Crítica | Arrow – 8X05: Prochnost

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das temporadas anteriores.

Depois de um respiro de uma semana, Arrow chega à metade de sua última temporada com Prochnost, um episódio cansado, repetitivo, mais crivado de infames discursos motivacionais que os anteriores, mas que pelo menos traz de volta dois simpáticos atores, Colton Haynes como Roy Harper e David Nykl como Anatoly Knyazev. No entanto, para fazer isso, mais uma vez os showrunners usam a estratégia de rotação de elenco, deixando Connor Hawke, Curtis Holt e outros no banco de reservas e evidenciando o caráter de despedida da temporada e, mais ainda, uma incômoda sensação de que os roteiristas não sabem muito bem lidar com elencos avantajados, o que me deixa temeroso pelo crossover Crise nas Infinitas Terras que, como já vimos por aí, tem também um elenco infinito.

Essas ausências causam estranhamento de episódio a episódio e, aqui, o sumiço de Curtis chega até a ser mencionado, mas não para ser explicado e sim para servir de lembrete aos espectadores mais esquecidos sobre a tal arma que Oliver e companhia querem usar contra o Monitor. É esse, por sinal, o foco de Prochnost, com a divisão da história em duas linhas de frente: Oliver, seus filhos e Laurel vão para a Rússia aliar-se a Anatoly para obter o esquema técnico da arma do general Alexi Burov e Diggle recruta Roy para roubar plutônio, combustível para a arma.

Mas vejam como a coisa é mal feita. Oliver leva Mia e William na viagem para eles se aproximarem, mas, ao chegarem no destino, ele decide que é tudo muito perigoso e que os dois precisam ficar quietos em um canto. Todo mundo consegue entender a preocupação de um pai pela segurança dos filhos, mas, aqui, o que Oliver demonstra é uma completa bipolaridade. Afinal, se é para proteger os filhos, porque raios levá-los justamente para bem próximo do perigo? A desculpa de que com a Bratva envolvida tudo mudou chega a ser idiota, pois isso era tão ridiculamente óbvio considerando que ele entra em contato com Anatoly, que fico realmente imaginando como é que os showrunners deixam passar algo assim. A única explicação plausível é que a audiência da série é alta não interessando o que é colocado lá que se torna completamente desnecessário escrever algo com coerência e um mínimo de qualidade.

Tudo, porém, parece ser desculpa para os discursos reviradores de olhos primeiro de Anatoly para Oliver, depois de Oliver para seus filhos, com direito a briga na gaiola de pai e filha contra seis lutadores sanguinários (melhor lugar para levar sua filha que você quer tanto proteger…). E, claro, em meio a tudo isso, temos não um, mas dois discursos de Anatoly para Laurel, o primeiro desconfiando dela e o segundo exatamente o contrário, o que faz a vilã-aliada-vilã-aliada decidir ser aliada até mudar de ideia e ser vilã novamente.

Esse chove não molha acontece também com Diggle e Roy. O ex-guarda-costas de Oliver chega para pedir ajuda de Arsenal somente para ser interrompido com algo como “não volto de jeito algum” seguido de um discurso motivacional que magicamente transforma o relutante arqueiro na pessoa mais solícita do mundo ao ponto de decidir permanecer na equipe. Chega a ser engraçado como os personagens são escritos na série como sendo extremamente volúveis, incapazes de tomar decisões e mantê-las até o fim ou, pelo menos, criar mais dificuldade do que fazer bico e bater o pezinho por alguns segundos como criança mimada em supermercado depois que os pais dizem não ao pirulito que ela quer.

Com isso, Prochnost, apesar de trazer dois atores que pessoalmente sempre gostei na série, é tão mal estruturado, tão descompassado e tão infantil que é impossível sequer apreciar as piadinhas infames de Anatoly ou o olhar de cachorro pidão de Roy. Pelo menos só faltam cinco episódios para essa besteirada acabar (e ser substituída por outra, claro).

Arrow – 8X05: Prochnost (EUA, 19 de novembro de 2019)
Showrunners: Marc Guggenheim, Beth Schwartz
Direção: Laura Belsey
Roteiro: Benjamin Raab, Deric A. Hughes
Elenco: Stephen Amell, David Ramsey, Katherine McNamara, Ben Lewis, Joseph David-Jones, LaMonica Garrett, Katie Cassidy, Charlie Barnett, Andrea Sixtos, Audrey Marie Anderson, Rila Fukushima, Kelly Hu, Willa Holland, Lexa Doig, Jamie Andrew Cutler, Echo Kellum, Rick Gonzalez, Juliana Harkavy, Colton Haynes, David Nykl
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.