Crítica | Black Lightning – 1X02: Lawanda: The Book of Hope

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__ Damn, boss. You really do hate black people.

__ No, I love black people. I hate incompetent, thick-lipped, scratch-where-it-don’t-itch Negroes like you.

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A gente já viu essa luta antes. Alguém que recebe super-poderes, tem o impulso de usá-lo para salvar pessoas e tornar sua comunidade melhor, é pego na onda gigantesca de sangue, corrupção e violência que parece ainda maior nas grandes metrópoles quando se olha de perto e… larga tudo, para obedecer a um ultimato familiar. Cônjuge, filhos, carreira. Pilares fortes na vida de qualquer ser humano, coisas impossíveis de serem ignoradas. E é por isso que Raio Negro tem se apresentado uma série muito, muito interessante. Não existe imitação ou proximidade floreada com os dilemas cotidianos de todo mundo. Esses dilemas estão lá. E sim, enrolados em um papel de ficção/ação, mas isso não tira o fato de que a temática é tratada com o realismo e dentro de um enredo cru, sombrio, urbano. É assim que se faz uma série como esta.

Salim Akil e Charles Holland escrevem o roteiro deste segundo episódio de Black Lightning, onde Jefferson Pierce anda às voltas com a pergunta que o tem perseguido por anos: ele deve (ou quando deve?) voltar a usar o manto do Raio Negro? E aqui, assim como o dilema apresentado no início da crítica, temos a história de um sem-número de heróis que buscam respostas para suas ações, duvidando e tentando escapar de uma responsabilidade moral vinda com o super-poder. Não consigo entender o “espanto” de alguns espectadores com isso. A trama é o centro da vida de heróis de diversas editoras, especialmente os que tem um lar, um trabalho, alguém para voltar no fim do dia.

Se tem algo que nem o mais inconveniente dos haters pode dizer dessa série, nesses episódios de apresentação, é que ela “foge demais do que se espera para uma trama de super-herói” ou que “não é assim que se faz uma história de super-herói” ou coisas em torno disso. Duas páginas de quadrinhos mainstream que o indivíduo lesse derrubaria qualquer frase negativa sobre a dinâmica de roteiro utilizada em Lawanda: The Book of Hope que sim, é adequada ao gênero e sim, tem milhares de correspondentes dramáticos na fonte. Para o herói protagonista, isso está posto desde A Origem do Raio Negro, lá em idos de 1977.

Este segundo episódio serve como reafirmação das peças apresentadas anteriormente. E mais uma vez temos uma inserção aplaudível da trilha sonora, com destaque para Am I Black Enough for You?, de Billy Paul; a excelente Let’s Straighten It Out, de Latimore, na sequência quase cinematográfica em que Lala mata o primo; e a cereja romântica do episódio, a sexy e, graças à habilidade da edição, utilizada em diferentes contextos e com igual poder de contextualização (do cinismo ao amor), Simply Beautiful, de Al Green. Encaixadas em um cenário onde membros da gangue “The 100” começam a temer as ações do Raio Negro e metem os pés pelas mãos, essas faixas principais criam um ambiente quase atemporal para o capítulo, misturando cenários típicos dos Estados Unidos nos anos 70 e 80, com atuais cenários da periferia de grandes cidades americanas, um fator que já havíamos percebido em The Resurrection.

Notem como o efeito de iluminar interiores com filtros que dão a impressão de um ambiente acolhedor, incandescente e exteriores com destaque para o neon e valorização das sombras através do contraste da fotografia — lição muito bem aprendida com Gotham — dá uma identidade semelhante aos filmes de máfia à série, inclusive com a aplicação de cinza ou marrom nas cenas diurnas, a primeira para os espaços dominados pelos bandidos, e a segunda, para a escola e outros cenários não violentos.

O único momento em que há uma sequência fora de tom é quando Pierce resolve assumir o manto do Raio Negro, em definitivo, ao descobrir que uma ex-aluna, agora mãe de uma filha nas mãos do “The 100”, é assassinada. Embora Cress Williams Christine Adams estejam ótimos em suas atuações, aquele momento de decisão é feito com muito mais pressa do que deveria e com uma reação que, embora justificada pelo choque de Pierce ao receber uma trágica notícia, foge daquilo que o texto vinha preparando desde o episódio anterior.

O diretor Oz Scott, que tem uma larga carreira na televisão e já dirigiu todos os tipos de série, não faz feio ao trabalho de Salim Akil no capítulo anterior, adequando o seu estilo mais dramático à saída definitiva do Raio Negro da aposentadoria, que é o tema deste episódio. E de quebra, temos Anissa já demonstrando seus poderes. Pois é… estamos vendo o nascimento de Tormenta e sua manipulação de densidade. Sem contar que esta série ainda pode nos reservar uma outra mega surpresa. Quem leu Reino do Amanhã sabe do que estou falando…

Black Lightning – 1X02: Lawanda: The Book of Hope (EUA, 23 de janeiro de 2018)
Direção: Oz Scott
Roteiro: Salim Akil, Charles Holland
Elenco: Cress Williams, China Anne McClain, Nafessa Williams, Christine Adams, Marvin ‘Krondon’ Jones III, Damon Gupton, James Remar, Dabier, Cedric Greenway, Skye P. Marshall
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.