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Crítica | Mayans M.C. – 3X06: You Can’t Pray a Lie

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios.

Nem me lembro quando foi a última vez que isso aconteceu em Mayans M.C., mas You Can’t Pray a Lie foi uma baita derrapada na temporada. Não é um episódio ruim, vejam bem, mas ele parece fazer parte de outra série, uma bem mais boba e levinha que jamais sairia da mente de Elgin James. Mas, como showrunner e, aqui, pela segunda vez seguida, diretor, ele definitivamente teve participação na criação dos eventos que são abordados aqui, eventos esses que, mesmo seguindo o caminho que a série vem seguindo, parece um daqueles momentos feitos para o espectador respirar, só que no momento errado e definitivamente em uma atmosfera estranha.

E o problema já começa pela maneira como o atentado a EZ é abordado. Não sou de clamar por verossimilhança e realismo extremo em filmes e séries, especialmente no que se refere a feridas a bala ou a faca. Faz parte do jogo o personagem baleado continuar agindo como se nada tivesse acontecido, lidando com o ferimento como se não fosse mais do uma farpa que entrou em seu dedo. Mas uma coisa é o ferimento que é um detalhe dentro de um contexto maior, outra bem diferente é quando ele é o foco. Narrativamente, para que balear EZ em uma momento e, no seguinte, fingir que nada aconteceu, fazendo-o sair do hospital algumas horas depois com um Band-Aid para viajar de moto com a namorada por horas a fio, com direito a uma transa gostosa na praia no final do dia? Isso fica particularmente feio quando lembramos que a série, no geral, preza pelo realismo e sempre abordou causas e consequências de maneira madura e série.

Em outras palavras, o fantástico momento do ataque a EZ, que fechou Dark Deep-Laid Plans, episódio de metade de temporada, foi desperdiçado. E, pior do que isso, todo o potencial que o momento tinha de levar Gaby a repensar seu relacionamento com EZ ou, no mínimo, de procurar respostas e tentar fazer as pazes com a situação traumática, foi defenestrado e substituído por uma road trip cheia de amorzinho, com parábolas em Igrejinha, primeira visita ao Oceano e, claro, o momento do sex on the beach em que, muito ao contrário, o relacionamento dos dois chega a outro nível, dizendo para nós, espectadores, que o Gaby precisava para finalmente transar com EZ, era quase morrer de susto em um atentado que a deixou completamente ensanguentada e que ela lidou como se fosse outra quarta-feira na vida dela. Chega a ser estranho ver tamanha simplificação narrativa em Mayans M.C., o que eu reputaria como preguiça da roteirista se eu estivesse falando de outra série.

Mesmo que toda a tensão da situação tenha levado Marcus Álvarez e Bishop a claramente ficarem em lados opostos, o que definitivamente é um desenvolvimento importante e potencialmente mortal na temporada, havia outra maneira de chegar ao mesmo resultado a partir do ataque a EZ. Com a mistura narrativa feita pelo luto de Bishop pelo aniversário da morte de seu filho – o flashback/pesadelo inicial foi uma excelente forma de começar o episódio, aliás -, acabou que os dois assuntos entraram em choque e se auto sabotaram um pouco, não ajudando muito a briga matrimonial do líder dos Mayans de Santo Padre e sua esposa no restaurante.

Por seu turno, a contínua e profunda queda de Coco foi o ponto alto do capítulo, com Richard Cabral realmente muito dedicado a seu complexo e autodestrutivo personagem de cabelo ensebado. Toda sua relação com Hope foi bem trabalhada, mostrando almas gêmeas presas em um ambiente sem saída em meio aos hippies alucinados comandados pelo cada vez mais ameaçador Isaac que encomenda mais três quilos de heroína ao Mayan. Tenho muita dificuldade em ver como essa subtrama será desenrolada, mas, como basicamente todo o restante dos personagens, não imagino nada menos do que desgraças completas.

No final das contas, não sei se consegui entender direito a vingança de Angel sancionada por Bishop. Quer dizer, entendi a ação em si, mas fiquei surpreso que a escolta dos Mayans de Stockton, ordenada por Álvarez nada fez a não ser dizer “olha lá os caras”. Foi incompetência, preguiça ou foi de propósito para deflagra uma guerra? Espero que seja a última opção, pois, se for qualquer uma das duas primeiras, cabem aqui, guardadas as devidas proporções, os mesmos comentários que fiz em relação ao ferimento de EZ.

You Can’t Pray a Lie foi um episódio estranho que quebrou a harmonia de altíssima qualidade que a temporada vinha consistentemente apresentando. Não tenho dúvidas que foi apenas um soluço, um problema passageiro daqueles que acontecem nas melhores famílias, pois a série continua cativante em sua forma de lidar com tensão e a espiral quase niilista em que todos ali estão envolvidos.

Mayans M.C. – 3X06: You Can’t Pray a Lie (EUA – 13 de abril de 2021)
Showrunner: Elgin James
Direção: Elgin James
Roteiro: Andrea Ciannavei
Elenco: J.D. Pardo, Sarah Bolger, Clayton Cardenas, Michael Irby, Carla Baratta, Richard Cabral, Raoul Trujillo, Danny Pino, Edward James Olmos, Emilio Rivera, Emily Tosta, Sulem Calderon, JR Bourne
Duração: 59 min.

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8 comentários

Comediante 18 de abril de 2021 - 00:42

Estranho esse momento mais… calmo. Fica a dúvida do porquê E.Z. levar um tiro e sair por aí na sua motoca como se tivesse levado um arranhão. Pior ainda Gaby continuar questionando, não ter nenhuma resposta e continuar tudo bem, mas certamente foi apenas uma derrapada, afinal têm muitas coisas para serem desenvolvidas, tanto é que o plot de Coco e o de Adelita ficaram isolados. Inclusive essa última parece também ir para a guerra que deve ser (e assim se espera) o que os próximos episódios irão desenvolver. É uma lombada, nada que afete, pelo menos para mim, a estrada toda, porém com apenas 4 episódios faltando e tendo inúmeras coisas para se trabalhar (A guerra “civil” Mayan; Palo; o grupo que me fugiu o nome, mas mataram Juan Denver; Isaac e afins; Sons of Anarchy (Se é que eles voltaram nessa temporada) e vai saber se Adelita planeja uma vingança contra Lincoln Potter e cia) fica aquele receio, não de ser feito de qualquer jeito, mas de não dar tempo de fazer tudo e.. bem, quarta temporada que é bom nada de ser anunciada.. e agora sendo da casa do Mickey as chances de renovações não são favoráveis.

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planocritico 18 de abril de 2021 - 18:11

Não afeta a estrada não. Muito longe disso na verdade. Episódios assim acabam fazendo parte. Acontece nas melhores famílias, como dizem por aí!

Sobre renovação, ai, ai, nem me fale…

Abs,
Ritter.

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Nellio Vinicius 16 de abril de 2021 - 01:13

Salvo engano foi o primeiro episódio de Mayans que eu pausei , fui comer algo e voltei, pausei de novo, dormi e continuei mais folgado, um episódio que não teve aquele senso de urgência que a série carrega, não sei se a palavra é ruim, mas teve umas incongruências, o EZ perdeu um galão de sangue e o que? umas 30 horas depois já tava apto pra fazer um bem-bom e pilotar uma moto. O desenvolvimento do Bishop foi legal, ao menos, deu pra entender que ele odeia Santo Padre, mas ficou a pedido do Alvarez, porque ali é um ponto vital para todo o transporte da heroína. E dentre as 3 opções Ritter, aposto que o Nestor estava com aquele preguiça depois que nós comemos um prato bem pesado tipo uma feijoada no almoço e vamos pro cochilo da tarde.

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planocritico 15 de abril de 2021 - 22:01

Pois é, meu caro. Algo parecido aconteceu comigo também. E, de fato, não é um episódio ruim, mas sei lá, ele não parece se “conectar” com o restante, especialmente o cliffhanger tão urgente do episódio anterior.

Sobre o Nestor, essa é mesmo a cara dele naquele momento: “nah, tô de barriga cheia, não vou me mexer não…” Veremos!

Abs,
Ritter.

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Alex Fonseca 16 de abril de 2021 - 00:28

Também achei muito atropelado esse plot da recuperação do EZ, dando a entender que tudo ocorreu em pouquíssimas horas. O que me conforta nesse episódio são duas situações: o desenvolvimento do Bishop está sendo muito bom e eu gostei muito de vê-lo peitando o Alvarez; A guerra dentro dos clubes que parece inevitável.

Sobre Coco, esse já está pedindo pra morrer faz tempo. Acredito que o fim dele virá nesse próximo roubo.

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planocritico 16 de abril de 2021 - 00:30

Bishop está surpreendendo, mas, nesse episódio em particular, ele acabou sendo prejudicado pelo EZ Wolverine…

Abs,
Ritter.

Responder
Nellio Vinicius 15 de abril de 2021 - 21:13

Salvo engano foi o primeiro episódio de Mayans que eu pausei , fui comer algo e voltei, pausei de novo, dormi e continuei mais folgado, um episódio que não teve aquele senso de urgência que a série carrega, não sei se a palavra é ruim, mas teve umas incongruências, o EZ perdeu um galão de sangue e o que? umas 30 horas depois já tava apto pra fazer um bem-bom e pilotar uma moto. O desenvolvimento do Bishop foi legal, ao menos, deu pra entender que ele odeia Santo Padre, mas ficou a pedido do Alvarez, porque ali é um ponto vital para todo o transporte da heroína. E dentre as 3 opções Ritter, aposto que o Nestor estava com aquele preguiça depois que nós comemos um prato bem pesado tipo uma feijoada no almoço e vamos pro cochilo da tarde.

Responder
Alex Fonseca 15 de abril de 2021 - 20:28

Também achei muito atropelado esse plot da recuperação do EZ, dando a entender que tudo ocorreu em pouquíssimas horas. O que me conforta nesse episódio são duas situações: o desenvolvimento do Bishop está sendo muito bom e eu gostei muito de vê-lo peitando o Alvarez; A guerra dentro dos clubes que parece inevitável.

Sobre Coco, esse já está pedindo pra morrer faz tempo. Acredito que o fim dele virá nesse próximo roubo.

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