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Crítica | Shakman – A Fúria Assassina

por Leonardo Campos
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Os babuínos não possuem o porte de um gorila, tampouco a força de um chimpanzé, mas cinematograficamente podem ser assustadores. Shakman – A Fúria Assassina é um daqueles clássicos que encontrávamos na era VHS em qualquer prateleira de videolocadora que se prezasse enquanto interessada no público jovem, amante de uma aventura com toques de horror. Também passou diversas vezes na televisão aberta, nas tardes da Bandeirantes e seu saudoso Cine Trash. Muito melhor na adolescência que hoje, duas décadas depois e senso crítico mais aguçado, o filme apresenta ao público uma noite de medo e horror envolvendo um grupo de estudantes trancafiados em um prédio e a sanha assassina de um babuíno geneticamente manipulado para experiências que saem do controle e criam um ser abominável e muito feroz. É a estrutura mais básica do horror ecológico, aqui focado nestes animais que fora essa pérola lançada em 1990, não protagonizou outra narrativa do segmento até então.

Cenas marcantes com os babuínos, por sua vez, já foram trabalhadas algumas vezes no cinema. A famosa passagem em A Profecia, com a mãe e o pequeno Damien, o anticristo em pessoa, marcou e assustou muita gente. A fúria dos animais durante a presença maligna que os atiçou é um dos momentos apavorantes do clássico, cena que midiaticamente, também já foi abordada em reportagens sobre interações humanas com os bichos da espécie. Ao investigar sobre o assunto, estratégia que adoto antes ou depois de contemplar um filme do segmento horror ecológico para entender a cristalização de imagens com estas criaturas no imaginário popular, me deparei com algumas notícias bem chocantes. Uma retratava a queda de um homem em Nairóbi, acidentado após despencar de quatro andares ao tentar conter um desses bichos em sua residência. A outra, mais polêmica e involuntariamente humorada, narra os ataques de babuínos aos turistas em um parque ecológico, criaturas que arrancavam para-brisas, espelhos e retrovisores de conduções com visitantes, segundo relatos, munidos de facas e chaves de fenda. Isso mesmo, avaliei se a notícia era uma piada, mas não, veiculada em vários canais por sinal, matéria basilar para inspirar uma boa narrativa do horror ecológico, não é mesmo?

Voltemos, então, ao filme. Dirigido por Hugh Parks, Shakman – A Fúria Assassina foi escrito por Robert Engle, dramaturgo que entrega um texto relativamente simples sobre um animal irado e um grupo de jovens colocados para sofrer com a morte após longas cenas de perseguição, inicialmente empolgantes, mas depois exageradas e demoradas demais. O argumento: os personagens se trancafiam na faculdade para uma versão live action de RPG. Eles não contavam com a presença de um babuíno despertado após uma dose cavalar de calmantes, criatura que foi usada numa experiência, colocado para descarte, mas não morre e retorna com uma força absurda. Sem CGI e focado nos efeitos sonoros, juntamente com a agitada composição de David Williams na trilha sonora, o animal é um assassino em potencial, ágil e irritadiço, filmado após os realizadores irritarem bastante a criatura nos bastidores, tendo em vista alcançar o desempenho almejado da criatura que também esteve em A Mosca, de David Cronenberg, na famosa cena da experiência com a maquina de teletransporte do cientista que brincava de ser Deus.

O animal é parte das investigações científicas do Professor Soreson (McDowall), homem que criou uma droga experimental para a diminuição da agressividade de alguns animais. Sam (Chris Atkins) é um de seus alunos, responsável por ajudar na supervisão com o tratamento do babuíno. A criatura é sedada para ser sacrificada mais adiante, no entanto, por descuido, desperta e a crise se estabelece. Com as portas trancadas, telefones sem acesso e comunicação parca, os personagens precisam lutar por suas vidas num ambiente cheio de obstáculos. Kim (Ari Meyers), Tracy (Amanda Wyss), Gary (Robb Morris), Bradley (Tre Laughlin), Richard (Greg Flowers) e Lara (Ann Kimberlie) são os integrantes do grupo que batalha para superar a fúria do animal, nesta narrativa que parece um slasher padrão, com mortes em sequência, mas importante delinear, pouco sangue. Esteticamente, Shakman – A Fúria Assassina funciona. Há um bom design de produção e os efeitos da equipe de Mark Alfrey dão conta do recado. Faltou mesmo dinamismo no texto e tempo de narrativa talvez menor, pois não havia necessidade de esticar a história para 100 minutos de duração. Diverte, entedia um pouco, mas não é um dos piores exemplares do horror ecológico. Há filmes bem mais desinteressantes, acredite!

Shakma – A Fúria Assassina (Shakma, EUA – 1990)
Direção: Hugh Parks, Tom Logan
Roteiro: Roger Engle
Elenco: Amanda Wyss, Ann Kymberlie, Ari Meyers, Christopher Atkins, Donna Jarrett, Greg Flowers, Rob Edward Morris, Roddy McDowall, Tre Laughlin
Duração: 100 minutos

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