Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Planet of Evil (Arco #81)

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane
Espaço: Planeta Zeta Minor
Tempo: 37.166

Quando assistimos ao arco Planet of Evil, fica difícil não lembrarmos de uma aventura da Era do 3º Doutor chamada Planet of the Daleks, especialmente na ideia geral adotada pela direção de arte. Situado em um ambiente selvagem, tanto este quanto o arco ambientado em Spiridon possuem uma interessantíssima representação de uma força alienígena ligada a elementos da natureza, ingredientes muito caros às aventuras góticas da era do produtor Philip Hinchcliffe.

Depois de vencer os Zygons, O Doutor e Sarah saem da Escócia e esperam chegar em Londres, mas a TARDIS vai até os confins do Universo, a um planeta chamado Zeta Minor, onde uma equipe de arqueólogos e geólogos trabalham na exploração de um minério raríssimo, que serviria para sanar os problemas de energia — sempre os problemas de geração de energia — pelos quais a Terra estava passando.

Tendo como base o filme Planeta Proibido (que serviu de inspiração para muitos roteiros da Série Clássica, mas este é o arco que mais semelhanças possui com o longa) e o livro O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, a trama se divide em dois cenários básicos, ambos representando um tipo de ameaça para o Doutor: a selva, onde mortes tenebrosas e misteriosas estavam acontecendo; e a equipe de resgate que vai até Zeta Minor atender ao chamado dos cientistas em perigo no local. A já conhecida sequência do que acontece sempre que o Doutor está por perto (onde não deveria estar) se dá aqui de uma forma bastante rápida: ele é preso, interrogado, ameaçado e juntamente com Sarah, acusado de ser o assassino da equipe de pesquisa. Mal sabe os militares do resgate e o professor Sorenson, explorador pioneiro do local, que eles estão lidando com uma criatura feita de anti-matéria. O Doutor definitivamente não era o maior problema deles.

A direção de David Maloney volta-se para o aproveitamento do excelente cenário natural de Zeta Minor, com árvores e espécies de plantas de diversos tamanhos, cavernas e buracos, névoa e a tal criatura de anti-matéria que surpreendentemente funciona na concepção e em parte da representação, ganhando apenas uma exagerada importância na reta final da obra, afastando a boa colocação que tivera nos primeiros episódios. O mesmo podemos dizer para ação do Doutor e Sarah no planeta, que começa muito bem, mas depois se mescla a uma urgência megalomaníaca — quando a parte de O Médico e o Monstro entra nas referências do roteiro –, não deixando toda a importância de lado, mas assumindo um caminho que força problemas atrás de problemas, cansando o espectador, que se vê diante de intermináveis idas e voltas na ação do Doutor contra a criatura e a tal equipe de resgate.

A ganância do homem, a busca por sucesso a qualquer custo e a dificuldade de algumas corporações ou grupos de pessoas recuarem de suas metas, mesmo quando descobrem que não estão fazendo o bem para ninguém são questões trabalhadas com bastante eficiência em Planet of Evil, mais um arco de Doctor Who que nos mostra as muitas faces que podemos ter, dependendo do nosso interesse em jogo.

Planet of Evil (Arco #81) — 13ª Temporada
Direção: David Maloney
Roteiro: Louis Marks
Elenco: Tom Baker, Elisabeth Sladen, Ewen Solon, Frederick Jaeger, Prentis Hancock, Michael Wisher, Graham Weston, Louis Mahoney, Terence Brook, Tony McEwan, Haydn Wood

Audiência média: 9,88 milhões

4 episódios (exibidos entre 27 de setembro e 18 de outubro de 1975)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.