Crítica | Preacher – 3X03: Gonna Hurt

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Talvez se tivesse mantido a estrutura de 10 episódios para a série, como na 1ª Temporada, os showrunners de Preacher tivessem que considerar com mais cuidado a forma como os temas são apresentados nos roteiros, inclusive com episódios um pouquinho mais longos e que se fechassem de modo mais sólido. Depois do bom início dessa 3ª Temporada e do interessante, mas um tanto perdido segundo episódio, temos aqui o capítulo mais instigante em termos de variações narrativas, embora nem tudo tenha sido colocado positivamente no roteiro. Isso, sem contar o final bastante apressado, com um corte cedo demais para nos impressionar.

Uma questão que urge é o papel de Deus e sua relação com Tulipa nessa temporada. Particularmente achei ridícula a fala da personagem de que “quebraria a cara dele” e… nada mais. Claro que não é uma descaraterização dela, longe disso. Nem a fala é nova. Mas é necessário considerar que, dependendo do tipo de coisa que um personagem afirma — e para a pessoa que dirige essa afirmação –, o texto precisa ter um grande cuidado para não fazer a frase parecer perdida, deslocada e “barata”, como no presente caso. Somando isso à indefinição de Deus no escopo da temporada (tudo bem que a busca segue, mas diferente dos outros dois anos, falta um sentido básico para a fuga/presença divinas aqui), me pergunto se um pouquinho mais de didatismo apresentado no início da temporada, não traria benefícios imensos para todos os outros episódios.

A linha de argumento sobre a magia ainda é a mais interessante até este momento. Mesmo colocada no meio de tantas quebras de ação e mistérios que aos poucos ganharão um desenrolar épico — a tirar pela exposição nos quadrinhos de Garth Ennis e Steve Dillon –, a presença de vovó Marie e do lado místico de Angelville tem divertido bastante e criado um lado cheio de boas possibilidades para a temporada, afinal, estamos falando de forças místicas que com certeza acessam parte dos lados misteriosos envolvendo Céu e Inferno. Aqui, sentimos o vazio deixado pela falha em Genesis. O início da temporada deu a entender que A Palavra estaria com Tulipa, mas não é bem o que vimos até agora, e nem a presença de Deus aqui melhorou esse aspecto, porque além das falas enigmáticas (algo esperado Dele) não tivemos absolutamente nenhuma indicação mais forte do por quê ele escolheu a jovem esquentada ou o quê exatamente ele quer fazer.

A entrada de Jesse nas Tumbas, certamente para salvar a vida de Cass, é algo que não imaginei que viria agora. Vovó Marie ainda espera por mais pactos de sangue e almas para poder se curar, então Jesse ficará preso a ela por um tempo bem maior. Gosto muito dessa relação complexa, gosto dos personagens de Angelville e do que a propriedade representa nos mais variados lados do misticismo. Como já comentei nos outros episódios, a direção de arte usa perfeitamente a deixa macabra para criar bons ambientes, e continuo achando as tomadas internas as melhores de todas, sem bem que a fotografia noturna desse episódio, em específico, mesmo tendo sido breve, já fez um serviço digno de nota. Aos poucos vemos Jesse cedendo (ou sendo obrigado a ceder) aos caprichos de seu meio. Ele sabia e nós sabíamos que isto ia acontecer. Mas um contra-ataque está sendo engendrado. Resta saber se isso é plano de Deus também, ou ele tem outras coisas em mente para dar cabo de seu mega-novo-plano Cósmico.

Preacher 3X03: Gonna Hurt (EUA, 8 de julho de 2018)
Direção: John Grillo
Roteiro: Gary Tieche (baseado nos personagens de Garth Ennis e Steve Dillon)
Elenco: Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga, Colin Cunningham, Betty Buckley, Jeremy Childs, Mark Harelik, Prema Cruz, Anthony Marble, Renes Rivera, Mike Harkins, Nicholas X. Parsons, Victoria Steadman, Shane Partlow
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.