Crítica | Class: The Audio Adventures – 1ª Temporada

Foi muito frustrante para mim voltar ao Universo de Class (série que me agradou bastante) e me deparar com algo tão aleatório, desconexo em relação ao seu original e desconexo em si mesmo, como essa primeira temporada de Class: The Audio Adventures, pela Big Finish. Aliás, o passo dado pela BF tinha complicações desde o início, pois questões ligadas ao contrato original do show não permitiam que houvesse uma adaptação em continuidade daquilo que vimos na TV, nem mesmo com referências diretas a um ponto específico de continuidade daquela timeline. Ou seja, estava na cara que haveria decepção no meio de toda a passagem do programa para o formato de áudio. E assim foi.

Gifted é o episódio que abre a temporada e se mostra como o pior de todos, o episódio mais “quê???” da trilogia. Escrito por Roy Gill (que aliás é um bom autor, tendo participado do time que escreveu a 1ª Temporada de Missy, na safra seguinte a Class), o episódio parece não dizer nada com nada, desenvolvendo uma narrativa complexa, por falar de temporalidades diferentes, e através da qual pretende juntar alguns dos personagens do show. Sem uma marcação específica e com uma vilã de motivação confusa, é definitivamente um mau começo.

As coisas melhoram um pouco no segundo episódio, Life Experience, escrito por Jenny Colgan. E o que vou dizer aqui vale também para o episódio posterior: apesar de ser uma boa trama, parece algo novo, a criação de um Universo diferente, de uma realidade onde esses jovens estão se conhecendo agora. O roteiro funciona bem sozinho e, nesse caso, o drama apresentado é realmente interessante, tendo experimentos com animais aliens e um tipo de aventura claustrofóbica em cena, mas por falta de maior unidade, acaba não alçando voos maiores.

Tell Me You Love Me, de Scott Handcock, fecha a temporada de maneira aceitável. Este é o meu episódio favorito do volume, e dessa vez tem pouco a ver com o meu amor pelo casal Charlie e Matteusz e mais com o fato de que, pelo menos, lidamos indicações e brincadeiras feitas com coisas que tivemos na série. A presença de Miss Quill e as alusões ao passado dela com o Príncipe nos faz ver um pouquinho mais de pertencimento aqui, tornando est o episódio mais Class de toda a temporada. A história é boa, misturando algo angustiante com um pouco de comédia ácida, mas no fim, é a consequência de uma linha de abordagem que não chega em lugar nenhum, fica solto, parecendo pertencer a outra série. A má notícia é que existe uma outra temporada! Esta eu só ouvirei no futuro porque sei que no último episódio dela temos a aparição Ace. Caso contrário, pararia por aqui mesmo.

Class: The Audio Adventures: Volume One (Reino Unido, 21 de agosto de 2018)
Direção: Scott Handcock
Roteiro: Roy Gill, Jenny Colgan, Scott Handcock
Elenco: Fady Elsayed, Sophie Hopkins, Rhys Isaac-Jones, Deirdre Mullins
Duração: 3 episódios de 60 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.