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Crítica | Perry Rhodan – Livro 19: O Imortal, de K. H. Scheer

por Luiz Santiago
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Grande Ciclo: Via Láctea — Ciclo 1: A Terceira Potência — Episódio: 19/49
Principais personagens: Perry Rhodan, Reginald Bell, Thora, Crest, Thort, Gucky, Manuel Garand, Capitão McClears, Tenente Everson, AQUILO.
Espaço: Planeta Ferrol e Planeta Peregrino
Tempo: Janeiro de 1976

E eis que a busca pelo “povo que vive mais que o Sol“, ou, segundo os sonhos e missão original de Crest e Thora, pelo “planeta da vida eterna” chegou ao fim! Em O Imortal, K. H. Scheer elenca as últimas batalhas de Perry Rhodan e sua equipe “contra” o povo/Ser que detém o segredo da regeneração celular, e isso se faz em uma situação de vida ou morte criada no Sistema Vega, que viu a sua principal estrela entrar em processo de Nova, sem explicação científica alguma para que tal coisa acontecesse.

Desde a partida da Stardust III do planeta Tuglan, onde fora parar por obra do rato-castor Gucky, Rhodan não teve um único momento livre de surpresas. A chegada em Vega revelou um problema de proporções cósmicas e a breve parada no planeta Ferrol mostrou o desespero de todo um povo prestes a entrar em extinção. O início desse livro tem toda a leveza e diversão que observamos desde a chegada de Gucky à nave, mas o autor consegue erguer de forma rápida, e às vezes meio atropelada na estrutura de passagens importantes, o dilema final para a descoberta do Imortal e de seu misterioso planeta.

É aqui que encontramos pela primeira vez a superinteligência AQUILO, vivendo entre realidade e projeções em seu planeta Peregrino, cuja formação se assemelha à visão que os antigos humanos tinham do planeta Terra: plana e coberta por um domo. Em toda a apresentação e atos desse personagem temos uma clara noção da pequenez do homem diante da enormidade, do poder e das possibilidades abertas por este Ser, que Rhodan insiste para sua equipe não endeusar, mas que, no final das contas, acaba sendo sim uma espécie de Deus. A reflexão aqui exposta, infelizmente, não tem espaço para ser expandida no livro (e nem será no próximo, pois a narrativa muda para algo de maior ação), mas dá um caráter diferente à ópera espacial, colocando os viajantes em contato com uma existência que já viveu uma quantidade gigantesca de milênios, que já viu uma quantidade infinita de grandiosidades e que se comporta com o maior desprezo divertido diante daqueles que estavam querendo arranhar a superfície do que tinha para oferecer. Se a gente pensar bem, as risadas desse Ser diante de Rhodan fazem todo o sentido, e é quase impossível não fazer relações de ordem espiritual diante desse indivíduo cósmico.

Para chegar ao planeta misterioso, a Stardust III atravessou provações bem intensas, agora no espaço e sem muitas orientações, aumentando a periculosidade das consequências e os danos psicológicos causados aos tripulantes da nave. O leitor fica bastante agoniado com cada sacodida, cada novo misterioso obstáculo e descontrole no maquinário da nave de guerra arcônida, até que enfim toda essa trajetória de provações é recompensada pela aparição de Peregrino, o almejado planeta da charada galáctica.

Neste livro, eu tive a impressão de ler uma repetição maior do que aconteceu nas outras histórias e que podem localizar leitores eventuais que tenham chegado à obra sem passar pelo que veio antes. Por conta dos quadrinhos e por estar acostumados com sagas, eu já me habituei com tranquilidade a esse tipo de narrativa, especialmente na literatura. Algumas vezes, porém, os autores exageram na dose, e acredito que aqui tenhamos um desses exemplos. Apesar de não atrapalhar verdadeiramente o fluxo narrativo, chegou um momento em que eu fiquei enraivecido pela presença de tantos parágrafos rememoradores, e pior, não apenas em linhas simples sobre eventos passados, mas com um número grande de detalhes, o que acabou me irritando ainda mais. Nos volumes anteriores sempre tivemos essas retomadas, mas de forma contida, em poucos pontos do volume e de maneira rápida. Não sei o que aconteceu aqui.

Um outro ponto que fez com que a história caísse um pouco de qualidade para mim foi o fato de o autor atropelar a ocorrência de passagens importantes, sempre resolvendo coisas muito chamativas em elipse. A saída da nave de Ferrol para chegar até o Sol quase-Nova de Vega; a passagem para a dimensão que colocaria a nave na rota de Peregrino e o próprio encontro do tal planeta são momentos muito importantes no meio da narrativa e praticamente ocorrem em passagens no mesmo período de um único parágrafo! A gente pisca o olho e a Stardust III já “está adentrando à cúpula que cobre o planeta do Imortal“. Chega a ser frustrante, porque são passagens que mereciam um melhor contexto. Em vez disso, certas bobagens como o monstrão que ataca a nave ou o bandido retirado do tempo, imitando um cenário de faroeste, recebem muito mais atenção.

O final de O Imortal traz uma conclusão cruel — mas já esperada, convenhamos — para Crest e Thora. AQUILO diz que os arcônidas tiveram a oportunidade de receber a bênção da regeneração celular (que ‘só’ dura por um período de 62 anos, precisando ser renovada a partir daí), mas perderam a vez. No fim, apenas Rhodan e Bell é quem tomam a ducha regeneradora e, mais uma vez sem um bom contexto para a partida, a Stardust III dá o salto para o nosso sistema, passando rapidamente por Vega, mas sem pousar em Ferrol, uma vez que não havia nenhuma necessidade. É um final com um gostinho amargo para os arcônidas, o que nos faz pensar na relação deles com Rhodan a partir daqui (fico só imaginado a postura de Thora!) e que coloca os viajantes no caminho de casa. Uma aventura com uma forte sensação de dever cumprido, em seu final.

Ele ou AQUILO — o ente incomensuravelmente antigo, composto de bilhões de anteriores indivíduos — tomara sua decisão, com a qual precipitara os dois arcônidas no mais profundo desalento. Apenas Perry Rhodan haviam sido julgados dignos por ele de serem submetidos à conservação celular, como representantes de uma humanidade jovem e impetuosa. E o restante da humanidade? Estaria madura para a conquista das estrelas? AMEAÇA A VÊNUS, o próximo volume da serie Perry Rhodan, responderá a esta pergunta. 

Perry Rhodan – Livro 19: O Imortal (Der Unsterbliche) — Alemanha, 12 de janeiro de 1962
Autor: K. H. Scheer
Arte da capa original: Johnny Bruck
Tradução: Richard Paul Neto
Editora no Brasil: Ediouro (1976)
98 páginas

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