Crítica | Legends of Tomorrow – 4X16: Hey, World!

  • Há SPOILERS! Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Para que vocês tenham uma noção do nível da minha frustração ao escrever este texto, considerem isto aqui: a última vez que eu dei uma nota abaixo de 3 estrelas para Legends of Tomorrow foi na crítica de Land of the Lost, o episódio treze da 2ª Temporada, exibido em março de 2017. Não precisa falar mais nada sobre isso, certo? Creio que já tiveram a dimensão da frustração. Sigamos.

Os roteiristas escalados para escrever este episódio foram Phil Klemmer e Keto Shimizu, ambos veteranos na série e autores de textos bons e ruins nessa trajeto. Até aí, nada de novo no front. A grande questão a ser respondida aqui é a seguinte: POR QUÊ essa dupla de produtores executivos e seus outros colegas showrunners deram esse caminho para ser trabalhado no Finale? Duas possibilidades muito simples estavam abertas e ambas já tinham absolutamente tudo para dar certo, já que após o hiato e um começo um tantinho menos impactante, a série voltara a apresentar excelentes episódios em torno da possessão de Ray e o grande tema da temporada: a caça às criaturas mágicas. Por que não usar isso em benefício do episódio, sem querer ser épico em algo que ficaria muito melhor operado em menor escala?

Aqui, é importante pensar que as criaturas mágicas estavam soltas porque o portal dimensional que as mantinham em seus mundos foi aberto durante a luta das Lendas contra Mallus, na 3ª Temporada. O mote para a 4ª Temporada, portanto, foi um acidente de percurso, algo que os heróis precisariam trabalhar duro para resolver, certo? Certo. Guardem bem essa informação porque voltaremos a ela mais adiante na crítica. Por hora, é lícito dizer que com todos os bons ingredientes para se fazer um bom encerramento, por mais clichê que fosse (aliás, clichê só é algo problemático em duas ocasiões: quando usados em excesso e quando não são bem aplicados à trama em questão), por que diabos os roteiristas foram inventar complexidades, nuances épicas e fazer a introdução de um novo personagem logo aqui, da maneira mais anticlimática possível?

Nem a piadinha do “abraço com muita pélvis” dita por Behrad, o irmão de Zari que não morreu (agora que a timeline foi consertada) surte efeito, porque o desaparecimento de uma personagem não é algo que se trata dessa forma! Nem a saída do Kid Flash, que passou pouquíssimo tempo no grupo foi tão aleatória, desperdiçada e, sinto muito, desrespeitosa com o personagem. Com isso, fica impossível não antipatizar com Behrad logo de cara e o coitado do ator Shayan Sobhian não tem absolutamente nada a ver com isso. O problema foi essa estupidez colossal que os roteiristas colocaram para marcar a chegada dele ao show, tentando fazer um final plenamente feliz e se esquecendo de uma coisa que deveria ser a verdadeira preocupação no encerramento de qualquer episódio, especialmente no final de uma temporada: a qualidade.

Ganham destaque aqui apenas as cenas no inferno e a cena da pequena Zari brincando com o dragão (a cutucada em GoT foi ao mesmo temo peculiar e desnecessária). De resto, há um acúmulo de mal ritmo interno, maus diálogos e má montagem, onde passamos de discussões sobre linha do tempo, para pessoas de mãos dadas cantando (pessoas que antes estavam fugindo com medo e que de repente deveria AMAR NATE, alguém que nunca viram!!!) e desperdício completo de uma premissa que deveria gerar uma boa batalha. Mas aí gastaram dinheiro fazendo os efeitos para o dragão gigante (para quê? Sem contar que o dragão pequeno é 1 trilhão de vezes mais bonitinho e mais barato!), perderam a oportunidade de criar um fim realmente caloroso e que se importava com todo mundo — em vez disso atiraram para todo lado, inclusive com um atroz cena musical — e apresentaram o pior enfrentamento direto entre vilão e heróis desde a 1ª Temporada! E por falar nisso, adivinhem quem volta numa pequena participação aqui? Ai, ai, ai, meus sais…

Com um final desses, a sensação maior é de desperdício de boa parte do nosso tempo e da temporada. Depois de tudo o que havia sido apresentado, eu realmente não esperava que desceríamos tanto em qualidade nessa série. E ainda piora. Lembram da informação que falei para vocês gravarem sobre a motivação/núcleo de temática para a temporada? Pois bem: o que foi, pelo amor de todos os santos, isso que o roteiro nos apresentou aqui? Então quer dizer que a 5ª Temporada será um repeteco da 4ª, só que com figuras históricas? Por que Astra tem interesse em fazer isso? Que história é essa de “segunda chance” para essas figuras num jogo de mandá-las de volta para a Terra? Absolutamente nada faz sentido nessa escolha e a 5ª Temporada nem começou e eu já estou vestido com as roupas e as armas de Jorge, porque se realmente for confirmado o negócio de “caça às figuras históricas” e se não for dado um sólido motivo para Astra fazer o que fez, temo em dizer que chegamos ao topo de qualidade da série e nosso destino agora é descer. Mas vamos esperar. É o que nos resta. Juntos e shallow now.

Legends of Tomorrow – 4X16: Hey, World! (EUA, 20 de maio de 2019)
Direção: Kevin Mock
Roteiro: Phil Klemmer, Keto Shimizu
Elenco: Brandon Routh, Caity Lotz, Maisie Richardson-Sellers, Tala Ashe, Jes Macallan, Courtney Ford, Amy Louise Pemberton, Ramona Young, Nick Zano, Dominic Purcell, Matt Ryan, Thomas F. Wilson, Adam Tsekhman, Jane Carr, Sisa Grey, Paul Reubens, Olivia Swann, Shayan Sobhian, Gracelyn Awad Rinke, Casper Crump, LaMonica Garrett, Sandy Sidhu, Jason Simpson
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.