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Crítica | Dexter: Ressurreição – 1X08: A Sala de Matança Onde Acontece

Ángel ao encalço!

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as demais críticas do universo Dexter.

Não há nada mais bacana a sensação de ver um personagem reaproveitado na cada vez maior onda da nostalgia ganhar uma série que consegue ir além do mero caça níquel como é a regra hoje em dia. New Blood foi uma reinício bem interessante, mas falho, e Pecado Original, que teve a renovação para uma segunda temporada cancelada, apoiou-se demais na bengala da nostalgia para realmente ficar de pé sozinha. Mas Ressurreição, que começou de forma sólida, mas sem realmente mostrar a que veio, não demorou a se provar como um grande acerto de Clyde Phillips, que tem conseguido transformar sua premissa estranha sobre um bilionário que coleciona serial killers em uma obra que abraça com vontade esse artifício e que, a partir dele, desenvolve uma narrativa sobre vingança e reconexão real de pai e filho com uma pitada de thriller investigativo que, em um crescendo, subverte a expectativa simplista criada pelas mortes fáceis infligidas por Dexter Morgan quase na base de um psicopata por capítulo.

E não poderia haver subversão maior do que fazer de Al, o último serial killer do clube de Leon Prater, o pirulito que é tirado da mão da criança no último minuto, com o diligente “pai de família” voltando para casa furioso porque as canções de Hamilton não são de seu gosto, com direito a um tom velado de preconceito racial embutido no comentário, vale salientar. antes de se encontrar com Dexter e seu faminto Passageiro Sombrio, deixando-os a ver navios com uma “sala de matança” prontinha, toda plastificada, em uma loja de perucas que, claro, combina com o tema da psicopatia de Rapunzel. Além de ter apreciado essa direção do episódio, que “economiza” um serial killer para depois (espero que em temporada futura, não nessa), gostei ainda mais da simplicidade da coisa toda, com um desencontro salvando Al da morte e Monica Raymund conseguindo construir um ótimo suspense somente com isso.

Melhor ainda é notar como, mais uma vez, as linhas narrativas vão convergindo, ainda que nem todas de maneira exatamente orgânica. Uma delas é a história do inescrupuloso senhorio de Elsa que se torna a vítima substituta de Dexter em outra sequência tensa e muito bem conduzida. Reclamo da organicidade apenas porque é tudo muito conveniente, mas sou o primeiro a admitir que tudo caminhou a contento porque o afiado pedido para que Vinny (Steve Schirripa) dê um jeito lá no mofo do apartamento de Elsa não é algo desgarrado do cerne narrativo, servindo como o clímax da cadenciada aproximação de Ángel com o uso dos AirPods (quanto é que a Apple gastou com esse merchandising, hein?) como rastreador e o final “desastrado” da coisa toda que leva a detetive Wallace e seu parceiro a duvidarem da sanidade do ex-chefe de polícia de Miami, algo que só ganha confirmação com a fatídica ligação dela para Joey. Ver Vinny abalroar Ángel, impedindo-o de confirmar que era mesmo Dexter que estava ali, levou-me a sentir um misto de excitação pelo nosso serial killer favorito escapar de mais essa e de pena por Ángel ter sua vendetta atrasada por mais um tempo.

A criação de um caminho próprio para Harrison é, também, algo bem-vindo. Ele ainda é um suspeito lá no fundo da mente de Wallace, não tenho dúvida, mas a reconexão dele com o pai que ele achava que havia matado somado à questão do senhorio estava amarrando demais os dois personagens e fazê-lo encontrar um interesse romântico, por mais simples que isso possa ser, empresta um ar de que a série está pelo menos tentando fazer com que o personagem cresça para além da sombra projetada por Dexter. E será importante, diria, mantê-lo em Nova York – com ou sem namorada, isso não importa muito por agora – de forma que ele possa seguir seus estudos e eventual carreira na polícia, ainda que isso esteja em um futuro distante demais para imaginar como isso será trabalhado, a não ser que haja um pulo temporal entre temporadas.

Minha única real reticência foi sobre a gafe de Dexter com a filha acupunturista de Blessing, revelando o segredo sobre o passado do pai. Essa história, por mais interessante que possa ser, não só foi introduzida na base da marretada na temporada, em uma sequência artificial feita para criar um suspense bobo após o assassinato de Gareth Prime, como ganha uma continuação que parece divergente demais de todo o restante. Por outro lado, como tudo tem caminhado bem em Ressurreição, não tenho razão para desconfiar de problemas nesse aspecto, mesmo que o tangenciamento narrativo acabe sendo forçado. Para compensar esse problema que ainda não é realmente um problema, tivemos o ótimo momento da chegada de Prater ao jantar carnívoro comemorativo de Dexter com o filho, fruto da desconfiança de Charley, o que deixa um gancho espertíssimo para o próximo episódio que fragiliza o disfarce de Dexter como Red e, logicamente, anuncia o começo do fim desse arco.

Dexter: Ressurreição – 1X08: A Sala de Matança Onde Acontece (Dexter: Resurrection – 1X08: The Kill Room Where It Happens – EUA, 22 de agosto de 2025)
Desenvolvimento: Clyde Phillips (baseado na série desenvolvida por James Manos Jr. e na obra de Jeff Lindsay)
Direção: Monica Raymund
Roteiro: Tony Saltzman
Elenco: Michael C. Hall, Uma Thurman, Jack Alcott, David Zayas, Ntare Guma Mbaho Mwine, Kadia Saraf, Dominic Fumusa, Emilia Suárez, James Remar, Peter Dinklage, Eric Stonestreet, Desmond Harrington, Steve Schirripa
Duração: 45 min.

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