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Crítica | Fear the Walking Dead – 7X03: Cindy Hawkins

A morta entre os desmortos.

por Ritter Fan
2.071 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas de todos os episódios da série e, aqui, de todo nosso material do universo The Walking Dead.

Normalmente, os melhores episódios de Fear the Walking Dead destacam apenas um ou dois personagens e se passam em espaços limitados, por vezes até completamente confinados, o que dá tempo para trabalhar personagens e relacionamentos, mesmo que a trama geral – que, sejamos sinceros, não é lá o forte da série – fique momentaneamente de lado. Cindy Hawkins é um desses episódios, aqui quase que completamente passado em um abrigo nuclear caindo aos pedaços e figurando John Dorie, Sr., pai do melhor personagem da série e que não deveria ter morrido e June, esposa do melhor personagem e que não deveria ter morrido.

No entanto, como uma exceção que confirma a regra, trata-se de um capítulo mal aproveitado em termos de trama e de personagens, com uma construção apressada que revela Dorie, Sr. como um dependente de álcool em abstinência tendo delirium tremens com direito a visões da jovem Cindy Hawkins, a única vítima de Teddy cujo corpo ele não foi capaz de encontrar, depois que ele descobre a “sala de embalsamento” do serial killer como um anexo do abrigo onde ele e June moram há algo como dois meses, mantendo uma rotina constante. Keith Carradine até convence em seu papel de homem assombrado por seu passado, mas o carismático ator simplesmente não tem espaço para desenvolver Dorie, Sr. de maneira completa e bem estruturada, com Jenna Elfman e sua June Dorie não tendo lá muito o que fazer a não ser tentar ser a fraca voz da razão que tenta acordar seu sogro do torpor, ao mesmo tempo em que demonstra pavor de enfrentar o que a aguarda na superfície.

Nick Bernardone e Jacob Pinion, que escreveram o roteiro, tinham todo a matéria prima necessária para entregar um episódio memorável, mas tudo o que conseguiram fazer foi carregar os diálogos de textos expositivos para explicar esse detalhe sobre a garçonete morta por Teddy e toda a culpa que o ex-policial ainda carrega por não ter conseguido cumprir a promessa que fez à mãe da jovem. Isso e o alcoolismo, claro, que, apesar de fazer todo sentido considerando a vida solitária que ele levou, fica parecendo aquilo que realmente é, uma conveniência de roteiro para permitir que a história aconteça. E eu nem reclamaria se a direção de Ron Underwood não fosse tão sôfrega, tão crivada de elipses mal resolvidas e de passagens temporais que dependem de June escrever em uma lousa os dias que estão lá e quantos faltam para eles saírem da prisão, em um daqueles artifícios narrativos tão preguiçosos que essa preguiça contagia até mesmo o espectador.

Não ajuda em nada o uso de inimigos genéricos – que, presumo, sejam membros do grupo de “despidores de zumbis” – para acelerar ainda mais a história, para tirar Dorie, Sr. do abrigo para aquele cenário romeriano artificial, mas simpático (e que ganha meu selo de aprovação!), e para levar até aquele final ridículo em que os dois são soterrados e magicamente salvos pelos minions de Strand logo antes de Morgan também chegar lá atrás deles, porque, claro, 60 e tantos dias fazendo transmissões radiofônicas levam à convergência narrativa exatamente quando ela deve acontecer… É como assistir a um rascunho de uma boa ideia que, ao ser convertido em um roteiro completo, perdeu completamente a razão de ser.

E não é que Cindy Hawkins seja perda total, pois não é isso. Trata-se apenas de um potencial desperdiçado, de mais um episódio padrão de Fear the Walking Dead que agrega muito pouco ao todo e que segue o padrão cansado de vagarosamente reunir o elenco espalhado por todo o lugar. Bons tempos em que episódios focados em um ou dois atores e que permaneciam economicamente em um só cenário eram tiros certos. Agora, pelo visto, nem mais esse porto seguro teremos na série que continua caminhando como seus mortos vivos nucleares…

Fear the Walking Dead – 7X03: Cindy Hawkins (EUA, 31 de outubro de 2021)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Ron Underwood
Roteiro: Nick Bernardone, Jacob Pinion
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Austin Amelio, Mo Collins, Alexa Nisenson, Karen David, Christine Evangelista, Colby Hollman, Jenna Elfman, Keith Carradine, Rubén Blades, Omid Abtahi, Demetrius Grosse
Duração: 46 min.

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