Crítica | Esquadrão Suicida: Hell to Pay

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Anunciado na San Diego Comic-Con em julho de 2017, Esquadrão Suicida: Hell to Pay é uma daquelas animações que capturam tão bem a essência dos personagens representados que você não quer que acabe. O filme foi o último do veterano Alan Burnett, antes de anunciar a aposentadoria (embora ainda tenham sido lançados filmes depois deste, com o nome do roteirista, eles são textos escritos antes de Hell to Pay, que demoraram mais para serem produzidos).

Na saga, o Esquadrão Suicida é visto em duas missões e times diferentes (caraterística dos quadrinhos do grupo), ponto em que talvez esteja localizada a pequena falha de organização do roteiro. Mas vejam, isso é uma armadilha de enredo. Porque a primeira e curta missão, com cenas iniciais no Mar Adriático serve para apresentar com perfeição o tom extremamente violento do filme, assim como o comportamento de Amanda Waller (Vanessa Williams, em fria e bem realizada interpretação), às vezes tão psicopata quanto seus prisioneiros, algo que fica bastante claro nesta obra, em específico, porque estamos lidando com uma questão estritamente pessoal para a chefe.

O impasse que citei anteriormente se torna intenso porque não existe uma real ligação entre os dois blocos narrativos da fita, além do estabelecimento de uma ótima atmosfera de desesperança. No entanto, o “mal” que isso representa é apenas situacional. Isso porque cada um consegue funcionar bem isoladamente e, diante da boa “caçada ao cartão que pode te dar um passe livre para o Paraíso — salvando-te do Inferno“, o espectador esquece facilmente a lombada do início da trama. E que trama! Sempre que nos deparamos com uma animação da DC, ficamos preocupados com a possibilidade de descaracterização de grupos, personagens, vilões e até mesmo de ambientes onde as histórias se passam. Seja por roteiros ruins, seja para se enquadrar a uma certa faixa etária, seja por conta de uma reinterpretação mal feita de um arco dos quadrinhos, o fato é que já estamos saturados de longas animados da empresa que se contentam com atalhos. Pois bem, este não é o caso de Hell to Pay.

Sendo a violência livre — e não há nenhum escrúpulo para os assassinatos. Eles são apenas evitados pelo gosto volátil dos membros do Esquadrão, sem culpa ou resguardo moral do tipo “oh, não vamos matar esse pobre coitado, ele só está fazendo o serviço dele!“. Nada disso. — e a busca entrecortada pela presença de Vandal Savage e do Flash Reverso, além dos próprios membros do Esquadrão com agendas pessoais sem que o espectador saiba, o texto faz com que a psicopatia, a violência e doses altas de humor negro se misturem, sobrando até espaço para um antigo Senhor Destino sexy e vilões e pequenos exércitos de criminosos se encontrarem no mesmo caminho.

É muito bom quando algo valioso atrai a atenção de personagens com intenções “similares, mas nem tanto” e o espectador é bombardeado com surpresas no decorrer do tempo. Este é o principal sustentáculo de Hell to Pay. A manutenção da essência dos personagens fez com que a história jamais perdesse o fôlego e, mesmo que algumas sequências não sejam exatamente boas, que a luta final se estenda mais do que deveria e que o desfecho beire o melodramático, nada tira o fato de que o roteiro aqui é sólido e majoritariamente muito bem executado.

Dentre as dublagens, ganham destaque o Pistoleiro de Christian Slater; o Capitão Bumerangue de Liam McIntyre e o Zoom de C. Thomas Howell. O restante do elenco está adequado aos vilões, mas não com um grandes destaques de voz e marcação da força para cada um deles, o que é espantoso pelo menos da parte de Tara Strong, por sua larga experiência interpretando Arlequina, sem trazer nada demais aqui. Ainda bem que o filme se garante. E muito. Uma baita aventura sobre a salvação e a perda de almas em um momento de crise pessoal, com um preço a pagar pelos seus atos. Um dia, a cobrança desse preço chega e a perspectiva sempre parece bastante trágica. Não há nada a fazer. É aquilo que se diz: algumas pessoas realmente merecem o Inferno…

Suicide Squad: Hell to Pay (EUA, 27 de março de 2018)
Direção: Sam Liu
Roteiro: Alan Burnett
Elenco (vozes): Christian Slater, Vanessa Williams, Billy Brown, Kristin Bauer van Straten, Gideon Emery, Liam McIntyre, Tara Strong, David Boat, Trevor Devall, Dave Fennoy, Greg Grunberg, C. Thomas Howell, Cissy Jones, Natalie Lander, Matthew Mercer, Julie Nathanson, Jim Pirri, Dania Ramirez, James Urbaniak
Duração: 86 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.