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Crítica | Chicago Med: Atendimento de Emergência – 3ª Temporada

Mais casos hospitalares, menos romances bobos: um ótimo terceiro ano para o drama médico situado em Chicago.

por Leonardo Campos
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O drama médico Chicago Med: Atendimento de Emergência, criada por Dick Wolf, é um reflexo fascinante da dinâmica cotidiana que permeia os corredores do fictício Chicago Medical Center. Exibida entre novembro de 2017 e maio de 2018, a terceira temporada, composta por 20 episódios, trouxe à tona dilemas éticos e desafios emocionais que médicos, enfermeiros e pacientes enfrentam em um ambiente de alta pressão. Neste ano, a trama se destaca não apenas pelas questões médicas abordadas, mas também pela inclusão de novos personagens e pela despedida de outros, moldando um novo capítulo na narrativa da série. Os eventos significativos desta temporada enriqueceram a proposta das narrativas ficcionais deste drama, mantendo a qualidade pelas quais os dois anos anteriores já eram conhecidos. Um dos principais arcos desta vez é a jornada de Daniel Charles, interpretado por Oliver Platt, que se prepara para testemunhar contra o homem que o feriu com disparos, no desfecho do ano anterior.

Este evento não apenas impacta a vida de Charles, mas também traz à tona a questão da violência e suas consequências em um ambiente que deveria ser um refúgio de cura. Com sutileza, o drama médico aborda o tema da saúde mental, retratando como experiências traumáticas podem assombrar os profissionais de saúde. Outro ponto crítico desta temporada é o tratamento de uma mulher grávida que enfrenta complicações graves devido à desnutrição e ao subdesenvolvimento do bebê. Este caso não só provoca questões sobre a responsabilidade médica, mas também levanta uma reflexão sobre as condições sociais que levam a essas situações, explorando mais a fundo os aspectos humanos e sociais da medicina.

Outro episódio impactante da temporada nos mostra uma jovem paciente diagnosticada com morte cerebral após uma queda, fazendo com que os pais culpem seu filho fumante de maconha. Este dilema familiar traz à luz a discussão sobre culpabilidade e o papel que as escolhas individuais desempenham na saúde coletiva. O encontro entre questões éticas e morais cria um cenário propício para aprofundar o entendimento do público sobre a complexidade das decisões médicas. A série também aborda a tensão entre um casal, em que o marido testou positivo para o vírus Zika, mas hesita em contar à esposa, criando um dilema moral que provoca debates entre os profissionais de saúde. Tais narrativas complexas enriquecem a trama, fazendo com que o público não apenas assista, mas também reflita sobre suas próprias opiniões e valores.

No desenvolvimento desses casos, o terceiro ano deste drama médico se destaca pela forma como apresenta discussões éticas profundas. Um exemplo marcante é o debate entre dois médicos sobre o tratamento de um bebê nascido viciado em heroína. As diferentes abordagens para um problema difícil expõem não só as divergências na prática médica, mas também a importância do entendimento empático dos profissionais em relação à complexidade da experiência humana. Ao contrário de muitos dramas que se concentram em romances ou relações pessoais, Chicago Med prioriza a ética médica e os desafios que médicos e pacientes enfrentam. Este foco na integridade profissional proporciona uma narrativa rica em tensão emocional, sem sacrificar a profundidade do enredo por tramas românticas superficiais.

Ademais, a terceira temporada de Chicago Med mantém a excelência cronológica de suas antecessoras, com um design de produção visualmente atrativo e uma direção de fotografia eficiente que complementa as histórias contadas. A série se distancia da superficialidade de muitos dramas médicos, optando por narrativas que exploram questões de moralidade, responsabilidade e as dificuldades impostas pela sociedade contemporânea. Cada episódio serve como um microcosmo dos desafios enfrentados não apenas por médicos, mas também por pacientes cujas vidas são moldadas por condições muitas vezes fora de seu controle. A introdução de Norma Kuhling como Dra. Ava Bekker marcou um novo tom na nova temporada, enquanto a saída de Rachel DiPillo como Sarah Reese simbolizou a transição de uma era para outra na série. Assim, a produção não apenas entretém, mas também esclarece e provoca reflexões sobre o papel da medicina e a condição humana. Com sua habilidade de equilibrar narrativas emocionais e éticas, a série reforça sua posição como um dos dramas médicos mais relevantes da televisão contemporânea.

Por fim, diante de suas histórias impactantes e personagens convincentes, Chicago Med continuou, em seu terceiro ano, a ser um exemplo notável de como narrativas ficcionais televisivas podem refletir e questionar a realidade das experiências humanas, não só estadunidenses, mas numa dinâmica mais universal. Em sua reta final, as coisas ficam ainda mais frenéticas, nos deixando ansiosos pelo próximo conjunto de episódios. Além dos tópicos temáticos apresentados, o décimo sétimo episódio apresenta um caso tocante envolvendo um menino que herdou um Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) da mãe, provocando um intenso confronto entre dois médicos centrais da equipe. O episódio faz uma crítica à dificuldade de manter a clareza e a ética dentro de um sistema que muitas vezes não prioriza o atendimento adequado. A série eleva a adrenalina com um atentado a tiros em um parque, trazendo múltiplas vítimas ao hospital. O Dr. Choi (Brian Tee) emerge como um personagem essencial, demonstrando uma impressionante capacidade de organização em situações críticas. Ele cria um sistema de triagem eficiente e gerencia o atendimento de forma exemplar, tornando-se fundamental em um momento de caos. Embora tenha sentido um misto de gratidão e desconforto ao lidar com essa tragédia, sua humanidade e competência foram evidentes. A caçada pelo atirador culmina em uma conexão significativa com o Dr. Charles, um psiquiatra cuja experiência se mostrou vital para identificar o criminoso. Uma temporada de emoções fortes.

Chicago Med: Atendimento de Emergência – 3ª Temporada (Chicago Med, Estados Unidos/2017-2018)Criação: Matt Olmstead, Dick WolfDireção: VáriosRoteiro: VáriosElenco: Nick Gehlfuss, YayaDaCosta, TorreyDeVitto, Brian Tee, Marly Barrett, S. EpathaMerkerson, Oliver Platt, Colin DonnellDuração: 43 min. (Cada episódio – 20 episódios no total)

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