Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Robot (Arco #75)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Robot (Arco #75)

por Luiz Santiago
149 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

There’s no point in being grown up if you can’t be childish sometimes.

The Doctor

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane Smith, Harry Sullivan, Brigadeiro Lethbridge-Stewart, Sargento Benton + UNIT
Era: UNIT — Ano 8
Espaço: Reino Unido
Tempo: Anos 1970

…E mais uma Era de inicia.

Desde os primeiros minutos de Robot, entendemos com perfeição o que o Eremita disse para Sarah Jane e ao Brigadeiro Lethbridge-Stewart em Planet of the Spiders: “vocês podem achar o comportamento dele um pouco errático“. E é justamente isso que achamos quando o 4º Doutor enfim diz as suas primeiras palavras e começa a reagir aos efeitos da regeneração. Embora a sua chegada não seja tão impactante quanto a de sua encarnação anterior, o espectador se diverte bastante com as primeiras manias, o “teste” para escolher o figurino, a apresentação das jelly babies, a relação do Doutor com Sarah e o Brigadeiro e a apresentação de Harry Sullivan, que se torna companion a partir do final dessa aventura.

A trama aborda a criação de um robô manipulado pela Scientific Reform Society, que acreditava que a Terra deveria ser governada através de princípios puramente científicos (e olha que tem gente por aí acreditando em algo parecido, hein!). O absurdo, a essa altura do campeonato, não é “novo” dentro do universo de Doctor Who, mas ainda causa um certo impacto no espectador pela nível de segregação de denota. E ao longo da história percebemos que Terrance Dicks, o roteirista, quis estreitar semelhanças entre o robô feito de metal vivo — capaz de sentir — com as leis da robótica de Asimov e com King Kong, especialmente a partir do momento em que a criatura sequestra Sarah Jane e a protege dos “humanos maus”, querendo a jornalista apenas para si.

Além de uma citação a James Bond, referências aos filmes Planeta Proibido e O Dia em que a Terra Parou, o arco já aponta para uma clara vontade do Doutor em se livrar dar “garras” da UNIT. Sua reação pós-regeneração pode dar uma impressão confusa disso, mas o roteiro faz questão de reapresentar o tema quando ele, estabilizado, raciocinava sobre como resolver o problema do vilão que não era tão vilão assim. Na verdade, o robô é apenas um instrumento nas mãos de uma organização científica humana, o que traz interessantes possibilidades de leitura para a história.

Sob direção de Christopher Barry, Tom Baker entrega aqui a performance que seria a máxima de sua carreira. Seu Doutor é errático e caótico, mas nada impulsivo. Ele demonstra pensamento rápido em algumas ações e com certeza o diretor fez uso da facilidade de Baker para a comédia física a fim de adicionar ao novo Time Lord expressões exageradas — como o sorriso de Gato de Cheshire –, menor impacto de enfrentamento com o inimigo, um cuidado para que não houvesse “cópia” do Doutor anterior, mas formas rápidas de se livrar de algumas situações utilizando objetos impensáveis. E claro, nem preciso dizer que o cachecol foi a acertada escolha.

Em um primeiro momento eu achei que o robô teria os piores efeitos especiais/visuais da história, mas fui surpreendido. Apenas no último episódio, quando o Brigadeiro tenta resolver as coisas “à sua maneira de soldado” e dispara contra o robô, aumentando-o de tamanho, a criatura ganha efeitos toscos, mas até ali, não há reclamação alguma, considerando os padrões da época. Até o jeito desengonçado do robô andar eu achei interessante. De todos robôs de Doctor Who até o momento, acredito que este é o mais simpático e bem desenvolvido (não conto os Daleks ou Cybermen porque eles são ciborgues, não robôs).

Um ponto interessante a se destacar é que após a saída do Doutor, Sarah e Harry do QG da UNIT, eles não vão direto para a aventura em The Ark in Space. Há um espaço aí em que se incluem uma série de aventuras do Universo Expandido e que acontece uma pequena tragédia temporal. Por algum motivo até hoje não esclarecido, alguns eventos da linha do tempo vividos por sua encarnação passada simplesmente desapareceram. E para que o Universo continue existindo normalmente, o 4º Doutor precisa revivê-los. É por isso isso que existem diversos quadrinhos protagonizados pelo 3º Doutor e a mesma história vivida pelo 4º Doutor. O “mais novo” só estava revivendo (sem ter consciência disso) eventos pelos quais já havia passado. Mais adiante, em sua timeline, isso aconteceria com Shada. Mas a iniciativa veio de sua 8ª encarnação. Pois é. Se fosse simples não seria Doctor Who, certo?

Robot (Arco #75) — 12ª Temporada — Season Premiere
Direção: Christopher Barry
Roteiro: Terrance Dicks
Elenco: Tom Baker, Elisabeth Sladen, Ian Marter, Nicholas Courtney, Patricia Maynard

Audiência média: 10,15 milhões

4 episódios (exibidos entre 28 de dezembro de 1974 e 18 de janeiro de 1975)

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19 comentários

Rafael Lima 25 de fevereiro de 2017 - 15:33

Este é um ótimo arco de estréia para o Tom Baker, além de funcionar como uma transição competente da era da “Família UNIT” para a “era horrorífica” de Philip Hinchcliffe.

E Tom Baker chega ao papel já chutando portas, e estabelecendo a persona mais insana e boêmia de sua encarnação do personagem, radicalmente diferente de seu antecessor. Embora estivesse muito trite pela saída do Pertwee, Baker me conquistou rapidamente. Só a escolha do figurino, e ele dizendo pro Harry “You are a Doctor. I am THE Doctor”, já me põe um sorriso no rosto.

Entretanto, confesso que fiquei um pouco triste no começo ao perceber que o novo Doutor claramente já não via mais a UNIT como o seu lar. Afinal, mesmo após recuperar a sua liberdade, o Terceiro Doutor sempre “voltava pra casa” após suas viagens. Já o Quarto Doutor decididamente não aprecia o conceito.

Foi uma história brilhante para Sarah Jane também, mostrando não só a sua sagacidade como jornalista, como também a sua grande empatia em relação ao robô da Think Tank. Acho muito legal a forma como o arco trabalha os conceitos Asimovianos, como você bem colocou na resenha.

Acho muito legal também o final, com o Doutor consolando a Sarah e oferecendo a Jelly Baby pra ela, que acaba simbolizando um novo convite para viajar com ele. Toque legal do roteiro. Mas sei lá @luizsantiago:disqus, sempre achei que a Sarah Jane funcionava muito melhor como companion nas aventuras “em casa” do que se aventurando no tempo e espaço com o Doutor. Acho que por isso que prefiro ela como companion do Terceiro Doutor, embora reconheça que a química entre Sladen e Baker era mais forte do que era com o Pertwee.

PS: Como você bem disse, os ideais da “Think Tank” de um mundo governado pela pura lógica não é novo na série. Quando vi os planos e objetivos da Think Tank desenvolvi a teoria de que essa organização seja uma espécie de embrião da “Sociedade da Lógica” enfrentada pelo Segundo Doutor em “The Tomb Of The Cybermans”. Provavelmente não é, mas vai saber, né. Hehehehe

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Luiz Santiago 26 de fevereiro de 2017 - 22:20

Essas mudanças são sempre muito marcantes. Eu também estava bem triste pela saída do Pertwee, mas assim como você, foi conquistado rapidamente eplo Tom Baker no papel… ri, temi, fiquei curioso pelo que viria… eu realmente amei esse novo Doutor e o que ele trouxe de bom para a série, desde o começo já abrindo algumas portas importantes.

É verdade que agora ele se afasta da UNIT e isso é mesmo uma pena. Afinal, passamos tanto tempo com essa família!

E cara, eu adoro a Sarah, mas concordo com você. Nos roteiros, ela funciona bem melhor na era do 3º Doutor. Embora eu não desgoste dela nessa fase, acho que a visão de ter o 3º como uma figura paterna e agora estar ao lado de um tio doido mudaram a personagem também…

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Luiz Santiago 26 de fevereiro de 2017 - 22:20

Essas mudanças são sempre muito marcantes. Eu também estava bem triste pela saída do Pertwee, mas assim como você, foi conquistado rapidamente eplo Tom Baker no papel… ri, temi, fiquei curioso pelo que viria… eu realmente amei esse novo Doutor e o que ele trouxe de bom para a série, desde o começo já abrindo algumas portas importantes.

É verdade que agora ele se afasta da UNIT e isso é mesmo uma pena. Afinal, passamos tanto tempo com essa família!

E cara, eu adoro a Sarah, mas concordo com você. Nos roteiros, ela funciona bem melhor na era do 3º Doutor. Embora eu não desgoste dela nessa fase, acho que a visão de ter o 3º como uma figura paterna e agora estar ao lado de um tio doido mudaram a personagem também…

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novo homem de ferro 27 de agosto de 2016 - 05:38

aquela cena dele escolhendo as roupas muito engraçada

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Luiz Santiago 27 de agosto de 2016 - 06:20

Essa é a parte que todos nós ficamos esperando. É realmente muito engraçada essa cena.

Responder
Luiz Santiago 27 de agosto de 2016 - 06:20

Essa é a parte que todos nós ficamos esperando. É realmente muito engraçada essa cena.

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novo homem de ferro 27 de agosto de 2016 - 05:38

aquela cena dele escolhendo as roupas muito engraçada

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novo homem de ferro 27 de agosto de 2016 - 05:37

eu estava assistindo cronologicamente mais juro não aguentei e vi o primeiro arco do tom baker e cara esse doutor e muito bom aquela frase do final foi foda a chave de fenda sonica com explosao os jelly babies a historia do robo os personagens uau simplismente um arco foda ja adorei esse doutor

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novo homem de ferro 27 de agosto de 2016 - 05:37

eu estava assistindo cronologicamente mais juro não aguentei e vi o primeiro arco do tom baker e cara esse doutor e muito bom aquela frase do final foi foda a chave de fenda sonica com explosao os jelly babies a historia do robo os personagens uau simplismente um arco foda ja adorei esse doutor

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Luiz Santiago 27 de agosto de 2016 - 06:19

É uma baita apresentação. Eu estava completamente viúvo do 3º Doutor, e estava rezando para que este fosse um bom arco, e de fato foi. Tom Baker é um excelente Doutor, mas o meu favorito da clássica ainda é o 2º.

Responder
Luiz Santiago 27 de agosto de 2016 - 06:19

É uma baita apresentação. Eu estava completamente viúvo do 3º Doutor, e estava rezando para que este fosse um bom arco, e de fato foi. Tom Baker é um excelente Doutor, mas o meu favorito da clássica ainda é o 2º.

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novo homem de ferro 27 de agosto de 2016 - 19:33

bom vou voltar a assistir cronologicamente estou ansioso para ver o final do primeiro doutor

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novo homem de ferro 27 de agosto de 2016 - 19:33

bom vou voltar a assistir cronologicamente estou ansioso para ver o final do primeiro doutor

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Luiz Santiago 27 de agosto de 2016 - 22:10

É um ótimo final de era. Veja sim!

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Luiz Santiago 27 de agosto de 2016 - 22:10

É um ótimo final de era. Veja sim!

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Augusto 30 de agosto de 2015 - 00:00

Tom Baker!!! Adoro ele (só não é melhor que o Pertwee) e esse é um ótimo arco de estreia. As primeiras palavras dele são hilárias, como também é seu Doutor.

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Luiz Santiago 30 de agosto de 2015 - 00:24

Essa nova vida é um choque. hahahaha
Ele escolhendo os figurinos é hilário, simplesmente hilário! Estou quase terminando a 13ª agora… Estou gostando muito da era dele. E o Tom Baker é incrível no papel!

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André Moura 22 de agosto de 2015 - 17:55

O Doctor mais carismático de todos,gostei muito da crítica.Gostei dessa aventura “leve” para introduzir esse Doctor,sem grandes perigos,nem grandes vilões(apesar que o robô é bem foda).

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Luiz Santiago 22 de agosto de 2015 - 19:54

É um arco bem leve mesmo. E o Tom Baker é apaixonante. Logo nos primeiros minutos já faz com que o espectador se apaixone por ele. O carisma dele é gigantesco.

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