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Crítica | Legends of Tomorrow – 3X07: Welcome to the Jungle

por Luiz Santiago
86 views (a partir de agosto de 2020)

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SPOILERS! Confira as críticas para os outros episódios aqui.

Qualquer um que conheça um pouquinho da História dos Estados Unidos deve achar interessante as narrativas que olham para a Guerra do Vietnã a partir da perspectiva do horror e interferência bélico-política sem sentido em um território que se preparava para seguir um caminho anti-Tio Sam. Em Welcome to the Jungle (impossível não se lembrar da canção do Guns, não é mesmo?), sétimo episódio desta 3ª Temporada de Legends of Tomorrow, os heróis visitam o país asiático em plena guerra para tentar resolver uma anomalia temporal nível oito. Infelizmente o roteiro perde impacto logo de cara, com o afastamento não muito inteligente de Sara ao longo do episódio, mas a trama ainda se mantém boa e nos traz algo para pensar: por que as Lendas estão encontrando versões ou parentes deles de maneira cada vez mais frequente?

Considerando que este episódio antecede o crossover Crise na Terra-X, dá para imaginar que os produtores estão criando um ambiente de duplicidade da nossa com esta outra Terra. Analisando a inclusão de personagens como Damien Darhk ou a aparição de um Grodd deslocado mais diversos paradoxos que não necessariamente têm alguma coisa a ver com a interferência das Lendas, fica fácil perceber que existem forças externas trabalhando para piorar as coisas. Rip já tinha acenado para essa questão e a cada episódio que passa a ideia fica ainda mais óbvia. Nesse sentido, Welcome to the Jungle serve tanto como aglutinação de problemas hoje em andamento na série como também de sugestão para o que deve ser o restante da temporada, depois de Terra-X.

A direção de Mairzee Almas é muito coerente com o que o roteiro pede. Ágil e ziguezagueando entre personagens, duplas, pequenos grupos, grandes grupos e vilão; além de fazer ótimos planos de estabelecimento da selva e de lugares menores como a Waverider ou o QG de Grodd, a diretora consegue manter a ação em curso, a despeito das estranhezas e pontos cômicos desnecessários do roteiro, que são a maior pedra no sapato aqui. Além do mal arquitetado afastamento de Sara, tivemos a presença de alguns gênios cientistas da História para ajudar Martin a calcular corretamente a separação do Nuclear entre ele e Jax. É claro que ver juntos em um episódio Isaac Newton, Marie Curie e Galileu é emocionante. Todo mundo que tenha o mínimo de apreço pela História da Ciência gostaria de ver esses personagens em uma série de viagem no tempo. Mas a questão não é apenas a aparição deles. A coisa precisa fazer sentido, ser bem inserida no contexto da obra, o que infelizmente não acontece aqui.

Por outro lado, o roteiro de Ray Utarnachitt e Tyron Carter explora com bastante competência a relação entre Mick e o pai, já indicando uma mudança benéfica na linha do tempo do personagem, o que é simplesmente maravilhoso de se ver e ajudado pela escolha da colocação dele e Nate no campo de batalha, tendo ajuda dramática da fotografia natural e tendências para filtros verdes e azuis, como era de se esperar. Na mesma esteira de adequações familiares, vemos Amaya reavaliando o papel de sua neta Kuasa como vilã. Em torno desses novos pensamentos o texto brinca com a divisão das Lendas em pequenos times ou ação solo (Jax salvando o presidente é uma das sequências mais soltas nesse quesito), coloca uma nuance política no discurso da vietnamita que foi por um tempo dominada por Grodd e faz com que o descontrole da linha do tempo se arranje e as Lendas sigam viagem após um bem-vindo término de confraternização. Todo o processo de construção do dilema dos heróis é rápido e bem finalizado texto, só encontrando impasses menores em coisas alheias a eles.

Parece-nos que o plano dos produtores para a primeira metade da temporada está chegando ao fim e, mesmo que isso não tenha vindo de maneira notável, ainda é uma vitória para uma série como LoT. Agora é preciso esperar o crossover para ver para onde as consequências do grande encontro levará os heróis, marcando o início da temática da segunda parte. A adição de um outro membro ao grupo cairia bem neste momento. A equipe e a série seguem bem, mas sangue novo (ou o retorno de alguém da Sociedade da Justiça) cairia muito como uma luva neste bom momento.

Legends of Tomorrow – 3X07: Welcome to the Jungle (EUA, 21 de novembro de 2017)
Direção: Mairzee Almas
Roteiro: Ray Utarnachitt, Tyron Carter
Elenco: Victor Garber, Brandon Routh, Caity Lotz, Franz Drameh, Maisie Richardson-Sellers, Amy Louise Pemberton, Tala Ashe, Nick Zano, Dominic Purcell, Neal McDonough, Evan Jones, David Sobolov, Dianne Doan, Peter Hall, Lawrence Green, Christine Lippa, Sacha M. Romalo, Blake Stadel, Michael Kiapway
Duração: 42 min.

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9 comentários

Régis Valker 25 de novembro de 2017 - 02:18

ate hj nao tive vontade de terminar a primeira, isso que é foda

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Luiz Santiago 25 de novembro de 2017 - 07:04

Perfeitamente compreensível! A primeira temporada dessa série é A TREVA!!!!

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Huckleberry Hound 25 de novembro de 2017 - 15:41

Só tem pelo menos 2 ou 3 episódios que podem ser chamados de “razoáveis” mas o resto é uma tortura pra terminar meu irmão quase não conseguiu mas eu disse pra ele que depois melhora kk…

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Luiz Santiago 25 de novembro de 2017 - 18:19

Eu só avancei na 1ª temporada porque tinha que escrever as críticas. Senão, tinha parado no segundo episódio hahahahha. Mas fico feliz que tenha continuado. Pelo menos chegamos a um bom momento do show hoje.

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The Flash 25 de novembro de 2017 - 16:10

Pra mim a pior coisa não foi nem o vilão, foi aquela Mulher-Gavião e o Gavião Negro. PQP nunca odiei tanto um personagem dos quadrinhos assim.

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Luiz Santiago 25 de novembro de 2017 - 18:18

Eles foram MUITO mal escritos. Mas era um pacote, o casal das asinhas e o Savage, outro pessimamente mal concebido.

DEUR ME DEFENDERAY!

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Jefferson 25 de novembro de 2017 - 15:46

Acho justo. So perde pras 3 e 4 temporadas de Arrow de ruim.

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DeadLogan 24 de novembro de 2017 - 17:40

O episódio foi bom, gostei, eles tiraram a Sara para mostrar que mesmo sem ela as Lendas continuam a conseguir trabalhar justas sem grande diferença, sinceramente quase que não senti a falta dela neste episódio, mas sem dúvida que é um dos melhores personagens do Arrowverse. Mas se houve algo que se destacou foi a profundidade, bem merecida, ao Mick e ao seu passado e ele tentar mudar o seu pai e tentar melhorar a sua vida para quando voltar a casa.
E estranhamente as lendas quase que não precisaram dos seus poderes para resolverem os seus problemas, embora isso também seja para minimizar os custos do CGI neste episódio com o Grood, que até que não estava muito mal, só achei estranho a maneira como que o Grood estava neste episódio, o quero dizer é, não parecia tão malicioso, nem tão vingativo, nem tão “quebrado” como estava, por exemplo, no episódio que ele tentou invadir Central City

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Luiz Santiago 25 de novembro de 2017 - 03:12

O propósito para o afastamento de Sara foi esse mesmo. Mas não penso que foi bem feito. O roteiro trava no início com 6 linhas de diálogo, todos voltados para uma condição referencial ao episódio anterior. Já é um furo grave de construção narrativa. Aí a personagem volta para figurar em um solilóquio de Jax. Não há sequer um padrão de inclusão ou tratamento para ela aí. E no final aparece com uma desculpa imediatista, no estilo Deus Ex Machina. Concordo que as Lendas seguem com as missões mesmo sem sua capitã, mas o meu ponto aqui não foi o afastamento dela por si só. Foi o modo nas coxas como foi feito.

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