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Crítica | O Regresso de Ultraman (1971) – 1X01: O Ataque dos Monstros

Tecnicamente, não é regresso, mas...

por Ritter Fan
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna semanal dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 1
Número de episódios: 51
Período de exibição: 02 de abril de 1971 a 31 de março de 1972
Há continuação ou reboot?: Sim. Foi precedida por Ultra Q, que inaugurou a “Série Ultra”, por Ultraman (1966), e por Ultraseven (1967) e foi sucedida por quase 40 outras séries nas décadas seguintes, até hoje em dia.

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Apesar de Eiji Tsuburaya ter planejado encerra as “Séries Ultra” com Ultraseven, pressões mercadológicos o levaram a começar o desenvolvimento de uma quarta série da franquia e sua ideia inicial, que chegou a ser levada à produtora, era criar uma continuação direta do Ultraman de 1966, com a passagem do bastão do super-herói para outro humano. No entanto, a Tokyo Broadcasting System rejeitou a ideia, por preferir um novo personagem desconectado do original, o que fez com que a produção retornasse à prancheta.

Infelizmente, porém, o criador da franquia faleceu no começo de 1970, com seu filho, Hajime Tsuburaya, assumindo a responsabilidade de desenvolver o novo conceito que, a julgar pelo piloto do que acabaria sendo O Regresso de Ultraman, passa muito longe de ser algo que pode ser considerado como “novo”. Para começo de conversa, ainda que o Ultraman original – e também o Ultaseven – apareça mais para a frente na temporada e que, anos depois, esse novo Ultraman tenha sido rebatizado de Ultraman Jack para deixar bem claro que são diferentes apesar de quase que visualmente idênticos, o piloto não tem a menor preocupação em criar qualquer diferenciação e mais parece uma versão mais bem acaba e mais polida do piloto do Ultraman de 1966.

A única “grande” diferença narrativa é que o alienígena chamado de Ultraman funde-se ao corpo falecido de um corajoso civil e não mais de alguém membro do esquadrão anti-monstros da vez. Sai Shin Hayata da Patrulha Científica e entra o corajoso Hideki Go (Jirō Dan) que salva uma criança e um cachorro de um ataque de monstros na baía de Tóquio. Depois de morrer, o Ultraman aparece para ele como admirador de seus feitos e, dizendo que não pode sobreviver na atmosfera da Terra em sua forma original, entrega sua vida a Go que, ato contínuo, revive como se nada tivesse acontecido e passa a transformar-se no Ultraman quando necessário.

É, para todos os efeitos, a mesma história contada de novo, só que com a Patrulha Científica dando lugar à MAT ou, como foi por aqui batizada, GAM, Grupo de Ataque aos Monstros, com o icônico uniforme laranja e Hayata abrindo espaço para Go, um piloto de corrida que lembra até no nome o Speed Racer. Jirō Dan, ator japonês que, para mim, tem traços latino americanos, é, talvez, o mais expressivo e carismático dos Ultras, com seu personagem logo de imediato criando empatia com o espectador mesmo considerando a correria do episódio.

No entanto, a velocidade da história é bem distribuída e bem trabalhada. Não há espaço para desenvolvimento de personagens ou para maiores explicações sobre o próprio Ultraman (imagine-se alguém vendo pela primeira alguma série Ultra por esse piloto e note como falta contexto) ou mesmo para alguns acontecimentos no episódio, como, por exemplo, o raio que faz com que os dois primeiros monstros retornem ao mar, mas há um bom ritmo narrativo que mantém a história acesa e interessante por todo o momento, algo que, tenho para mim, se relaciona com a qualidade do ator que vive o protagonista.

Ajuda muito, também, que os efeitos práticos, apesar de evidentemente falsos – nunca foi a intenção de fazê-los parecer realistas – parecerem mais completos, mais redondos, mais cuidadosos, com miniaturas e maquetes de qualidade, além do uso muito eficiente de retroprojeção e de sobreposição de imagens para criar os efeitos óticos de tamanho das criaturas. Estranhamente, apesar do desenvolvimento do uso de efeitos de animação no celuloide que vemos em Ultraseven, há relativamente pouco uso da mesma técnica aqui, com ela ficando reduzida ao raio lançado por Ultraman ao final.

O piloto de O Regresso de Ultraman, apesar de descaradamente repetir o que já havia sido feito antes e de insistir na separação completa das séries, algo que seria corrigido ao longo dos episódios, é um ótimo começo das aventuras deste supostamente novo personagem. Com uma icônica música de abertura e de uma abertura animada igualmente inesquecível, além de um ator que realmente faz diferença para viver o personagem principal, esta acabaria sendo, merecidamente, uma das mais lembradas versões de Ultraman.

O Regresso de Ultraman – 1X01: O Ataque dos Monstros (帰ってきたウルトラマン – Kaettekita Urutoraman – Japão, 02 de abril de 1971)
Criação: Hajime Tsuburaya
Direção: Ishirō Honda
Roteiro: Shozo Uehara
Elenco: Jirō Dan, Nobuo Tsukamoto, Jun Negami, Shunsuke Ikeda, Ken Nishida, Kō Mitsui, Mika Katsuragi, Shin Kishida, Rumi Sakakibara, Hideki Kawaguchi, Kazuko Iwasaki, Susumu Fujita, Kenji Sahara, Isao Yatsu
Duração: 26 min.

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