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Crítica | It: Bem-Vindos a Derry – 1X04: O Grande Aparato Giratório do Funcionamento do Nosso Planeta⁩

Bom, mas não o suficiente.

por Ritter Fan
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  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios e de tudo sobre It.

Apesar de o episódio com título gigante para chamar atenção ser, possivelmente, o melhor da temporada até agora, o que não é lá grande coisa, vamos combinar, continuo sentindo que a produção não está conseguindo fazer a história caminhar de verdade para a frente. Não estamos falando de uma série em que os conceitos são inovadores ou particularmente complexos, pelo que andar de lado não é justificável quando estamos falando do capítulo que marca a metade desse começo da história de Pennywise. Algo mais do que assustar jovens amigos no rio, em casa e na escola é necessário para fazer a narrativa ser propulsiva, especialmente quando os sustos, em sua gigantesca maioria, parecem focar ou em espectadores que se assustam com a própria sombra ou em crianças ainda desacostumadas a jump scares.

Afinal, jump scares é tudo o que a produção oferece e, pior, jump scares tão telegrafados que eles não assustam e nem fazem pular, como é a câmera baixa no rio em que Will espera sozinho por seu pai ou quando ele espia a vizinhança com seu telescópio no que talvez seja o truque que até a primeira edição do Manual dos Jump Scares diz para não fazer. Admito que o episódio merece alguns bons pontos para tudo o que acontece com Marge, pois, primeiro de tudo, sendo bem malvado (mas sei que não estou sozinho nessa), aquela desgraçada merecia algum sofrimento pesado, e, depois, a ideia de fazer a jovem – que porta aqueles óculos com lentes de fundo de garrafa – ter seus olhos espichados como os caramujos infectados por parasitas que vimos alguns minutos antes é, por mais óbvio que seja, bastante engenhoso, com a culminação sendo aflitiva, mas menos pela sanguinolência na serra tico-tico e mais pelo que espera por Lilly agora que ela foi pega com a faca (mas não exatamente o queijo) na mão.

Por outro lado, e essa é a melhor característica do episódio de longe, o sobrenatural finalmente parece casar com o real. Falo, especificamente, da maneira como a prisão de Hank leva Charlotte a arregaçar suas mangas e como atiça a paranoia de Leroy sobre a segurança de sua família quando ele conecta a aparição de Pennywise no formato de palhaço sinistro (como todos são, claro) para seu filho. Essa é a riqueza razoavelmente inexplorada da série, ou seja, o horror causado não por monstros de computação gráfica, mas sim por humanos mesmo, humanos que se acham superiores aos outros, que oprimem aqueles que consideram inferiores e, com isso, alimentam o cruel “aparato giratório do funcionamento do nosso planeta”. It: Bem-Vindos a Derry precisa desesperadamente agarrar-se a isso para evitar que o resultado final da temporada seja o horror genérico do segundo filme de Andy Muschietti que adaptou o calhamaço de Stephen King.

Outro incômodo que senti foi a I-N-T-E-R-M-I-N-Á-V-E-L história de origem da Coisa (ou Galloo, nome indígena criado para a série) conforme contada em detalhes excruciantes por um jovem Taniel depois de envelopado pela iluminação de Dick Hallorann. E o pior é que essa sequência vem depois dos eventos com Marge e Lilly, quebrando toda e qualquer fluência narrativa. O que era para ser um cliffhanger perfeito com Lily com a faca na mão tornou-se uma cena que até esquecemos com a lentidão do que vem em seguida com a história passada de geração em geração pelo povo originário da região e que acaba (ou será que continua?) na casa mal-assombrada da Rua Neibolt. Se essa longa história era realmente necessária – e tenho minhas dúvidas que era – então que a produção tivesse apostado todas as suas fichas nela para dedicar um episódio inteiro para contá-la, realmente costurando-a com a temporada e não parecendo uma nota de pé de página que é maior do que a própria página. E eu digo que dava para ser um  episódio inteiro, pois, mesmo que quase tudo tenha sido inventado para a série, a base vem diretamente do livro e, lá, há mais material a ser extraído sobre a origem extraterrestre (ok, é mais do que apenas extraterrestre) da Coisa e sua influência por aqui.

It: Bem-Vindos a Derry é uma série que, até agora, anda em espasmos com alguns momentos inspirados perdidos em meio à bobagens para gastar computação gráfica. Falta direção, falta foco, falta escolher um caminho. Muito sinceramente, o que vem sendo mostrado parece uma reunião de cenas extras de DVD de um Muschietti Cut para seus filmes tratando de um terceiro momento temporal e não algo coeso, ordenado e que acrescente ao que já sabemos sobre a mitologia da criatura monstruosa que se alimenta de medo. Não sei se ainda dá tempo, mas há toda a segunda temporada para a produção parar de ser como aquele parente inconveniente que arruma toda oportunidade para gritar “BU!” para assustar visitas desavisadas.

It: Bem-Vindos a Derry – 1X04: O Grande Aparato Giratório do Funcionamento do Nosso Planeta⁩ (It: Welcome to Derry – 1X04: The Great Swirling Apparatus of Our Planet’s Function – EUA, 16 de novembro de 2025)
Desenvolvimento:
Andy Muschietti, Barbara Muschietti, Jason Fuchs (baseado em romance de Stephen King)
Showrunners:
Jason Fuchs, Brad Caleb Kane
Direção:
Andrew Bernstein
Roteiro:
Helen Shang
Elenco: 
Clara Stack, Amanda Christine, Blake Cameron James, Arian S. Cartaya, Matilda Lawler, Taylour Paige, Jovan Adepo, Chris Chalk, James Remar, Peter Outerbridge, Rudy Mancuso, Stephen Rider, Alixandra Fuchs, BJ Harrison, Kimberly Norris Guerrero, Joshua Odjick 
Duração:
63 min.

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