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Crítica | Chicago Med: Atendimento de Emergência – 6ª Temporada

Uma temporada mais curta que reflete os desdobramentos do coronavírus na sociedade estadunidense.

por Leonardo Campos
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A sexta temporada de Chicago Med: Atendimento de Emergência, uma produção emblemática criada por Dick Wolf, se destacou em um período desafiador da história contemporânea, marcado pela pandemia de COVID-19. Exibida entre 2020 e 2021, a temporada é composta por 16 episódios e se tornou a última a contar com a atriz Yaya DaCosta, que interpretou uma das principais enfermeiras do hospital. A trama é uma representação autêntica dos dilemas enfrentados por profissionais da saúde durante uma crise sanitária global, incorporando não apenas a urgência médica, mas também as complexas interações humanas que emergem em tempos de crise. A temporada se inicia em um cenário em que os profissionais de saúde estão se ajustando a um novo normal, permeado pelo impacto devastador do COVID-19. A equipe do hospital se vê confrontada com diversos casos que refletem não apenas as consequências diretas do vírus, mas também os efeitos colaterais na saúde mental e emocional dos pacientes.

A narrativa inclui uma paciente com um braço machucado, que começa a levantar suspeitas sobre um possível vício em álcool, ilustrando os desafios que muitos enfrentam em suas vidas pessoais, mesmo em meio a uma emergência médica. Além disso, a série aborda a tragédia do último paciente que morre devido ao vírus, enfatizando a realidade brutal e muitas vezes dolorosa da pandemia, e como isso impacta tanto os pacientes quanto os profissionais de saúde. Outro dos traumas que se destacam nesta temporada é a luta contínua de um paciente com câncer que enfrenta a recidiva da doença. Essa narrativa não apenas toca no tema da mortalidade, mas também retrata a resiliência necessária tanto do paciente quanto da equipe médica. As situações abordadas na série são intensificadas pela presença de uma jovem internada com problemas respiratórios, cuja condição leva à internação de sua mãe, criando um ciclo de sofrimento que ecoa em muitos lares durante a pandemia.

A introdução de uma paciente grávida com um histórico de agressão apresenta mais uma camada de complexidade e conflito, questionando as dinâmicas de culpa e responsabilidade em situações de crise. Um dos aspectos mais tocantes do sexto ano é a abordagem das questões de saúde mental. A série não se esquiva de retratar um paciente em estado de depressão profunda, que pondera sobre a possibilidade de suicídio. A trama intensifica o dilema moral enfrentado por um médico que deve decidir se denunciaria seu paciente ou optaria por uma abordagem mais empática, questionando a responsabilização e a ética médica em situações críticas. Além disso, a história de uma mulher que lida com a perda do filho e sua ilusão de que o bebê ainda está vivo através de uma boneca oferece um olhar profundo sobre o luto e a negação como mecanismos de enfrentamento. Esses elementos exploram a fragilidade emocional dos personagens, criando uma conexão mais significativa com a audiência.

Embora Chicago Med: Atendimento de Emergência não seja uma novidade no segmento de dramas médicos, a sexta temporada aposta em um ritmo envolvente e personagens carismáticos, alcançando um equilíbrio entre os inevitáveis romances e a urgência dos casos hospitalares. A temporada, embora mais enxuta em quantidade de episódios, mantém a atenção do público por meio da elaboração cuidadosa de narrativas que refletem a realidade contemporânea. O impacto da pandemia de COVID-19 se entrelaça com as histórias pessoais dos personagens, realçando a luta por resolução em meio ao caos. Assim, o drama médico se reafirma como uma plataforma significativa para discutir não apenas as conquistas, mas também as dificuldades enfrentadas por aqueles que estão na linha de frente, proporcionando um importante ângulo sobre o papel dos profissionais de saúde em tempos de crise. Mesmo que desta vez, alguns romances e situações pessoais se sobressaiam e fiquem novelescas, a produção ainda está mais à frente de outras narrativas ficcionais que tem no ambiente hospitalar o espaço para desenvolvimento das tramas.

Assim, na sexta temporada de Chicago Med, o drama da série se intensifica com a presença da pandemia da Covid-19, que serve como um pano de fundo sombrio. Os médicos da série, enquanto lutam para salvar vidas e proteger-se do coronavírus, também enfrentam crises em suas vidas pessoais. No episódio de estreia, Will (Nick Gehlfuss) se vê em uma situação dramática, tentando salvar sua namorada Hannah, que sofreu uma overdose de heroína. Apesar de seus esforços para manter a relação e evitar uma recaída, o conflito emocional persiste, refletindo as dificuldades que os profissionais de saúde enfrentam tanto no trabalho quanto em casa. Outro enredo central envolve Dra. Natalie (Torrey DeVitto), que, ao cuidar de uma garotinha asiática com leucemia, se depara com diferentes abordagens de tratamento junto a Crockett (Dominic Rains), o que gera tensão e descontentamento no pai da paciente, ressaltando o impacto emocional das decisões médicas.

Além disso, o drama médico explora questões de racismo e desigualdade no contexto da saúde pública. April (DaCosta) enfrenta a dura realidade enquanto trata um paciente idoso negro, lutando contra a escassez de recursos hospitalares que afeta a vida do homem. Sua morte, como resultado das dificuldades enfrentadas na linha de frente, evidencia as escolhas difíceis que devem ser feitas em situações de crise, refletindo sobre quem merece os recursos limitados. O episódio termina de forma tocante, com os personagens acendendo velas digitais e homenageando as vítimas da Covid-19, ressaltando o sofrimento e a perda vividos por muitos durante a pandemia. Com isso, a série não apenas retrata a luta dos profissionais de saúde, mas também honra aqueles que sucumbiram ao vírus, conectando todas essas histórias pessoais e coletivas em meio ao caos. Em linhas gerais, não é uma temporada perfeita, mas interessante diante do seu “mais do mesmo” dos dramas médicos que mudam apenas de lugar e personagens, mas contam constantemente, cada uma do seu jeito, as mesmas histórias.

Chicago Med: Atendimento de Emergência – 6ª Temporada (Chicago Med, Estados Unidos/2020-2021)Criação: Matt Olmstead, Dick WolfDireção: VáriosRoteiro: VáriosElenco: Nick Gehlfuss, Yaya DaCosta, Torrey DeVitto, Brian Tee, Marly Barrett, S. Epatha Merkerson, Oliver Platt, Colin DonnellDuração: 43 min. (Cada episódio – 16 episódios no total)

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