roteiro demonstra ter pressa em apresentar alguns componentes da história e partir rumo aos momentos que ocorrem no espaço, como, por exemplo, em menos de 10 minutos Ken Mattingly é dispensado da missão, para Jack Swigert entrar, e após um único treinamento eles já partem. Outro exemplo é o desenvolvimento raso de outros personagens, como o próprio Swigert destacado apenas como um paquerador, enquanto sobre Fred Haise vemos apenas sua a família em algumas cenas e nada mais.

Apesar disso, a partir do segundo ato o filme cresce graças a direção precisa de Ron Howard, dosando tensão na medida certa. Repare como no início do longa os planos são mais abertos e quase estáticos, contrastando com a fotografia utilizada quando os astronautas estão no espaço, com enquadramentos mais fechados, vários travellings e até mesmo planos inclinados, destacando o desconforto dos protagonistas naquela situação. A montagem também insere tensão na trama, intercalando com precisão a ação dos astronautas e da cabine de comando, como se um dependesse do sucesso do outro, dando uma boa sensação de urgência em cada ação. O trabalho técnico também impressiona, tornando tudo extremamente crível, um exemplo disso são os efeitos especiais impecáveis utilizados nas tomadas externas, apresentando imagens do espaço realistas e o módulo de comando Odissey em nenhum momento passa a sensação de artificialidade. Já a mixagem e edição de som, além de reconstruir com perfeição os ruídos da nave, são fundamentais no momento que o acidente acontece, tornando a explosão do módulo onde os astronautas estão impactante.

Outro mérito de Howard é a escolha do elenco, uma vez que, como o desenvolvimento dos personagens não era um foco do roteiro, o diretor precisava de atores que atraíssem o carisma do público. Portanto, enquanto Bill Paxton não tem muito a explorar além de demonstrar os impactos físicos que a missão causa em seu personagem, Kevin Bacon cria um Jack Swagert com traços de bad boy e Tom Hanks constrói um Jim Lovell que demonstra o afeto por sua família no início e espírito de liderança durante a missão, sendo uma escolha acertada para conquistar a atenção de quem assiste. Mas o destaque fica para Ed Harris, que recebeu uma indicação ao Oscar por seu trabalho aqui, com uma composição que demonstra toda a preocupação de Gene Kranz com o destino dos astronautas, contrastando com a segurança e firmeza que tenta passar para seus comandados.

Mesmo sendo um pouco ufanista, evidenciado pela trilha sonora, e possuir um final clichê, Apollo 13 é brilhante tecnicamente. Prende o público do início ao fim e conta com uma ótima direção de Ron Howard, que apresenta aqui um dos melhores longas de sua carreira e um dos filmes de entretenimento que mais se destacam nos anos 90.

*Crítica originalmente publicada em 04 de agosto de 2016.

Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo (Apollo 13 – EUA, 1995)
Direção: Ron Howard
Roteiro: William Broyles Jr., Al Reinert (baseado em livro de Jim Lovell)
Elenco: Tom Hanks, Bill Paxton, Kevin Bacon, Ed Harris, Kathleen Quinlah, Gary Sinise, Mary Kate Schellhardt, Emily Ann Lloyd, Miko Hughes, Max Elliot Slade, Jean Speegle Howard, David Andrews, Michele Little, Clint Howard
Duração: 140 min

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12 comentários

Gabriel Leão 22 de agosto de 2020 - 08:49

Filme muito bom, competente em estabelecer um laço entre o espectador e o seu protagonista, que aliás exala carisma, como sempre. As cenas de suspense, depois do acidente, são muito boas. Mas eu concordo com o crítico quanto a presença em cena de Ed Harris, terminei o filme pensando em como ele demonstra liderança e muita segurança em frente aos engenheiros da NASA.

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Diogo Maia 19 de julho de 2020 - 12:34

O maior acerto do filme é transmitir uma sensação constante de tensão mesmo que o espectador já saiba o que acontece no final. Tecnicamente brilhante, mas peca por possuir uma direção um pouco burocrática, no sentido de não apresentar nada novo. Além disso, apesar de ser fã dos trabalhos do James Horner, neste aqui ele não foi tão bem, por passar um tom melodramático demais para a história, lembrando os momentos mais melosos da carreira do Spielberg, por exemplo.

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AleCassia Aguiar 9 de agosto de 2016 - 12:00

Ótimo filme!

Vou procura-lo para meu acervo!

Responder
Fernando Campos 9 de agosto de 2016 - 15:21

Será uma ótima aquisição para seu acervo! É um dos filmes mais bacanas dos anos 90.

Responder
Fernando Campos 9 de agosto de 2016 - 15:21

Será uma ótima aquisição para seu acervo! É um dos filmes mais bacanas dos anos 90.

Responder
João Ricardo 4 de junho de 2019 - 00:30

Eu diria mais. É um dos melhores filmes de todos os tempos! Não tem como se emocionar no final.

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Fernando Campos 6 de junho de 2019 - 11:05

Eita, daí eu já acho um pouco exagerado, apesar de gostar bastante do filme. Por que considera um dos melhores de todos os tempos?

Responder
AleCassia Aguiar 9 de agosto de 2016 - 12:00

Ótimo filme!

Vou procura-lo para meu acervo!

Responder
jcesarfe 5 de agosto de 2016 - 00:09

Esse é de fato um filme sensacional.

Responder
jcesarfe 5 de agosto de 2016 - 00:09

Esse é de fato um filme sensacional.

Responder
Fernando Campos 5 de agosto de 2016 - 15:42

É um ótimo filme realmente!

Responder
Fernando Campos 5 de agosto de 2016 - 15:42

É um ótimo filme realmente!

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